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Insurgency, a more “legitimate” warfare?

CHAPTER 4. LITERATURE REVIEW – IMPLICATIONS OF DEFINITIONS

4.3 Insurgency, a more “legitimate” warfare?

Nesta categoria pode-se verificar quais foram as manifestações comportamentais que as mulheres vítimas de violência evocaram em seus discursos, evidenciando principalmente RS com dois tipos de ancoragens: de submissão e de

empoderamento. Nas ancoragens na submissão, observaram os comportamentos de passividade e silêncio. Nas ancoragens de empoderamento, surgiram RS objetivadas pelo posicionamento e defesa. Verifica-se a primeira subcategoria, através dos relatos a seguir:

Eu não achava saída/ Pra mim sair dele/ mas num pensava de fazer nada não/ e pensava de deixar e não conseguia/ e ele ia me pegar/ um dia meus menino cresce e eu vou-me embora/ A pessoa fica assim, sem saber o que fazer,/ como se defender/ porque a pessoa está ali com você direto/ não tenho pra onde ir/ não tenho emprego/ por não ter tomado uma atitude/ ter passado esses anos todos achando que vai melhorar/ mas não melhora/ a cada dia vai se passando.

Apesar das mulheres vítimas terem demonstrado sentimentos como raiva e ódio, estes não foram expressados em suas ações, quase sempre escondidas atrás do silêncio e passividade. Esta passividade é descrita por Narvaz e Kohler (2006) por “assujeitamento”, a qual aponta mecanismos de defesa, pois segundo as autoras, elas recorrem a estratégias de adaptação e de sobrevivência. Dito de outra forma, por não vislumbrarem saídas para suas situações, elas tendem a adaptarem-se a ela de forma passiva e submissa.

Esta passividade também é explicada por Narvaz (2005) pela culpabilização das vítimas e a dependência emocional e econômica dos parceiros abusivos, como já ressaltado nas subcategorias “culpa” e “medo”. O medo do companheiro e a obediência e submissão são engendradas pelo poder patriarcal, mais uma vez demonstrando ser esta uma das ancoragens sociais das RS das participantes deste estudo.

Conforme observado e assumindo uma extensão desta passividade, emerge o silêncio, como estratégia utilizada pela mulher vítima. Como se verifica nos relatos a seguir:

Eu sempre ali, calada (5)/Eu não queria que ninguém se intrometesse/ eu nem queria botar meu pai contra ele / eu não queria que minha família viesse na minha discussão/ ninguém da minha família sabia (5), Nem meus filho sabia que ele dava em mim/ Eu não dizia nada com ele (2)

Como foi visto nas outras subcategorias, este silêncio pode vir do medo das ameaças do companheiro, pela vergonha da sociedade em ser considerada uma mulher

fraca, que apanha de seu marido. Esta vergonha, na maioria das vezes, é da própria família, na qual esta atitude da mulher provavelmente também surge como estratégia de proteção à imagem do companheiro diante dos demais membros.

Ademais, ao quebrar o silêncio, a mulher se ver obrigada a tomar outras atitudes como por exemplo, sair da relação, abandonando com ela seu sonho romântico de ter uma família e casamento harmonioso e feliz. Também conforme verificado, algumas até demonstram o desejo de saírem da situação, mas não encontram uma saída dentro de suas possibilidades.

Por esta razão, a mudança, torna-se muitas vezes de difícil acesso, isso ocorre pela carência de políticas públicas voltadas as mulheres, pois conforme aponta a OMS (1993), embora seja importante reformar os sistemas jurídicos e policiais para tratar o problema da violência contra a mulher, estas medidas ainda são ineficazes, justamente pela falta de apoio comunitário e social.

Por outro lado, emergiu também no discurso das mulheres um comportamento de tomada de posição, apontando ações que exprimem o objetivo de pôr fim ao processo violento e sair deste ciclo.

Eu desisti de uma vez/ eu num agüento mais (2)/ Fiquei dormindo na casa da minha tia/ e na casa da minha mãe/ até ele me dar um pouco de sossego/ agora eu vou embora (3)/ mas eu não esqueço/ mas eu não quero voltar (3)/ se num der certo, separe/ Eu tento me separar faz 8 anos e não conseguia/ agora sim

Nestes relatos, embora com pouca freqüência, verifica-se a tomada de posição das mulheres em direção à saída da relação e da situação de violência sofrida.

A esta situação remonta-se ao conceito de empoderamento. Segundo Léon (2001), o empoderamento abarca duas dimensões: uma coletiva e outra individual. A primeiro implica no reconhecimento das restrições sociais a que a categoria está submetida e a necessidade de reversão dessa situação, por meio de mudanças em um contexto mais amplo, como, por exemplo, inserção em cargos de poder e a educação não sexista. A

segunda numa dimensão mais específica aponta o aumento da autoestima e autonomia e a reorganização do trabalho doméstico.

De acordo com o discurso das mulheres vítimas, verificaram-se RS ancoradas no empoderamento através de uma dimensão mais individual, emergindo explicações nos primeiros níveis de análise de Doise (19992), principalmente no que tange à autonomia que demonstram estar adquirindo. Estas RS reforçam a quebra do ciclo da violência em que vivem e, consequentemente, a quebra de comportamentos de silêncio e passividade.

Como conseqüência desta tomada de posição, emerge a subcategoria denominada “revide da violência”, exemplificada nos recortes a seguir:

Mas ele também apanhou/ tentei jogar a perna no rosto dele/ fui pegar um pau bem grande/ eu guardava esse pau em casa,/ai eu disse ‘agora venha’/ Ai eu também provoquei/ quebrei a luz da cozinha da mesma forma/.

Estas falas agrupadas nesta subcategoria foram pouco frequentes, entretanto, se observam comportamentos violentos também por parte da mulher. Provavelmente elas aprenderam a também se tornarem violentas, como estratégias de defesa diante do companheiro. E desta vez, a violência física retorna para o homem, conforme se observa:

“mas ele também apanhou”.

Verificou-se nesta categoria, que a atitude da mulher nestas situações de violência oscila bastante, vão desde o silêncio e a passividade até a prática do revide. Provavelmente estas manifestações seguem um processo, no qual a mulher demanda um tempo para elaborar suas perdas até que tome atitudes mais ativas. Entretanto, muitas nem chegam a formar esta atitude, e até mesmo no meio deste processo, acabam sendo assassinadas por seus companheiros.