Segundo Raju et al. (2001, p. 436), a análise multicritério é uma ferramenta muito importante para problemas complexos do mundo real, uma vez que tem a capacidade de julgar diferentes cenários alternativos de modo a selecionar o melhor possível para uma determinada aplicação.
Logo, a análise multicritério tem como finalidade adotar uma nota sobre determinado objetivo a ser atingido, através do equacionamento no qual constam os fatores (critérios ou parâmetros) a serem considerados, os seus respectivos pesos e uma ordem hierárquica entres eles (TREVISAN et al., 2011, p. 40).
Desta forma, pode-se definir a análise multicritério como um método de avaliação que objetiva se tomar uma decisão, ou escolha, entre várias alternativas levando em consideração múltiplos critérios definidos, onde essas alternativas são ordenadas do “melhor” ao “pior”.
Uma decisão pode ser definida como a representação da melhor alternativa, dentre várias possibilidades, tendo como base o atendimento das necessidades impostas por uma determinada situação particular.
“A análise multicritério, em geral denominada de multicriterial ou multiobjetivo, permite levar em consideração, simultaneamente, objetivos sociais, econômicos, ambiental e político (BRAGA; RIBEIRO, 2006, p. 37)”.
Em muitas situações em que se deseja fazer uma avaliação de alternativas para uma tomada de decisão em um projeto, programa ou política, como, por exemplo, no gerenciamento dos recursos hídricos de uma bacia hidrográfica, torna-se importante a consideração, simultaneamente, dos aspectos econômicos, sociais, ambientais e políticos, bem como quaisquer outro que se mostre relevante nesta bacia.
Conforme Mendoza; Martins (2006, p. 1), a tomada de decisão por meio da análise multicritério apresenta três dimensões, a saber:
1. A abordagem formal (o método);
2. A presença de múltiplos critérios a serem avaliados;
Segundo Castro et al. (2004, p. 7), “esses métodos apresentam a desvantagem de necessitar de um grande número de informações para a avaliação de cada alternativa”. Ainda conforme o autor o decisores e a escolha dos critérios a serem avaliados pode tornar a análise muito subjetiva.
Os critérios de avaliação adotados devem ser independentes, mutuamente exclusivos e, coletivamente, devem fornecer uma caracterização (especificação) exaustiva, isto é, completa, do objetivo fundamental ao que os mesmos de refiram (JARDIM, 2003, p. 40).
Uma das fases mais importante da análise multicritérios é a escolha do melhor método de análise, que pode não ser uma tarefa fácil, exigindo muita experiência dos decisores. A escolha de um modelo específico de análise multicriterial a ser empregado em qualquer área irá depender de vários fatores, como o tipo de problema em análise, os agentes envolvidos na decisão, os procedimentos de comparação entre as alternativas e o tipo de resposta a que se deseja obter.
Na escolha do melhor método para uma análise multicriteriosa devem ser levadas em consideração as seguintes observações:
O método de análise depende do tipo de problema a ser analisado; O analista deve ter familiaridade com método de análise;
Os recursos necessários para a aplicação do método de análise devem existir e estar disponíveis.
Assim, cada técnica irá simular, de uma forma muito particular, um determinado procedimento de decisão, por meio de um conjunto de passos de modo a se chegar a uma solução ótima.
Vale salientar que nas análises de multicritérios não há apenas uma única solução ótima e sim um conjunto de soluções, cada uma atendendo particularmente aos critérios envolvidos na análise. Chama-se esse conjunto de Conjunto Ótimo de Pareto, no qual a melhoria de um critério irá implicar na degradação em relação a outro.
Ao final de um processo de análise multicritério é indispensável a análise de sensibilidade, pois a mesma permite verificar a estabilização da classificação proposta, principalmente das primeiras posições dentre as alternativas, em relação aos múltiplos parâmetros (CASTRO et al., 2004, p. 16).
Juntamente com a análise multicritério o uso de indicadores pode auxiliar o processo de tomada de decisão, uma vez que os indicadores tem a capacidade de sintetizar as informações complexas e multidimensionais (POMPERMAYER et al., 2007, P. 118).
A capacidade de sintetização das informações dos indicadores torna o seu uso indispensável em uma análise multicritério auxiliando a tomada de decisão por parte dos gestores e decisores.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), define indicador como um parâmetro, ou um valor derivado de parâmetros, que descreve um estado ou um fenômeno, com significativa extensão (VIEIRA; STUDART, 2009, p. 127).
Um indicador pode, então, ser conceituado como uma ferramenta de avaliação referida a uma característica específica e observável, mensurável em escala quantitativa ou qualitativa, ou a uma mudança que pode ser avaliada em relação a um critério previamente selecionado, e que mostra a evolução de uma política ou de um ou mais programas implementados em relação a essa característica ou critério, ou o progresso relativamente ao atingimento de um resultado determinado, habilitando os tomadores de decisão a avaliar a necessidade/oportunidade de uma intervenção corretiva e/ou estimular o progresso rumo aos resultados, metas e produtos perseguidos ou, ainda, os impactos de uma determinada ação (MARANHÃO, 2007).
Para Vieira; Studart (2009, p. 127), os indicadores podem ser descritivos ou normativos, podendo representar tanto informações qualitativas como quantitativas e com aplicações em tempo e espaço.
“Uma das dificuldades que se apresenta para uso de indicadores consiste na integração de variáveis, uma vez que elas frequentemente envolvem grandezas de naturezas distintas (CASTRO et al. 2004, p. 7)”.
Vale salientar que um indicador deve ser bem fundamentado em sua teoria, baseado em padrões existentes em relação a sua validade. Segundo Pompermayer et al. (2007, p. 118), existem várias estruturas a partir das quais um indicador pode ser formulado, organizado e selecionado.
Podem-se agregar vários indicadores em um único parâmetro, chamado de índice, de tal forma que seja capaz de traduzir todas as informações de uma região em números, apontando assim uma direção para o tomador de decisão.
O objetivo principal do índice é de proporcionar informações compactas e objetivas para o gerenciamento e para as políticas de desenvolvimento de tal forma que os decisores e o público possam entendê-los e relacioná-los (VIEIRA; STUDART, 2009, p. 127).
Por meio da Figura 2.2 pode-se ver a relação entre dados brutos e a formação de índices.
Figura 2.2 – Pirâmide de informações
Fonte: Elaboração do autor, 20141.
Os dados brutos de uma região estudada podem ser analisados de tal forma que possam ser desenvolvidos indicadores, tanto quantitativo como qualitativo, que representem essa região. Entretanto, dois ou mais indicadores podem ser anexados em um único índice de modo a facilitar a interpretação dos gestores e dos tomadores de decisão.
Em resumo, os indicadores e índices são ferramentas que incorporam as informações e possibilitam uma comparação de características distintas ou de regiões, como uma bacias hidrográficas, que são usados no auxílio a tomada de decisão em um processo de análise multicriterial.
Em seguida, será apresentada uma nova metodologia de análise por envoltória de dados de modo a obter indicadores a ser usados em um processo de tomada de decisão em recursos hídricos.