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2.2 L EDELSE AV ORGANISASJONER I VEKST

2.2.4 Instruerende lederstil

Neste item foram apresentados e discutidos os resultados da função de exportação de açúcar bruto na região Centro-Sul do Brasil. A estimação do modelo econômico, elaborado no item 3.1.1.2, foi realizada utilizando uma análise em painel, considerando alguns dos principais países importadores.

Procurando estabelecer um padrão de comportamento das exportações do Centro-Sul do Brasil, onde a mudança estrutural causada pelo processo de desregulamentação não influenciasse as elasticidades do modelo, foram consideradas, para a estimativa da as exportações para os principais países importadores, e que importaram de maneira constante, a partir de 1996.

Dentre os países descritos como maiores importadores de açúcar bruto da região Centro-Sul24, não foram consideradas as exportações para Arábia Saudita e Malásia, que importaram somente a partir de 1998, e Indonésia, que não importou nos anos de 1996 e 2000. Portanto, a estimação da função de oferta das exportações de açúcar bruto da região Centro-Sul considerou as exportações para Rússia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã, Costa do Marfim, Canadá, Marrocos, Romênia, Nigéria,

24 Para identificar os principais países importadores, estes foram ordenados de maneira decrescente em volume importado, onde se considerou a média destas importações de 1996 a 2002.

Argélia, Bulgária e Ucrânia, que agregam cerca de 76% das exportações consideradas para fins desta análise no período de 1996 a 2002. A Tabela 49 do Apêndice 2 descreve o volume e o preço (valor dividido pelo volume de exportação) de exportação dos países considerados, assim como a estimação desses valores onde a exportação da região foi zero.

Para eliminar problemas econométricos observados ao se utilizar todos os países descritos na Tabela 49, foi necessário agrupar os países, considerando: África (Argélia, Costa do Marfim, Marrocos e Nigéria); Europa (Bulgária, Romênia e Ucrânia); Países Árabes e Egito (Emirados Árabes, Irã e Egito); Rússia e Canadá. O Egito foi agrupado com os países Árabes e não com outros países africanos, em razão da similaridade, em termos de volume, das exportações para esse país com as verificadas para os Emirados e Irã. A Tabela 50 no Apêndice 2 descreve todas as variáveis utilizadas na estimação da função de exportação de açúcar bruto da região Centro-Sul.

Como descrito anteriormente, o uso do preço médio de exportação de açúcar refinado na região justifica-se pelo fato de o Brasil pertencer à categoria dos países exportadores que podem mudar a proporção de açúcar bruto e açúcar refinado em seu mix de exportação, de acordo com o premium da relação de preços entre esses produtos. Assim, com o excedente doméstico de açúcar bruto utilizado para exportação, os usineiros podem ser estimulados a exportar o açúcar no estado bruto, ou refiná-lo, dependendo das condições de preços oferecidos por cada um dos produtos no mercado internacional.

Em relação à variável representativa do deslocamento de oferta doméstica de açúcar bruto, não foram significativas no modelo tanto a variável representativa do preço quanto da quantidade produzida de álcool combustível, seja de anidro ou de hidratado. O fato do álcool não ser uma variável significativa no deslocamento da produção de açúcar pode ser explicado pelo fato de que, como o açúcar possui um mercado internacional, os preços e, conseqüentemente, a produção caminha no sentido do açúcar para o álcool, e não o inverso. A ausência de relação causal do preço de álcool anidro para o preço de

açúcar cristal foi constatado por Costa (2000) e Alves (2002), para o Estado de São Paulo.

Selecionadas as variáveis do modelo, foram realizadas, inicialmente, análises econométricas, constatando-se problemas de heterocedasticia e correlação entre as unidades cross-section; além de autocorrelação e estrutura auto-regressiva em cada unidade cross-section. Foi identificado um processo auto-regressivo de ordem 1 para Canadá, Europa e Rússia. Em função do pequeno número de observações na série temporal, os resultados de heterocedasticia e autocorrelação de resíduos não foram conclusivos. O resultado mais expressivo foi a ocorrência de altos valores de correlação serial em grande parte dos países.

Os resultados sugerem que o método Parks para estimação do modelo econométrico foi o mais indicado. Além disso, este método mostrou-se mais eficiente, com altos níveis de significância dos coeficientes estimados, o que não ocorreu quando utilizado o método de Fuller. Entretanto, a estimação pelo método de Fuller não apresentou coeficientes estimados com sinais contraditórios em relação ao método escolhido.

Os valores dos coeficientes estimados são descritos na Tabela 19. Os valores entre parênteses, abaixo dos coeficientes, indicam os níveis de significância dos testes ‘t’ correspondentes.

Os sinais de todas as variáveis (lnpe, lntc, lnpd, lnpref e lnren) foram coerentes com o esperado pelo modelo econômico elaborado anteriormente. Os coeficientes estimados descrevem que a variação de 1% no preço de exportação de açúcar bruto da região Centro-Sul provoca uma variação, no mesmo sentido, de 1,28% no volume exportado. Já a variação de 1% na taxa de câmbio do país altera, no mesmo sentido, as exportações em 1,18%. Outra elasticidade interessante de ser analisada em termos do comércio internacional é a elasticidade-preço de oferta cruzada para açúcar refinado. Segundo as estimativas obtidas, tem-se que uma alteração de 1% no preço de açúcar refinado para exportação causa uma variação de sentido oposto na exportação de açúcar bruto de 3,9%. Esta elasticidade evidencia a proposição de que o Brasil, e

especificamente a região Centro-Sul, altera seu mix de exportação de açúcar bruto e refinado, conforme o comportamento dos preços de exportação destes produtos.

Tabela 19. Estimativas das elasticidades de oferta de exportação de açúcar bruto na região Centro-Sul do Brasil.

Intercepto lnpe lntc lnpd lnpref lnren Volume

exportado (lnxe) 209,029 1,284 1,185 1,527 -3,909 -9,781 (0,00) (0,00) (0,00) (0,00) (0,00) (0,00) R2 = 95%

Fonte: resultados de pesquisa.

Nota: lnxe = logaritmo da quantidade exportada; lnpe = Logaritmo do preço de exportação, em US$/kg; lntc = logaritmo do índice taxa de câmbio efetiva real; lnpd = logaritmo do preço doméstico de açúcar da região Centro-Sul, em R$/kg ; lnpref = logaritmo do preço de exportação de açúcar refinado, em US$/kg; lnren = logaritmo da variável PIB, utilizada como proxy para estimar o efeito renda.

Os valores das elasticidades estimadas para as variáveis que deslocam a exportação de açúcar bruto pelo aumento de demanda doméstica de açúcar refinado (lnpd e lnren), também foram significativas. Espera-se que, o aumento de 1% no preço doméstico de açúcar refinado do Centro-Sul reduziria a sua demanda doméstica, aumentando a exportação de açúcar bruto em 1,5%. Em relação a renda doméstica, espera-se que o aumento de 1% na renda reduza, aproximadamente, em 9,8% as exportações de açúcar bruto do Centro-Sul do Brasil.