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5.1 Incorporating the SDGs

5.1.2 Evaluating Opportunities

zação; e a concepção formal da estante. Essa concepção formal, por sua vez, está relacionada com: as dimensões possíveis (as definidas nos modelos, com possibili- dade de adaptações); a composição do móvel (a presença de nichos, gavetas, portas, prateleiras etc., que oferecem algumas versões, entre racks e estantes); os acabamentos (leque adaptado às preferências do cliente); a solução formal (linhas retas já incorporadas aos modelos semi-padronizados) e os materiais (no caso, a madeira compensada e, quando necessário, a maciça).

Pelo acima exposto, as limitações de projeto são, por opção da empresa, as de se reproduzirem apenas os modelos pré-estabelecidos, o que se encaixaria per- feitamente a uma produção seriada. Entretanto, devido à condição atual de se acei- tarem alterações nos modelos, e pelo tipo de produção não industrializada, não é possível, ainda, viabilizar-se esta referida fabricação seriada. A empresa também não se encaixa na produção sob medida por não executar estantes diferentes dos seus modelos de linha.

O diagrama 2 representa as etapas para a fabricação de estantes modelos sob encomenda, a partir dos dados coletados, para uma melhor visualização da inserção do projeto no processo. Na primeira etapa, há a necessidade de se contratar um profissional com conhecimentos compatíveis para a elaboração dos modelos que serão semi-padronizados, em função das características deste tipo de produção. Neste caso, verificou-se que o próprio dono se encarregou da definição dos modelos atuais, mas o profissional mais indicado seria um designer55 de produto, em função da possibilidade de industrialização desta categoria. Esta fase, após concluída, ou seja, quando todos os modelos que a empresa deseja comercializar já foram projetados, pode ser dispensada do processo e só se fará necessária novamente quando e se a empresa quiser reformular ou incorporar novos modelos ao seu catálogo de produtos. As pequenas alterações permitidas sobre os modelos são realizadas na própria fábrica por profissional habilitado.

55 Vale destacar que a formação do designer é mais voltada para o projeto de objetos de reprodução em grande escala e a do arquiteto, em geral, atende a produções individuais para usuários identifica- dos.

A segunda etapa consiste na comercialização das estantes em loja própria ou showroom, onde os vendedores, caso o cliente solicite alterações nos modelos, anotam ou até mesmo sugerem pequenas adequações possíveis e as encaminham à fábrica, após o fechamento da venda. A projetista da fábrica incorpora as solicitações e libera o projeto para a produção. A entrega é feita pela própria fábrica, de onde o produto já sai montado.

A seguir, apresentam-se dois exemplos de projetos de estantes (racks) modelos sob encomenda, constantes do catálogo de produtos da empresa Itália Móveis:

C sequência de fabricação de estantes modelos sob encomenda fonte: elaboração da autora

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Conforme dados levantados junto ao fabricante, os seus modelos de estantes sofreram alterações para adequação às mudanças ocorridas nos equipamentos de som e imagem, e também por solicitações dos clientes. Tais estantes apresentam-se, atualmente, mais baixas, constituindo-se, por vezes, em racks com inclusão de painéis de fundo (para acomodação da fiação de conexão entre os equipamentos). Constata-se, também, uma diminuição do volume da mesma, em geral, com menos componentes como gavetas e nichos, e a inclusão de rodízios, que possibilitam maior mobilidade do produto, culminando em um móvel mais despojado e sem molduras. Como a tendência atual são aparelhos de televisão cada vez maiores, é opinião da empresa que as estantes não vão mais dar suporte a eles, como já se verifica atual- mente em muitos casos.

Em relação aos materiais com que são fabricadas, utiliza-se compensado ou madeira maciça, não sendo ainda incorporado o uso de MDF na empresa, pois esta mantém os processos tradicionais de marcenaria (equipamentos elétricos de controle manual e máquinas estacionárias), sem investimento em equipamentos ou processos automatizados.

Os projetos das estantes, por serem semi-padronizados, já têm os seus proces- sos incorporados à fábrica, sendo as pequenas alterações solicitadas viabilizadas pelo chefe-marceneiro responsável pelo corte das chapas. O processo produtivo é semelhante ao do sob medida não industrializado, pois, apesar de existirem modelos padrões, os objetos não são produzidos em série e sim por encomenda, ou seja, con- forme a demanda, havendo um marceneiro responsável pelo serviço de execução de cada móvel.

A seguir apresentam-se imagens da fábrica para visualização geral do galpão de trabalho, dos equipamentos utilizados, dos moldes das peças de vários móveis, dos estoques de madeira maciça e das chapas compensadas, além dos móveis em execução por ocasião da visita e de uma caixa para recolhimento dos resíduos de madeira.

112 113

projetos de estantes (racks) sob encomenda fonte: Itália Móveis

114

estoque de madeira maciça (Itália Móveis)

fonte: arquivo da autora

115

estoque de chapas compensadas (Itália Móveis)

fonte: arquivo da autora

116

moldes dos cortes dos produtos (Itália Móveis)

fonte: arquivo da autora

117

visão geral da fábrica (Itália Móveis)

118

visão geral da fábrica em visual oposta a anterior (Itália Móveis) fonte: arquivo da autora

119

equipamentos tradicionais de marcenaria sem automação (Itália Móveis)

fonte: arquivo da autora

120

lixadeira de fita (Itália Móveis) fonte: arquivo da autora

121

moldes dos cortes dos produtos (Itália Móveis)

122

armário em execução (Itália Móveis)

fonte: arquivo da autora

123

encosto de cadeiras com marchetaria (Itália Móveis) fonte: arquivo da autora

124

montagem do móvel para conferência da execução (Itália Móveis)

fonte: arquivo da autora

125

resíduos de madeira (Itália Móveis)

Quanto às ações em relação à preservação do meio ambiente, implantadas nessa marcenaria, categoria modelos sob encomenda, a empresa mencionou que procura conscientizar os funcionários sobre desperdícios e a necessidade de reci- clagem dos resíduos de madeira. Estes, no caso, são doados a instituições benefi- centes ou utilizados para confeccionar novos móveis e pequenas peças na própria marcenaria. A serragem produzida, por exemplo, é toda recolhida, ensacada e doada à APAE, para utilização nas baias dos cavalos (equoterapia).

A empresa refere que as informações sobre novos materiais e padrões de acabamentos disponíveis são, em geral, obtidas por meio dos fornecedores, vindo as tendências formais (estéticas, acabamentos e cores) por meio da internet e revistas especializadas, pela solicitação do cliente e pela observação da concorrência.

Em relação aos usuários desta categoria de estantes, o fabricante pesquisado também aponta que as principais preocupações deles em relação aos seus produtos também são a durabilidade e a qualidade. Sobre as solicitações e necessidades do seu público em relação aos seus produtos, considera que, ao introduzir pequenas adequações nos modelos padrões, consegue atendê-los a contento. Essas solici- tações do usuário são captadas pelos vendedores nas lojas próprias, que anotam ou sugerem as adaptações possíveis, encaminhando-as à fábrica. Ao identificar solici- tações recorrentes dos usuários ou mesmo pelo retorno no pós-venda, por meio da assistência técnica, alterações são introduzidas nos modelos padrões das estantes, como foi o caso de se incorporarem rodízios e nichos a equipamentos de home theater, bem como a substituição de puxadores por cavas.

A percepção do fabricante desta categoria sobre o APL Movelaria Paulista é a mesma dos da categoria sob medida, em relação ao espírito de colaboração que se formou entre as empresas. O que motivou a empresa a participar do arranjo foi o con- vite do sindicato para formarem parcerias com vistas à exportação. A empresa não teve ainda ocasião de formar acordos com as demais para realizar trabalhos conjun- tos, mas considera os treinamentos, cursos e consultorias proporcionados pelo APL bastante importantes para a atualização e conscientização da necessidade de mudanças dentro da empresa, como no caso da necessidade de criarem uma identi- dade para os seus produtos.

Nesta categoria estão reunidas as empresas pesquisadas Luc’art Móveis e Quarta Divisão. As estantes e outros móveis por eles produzidos seguem um projeto pré-determinado, não havendo possibilidade de o usuário solicitar mudanças no produto final, pois são produzidos em série e a montagem segue procedimentos padronizados previamente definidos. A linha de móveis de cada fábrica é formada por peças com dimensões componíveis entre si, permitindo o uso das mesmas em diferentes posições e produtos. Esses móveis podem ser comercializados por meio de catálogos, pois as variações possíveis estão todas contempladas nos mesmos e, em geral, se limitam a alterações dimensionais ou a acabamentos do produto e/ou à redistribuição dos seus componentes (prateleiras, nichos, gavetas e portas).

Para se projetarem móveis ou outros objetos para uma produção seriada padronizada em grande escala, o profissional mais indicado é o designer de produto, cuja formação já contempla um aprendizado para atender a indústria. Por vezes, alguns empresários não contratam um profissional para projetar os móveis que serão os padrões da sua empresa, assumindo eles mesmos essa tarefa, tomando como base os produtos da concorrência, com pequenas diferenças de aparência. Como para essa categoria de móveis a redução de custos é primordial para se manter no mercado em função da concorrência acirrada, a eliminação dessa etapa de projeto parece corroborar nesse sentido. Outra percepção dos empresários é a de que os profissionais de projeto não conhecem o chão de fábrica, demandando muito tempo para a aquisição desses conhecimentos técnicos da produção para o projeto de produtos adequados.

A produção de estantes seriadas exprime um caráter coletivo (apropriado para uma produção em grande escala) para atender às expectativas de um maior número de pessoas possível, sendo o projeto padronizado, com o objetivo de facili- tar ao máximo a execução da estante e baratear o seu custo final. Uma estante con- cebida nessas condições apresenta dimensões padronizadas, um arranjo de compo- nentes (nichos, prateleiras, gavetas, portas) com pequenas variações entre produtos diferentes e materiais pré-determinados com poucas opções de acabamentos. A busca pelo menor custo implica, muitas vezes, um produto de baixa qualidade, con- cebido com materiais menos resistentes56 e dimensões reduzidas, diminuindo muito a sua vida útil. O público consumidor é, geralmente, o das classes sociais menos abastadas da população (C e D).

3.2.3