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2. Theory

2.2. Institutional theory

Para compreender a concepção de design adotada pelo Curso, abordando a classe temática ca racterísticas do design instrucional, foi realizada uma entrevista com a coordenadora de produção de material, responsável por coordenar a produção de dois dos três materiais em foco neste estudo: material impresso e objetos de aprendizagem. Inicialmente, foi analisado o contexto de desenvolvimento dos Los, à luz das teorias vistas neste capítulo e dos depoimentos da coordenadora.

Há apenas dois semestres que os LOs começaram a ser produzidos e implementados nos componentes curriculares do Curso de Pedagogia a distância da UFPB. Desde então, os sujeitos envolvidos na produção desses objetos vêm experimentando novas formas de trabalhar a aprendizagem online.

No âmbito do Curso, os LOs dão vida às salas de aula virtuais que são disponibilizadas no AVA. Eles são concebidos como materiais de autoaprendizagem, ou seja, que contêm objetivos, informações sobre as avaliações, indicações de leituras complementares e o conteúdo em si, porém com o diferencial de serem flexíveis às alterações ou atualizações. Sua produção é descrita pela coordenadora da seguinte maneira:

A gente começa pela capacitação dos professores, preparação desses materiais e organização das salas. Acompanho todos os materiais a serem inseridos na plataforma, verifico todas as salas de aula, se estão adequadas ou não, oriento os professores a fazer as adequações necessárias e depois faço o acompanhamento constante durante o semestre.

Dessa descrição, podem ser extraídas importantes informações sobre a produção de LO no Curso. Primeiro, a organização do trabalho em diferentes fases: capacitação docente, preparação do conteúdo do objeto e esboço de como será disponibilizado no AVA. Em segundo lugar, o papel da coordenadora em mediar todo o processo de produção, orientando

os docentes na construção das salas de aula virtuais. Em terceiro, nota-se que há um padrão de desenvolvimento a ser seguido, como confirma a própria coordenadora: há um padrão a ser seguido que é desenhado pela coordenação do Curso, comigo como designer instrucional.

Apresentamos aos professores para que insiram nos seus materiais.

Por fim, percebe-se que, de fato, quem produz o LO é o professor. A equipe de produção define os padrões, capacita e orienta, mas a criação dos objetos é praticada pelos docentes do Curso. Segundo Filatro (2008), o ideal é que se tenha uma equipe de desenvolvimento da qual o docente participe, contribuindo com os conhecimentos pedagógicos necessários e, inclusive, com aspectos técnicos do design, mas não que esta se configure especificamente como sua função.

Sobre isso, a coordenadora explica:

Esperamos que o professor tenha conhecimentos de design instrucional para que possa produzir seus materiais. A gente parte do princípio que ninguém é melhor conhecedor do seu conteúdo do que ele mesmo. Seria diferente ter um olhar técnico produzindo o material.

Uma das tendências da sociedade em rede é que as pessoas desenvolvam habilidades multifuncionais para o bom desempenho de seu papel social, como visto no pilar Aprender a

fazer (DELORS, 1998). Esse princípio norteia a realidade do Curso, no que tange ao perfil do

professor, que também assume a responsabilidade pela concepção dos LOs: Valorizamos muito a autonomia desses professores para que possam fazer suas produções, ma s

acompanhamos para que sejam respeitados os padrões estabelecidos.

A questão dos padrões é colocada pela coordenadora como a maior dificuldade enfrentada no design dos materiais:

O DI traz a sistematização de questões que não são comuns a todos os professores porque cada um tem uma ideologia própria; embora haja a concepção pedagógica do Curso, os professores já trazem consigo uma bagagem que não vão jogar fora porque estão no Curso.

Especificamente na criação de diversos LOs para um mesmo Curso, o design instrucional permite o planejamento e o desenho dos padrões que devem ser comuns a cada um deles. E isso é feito de acordo com os objetivos de aprendizagem presentes na concepção pedagógica do Curso. Acontece que o design reflete também as concepções de seu criador (BARANAUSKAS, 2009). E como cada professor é responsável pela produção dos objetos

usados em seu componente, a gestão da sintonia entre o padrão estabelecido e as diversas concepções docentes fica complicada. A coordenadora exemplifica:

O professor não compreende, por exemplo, porque que uma determinada imagem precisa ser inserida no objeto do seu componente. Daí tenho que explicar, para que os alunos quando entrem em qualquer sala de aula virtual do Curso, tenham o mesmo caminho intuitivo, que compreendam as salas da mesma forma, que tenham facilidade na navegação.

Uma importante fase da produção trata da avaliação dos recursos após já terem sido implementados. Os LOs são recursos fáceis de avaliar porque são disponibilizados nos LMS e por lá mesmo podem ser gerenciados. Na realidade do Curso, acontece da seguinte forma: podemos receber um feedback sobre o objeto na própria plataforma, durante a vivência do aprendente com esse material, daí fica mais fácil planejar as melhorias.

A coordenadora cita também outras vantagens dos LOs, como a reutilização e sua linguagem, que é essencialmente multimidiática e hipertextual: Os materiais podem ser de

período em período reaproveitados; os vídeos já ficam dentro dos objetos de aprendizagem,

não é só um link. Segundo Wiley (2002), a reusabilidade é a principal característica que um

LO precisa ter.

Especificamente do ponto de vista técnico, há alguns padrões criados para a implementação desses objetos. Os dois em maior destaque atualmente (SCORM e LD) foram explanados antes. Como foi visto, ambos apresentam características específicas da área de análise de sistemas, o que exige profissionais capacitados para implementá-los.

A configuração do AVA do Curso de Pedagogia em estudo está disponível no LMS Moodle, que comporta apenas o padrão SCORM de desenvolvimento. Apesar disso, o Curso não trabalha com nenhuma dessas especificações, como confirma a coordenadora de produção: O Curso, aliás, a UFPB Virtual, como um todo, não usa nenhum desses padrões

porque não há pessoa s capacitadas para isso até o momento. Ainda estamos estudando. Isso

mostra que, além dos docentes, os demais profissionais responsáveis pela produção dos materiais também estão em processo de construção dos conhecimentos necessários à implementação de LO.

Termina-se esta parte da análise com a descrição da concepção de design instrucional, que permeia a produção de materiais didáticos no Curso de Pedagogia da UFPB Virtual. As duas premissas que orientam o desenho instrucional do Curso são a hipertextualidade e a iconografia, com o intuito de dinamizar e estabelecer uma identidade aos materiais. Segundo a coordenadora de produção, essa concepção se caracteriza pelo design instrucional aberto

(FILATRO, 2008), cujo foco são os processos de aprendizagem: Eu caracterizo como um design instrucional aberto.

Isso significa que, embora as realidades educacionais dos aprendentes sejam valorizadas (ver relatos da subcategoria seleção dos conteúdos, p. 109), eles não são os responsáveis pelas decisões mais importantes acerca da aprendizagem. Ainda há um caminho a ser percorrido rumo à maior autonomia do aprendente e ao domínio das técnicas de produção de conteúdos de aprendizagem para o ambiente virtual: pela proposta do projeto político-pedagógico do Curso, o ideal é que tivéssemos um DI contextualizado, só que é um

percurso. Espero que consigamos chegar lá.