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A pesquisa observacional foi escolhida pela sua flexibilidade e adaptabilidade às situações concretas. Pretende-se alcançar um entendimento profundo do tema, permitindo uma maior adaptabilidade às circunstâncias que vão aparecendo durante a investigação. O método observacional “pode ser considerado o mais primitivo e, portanto, o mais impreciso. Mas, por outro lado, pode ser tido como um dos mais modernos, visto ser o que possibilita o mais elevado grau de precisão nas ciências sociais” (Gil, 1989, p. 35). Neste sentido, este método possibilita ver a realidade tal como ela se apresenta:
A observação: lança mão dos sentidos humanos para registar certos parâmetros da realidade, que são utilizados não apenas como um mero ouvir e ver e muito mais como um procedimento importante no exame crítico de certos factos da investigação. Destaque-se que tal fator é ferramenta técnica importante, principalmente nas pesquisas de campo em Antropologia. (Bastos, 2009, p. 98).
Optámos por fazer um estudo de campo, e não um estudo de caso, uma vez que a nossa investigação pretende compreender os aspetos de um nicho social como um todo, e não um único caso isolado. Foram observados sujeitos que possuem graus de envolvimento em diferentes escalas com o nosso tema de estudo. Através do ponto de vista de quem está em contacto direto e profundo com o assunto, como também de quem está inserido no contexto com menos proximidade, foi possível uma compreensão mais ampla desta temática.
Os estudos de campo envolvem um número razoável de elementos de pesquisa, ou seja, têm uma amplitude maior que os estudos de caso, aceitam hipóteses, mas têm menos profundidade que os estudos de caso, e resulta em generalizações com certas restrições. (Forte, 2004, pp. 10-11).
Coleta de dados
Foi inicialmente definido um período de três meses para a aplicação das entrevistas. Embora soubéssemos que este tempo poderia ser estendido, uma vez que nos deveríamos adaptar à disponibilidade dos indivíduos com quem iríamos travar contacto. A coleta de dados teve início no dia 15 de janeiro de 2013 e estendeu-se até finais de junho. Isto significa que tivemos de duplicar o tempo estipulado inicialmente, chegando aos seis meses consecutivos para a realização desta etapa.
Instrumento de coleta para a pesquisa observacional:
Foi utilizada uma “observação direta”, baseada na aplicação de entrevistas semiestruturadas, ou seja, conversas face a face entre a pesquisadora e o entrevistado. A conversa baseia-se no assunto em questão, mas sem que seja adotada uma posição rigorosa.
Esta, em síntese, é o tipo de entrevista na qual o pesquisador, ao se propor realizá-la junto do objeto de pesquisa, de um lado, comparece com um temário básico de perguntas anteriormente preparadas, de outro, também deixa espaço para que, caso aconteça, surjam outras questões que não estejam previstas nesse temário. (Bastos, 2009, p. 100).
Este tipo de entrevistas permite que o entrevistado possa falar livremente de um assunto, aprofundando aspetos que para ele são importantes, mas ao mesmo tempo manter um roteiro, para que não fuja ao tema.
Informantes: População entrevistada
Baseado nos métodos antropológicos, chamaremos de “informante” o indivíduo entrevistado, uma vez que o conteúdo levantado com as entrevistas não correspondem a uma amostra de um nicho determinado, mas são na realidade, pontos de vista que irão ajudar a interpretar o objeto em estudo, neste caso, o panorama português de vídeo-
dança. Portanto, os informantes são aqueles que tem algum tipo de participação dentro desta área e que apresentam distintos graus de conexão com a mesma, conseguindo apercebermo-nos, desta forma, do cenário sob diferentes ângulos. O perfil dos informantes possuem as seguintes caraterísticas:
• Artistas da área da dança que criaram obras de vídeo-dança.
• Artistas da área do cinema que criaram obras de vídeo-dança.
• Artistas de outras áreas, como fotografia, artes plásticas ou multimédia, que criaram obras de vídeo-dança.
• Organizadores de eventos e festivais relacionados com vídeo-dança.
• Curadores e júris de vídeo-dança.
• Coreógrafos renomados no país.
• Professores que lecionem alguma matéria relacionada com vídeo-dança.
• Professores ou pesquisadores da área do cinema experimental e/ou vídeo-arte.
• Investigadores e artistas da área da dança que trabalhem com intermediação tecnológica.
Em relação ao conteúdo das questões preparadas para serem colocadas aos informantes, as perguntas não foram exatamente as mesmas para cada indivíduo, já que algumas perguntas variavam conforme o que se pretendesse conhecer de cada pessoa em particular. Por exemplo, quando entrevistámos os artistas de vídeo-dança tínhamos interesse em conhecer os processos de criação, enquanto ao entrevistarmos curadores e organizadores de festivais pretendíamos saber como era feita a seleção das obras para as mostras. Houve, no entanto, um delineamento base para todas as entrevistas, com
questões importantes colocadas a todos. As duas principais foram: a) o que é vídeo- dança e como se define?; b) como considera a produção de vídeo-dança em Portugal?.
Alguns dos cuidados adotados durante as entrevistas:
• Foram aplicadas face a face, à exceção dos casos em que o entrevistado não se encontrava próximo da pesquisadora, realizadas via skype. As entrevistas presenciais foram as preferenciais, pois possibilitaram uma maior sinergia entre a pesquisadora e o entrevistado. Permitiram ainda que outros aspetos fossem avaliados, como as atitudes, pausas, expressões e gestos do entrevistado.
• As entrevistas foram aplicadas de forma individual, com exceção de uma obra com dois criadores, que mostraram preferência por serem entrevistados de forma coletiva.
• Os encontros foram agendados com antecedência, dentro das possibilidades que melhor se adaptavam ao entrevistado e levando em consideração os seus locais de preferência. Entre os lugares escolhidos pelos entrevistados estão: os espaços públicos, como bares e cafés, e os locais de trabalho, como ateliês, escritórios, escolas e espaços artísticos.
• As entrevistas foram gravadas em áudio e não filmadas com câmara, permitindo assim que o entrevistado se sentisse mais à vontade.
Foi adotado também um cuidado com a ética: solicitando o consentimento do informante para o uso do depoimento prestado. Nesse sentido, não foram consideradas como aptas para objeto deste estudo as entrevistas em que o informante não autorizou, de forma clara, o uso do conteúdo gravado. E uma vez que as entrevistas não são
anónimas, também foram tidos os devidos cuidados durante a exposição dos resultados para não comprometer a imagem do entrevistado, ao expor aspetos que pudessem ser desnecessários ou impróprios.
Lista dos nomes dos informantes que colaboram com a pesquisa:
Após concluídos os seis meses de investigação, obtivemos um total de 16 entrevistas gravadas em áudio, das quais 13 foram utilizadas para o desenvolvimento deste capítulo. As restantes três, por não termos a autorização devidamente formalizada, não foram utilizadas para a discussão.
A seguir, segue-se lista dos nomes dos informantes que permitiram a construção do panorama português apresentado no próximo capítulo:
1. Alberto Magno 2. Ana Macara 3. António Cabrita 4. Bruno Canas 5. Catarina Barata
6. Coletivo F5 - Dário Pacheco e José Gonçalves 7. João Botelho
8. Madalena Silva 9. Paula Varanda 10. Pedro Sena Nunes 11. Rui Horta
12. Sérgio Cruz 13. Vasco Diogo