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Institusjonenes publikasjonslister for artikler

Oversikt over forskere ved HEB satsingen

Vedlegg 2: Institusjonenes publikasjonslister for artikler

O estereotipo está carregado de sentidos, é um rótulo que condiciona o olhar antes mesmo que possamos ver algo, Walter Lippmann (2008) expõe que só tiramos esse rotulo, ou nos desvencilhamos dos nossos estereótipos, quando reconhecemos nossas opiniões como experiências parciais, justamente guiadas por sua vez, também por estereótipos, para dessa maneira nos tornarmos realmente tolerantes. Pode-se dizer que o estereotipo frente ao diferente encontra força na ação conjunta de três fatores: em primeiro lugar, a necessidade de simplificar a realidade; em segundo a necessidade de pertencimento, o que que faz com que o individuo tenha uma identidade, reconheça seu similar, mas que por esse principio, tenha aversão ao outro ou o observe como exótico, mesmo que inconscientemente; e em terceiro estão as razões de tipo histórico e social, que definem a posição e funções de cada grupo humano em um nível global.

O autor afirma ainda que as representações são responsáveis por guiar o indivíduo e o auxiliam quando ele precisa lidar com informações complexas, entretanto, estas representações funcionam também como defesas, que o possibilitam de proteger os seus valores, os seus interesses, as suas ideologias. Dentro dessa ótica, as representações não possuem uma posição neutra, pois sofrem uma influência maior do observador do que do objeto observado; além disso, Lippmann (2008) também tenta compreender de que modo a cultura influencia dentro do recorte que o indivíduo faz da realidade, e de que forma estes recortes ganham consistência e estabilidade de significado. Relacionado a isto, analisa ainda o papel dos preconceitos para a utilização da informação, a partir da interpretação da realidade, da memorização e recuperação das informações.

Atualmente, o conceito de estereótipo tende mais a se referir à imagem mental simplificada e com poucos detalhes acerca de um grupo de pessoas que partilham certas qualidades características. Costuma ser usado com um sentido negativo ou pejorativo, e os mais usuais incluem várias afirmações que variam desde o nível social e riqueza, passando pelo racial e também comportamentos/preferencias sexuais. Na arte e na literatura, os estereótipos são clichês e aparecem sob a forma de personagens ou situações previsíveis, usualmente denotados através da aparência e comportamento; e como dito anteriormente, no processo de compreensão do papel das

apresentadoras dos telejornais, se mostrou essencial uma reflexão a respeito de estereótipos, em particular os relacionados ao gênero feminino.

Pelo fim dos estereótipos e valorização da diversidade feminina nas peças de comunicação, essa foi a sugestão principal feita pelos participantes da pesquisa online35 sobre imagem da mulher nos meios de comunicação lançada em novembro de 2014 pelo Movimento Mulher 360. Mais de 70% das respostas, afirmaram sentir falta de ver diferentes tipos de mulheres nas propagandas, enquanto 71% concordaram que as propagandas ainda precisam mudar muito para mostrar a mulher como ela realmente é; a pesquisa contou com mais de 230 participantes, entre homens e mulheres de todas as regiões do Brasil, sendo a maior parte deles na faixa etária de 30 e 39 anos (40,71%), com renda mensal de R$1.734 a R$7.475 (52,83%) e ensino superior completo (62,74%). Com a pergunta: “Como a mulher é retratada na mídia?36”, buscou-se identificar e entender o impacto da publicidade e da imprensa na percepção da imagem feminina.

A forte influência dos veículos de comunicação na forma como as mulheres se enxergam ficou evidente a partir da análise das respostas37 da pesquisa: para 62,19% dos participantes, muitas mulheres têm problemas de autoestima por não se enquadrarem aos padrões de beleza atuais da sociedade. E pouco mais da metade (51,79%), acredita que as propagandas normalmente transmitem padrões de beleza inatingíveis. O cenário também é desfavorável quando o assunto é mulher e mercado de trabalho, somente para 40,76% dos participantes a imagem da mulher na sociedade é considerada boa. E ainda, 70,50% concordam que apesar de terem evoluído, as mulheres continuam as principais responsáveis pelo cuidado da casa e dos filhos, sendo que deste percentual, 48% acreditam que as empresas ainda não oferecem condições de trabalho que as ajudem a conciliar todas as tarefas e responsabilidades. A maternidade é vista como um empecilho por quase metade dos participantes – 40,51% acham que as mulheres têm maior dificuldade no mercado de trabalho por conta dos filhos.

Em geral personagens femininas são vistas com distorções, porque isso seria um reflexo da idealização que é feita em relação às mulheres. Numa longa reportagem38 do Jornal norte-americano NY Times, feita pela jornalista Manohla Dargis em janeiro de 2015, é argumentado que Hollywood não sabe como escrever personagens femininos, ela diz que entre 2002 e 2012, apenas 4.4% dos 100 maiores sucessos de bilheteria foram dirigidos por mulheres; sendo que em 2012, apenas 28.4% de todos os papéis com falas, entre os 100 maiores sucessos, eram femininos. O que segundo a matéria, acaba sendo contraditório, pois as mulheres são muito bem representadas em todas as principais escolas de cinema dos EUA, mas por algum                                                                                                                

35 Movimento Mulher 360 - disponível em: http://movimentomulher360.com.br Acessado em 12/10/15 36 Pesquisa diversidade - disponível em: http://movimentomulher360.com.br/2014/01/midia-deve-valorizar-a- diversidade-conclui-pesquisa-do-movimento-mulher-360/ Acessado em 12/10/15

37 Indicadores – disponível em: http://movimentomulher360.com.br/2015/08/consulta-publica-indicadores-ethos- mm360/ Acessado em 12/10/15

38 Estereótipos femininos no cinema - disponível em: http://www.nytimes.com/2015/01/25/movies/on-many- fronts-women-are-fighting-for-better-opportunity-in-hollywood.html?_r=1

motivo, não conseguem adentrar a indústria. No entanto, considerando que os seis grandes estúdios que controlam a indústria cinematográfica são inteiramente dominados por homens, talvez seja essa a razão. Quando se trata de filmes independentes, há uma participação feminina muito mais expressiva, isso revelaria ainda segundo a matéria, mais uma vez, que mulheres são sistematicamente impedidas de trabalhar simplesmente por serem mulheres, mas indo além disso, essa falta de representatividade geraria uma infinidade de filmes com personagens femininos criados e moldados a partir da percepção dos homens, assunto já abordado no capitulo 02, sobre o Estado da Arte.

Na matéria ainda são descritos os principais estereótipos femininos que aparecem nos filmes dos grandes estúdios: mulheres cujas vidas se transformam com um bom trato no visual – exemplos: Uma Linda Mulher, Diário de uma Princesa,

Casamento Grego, Ela é Demais e todos os realities de TV baseados mudanças de visual; mulheres deslumbrantes, mas desastradas – exemplos: É Pura Sorte, Casa

Comigo?, Sorte no Amor, Enrolados, New Girl, Maldita Sorte e comédias românticas em geral; mulheres que privilegiam a carreira em detrimento da vida pessoal (e descobrem que são terrivelmente infelizes por isso) – exemplos: A Proposta, Kate e

Leopold, Sem Reservas; mulheres que largam tudo pelo ‘verdadeiro’ amor – exemplos: Tudo para ficar com ele, Sintonia de Amor, Casa Comigo?, Escrito nas

Estrelas, Ele não está tão afim de você; mulheres que se voltam umas contra as outras – exemplo: Noivas em Guerra, O Casamento do Meu Melhor Amigo; mulheres que não conversam entre si (e se conversam, é sobre homem) – exemplos: A Rede Social,

Trilogia Star Wars (original), Trilogia Senhor dos Anéis, Piratas do Caribe, Tomb Raider, 500 Dias com Ela, Como se Fosse a Primeira vez.

Considero esse item o mais importante da lista, e que remete a um outro fato relacionado a como o cinema não representa as mulheres. Em 1985, a cartunista norte-americana Alison Bechdel elaborou um teste para filmes (hoje chamado de Teste Bechdel39), que consiste em três regras simples – e , para passar no teste, o filme teria que ter pelo menos uma cena em que:

1) Pelo menos duas personagens femininas apareçam e… 2) …conversem uma com a outra sobre…

3) …qualquer coisa que não seja homens e relacionamento amorosos. Muitos filmes, inclusive os aclamados por incluírem personagens femininas fortes, surpreendentemente não passam no teste. Isso não significa que esses filmes sejam ruins, mas mostram que, no cinema, as personagens femininas costumam ser definidas apenas por seus relacionamentos com homens – sejam eles interesses amorosos ou não. E o mais impressionante, é que isso acontece de maneira proposital, de acordo com a ex-roteirista Jennifer Klester, todas as escolas de cinema frequentadas por ela nas décadas de 80 e 90, desencorajam roteiros que tivessem personagens femininas tendo conversas que não envolviam homens, porque isso, de acordo com o que ela definiu de “manual invisível dos roteiristas”, distraia a audiência – isso era dito constantemente a todos os alunos, segundo Jennifer.

Após esse breve panorama sobre a representatividade feminina na mídia,                                                                                                                

39 Teste de Bechdel - disponível em: http://mdemulher.abril.com.br/cultura/claudia/teste-de-bechdel-12-filmes-em- que-as-conversas-entre-mulheres-nao-sao-sobre-homens

questionamos se de fato, o Movimento Feminista funcionou. Afinal de contas, em pleno 2015, situações como essas não deveriam mais existir, dado o alarde e batalha empreendida pelo feminismo – a igualdade deveria ser a realidade. Isso é em parte verdadeiro, mas se considerarmos através dessas questões levantadas, o progresso empreendido – podemos afirmar que, se as mulheres ainda estão longe do mundo ideal, os avanços dentro do retrospecto do Movimento Feminista é otimista em relação à evolução da mulher, como bem definiu anteriormente Gilles Lipovetsky (2000) – é importante lembrar, no entanto, que essa “mulher” não é única, e não pode ser classificada como tal, mas múltipla no que se refere a suas características, anseios e necessidades de representação.