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3. MER ENN KLASSE: ETNISK KAPITAL OG SUBKULTURELL KAPITAL

3.3 Hvordan overføres utdanningsdrivet? Betydningen av etnisk kapital

A configuração das famílias de elite visa, primeiramente, definir quem seriam essas “famílias”. Para tanto, é importante salientar que não é possível fazer uma relação direta dos nomes dos fazendeiros visto que, com os casamentos, há mudanças de sobrenomes. Deste modo, as famílias dos fazendeiros de café serão agrupadas

baseando-se nos laços de consanguinidade e afinidade estabelecidos entre membros destas famílias por meio do matrimônio. O Quadro 8, a seguir, faz este agrupamento, apresentando os laços de consanguinidade entre os membros da mesma família, bem

como, a permanência do mesmo fazendeiro de café nos anos de 1873 e 1896. Nos vários exemplos mostrados neste Quadro, são verificados casamentos entre parentes da mesma família, deixando evidente que os laços de consanguinidade são utilizados como forma de manutenção ou de reforço da presença de uma determinada família na elite, como será discutido a seguir.

O Quadro 9, por outro lado, já representa os laços de afinidade adquiridos e estabelecidos pelo casamento entre integrantes de diferentes famílias da elite do município de São Carlos nos anos de 1873 e 1896. Da mesma forma, os casamentos entre diferentes famílias são utilizados como maneira de retenção e a permanência de seus membros na elite.

Quadro 9: Laços de Afinidade entre diferentes famílias da elite do município de São Carlos

Analisando os Quadros 8 e 9, é possível observar a permanência e a continuidade de várias famílias da elite do município de São Carlos entre os anos de 1873, 1896 e 1904 gerada pelos laços de parentesco. Estas famílias possuíam terras, escravos, cargos políticos, enfim, possuíam vários atributos de pertencimento à elite, como descritos por Bacellar (1997). Deste modo, nota-se que os membros da elite, que representavam a minoria, utilizavam-se do atributo da riqueza, defendido por Mosca (1939) como sendo fundamental para a sua organização.

Além disso, os laços de consanguinidade ou afinidade, mantidos por meio dos casamentos, contribuíam para a reprodução social das elites, como Love (1982) nos aponta. Desta forma, a manutenção das riquezas e das posses também estaria garantida. Considerando os quadros acima, alguns casos de laços de parentesco por consanguinidade ou afinidade serão analisados.

O casamento realizado entre Alfredo Ellis (cafeicultor e médico) com a sua prima Sebastiana Eudóxia da Cunha Bueno permite identificar que há relação de consanguinidade entre eles. Sebastiana era filha do tio paterno de Alfredo Ellis – Francisco da Cunha Bueno. Ou seja, Alfredo Ellis era sobrinho e genro de Francisco da Cunha Bueno. Aqui é relevante explicitar, rapidamente, o valor que era dado à mulher e aos dotes que, consequentemente, eram dados aos cônjuges com os

casamentos. Percebe-se que o papel da mulher, até meados do século XIX, era sinônimo de transmissão da herança por meio dos dotes46 remetidos aos cônjuges quando da ocorrência do casamento. O dote, portanto, viabilizaria a transmissão material (riquezas, terras, escravos etc.) da família e era um meio de viabilizar a união conjugal, sendo raro a moça rica e com dote que não se casasse. Gordinho (2004), ao descrever sobre o casamento e as núpcias do casal Antonio Carlos de Arruda Botelho (o Conde do Pinhal) e sua segunda esposa Anna Carolina de Mello Oliveira (filha do Visconde de Rio Claro) nos apresenta uma ideia da ocorrência do dote nesta família. Ao discorrer sobre a vinda do casal, que havia se casado e passado as núpcias em Rio Claro, para a Fazenda do Pinhal, em São Carlos, Gordinho (2004:55) destaca que: “[...] Anna Carolina levava consigo sua mucama Celestina, mais um ou duas escravas e tudo mais que fazia parte do dote”. Assim, é interessante observar que o dote era composto por escravos, terras, mobílias, moeda corrente e outros pertences de valor da família. É possível afirmar que a prática do dote era comum entre as famílias da elite, como também das do município de São Carlos do século XIX. Porém, é importante salientar que a prática do dote47 era uma representação simbólica do prestígio e influência de uma determinada família de elite em uma ou mais região do interior paulista ou do território nacional. O dote, afinal, evidenciava uma das práticas utilizadas pela elite para possibilitar o aumento das oportunidades econômicas e políticas que irão surgir para as famílias de elite.

Na família Souza Barros, temos exemplos de casamentos consanguíneos entre as filhas do Comendador Luiz Antonio de Souza Barros. Inicialmente, em poucos

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O Código Civil Brasileiro, promulgado em 1916, sob a égide republicana, vigorou no Brasil até 2002. Estabelecia o regime dotal como uma modalidade do regime de bens entre os cônjuges, o qual deveria constar na escritura antenupcial.

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Sobre a prática do dote desde o período colonial até o seu desaparecimento, consultar Nazzari (2001).

parágrafos, tentarei expor quem foi o Comendador Luiz Antonio de Souza Barros, o que auxiliará em maior compreensão por parte do leitor.

Luiz Antonio de Souza Barros (1809 – 1887) era filho de Luiz Antonio de Souza e Genebra Leite de Barros. Nasceu em Itu e foi o único dos filhos a herdar o sobrenome da mãe. Teve 5 irmãos, sendo que era irmão do barão de Limeira (Vicente de Souza Queiroz) e do barão de Souza Queiroz (Francisco de Souza). Ainda menino, com 8 anos apenas, foi enviado à Portugal para estudar. Com o falecimento de seu pai, em 1819, Luiz Antonio de Souza Barros retorna ao Brasil e irá viver na casa de sua irmã – Ilídia Mafalda (futura Marquesa de Valença) e de seu cunhado – o desembargador Estevão Ribeiro de Rezende (futuro barão de Rezende), em São Paulo. Luiz Antonio de Souza Barros é considerado pela historiografia tradicional como sendo um dos grandes nomes da aristocracia imperial paulistana de meados do século XIX. Cafeicultor, senhor de escravos e moderno capitalista, foi um dos organizadores da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Possuía posses, escravos e propriedades em São Paulo, Piracicaba, Campinas e São Carlos. Tinha uma vida ligada tanto à São Paulo quanto ao Rio de Janeiro, nos meios sociais e nos meios políticos. Vivia na Corte e na Província Paulista, nos salões aristocráticos do Rio de Janeiro numa exibição de luxo e bom gosto ou nos meios mais modestos e provincianos de São Paulo, com costumes ainda nitidamente coloniais, ou ainda nas fazendas de cana do interior paulista (Torres, 2010). Luiz Antonio de Souza Barros entrou para o cenário político da Província de São Paulo assumindo e exercendo o cargo de Prefeito de São Paulo (foi o primeiro prefeito da província paulista). Seu governo foi duramente criticado, pois

“[...] mais lavrador do que político, mais habituado à administração e aos problemas da zona rural do que aos da zona urbana, não obstante sua elevada posição social e econômica, o novo prefeito é duramente criticado mais de uma vez, pelos vereadores,

principalmente pela sua ausência. Pedira logo uma licença que lhe fora concedida pelo então vice-presidente da província, o senador Queiroz (Torres, 2010:28)”.

Após sua renúncia, assumiu a presidência da Câmara Municipal da Província de São Paulo. Recebeu os títulos de Comendador de Cristo (título de origem portuguesa) e Dignatário da Rosa48 (título de origem brasileira).

Tendo, inicialmente, investido em engenhos de açúcar, principalmente em Piracicaba (como na Fazenda São Lourenço, por exemplo), substituiu suas plantações de cana-de-açúcar pelas do café. Foi favorável à implantação da mão de obra estrangeira em suas fazendas e investiu em maquinários para o beneficiamento do café. Embora fosse para Piracicaba e para suas outras fazendas em períodos de colheitas, morava em São Paulo. Assim,

“[...] a família Souza Barros vive como a maior parte das famílias de recursos, como quase todos os grandes fazendeiros, assistindo às procissões religiosas, discutindo política, em meio a festas familiares, durante uma parte do ano, em São Paulo, e, durante o outro período na fazenda que é a fonte de seus amplos recursos financeiros” (Torres, 2010:60).

Morando na casa de sua irmã, ao retornar de Portugal para o Brasil, apaixona- se pela sua sobrinha (Ilídia Rezende) e casa-se com esta. Tiveram 9 filhos: Ilídia de Souza Whitaker (casada com seu primo João Guilherme de Aguiar Whitaker); Luiza Augusta de Souza Vergueiro (casada com seu primo Joaquim Vergueiro); Francisca de Souza Barros (casada com seu primo Bento Aguiar de Barros); Estevão de Souza Barros casado com Leonor Assumpção Barros); José de Souza Barros (casado com

48 “[…] Destinada a premiar civis e militares, nacionais ou estrangeiros que se distinguissem por sua fidelidade à pessoa do Imperador e por serviços prestados ao Estado, apresentava a mais absoluta originalidade - nem palmas de ramos de oliveira, nem folhas de carvalho, mas rosas como as do vestido da linda princesa de 17 anos, de olhos azuis, rosas como a do seu toucado, no retrato enviado a D. Pedro por Barbacena, rosas, as flores prediletas da que seria imperatriz do Brasil por tão pouco tempo” (Torres, 2010:68).

Josefina Dias Aguiar e, depois, com Luiza De La Floret), Francisco de Souza Barros (casado com Francisca Ferraz do Amaral); Amélia Hygina de Souza Barros (casada com seu primo José Manoel de Mesquita); Izabel de Souza Barros (casada com seu primo Bento Francisco de Paula Souza); e Luiz de Souza Barros (falecido sem casar- se).

Viúvo em 1847, casou-se novamente, em 1850, com D. Felicíssima de Almeida Campos, filha do tenente Domingos de Almeida Campos e D. Maria Inácia Leite. Desta união, teve 10 filhos: Maria de Souza Barros (casada com seu primo Antonio Paes de Barros – filho do barão de Piracicaba); Luiz de Souza Barros (sem informações de casamento); Eliza de Souza Barros (casada com Ignácio Xavier Paes de Campos Mesquita); Antonio de Souza Barros (casado com Augusta Loureiro de Souza Barros); Fernando de Souza Barros (casado com sua prima Candia Paes de Barros); Adelina de Souza Barros (sem identificação de casamento); Felicíssima de Souza Barros (sem identificação de casamento); Roberto de Souza Barros (casado com Maria de Camargo); Eugenia de Souza Barros (casada com João Theen); e Antonia de Souza Barros (casada com Carlos Ralston).

Ao analisarmos os casamentos dos filhos do Comendador Luiz Antonio de Souza Barros, é possível notar a permanência de muitos laços de consanguinidade adquiridos e mantidos por membros de sua família. Embora tivesse tido 19 filhos, encontrei a descrição dos cônjuges de apenas 15 de seus filhos. Dos 15 matrimônios realizados por seus filhos, 7 matrimônios foram realizados com parentes – entre primos e primas. Ou seja, quase 50% dos casamentos de seus filhos e filhas foram realizados entre membros de sua própria família. Desses 7 casamentos consanguíneos, 6 eram casamentos de suas filhas com seus primos e 1 casamento foi de seu filho com uma prima. Ou seja, a maioria dos matrimônios consanguíneos recaía sobre as

mulheres. Uma hipótese para esta peculiaridade pode ser explicada pela doação do dote que era costume ser feito aos cônjuges no ato do matrimônio. Deste modo, estes dotes, como já explicado anteriormente, significavam a transferência das riquezas da família para outra. Sendo o casamento realizado entre parentes, esta riqueza continuaria na mesma família. Já para os homens, havia, também, casamentos arranjados, mas como não havia a transferência do dote, consequentemente, o casamento dos filhos com mulheres que eram parentes era em número reduzido.

Analisando especificamente o casamento consanguíneo ocorrido entre parentes da família Souza Barros com fazendeiros de café do município de São Carlos, encontramos o matrimônio de Amélia Hygina de Souza Barros (filha do Comendador) com seu primo José Manoel de Mesquita. Este aparece como fazendeiro do município de São Carlos, em 1896, com uma produção de cerca 120.000 Kg de café, quantidade esta considerável para o destaque na produção cafeeira. Este casal teve 4 filhos, sendo Felicíssima de Souza, José Manoel de Mesquita, Gertrudes de Mesquita e Ilídia de Mesquita.

Desta forma, como nos aponta Pareto (Hollanda, 2011), nota-se que há uma circulação dos membros das famílias de elite que assegura o seu equilíbrio, bem como, sua longevidade e reprodução social. Estas famílias vão formando uma minoria seleta (composta por parentes ou por membros de famílias que já pertenciam à elite) e compondo uma oligarquia detentora de poder econômico e político, como Michels (1982) nos apresenta.

Baseando-se nos Quadros 8 e 9, na família Arruda Botelho, temos como exemplo de casamento consanguíneo realizado entre Joaquim Botelho de Abreu Sampaio com Maria Botelho de Abreu Sampaio – filha de Paulino Carlos de Arruda Botelho. Joaquim era filho de Eulália Carolina de Meira, irmã de Paulino Carlos de

Arruda Botelho. Portanto, Joaquim era sobrinho e genro de Paulino Carlos de Arruda Botelho. Com este casamento, além da riqueza permanecer na mesma família, ocorreu a ligação entre a família Arruda Botelho com a Abreu Sampaio.

Analisando agora alguns laços de afinidade, é possível notar o parentesco adquirido entre membros de famílias de elite. O casamento realizado entre Joaquim José de Abreu Sampaio (fazendeiro de 1873) e Maria Botelho de Abreu Sampaio indica que a família Abreu Sampaio e Arruda Botelho se tornaram afins. Maria Botelho era filha de Paulino Carlos de Arruda Botelho e sobrinha do Conde do Pinhal (Antonio Carlos de Arruda Botelho). Consequentemente, este casamento gerou os laços de afinidade entre estas duas famílias de elite. Estas famílias foram consideradas elites, pois Joaquim José de Abreu Sampaio compõe a lista nominativa de fazendeiros de café de 1873, bem como Paulinho Carlos de Arruda Botelho e o Conde do Pinhal. Tanto a família Abreu Sampaio como a Arruda Botelho permanecem como produtoras de café nos anos de 1873, 1896 e 1904. Deste modo, a riqueza é mantida entre estas famílias.

Outro exemplo de afinidade é visto no casamento realizado entre Firmiano de Moraes Pinto e Cândida de Arruda Botelho. Firmiano de Moraes Pinto, embora não tivesse consanguinidade com Cândida de Arruda Botelho, também era membro da elite. A seu respeito, a Genealogia Paulistana (vol. IV:142) nos diz que Firmiano era bacharel em Direito. De acordo com informações colhidas no Quadro 4, seu nome aparece na listagem de fazendeiros de café com uma produção de 375.000 kg de café, ficando na 7ª posição dos maiores produtores de café deste ano em São Carlos. Ocupou diversos e altos cargos políticos, como o de Secretário da Fazenda e Agricultura no ano de 1902, quando o governador de São Paulo era Bernardino de Campos. Também foi Deputado Federal e Secretário da Agricultura do Estado de São

Paulo. Era filho de Antonio José Pinto e de Francisca Miquelina de Moraes. Por sua vez, Cândida de Arruda Botelho (sua esposa) era filha de Antonio Carlos de Arruda Botelho – o Conde do Pinhal. Cândida de Arruda Botelho nasceu no dia 08 de abril de 1868 e se casou em 1886, aos 18 anos de idade. Nota-se, portanto, que ambos cônjuges eram membros da elite. Em 1891, o Conde do Pinhal funda o Banco União de São Carlos e coloca na gerência desse seu genro, Firmiano de Moraes Pinto. Deste modo, é possível notar que os membros “adquiridos” por afinidade também faziam parte dos negócios da família Arruda Botelho.

Dando continuidade aos exemplos de casamentos por afinidade, encontramos o casamento realizado entre o Coronel José de Augusto de Oliveira Salles e Maria Anunciação Camargo Penteado. José Augusto de Oliveira Salles era filho de Estanislau de Campos Salles e de Maria Perpétua de Oliveira Salles. Era primo (por parte de pai) de Manuel Ferraz de Campos Salles – o presidente Campos Salles eleito em 1898 a 1902. Também era primo de Antônio de Pádua Salles – ministro da Agricultura no governo Delfim Moreira (1918 a 1919). Foi fazendeiro de café no município de São Carlos, inicialmente, assumindo a propriedade de seu pai (que aparece na listagem de fazendeiros de 1873) e, nos anos de 1896 e 1904, já aparece como fazendeiro de café depois de adquirir sua própria fazenda. Além disso, também assumiu cargos políticos locais, como o de juiz de paz eleito, vereador (estes cargos serão mais bem descritos no item sobre os cargos políticos). Maria Anunciação Camargo Penteado (ou Maria de Assumpção Camargo ou Maria de Camargo Salles49) era, por sua vez, filha de Elias de Camargo Penteado. O pai da noiva aparece na lista

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Nos documentos pesquisados, o nome da filha de Elias de Camargo Penteado aparece com várias denominações. Na Certidão de Nascimento de um dos filhos do casal – Paulo de Camargo Salles, consta o nome Maria de Camargo Salles. Já no livro “Caminhos do Tempo”, encontra-se a denominação de Maria da Anunciação de Camargo Penteado. Em documentos da família Salles (generosamente apresentados para mim por Gina Salles Picchi – bisneta do Coronel José de Augusto de Oliveira Salles), encontra-se a denominação Maria de Assumpção Camargo.

nominativa dos fazendeiros de 1873 (morre em 1879), assumiu cargos de vereador no município. Também era tio do Major José Ignácio de Camargo Penteado. O noivo José Augusto de Oliveira Salles casa-se com 21 anos e a noiva, Maria Anunciação Camargo Penteado, casa-se com 12 anos. Nota-se aqui que a noiva era 9 anos mais nova que o noivo. Neste casamento por afinidade, é possível compreender características típicas dos casamentos “arranjados” entre os membros da elite, tais como o casamento com um(a) cônjuge que também fosse da elite, possuindo terras, produção de café, escravos e, geralmente, a noiva era bem mais nova que o noivo, os dotes que seriam transmitidos aos noivos ficariam em famílias que já tinham posses.

Observando, agora, os laços de consanguinidade não adquiridos por meio do casamento, mas sim pelo sobrenome da própria família (incluindo pais, filhos, primos, avós, sobrinhos etc.), temos vários exemplos de famílias dos fazendeiros do município de São Carlos que se mantiveram como elite nos anos de 1873, 1896 e 1904. Iniciarei com o exemplo da família Franco de Lacerda. Em 1873, a sociedade Antonio Franco de Camargo Lacerda & Irmãos destaca-se no Almanaque da Província de São Paulo como sendo produtora de café. Segundo Silva (2011:16),

“[…] A sociedade agrícola Lacerda & Irmãos, segundo o contrato assinado na vila de Araras, foi composta pelos filhos de José de Lacerda Guimarães: os irmãos Antonio Franco de Lacerda, José Franco de Lacerda e Candido Franco de Lacerda. A Lacerda & Irmãos tinha sede na vila de São Carlos do Pinhal, tendo como propriedade social a fazenda Paraíso, no bairro da Babilônia, sendo seu fundo social no montante de 80 contos de réis”.

Nos anos de 1896 e 1904, a família Franco de Lacerda permanece em destaque com a produção cafeeira aparecendo na listagem, em ambos os anos, o nome de Candido Franco de Lacerda. Deste modo, nota-se que esta família permanece nos três anos estudados por esta pesquisa com os irmãos Franco de Lacerda.

anos de 1873, 1896 e 1904, por meio do parentesco entre irmãos, filhos e esposas, é a família Arruda Botelho. Nota-se que o Conde do Pinhal – Antonio Carlos de Arruda Botelho, seu irmão Paulino Carlos de Arruda Botelho e seu irmão Bento Carlos de Arruda Botelho permanecem como fazendeiros em 1873. Por sua vez, em 1896, aparece na listagem dos maiores fazendeiros de café a denominação Conde do Pinhal (Antonio Carlos de Arruda Botelho), do filho do Conde – Carlos José Botelho, de seus irmãos Paulino e Bento Carlos de Arruda Botelho. Em 1904, o nome da Condessa do Pinhal50 – Anna Carolina de Mello Oliveira – aparece na listagem de fazendeiros de café, bem como, o da esposa51 de Bento Carlos de Arruda Botelho (o irmão do Conde) – Maria Izabel de Oliveira Botelho e o nome de seu irmão Paulino Carlos de Arruda Botelho, que permanece presente neste ano.

Outra família que se reproduz como elite nos anos de 1873, 1896 e 1904 é a família Amaral. Em 1873, Carlos Augusto do Amaral aparece na lista nominativa de 1873 como fazendeiro de café. Em 1896, aparece na listagem estatística – nominativa o nome de Viúva Amaral & Filhos com uma produção de cerca de 270.000 kg de café, alcançando a 17ª posição na produção cafeeira. No mesmo ano, seus filhos, Orosimbo Augusto do Amaral e Carlos Alberto do Amaral, destacam-se na produção cafeeira do município de São Carlos, respectivamente, na 22ª (225.000 Kg) e 40ª (120.000 kg) posição no ranking de produção de café em 1896. No ano de 1904, a esposa de Carlos Augusto do Amaral – Anna Luiza do Amaral & Filhos – aparece na 7ª posição da produção de café em arrobas, totalizando a produção de 20.000 arrobas