• No results found

Innvandrerandeler

4. Analyse og resultater

4.1. Innvandrerandeler

Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2011, o Brasil tem 608.230 casos registrados de aids (condição em que a doença já se manifestou), de acordo com o último Boletim Epidemiológico de 2011. Em 2010, foram notificados 34.218 casos da doença e a taxa de incidência de aids no Brasil foi de 17,9 casos por 100 mil habitantes23.

22 Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. Direitos Humanos e HIV/Aids: avanços e perspectivas para o enfrentamento da epidemia no Brasil. Brasília : Min. da

Saúde, 2008. <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_humanos_hiv_aids.pdf>. Acesso em: 11 agos. 2011.

De 1980 até junho de 2011 foram registrados 212.271 casos de aids em todo o Estado de São Paulo. Em 2010, a aids matou 8,6 pessoas por dia, em média, nas cidades paulistas. É o que aponta o mais novo balanço da Secretaria de Estado da Saúde com base no boletim epidemiológico do Programa Estadual de DST/aids. Foram 3.141 óbitos no Estado no ano passado, o que representou taxa de mortalidade de 7,6 mortes por 100 mil habitantes. Em 2009, o índice de mortalidade foi de 7,9. Em relação a 1995, a taxa de mortalidade caiu 67%. O boletim aponta também que, apesar da redução no número absoluto de casos desde a segunda metade da década de 1990, a proporção de infecções em homens que fazem sexo com homens cresceu 52,4% entre 2000 e 2010. Entre os heterossexuais esse crescimento foi de 30,5%, enquanto entre os usuários de drogas injetáveis houve queda de 73,2%. Embora a epidemia tenha mudado de perfil desde o início, ainda há forte concentração de casos notificados entre homens que fazem sexo com homens, além de aumento proporcional de infecção entre os heterossexuais.24

Na opinião de Parker e Daniel (1991), pode-se entender a epidemia da aids no Brasil somente se tivermos em mente que o desenvolvimento da epidemia se deu dentro de um contexto histórico mais amplo. O alastramento da doença ocorreu ao mesmo tempo em que a sociedade brasileira tentava dar seus primeiros passos em direção ao reestabelecimento de uma democracia participativa, após duas décadas de regime autoritário.

Se a síndrome de culpabilização e acusação que caracterizou a resposta precoce à aids no Brasil tendeu a colocar entre parênteses, a própria cidadania das pessoas com aids ou em risco por causa dela, não é de se surpreender que isto tenha chamado pouca atenção – por mais de vinte anos, os brasileiros viveram sob um regime politico no qual a cidadania de, virtualmente, toda a população foi colocada entre parênteses. Realmente, o que talvez seja surpreendente, seja o fato de que, gradualmente, no decorrer dos últimos anos, essa síndrome de preconceitos – e a violação dos direitos humanos fundamentais e da dignidade humana que tão frequentemente produziu – tenha sido questionada por pessoas e grupos que se formaram para lutar contra ela. (Ibid, p. 27.)

Curiosamente, a “usurpação da cidadania” de indivíduos vivendo com HIV/aids ocorreu ao mesmo tempo em que a sociedade brasileira vibrava com a conquista de uma nova ordem jurídica e com o retorno da democracia. A aids nos obrigou a olhar para tudo aquilo que a sociedade brasileira insistentemente recusava-se a ver: a desigualdade, o preconceito, a

24 Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo. Redação da Agência de Notícias da Aids com informações da

Secretaria de Estado da Saúde. <http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=18166> Acesso em: 28 nov. 2011.

hipocrisia, a falência do sistema de saúde, a incoerência da justiça e a fragilidade das relações pessoais25.

Assim, a convivência com a epidemia da aids que, no Brasil, surgiu no final do século passado, favoreceu um campo fértil dado às imensas contradições sociais, culturais e econômicas aqui presentes. As imagens distorcidas, as representações sociais construídas tanto da aids quanto das pessoas que vivem com ela dominaram a discussão pública da epidemia e frequentemente produziram uma espécie de pânico moral que, quase inevitavelmente, ignora ou viola os direitos e a humanidade de uma minoria estigmatizada (WEEKS, 1985).

Desse modo, observamos que a resposta inicial da sociedade brasileira diante da epidemia, as concepções desvirtuadas ou a total incompreensão acerca da natureza e do impacto do HIV/aids levaram a um clima de medo e culpabilização, em diversas ocasiões levando a população a atos concretos de crueldade e discriminação.

Desde os primórdios, a história da aids no Brasil, como em muitos outros países, tem sido marcada pelo medo, pelo preconceito e pela injustiça – uma síndrome de culpabilidade e acusação que, em ultima instância, é tão perigosa quanto a mais conhecida síndrome de imunodeficiência adquirida. (PARKER e DANIEL, 1991, p.25)

Passados trinta anos da chegada da epidemia, constatamos que ela continua impulsionando uma série de movimentos sociais. Atualmente, a luta é pela melhor qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV, pois no Brasil, com a distribuição dos medicamentos pela rede pública, houve uma expressiva redução no índice de mortalidade em decorrência da aids. Contudo, diversas questões devem ainda ser enfrentadas, dentre elas o estigma e a exclusão social que a doença produziu desde o seu início.

O preconceito contra minorias sexuais é ainda mais grave, apesar dos avanços nos direitos humanos nos últimos vinte anos. [...] Tal marca – a transmissão pelo sexo- fez do HIV ainda mais que a possibilidade de contrair uma doença mortal para o físico. Tornou-se o vírus de uma doença moralista, em que os infectados eram excluídos e ridicularizados. Uma doença de conotação moralista só podia ter criado um padrão de preconceito bastante alto, principalmente com os profissionais do sexo, homossexuais e travestis. Além da doença do corpo, as pessoas vivendo com HIV sentiram-se excluídas do convívio público. (KAHHALE et al., 2010, p.28-9)

25 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Direitos Humanos e HIV/Aids: avanços e perspectivas para o enfrentamento da epidemia no Brasil / Ministério

da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. — Brasília: Min. da Saúde, 2008. < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_humanos_hiv_aids.pdf> Acesso em: 11 set. 2011.

Segundo Kahhale et al. (2010), após duas décadas de constante pesquisa de intervenção no âmbito da aids, percebeu-se como consequência que o impacto do HIV na vida das pessoas afetadas sofreu mudanças, e que o mesmo ocorreu em relação às suas necessidades psicológicas. Portanto, se no primeiro momento da aids as pesquisas sobre qualidade de vida não levavam em conta os aspectos psicológicos, a partir de 1990 tais aspectos passaram a ser considerados.

Após a revisão do processo da epidemia da aids no contexto da realidade brasileira, desde seu aparecimento até os dias de hoje, é possível observar que mesmo com os esforços de enfrentamento da epidemia, várias lacunas ainda necessitam de atenção. Para corroborar tal afirmação, Parker e Aggleton (2001) asseguram que, embora o Brasil e o mundo lutem para dar resposta à epidemia do HIV/aids, a negação coletiva do estigma e da discriminação teima em prejudicar o enfrentamento da doença.