3 Kvinners og menns inntekt
3.6 Inntektsulikheter i de forskjellige husholdningstypene
A partir da proposição calidoscópio podemos compreender e conceituar o domínio econômico ou a condição econômica de outra forma. Se para Robbins a definição de bem econômico relacionava-se ao custo de oportunidade (ao sacrifício ou abstenção dos usos alternativos de uma escolha) para o calidoscópio é a capacidade de gerar benefícios em
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termos de bem viver. Aqui a dimensão social do bem viver incorpora a relação de co- evolução entre o meio ambiente e a civilização humana e a ciência econômica torna-se normativa porque não é neutra em relação aos fins. Neste sentido, os critérios de escolha dos meios que possuem usos alternativos não será uma ordenação individual de preferências subjetivas, mas os fins adequados ao macroconceito condição econômica.
A proposição de bem viver de Mance (1999) ajusta-se perfeitamente ao macroconceito condição econômica por contextualizar o bem-estar na esfera social como uma totalidade de inte-rrelações. O bem viver considera o bem-estar de um indivíduo na mesma medida que considera o bem-estar público e compreende que para ambos é igualmente importante a busca da harmonia de suas interações com o ambiente em que se encontram, perpassando as dimensões meio ambiente, sociedade e trocas. Neste sentido, podemos considerar que o bem viver não possui o nível de subjetividade do conceito de bem-estar neoclássico e que se apresenta como efetividade de uma convenção socialmente escolhida. Esta escolha é realizada continuamente no processo de aprendizagem o qual faz parte de um contexto histórico em que são consideradas o surgimento de necessidades, descobertas e valores da consciência humana.
O bem viver é uma noção que incorpora os princípios do paradigma científico emergente no qual não são ignoradas a dimensão qualitativa, a sensibilidade às condições iniciais de um sistema, a flexa do tempo e os fenômenos redistributivos. A dimensão qualitativa está presente na escolha intencional de um fim que transcende a um expressão quantitativa de uma única dimensão. A sensibilidade às condições iniciais de um sistema e a flexa do tempo relacionam-se à escolha dos critérios que possam atenuar conflitos existentes nas condições iniciais nas quais operarão as novas formas de realização das trocas, na escolha de critérios de decisão baseados no conhecimento existente e no princípio da precaução e na busca da harmonização das inter-relações que pode apresentar-se como uma reavaliação dos rumos de escolhas anteriores. Os fenômenos redistributivos estão presentes implicitamente nos princípios anteriores e no sentido de que não se consegue atingir o bem viver individualmente em uma sociedade.
O bem viver pode ser capaz de suplantar o crescimento como valor único por ser um significado produzido de maneira multidimensional e multireferencial. Nele o “bem-estar” do indivíduo se enraiza nos fundamentos físicos e biológicos da vida sem reduzi-lo a este porque articula a capacidade dos indivíduos de serem conscientes e criativos. Isto é, a dimensão simbólica interage com as dimensões física e biológica.
As escolhas que fazemos afetam a composição neuroquímica do nosso cérebro durante a vida inteira. Estamos aprendendo que a meditação, as mudanças na alimentação e os exercícios afetam a composição neuroquímica do cérebro. As modificações nos tipos de relacionamentos
que temos podem fazer uma enorme diferença. E o mesmo é verdade com relação às crenças e às estruturas sociais. Tudo isso afeta a composição neuroquímica do cérebro e, portanto, a maneira como pensamos, sentimos e agimos (EISLER, 2008, p. 203).
Não se trata de naturalizar o social, mas de fazê-los dialogar. Neste sentido, se reconhece que o fenômeno da vida é dinâmico e que sua riqueza consiste na diversidade de interações necessárias para que a existência humana seja possível e possa desenrolar-se e escrever a sua história. A riqueza para o bem viver transcende a apropriação de mercadorias ou mesmo de dinheiro, envolvendo a capacidade de utilização da energia de baixa entropia para transformar a natureza em componentes úteis à existência da civilização humana enquanto espécie e sociedade cultural. Neste sentido, podemos dizer que a riqueza é um processo que perpassa todos os níveis de realidade propostos por Heisenberg, desde o físico à capacidade criadora do ser humano. Assim, os denominados recursos naturais, assim como estes transformados em mediações materias ou recursos exossomáticos, as instituições criadas para melhor organizar a existência humana, a arte e a própria ciência constituem riqueza.
A partir do momento em que se entende a importância decisiva de recursos que, como a inteligência coletiva, não tem equivalentes, não são quantificáveis nem mensuráveis, e que consequentemente não são permutáveis no mercado, chega-se a uma outra concepção de riqueza e dos objetivos da atividade humana. Descobre-se que existem riquezas intrínsecas, e que estas estão em via de serem destruídas por uma economia que não conhece outro valor que o comercial (GORZ, 2005, p. 61).
É importante ressaltar que a existência humana não teria se desenvolvido, nem biológica e nem culturalmente, na presença de apenas um indíviduo e que tampouco faz sentido imaginar uma economia ou sociedade de “Robinsom Crusoé”. Mesmo em um exercício imaginário, de um tipo ideal, em um suposto estado de natureza, poderia-se considerar como riqueza as coisas que ele próprio teria produzido interagindo com os recursos naturais disponíveis. Todavia, a acumulação de bens acima da capacidade de usufruto de Robinson Crusoé não faz sentido, com exceção dos estoques que objetivam fazer frente à sazonalidade. Além disto, de nada adiantaria a instituição de uma moeda já que ele não teria com quem exercer a troca. O que é possível derivar deste exercício é que a magnitude e a diversidade desta riqueza é irrisória em relação ao que pode ser produzido em termos de mediações materiais úteis e instituições por um grupo de indivíduos interagindo e aprendendo. Ou como diria Maturana, vivendo.
Assim, podemos argumentar que a escassez não se limita a ser a finitude de meios, principalmente considerados como meios materiais, que possuem usos alternativos em
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relação a fins dados. Esta é uma forma específica e reduzida de como a escassez pode ser percebida.
Na perspectiva do calidoscópio, assim como a riqueza, a escassez também é um processo que perpassa todos os níveis de realidade propostos por Heisenberg. E escassez seria a incapacidade de prover todas ou parte das condições necessárias à existência humana e ao bem viver. Como um processo, a escassez é na verdade produto das ações humanas que não são programadas de forma endossomática como nos insetos sociais e que ignoram a natureza entrópica da realidade. O alcance desta percepção nos leva a argumentar que a forma como a sociedade ocidental age e organiza sua existência é impossível de ser estendida a toda a população do planeta a não ser que existam recursos suficientes para prover o bem-estar de todos. Além disto, traz a percepção de que o padrão de vida ocidental é insustentável mesmo considerando-se apenas a população encontrada geograficamente nas áreas que usufruem dele. Este padrão de consumo é fundamentado na separação entre o nível de realidade física e o nível de realidade simbólica, de modo que a prática de acumulação de bens acima da capacidade de usufruto ou a acumulação de dinheiro que aparentemente pode ser ilimitada torna-se um pressuposto. A capacidade criadora imaterial dos seres humanos deve ser exercida de acordo com e não contra a dinâmica da natureza.