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Inntektsulikhet og yrkesaktivitet Vi har tidligere sett at yrkestilknytning har stor

7. Ulikhet innen ulike typer husholdninger

7.3. Inntektsulikhet og yrkesaktivitet Vi har tidligere sett at yrkestilknytning har stor

Em seu curso Einleitung in die Phänomenologie der Religion, Heidegger prossegue com a análise fenomenológica da segunda carta de Paulo aos tessalonicenses. O primeiro passo consiste, justamente, na elucidação da situação fundamental, a partir da qual a carta é elaborada. É comum afirmar a existência de uma oposição entre a primeira e a segunda carta538. Tal oposição é sustentada no seguinte argumento: enquanto na primeira carta, a paz e a segurança precedem a vinda inesperada do Senhor, na segunda, em contrapartida, o acontecimento da parusia é precedido por sinais apocalípticos, que permitem predizer eventos futuros, como guerras e destruições. Dentre esses sinais, está a “chegada do Anticristo”, como forma de advertência, de sinal intermediário.

Heidegger coloca inicialmente em discussão a interpretação convencional oferecida pela exegese tradicional, com o intuito de demonstrar a continuidade entre as cartas. Para ele,

537 O sentido apresentado da temporalidade cristã é fundamental tanto para a experiência fática da vida quanto

para o problema da eternidade de Deus. Para Heidegger, tais problemas deixaram de ser abordados originariamente na Idade Média, em consequência da penetração da filosofia platônico-aristotélica no cristianismo. A especulação atual que trata de Deus tornou-se questão ainda mais obscura, como podemos notar na introjeção do conceito de valor (Gültigkeit) em Deus (Cf. HEIDEGGER, M. Einleitung in die Phänomenologie der Religion, p. 104).

538 Em seu texto, Heidegger cita o teólogo Schmidt, da Basiléia, que em sua exegese procurou mostrar oposição

entre as duas cartas. Heidegger não pretende entrar nas discussões a respeito da autenticidade da carta e nem na questão exegética. Para ele, a discussão sobre autenticidade é decorrente de uma incompreensão fundamental de Paulo (Cf. HEIDEGGER, M. Einleitung in die Phänomenologie der Religion, p. 106).

contrapor uma à outra significa partir de opiniões e representações que não correspondem ao espírito de Paulo, uma vez que, em momento algum, o apóstolo procura responder à questão do “quando” da parusia. Pelo contrário, a segunda carta consiste na repercussão do “estado atual da comunidade” (gegenwärtigen Stand der Gemeinde), e “reúne o eco (Echo) e os efeitos provocados pela primeira”539. Por isso, a elucidação da situação fundamental, a partir da qual Paulo escreve a segunda carta aos tessalonicenses, só é possível mediante a conservação dos resultados anteriormente obtidos.

A primeira indicação da situação vital de Paulo e de seus seguidores nos é fornecida pela identificação da existência de dois grupos distintos no interior da congregação de Tessalônica. De um lado, encontram-se os membros que compreenderam Paulo, e sabem o que é importante. Ou seja, se a parusia depende de como vive o cristão, então, ele não se encontra em condições de suportar, até o final, o amor e a fé que lhe são exigidos.

Por conseguinte, vê-se levado ao limite do desespero. Os que pensam dessa forma angustiam-se em sentido autêntico (ängstigen sich in einem echten Sinn). Encontram-se sob o signo da verdadeira preocupação. Vivem em extrema intensidade, no sentido de saber se podem ou não levar a termo as obras de fé e amor, que são aguardadas até o dia decisivo.

Àqueles que o compreenderam, Paulo opõe outro grupo, que é identificado nesse versículo da carta: “Ora, ouvimos dizer que alguns dentre vós levam vida à toa, muito atarefados sem nada fazer”540. Por conta da expectativa da parusia imediata, pessoas do grupo deixam de trabalhar, e se permitem ser levadas pela ociosidade. São os que se ocupam da questão se o “Senhor vem logo em seguida”. Transformaram a despreocupação pelas contingências da vida em nada fazer. Estão preocupados com o mundano, envolvidos na pluralidade das preocupações, no falatório e na desocupação. Por conseguinte, acabam tornando-se “carga pesada e onerosa para os demais da comunidade”541. Para Heidegger, são os que entenderam equivocadamente o que foi colocado na primeira carta542.

Torna-se importante acentuar, a forma com a qual Paulo se dirige aos que não o compreenderam. Segundo Heidegger, ele não oferece qualquer espécie de auxílio ou consolo.

539 Cf. HEIDEGGER, M. Einleitung in die Phänomenologie der Religion, p. 106. 540 2Ts 3,11.

541 Escreve Paulo: “A estas pessoas ordenamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem na

tranquilidade, para ganhar o pão com o próprio esforço” (2Ts 3,12).

Pelo contrário. Sua resposta intensifica ainda mais a necessidade (Not), a ponto de serem conduzidos ao limiar do desespero543.

A identificação de dois grupos distintos, no âmbito da comunidade dos tessalonicenses, constitui a situação fundamental a partir da qual Paulo escreve a segunda carta. Por isso, a referência de Paulo às perseguições, tribulações e outros elementos, deve ser compreendida no contexto da experiência fática da vida cristã, pois exprimem a tentativa do Apóstolo de sustentar e conservar a originariedade do “ter-se tornado cristão”.

A retomada constante de algumas expressões são indícios da autenticidade da carta, e demonstra, claramente, que somente Paulo poderia tê-la escrito. Trata-se da “sobrecarga de expressões (Überladenheit des Ausdrucks - Plerophoria), tipicamente paulina”544. A carta mostra, justamente, o aumento e não a redução da tensão, que reflete a urgência da profissão de Paulo como apóstolo. Deve-se imaginar Paulo na necessidade de sua vocação. Ele continua a pressionar seus seguidores para o ponto de desespero, com o intuito de fazê-los compreender a situação de decisão, cada um por si só, diante de Deus. Não evita enfatizar esse ponto, ao qual se remete repetidamente: “Pelo que não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos de sua vocação, e que por seu poder faça realizar todo o bem desejado, e torne ativa a vossa fé”545.

Essa é a situação de fundo da carta, que será compreendida mais profundamente a partir da manifestação do Anticristo, conforme encontramos da passagem 2Ts 2,1-12, considerada “apocalíptica”.

3.14 A proclamação do Anticristo

Aparentemente, a passagem apocalíptica trata de sinais e acontecimentos que antecedem a vinda do Anticristo.

Nela, o Apóstolo faz referência à “apostasia”, à aparição do “homem ímpio”, ao “filho da perdição”, ao “adversário” etc.546

Escreve Paulo:

543 (Cf. HEIDEGGER, M. Einleitung in die Phänomenologie der Religion, p. 107) Para Heidegger, esse aspecto

é expressão de que só Paulo poderia ter escrito a carta. Outro indício de sua autenticidade é a sobrecarga da expressão na segunda carta, o que demonstra uma motivação clara e precisa.

544 Cf. HEIDEGGER, M. Einleitung in die Phänomenologie der Religion, p. 109. 545 2Gl 1,11.

Que não percais tão depressa a serenidade de espírito, e não vos perturbeis nem por palavras proféticas, nem por carta que se diga vir de nós, como se o dia do Senhor estivesse próximo. Não vos deixeis enganar de modo algum por pessoa alguma; porque deve vir primeiro a apostasia, e aparecer o homem ímpio, o filho da perdição, o adversário, que se levanta contra tudo que se chama Deus, ou recebe um culto, chegando a sentar-se pessoalmente no templo de Deus, e querendo passar por Deus. Não vos lembrais de que vos dizia isto quando estava convosco? Agora também sabeis o que é que ainda o retém, para aparecer só a seu tempo. Pois o mistério da impiedade já está agindo, só é necessário que seja afastado aquele que ainda o retém! Então, aparecerá o ímpio, aquele que o Senhor destruirá com o sopro de sua boca, e o suprimirá pela manifestação de sua vinda. Ora, a vinda do ímpio será assinalada pela atividade de Satanás, com toda a sorte de portentos, milagres e prodígios mentirosos, e por todas as seduções da injustiça, para aqueles que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade, a fim de serem salvos. É por isso que Deus lhes manda o poder da sedução, para acreditarem na mentira e serem condenados, todos os que não creram na verdade, mas antes, consentiram na injustiça547.

De modo geral, o trecho foi interpretado como se o autor da carta tivesse regressado e apaziguado os ânimos dos tessalonicenses. Ao retornar, teria deixado de ensinar a eminência próxima da parusia, acalmando os membros perturbados da comunidade. Entretanto, para Heidegger essa compreensão não parte da situação fática do apóstolo548. Sua proclamação possui outro sentido, de tal forma que, como um todo, a carta revela algo totalmente diverso. Na realidade, o que existe é a intensificação (vergrösserte Spannung), e não diminuição da tensão que perpassa cada uma das expressões. Por isso, para Heidegger, a segunda carta não retira, mas acresce ainda mais tribulação549. Assim, o referido trecho da carta não deve ser concebido em função do seu conteúdo, ou como sendo ensinamento teórico. Na realidade, Paulo procura aproximar-se dos seus seguidores em termos de atualização histórica.

Embora o curso Einleitung in die Phänomenologie der Religion não forneça maiores considerações sobre esse trecho, podemos recolher dele alguns elementos indicadores da autenticidade da vida fática cristã.

Paulo escreve no versículo dois: “Que não percais tão depressa a serenidade de espírito, e não vos perturbeis nem por palavras proféticas, nem por carta que se diga vir de nós”. Com isso, chama a atenção dos destinatários da sua carta, para que permaneçam consistentes em sua fé, sem desviarem-se dos sentimentos autênticos, suspeitando de qualquer “discurso” (logon), até mesmo das suas cartas. O termo logon é traduzido, geralmente, por “razão”, “discurso racional baseado em sentenças falsas e verdadeiras550. Nesse caso,

547 2Ts 2,1-12.

548 Cf. HEIDEGGER, M. Einleitung in die Phänomenologie der Religion, p. 108. 549 Cf. HEIDEGGER, M. Einleitung in die Phänomenologie der Religion, p. 108.

550 Em seu comentário, Hebeche recolhe alguns significados de “logos”, ao longo da tradição cristã. Este foi

entendido como cálculo, que remete à espera anunciada de realizações proféticas; como palavra de Cristo, réplica dos profetas (Mt 24; Mc 13 e Lc 21); como mensagem verbal do apóstolo; ainda, como doutrina ou

Heidegger o interpreta como apofântico, isto é, o que faz ver os fenômenos. Por isso, logos (logos) adquire sentido de “culto”, “douto”, “eloqüente” nas coisas do Senhor551. A proclamação é um logos diferente do logos do conhecimento objetivo e teórico. Pode-se afirmar, pois, que a interpretação fenomenológica modifica o sentido de logos, enquanto experiência da faticidade. Assim, na mencionada passagem, o apóstolo convoca os tessalonicenses a não se deixarem influenciar por “quaisquer logos”, ou seja, devem desconsiderar qualquer discurso ou afirmações que desviem da força da proclamação do Evangelho. Devem afastar-se daquilo que enfraquece a faticidade cristã, mediante a indiferença da objetividade.

O verso dois traz também a expressão “como se o dia do Senhor estivesse perto”. Heidegger não comenta explicitamente essa expressão. Entretanto, ela é importante. Aqui, Paulo refere-se à parusia, empregando o condicional “como se”. Nesse contexto, o condicional pode ser entendido como “imprevisível”, “oculto”, “inesperado”. A qualquer momento pode ocorrer o fim de todas as coisas. Com isso, é indicado que não se trata da parusia enquanto espera de acontecimentos que virão com data marcada, mas aponta para a condição fática cristã, que deve sustentar a tensão da experiência temporal. A vivência do tempo aparece como espera, aflita e preocupada pelo que “há de vir”, no sentido de incompletude da vida humana no mundo552.

Ainda no trecho apocalíptico, encontramos a passagem decisiva para o contexto da vida fática, que é o versículo dez: “e por todas as seduções da injustiça, para aqueles que se perdem, porque não acolheram o amor de verdade, a fim de serem salvos”553. Ela fala da rejeição ou perdição daqueles que “não” receberam a proclamação. Para Heidegger, essa passagem nos permite esclarecer a diferença entre as duas palavras gregas utilizadas para a negação: o ouk (nicht) e o m (nein)554. O ouk é colocado num contexto em que ele não pode ser entendido, nem como non privativum, nem como non negativum, pois seu significado reside no “caráter de execução”. Assim, o caráter de execução do “não” (vollzugsmässige

Nicht), deixa de ser entendido a partir de juízos ou representações negativas. Heidegger o

ensinamento profético. Todos eles possuem o sentido de “razão dialética”, portanto, trata de objetividades (Cf. HEBECHE, L. O escândalo de Cristo, p. 160-1).

551 At 18,24-25. 552

Hebeche retoma algumas interpretações da expressão “como se o dia do Senhor estivesse perto”, feitas ao longo da tradição cristã, inclusive na tradição luterana. Reconhece que todas elas são devedoras da metafísica tradicional, por entenderem que a “vinda eminente” do Senhor estaria se referindo a eventos futuros, já eminentes. Essa compreensão, segundo Hebeche, pode ser vista na tradução do termo enevsthken, normalmente traduzido por “estivesse perto”, “está eminente”, “está próximo”, a partir da noção de ser como presença (Cf. HEBECHE, L. O escândalo de Cristo, p. 162-4).

553 2Ts 2,10.

compreende no contexto da proclamação, a partir da execução da vida fática. Ou seja, àqueles que não o compreenderam (apollumenois), lhes falta o exercício autêntico da vida fática cristã. Somente pode deixar de receber, aquele que já se encontra na faticidade da vida cristã.