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Após a fase de diagnóstico e apuradas as principais dificuldades manifestadas pelos alunos nas atividades de expressão oral levadas a cabo nas aulas de Português, foram lecionadas seis aulas com enfoque no projeto com vista a implementar as estratégias planificadas, nomeadamente a elaboração de guiões de preparação da exposição oral, aulas debruçadas na orientação da pesquisa e os ensaios orais.
1ª Aula: A Notícia
A primeira aula de intervenção na disciplina de Português teve uma duração de 90 minutos e tinha como tema A Notícia, género de texto previsto pelo Programa para este ano de escolaridade.
Na tabela 4 apresentam-se os objetivos, conteúdos, estratégias e recursos pedagógicos relativos a esta aula. Tal como se pode ver, os principais objetivos foram: diagnosticar o conhecimento prévio acerca de assuntos posteriormente explorados e aplicar estratégias de preparação do texto oral. Para concretizar estes objetivos, implementou-se um conjunto de estratégias, das quais se destacaram a distribuição de um guião instrucional, a pesquisa sob orientação e com recurso às tecnologias e o ensaio oral.
Tabela 4 - Planificação da 1ª aula de Intervenção de Português 90 minutos
Conteúdos Objetivos Estratégias/Atividades Recursos
pedagógicos - A Notícia: género de texto informativo Objetivos da investigação: - Diagnosticar o conhecimento prévio acerca de assuntos posteriormente explorados; - Aplicar estratégias de preparação do texto oral. - Projeção de títulos de notícias e diálogo acerca dos assuntos subjacentes aos mesmos. - Distribuição de um guião instrucional da exposição oral. - Leitura e exploração de notícias: trabalho em grupos. - Computador. - Vídeo projetor. - Notícias fotocopiadas (cf. Anexo 8). - Guião instrucional. - Dicionários. - Computadores com
42 Objetivos da aprendizagem: - Selecionar as ideias- chave e informação relevante de um texto lido.
- Estruturar, por escrito, o texto oral.
- Pesquisa sob orientação e com recurso às tecnologias.
- Ensaio oral.
acesso à Internet.
Como atividade de abertura da aula, foram projetados cinco títulos de notícias, retiradas de jornais on-line, que seriam, posteriormente, lidas na íntegra. A partir dos títulos, estabeleceu-se um diálogo coletivo. Pretendeu-se, por um lado, aferir o conhecimento geral que os alunos tinham relativamente aos assuntos implícitos nos títulos e, por outro lado, despertar o interesse da turma para a atividade seguinte. Seguidamente, a turma foi dividida em grupos de 4 alunos para levar a cabo a planificação da atividade de expressão oral. Nesta fase, o trabalho em grupo foi uma estratégia de motivação dos discentes, de rentabilização de tempo e de partilha de conhecimentos entre os elementos. Seguindo a sugestão de Reyzábal (1993, p.35):
[…] intercalar actividades individuales con otras en pequeños grupos y en gran grupo, el desarrollo de destrezas comunicativas, pues los sujetos “al tener que coordinar sus acciones o sus juicios con los demás, llegan a resultados que están mejor estructurados desde un punto de vista cognitivo que aquellos conseguidos individualmente […]”
Formados os grupos, foi distribuída uma notícia diferente por cada um. Dentro de cada grupo, cada elemento obteve uma cópia do texto, bem como um guião instrucional (cf. Anexo 9) de preparação do texto oral. Neste guião, davam-se instruções para uma leitura eficaz das notícias, referia-se o objetivo e método de trabalho da atividade, enumeravam-se os aspetos que os alunos deveriam pesquisar e abordar dentro do assunto em questão. Também se alertava para alguns aspetos a ter em conta durante a exposição oral, nomeadamente a articulação das ideias e o uso de frases simples e claras.
O guião foi lido, coletivamente, com minúcia. Esta atividade consistiu na leitura e comentário dos textos e, sendo um trabalho colaborativo, todos os membros dos grupos iam partilhando, entre si, conhecimento relacionado com os assuntos ali abordados. Ao mesmo tempo iam levantando questões e esclarecendo dúvidas. Esta aula foi destinada, unicamente, à planificação – correspondente às fases da inventio e dispositio, segundo Cros & Vilá (2003).
43 Nesta sequência, os alunos procederam à seleção de ideias relevantes no texto, pesquisaram informação relacionada com os factos ali noticiados por meio da internet e de dicionários facultados e foram registando tópicos a fim de construir o texto oral.
Ao longo da aula, foi notório que grande parte dos alunos não sabia selecionar informação relevante ou ideias-chave e tinha muitas dificuldades em resumir e/ou parafrasear os conteúdos lidos. Além disso, foi visível a falta de hábito em registar tópicos ou fazer esquemas- síntese.
À medida que cada grupo ia terminando esta fase da seleção e esquematização do texto oral, os alunos foram incentivados a ensaiar o discurso oral. Considerando os diferentes ritmos de trabalho de cada grupo, os ensaios orais foram feitos dentro de cada pequeno grupo, sob orientação. Além disso, o reduzido tempo na aplicação desta estratégia impediu que todos os alunos pudessem concretizar este passo, pelo que só alguns o experimentaram. Não obstante, foram-lhes dadas algumas sugestões para melhorar o seu desempenho.
De uma forma geral, as estratégias usadas nesta aula resultaram uma mais-valia para os discentes que manifestavam pouca autonomia na realização deste tipo de atividades.
2ª Aula: A Notícia
A segunda aula de intervenção teve uma duração de 90 minutos e destinou-se às exposições orais sobre as notícias exploradas na aula anterior. Na tabela 5, apresentam-se os objetivos, conteúdos, estratégias e recursos pedagógicos relativos a esta aula. Como se pode observar, os objetivos de investigação foram: verificar o uso das estratégias ensinadas e avaliar a estrutura do texto oral. As estratégias/atividades levadas a cabo para concretizar tais objetivos foram a exposição oral e a heteroavaliação por parte dos alunos.
Tabela 5 - Planificação da 2ª aula de Intervenção de Português 90 minutos
Conteúdos Objetivos Estratégias/Atividades Recursos
pedagógicos
- A Notícia: género de texto informativo
Objetivos da investigação:
- Verificar o uso das estratégias ensinadas. - Avaliar a estrutura do texto oral. - Exposição oral. - Heteroavaliação dos colegas intervenientes. - Grelha de observação. - Grelha de heteroavaliação.
44 Objetivos da aprendizagem: -Exprimir, oralmente, o conhecimento adquirido a partir da leitura de uma notícia.
Nesta sequência, deu-se início à atividade planificada. Os alunos procederam à exposição oral do assunto preparado na aula anterior - correspondente à fase da elocutio, segundo Cros & Vilá (2003) -, dispondo de um tempo aproximado de 4 minutos, como sugerido nas Metas Curriculares de Português. Salienta-se que dos vinte alunos, só dezoito participaram na atividade.
Para recolher os dados, foi utilizada a grelha de observação (cf. Anexo 3), baseada nos mesmos parâmetros, nomeadamente ‘clareza’, ‘pertinência’, ‘apresentação de informação variada’, ‘fluência’ e ‘articulação e coesão textual’, a fim de avaliar o progresso dos alunos ao longo da implementação do projeto.
Paralelamente, foi distribuída e explicada aos alunos uma grelha de heteroavaliação (cf. Anexo 4) dos colegas intervenientes. Esta grelha foi elaborada em conjunto com a orientadora cooperante e baseou-se em quatro parâmetros apresentados sob a forma de frases, a fim de facilitar o entendimento por parte dos alunos. Assim, deveriam avaliar os seguintes parâmetros: apresentou informação variada; apresentou a informação de forma clara; usou um discurso coeso/ bem articulado e seguiu a estrutura do guião instrucional, atribuindo a cada um, nível não satisfatório (NS), satisfatório (S) ou bom (B). A grelha de heteroavaliação foi uma estratégia pensada para prender a atenção deles enquanto ouvintes, levando-os a respeitar o momento em que outro toma a palavra. Isto porque numa fase de pré- intervenção, observou-se, em várias aulas, que aqueles não cumpriam as regras da tomada de palavra, interrompendo-se constantemente. Além disso, como afirma Sousa (2006, p. 65):
[…] importa que o aluno valore cada intervenção quanto ao conteúdo, às estratégias discursivas e comunicativas, etc, promovendo assim as suas competências enquanto receptor e contribuindo para a garantia da eficácia da comunicação, este exercício de escuta activa e compreensiva é ainda importante pelos conhecimentos que daí podem derivar para a sua actuação enquanto emissor.
Nesta aula, concretamente, persistiram algumas interrupções durante o discurso dos colegas, contudo foi notória uma melhoria na postura da plateia.
Analisando as exposições orais, a maioria dos alunos apresentou discursos claros e pertinentes. Comparativamente aos diagnósticos marcados pela improvisação, muitos alunos conseguiram, desta vez, dar informação mais variada. Neste parâmetro, destacaram-se sete que conseguiram apresentar
45 informação variada, autonomamente. Por outro lado, seis alunos recorreram a notas para sustentar os seus discursos e dois leram as suas anotações na íntegra.
O parâmetro mais lacunar foi a articulação e coesão textual, na medida em que se destacou apenas uma aluna. Ao contrário dos demais, usou articuladores discursivos variados e já mais complexos, tais como “além disso” e “no entanto”, e recorreu à sinonímia e à pronominalização a fim de evitar um discurso repetitivo. Os restantes alunos foram razoáveis, fizeram uso de alguns articuladores simples, tais como “e”, “também” e “mas”.
No geral, os discursos foram fluídos, verificando-se, nalguns casos, falhas por lapsos de memória, essencialmente.
Não obstante, no geral, os discentes ficaram satisfeitos com as su
as intervenções. As principais estratégias aplicadas para levar a cabo esta atividade foram a orientação na pesquisa, seleção de informação e o ensaio oral com a finalidade de produzir discursos corretos e fluídos – tal como previsto nos documentos reguladores – sem recurso à leitura ou memorização. Embora uma única aula seja insuficiente para obter resultados satisfatórios, notou-se já uma melhoria, comparativamente aos diagnósticos realizados.
3ª e 4ª Aulas: Vida e obra de escritores da Literatura Portuguesa
A terceira e quarta aula de intervenção na disciplina de Português tiveram uma duração de 90 minutos e de 45 minutos, respetivamente, e foram destinadas a planificar uma atividade de expressão oral, já prevista pela orientadora cooperante no início do ano letivo como momento de avaliação neste domínio específico. Esta atividade consistia na exposição de dados biográficos e bibliográficos de um escritor. Na tabela 6, apresentam-se os objetivos, conteúdos, estratégias e recursos pedagógicos relativos a esta aula. Como se pode observar, o objetivo da investigação, nesta aula, foi a aplicação de estratégias de preparação do texto oral. Dessa forma, as estratégias implementadas foram a distribuição de um guião instrucional, a pesquisa sob orientação e com recurso às tecnologias e o ensaio oral.
Tabela 6 - Planificação da 3ª e 4ª aulas de Intervenção de Português 90 minutos + 45 minutos
Conteúdos Objetivos Estratégias/Atividades Recursos
pedagógicos - Vida e obra de escritores notáveis na Literatura Portuguesa. Objetivos da investigação: - Aplicar estratégias de preparação do texto oral. - Distribuição de um guião instrucional da exposição oral. - Guião instrucional. - Computadores com acesso à Internet.
46 Objetivos da aprendizagem: - Selecionar a informação relevante de um tema em fontes pesquisadas.
- Estruturar, por escrito, o texto oral.
- Pesquisa sob orientação e com recurso às tecnologias.
- Ensaio oral.
. Para dar início à atividade, foram sorteados vinte autores (cf. Anexo 10), escolhidos aleatoriamente de entre os referenciados no manual, o que seria vantajoso e significativo para os alunos, tendo em conta que já tinham explorado textos de alguns desses autores e explorariam ainda textos de outros até ao final do ano letivo. Dessa forma, os alunos teriam a oportunidade de ampliar os seus conhecimentos culturais e literários da Língua Portuguesa.
Ao contrário da primeira aula de intervenção, esta atividade foi realizada individualmente, tendo em conta que cada aluno trabalharia sobre um autor diferente. Este método de trabalho desencadeou o desânimo por parte de alguns alunos, o que demonstrou insegurança, desinteresse e falta de autonomia em atividades desta natureza.
Nesta aula, foram aplicadas as mesmas estratégias da primeira aula, nomeadamente um guião instrucional (cf. Anexo 11) que foi distribuído e explicado, minuciosamente, e que sustentou a pesquisa de informação, para a qual foi estipulado um tempo de 45 minutos, aproximadamente.
Como se pode observar, o guião fornecido nesta aula seguiu uma estrutura similar ao que fora usado na segunda aula. Neste instrumento, davam-se instruções de pesquisa, referia-se o objetivo e método de trabalho da atividade, apresentavam-se os aspetos que os alunos deveriam abordar ao nível dos dados biográficos e bibliográficos dos escritores e também se alertava para alguns aspetos a ter em conta durante a exposição oral, nomeadamente a articulação das ideias e o uso de frases simples e claras. Distintamente do guião da segunda aula, este apresentava, ainda, não só um texto escrito sobre Fernando Pessoa, a título exemplificativo do texto oral, como também uma lista de conetores discursivos (de sequência, de exemplificação, de acrescento, de oposição e de consequência), destacando a negrito os que estavam aplicados no texto exemplificativo. O acréscimo do texto escrito e da lista de conetores, neste segundo guião, teve como objetivo aproximar os alunos de uma área vocabular de que a maioria carecia e que, por outro lado, era e é adequada a este tipo de discursos.
47 Durante a pesquisa, os alunos foram sendo orientados na seleção de informação, no esclarecimento de dúvidas e no registo de tópicos. O facto de haver uma aluna com necessidades educativas especiais (baixo grau de visão) exigiu uma atenção e orientação redobrada, o que dificultou na mediação dos demais. A maioria dos alunos trabalhou com interesse e empenho.
O restante tempo da terceira e quarta aulas foi dedicado aos ensaios orais, realizados individualmente diante da turma. Durante os ensaios, foi permitido aos alunos recorrerem ao guião (no qual tinham registado alguns apontamentos da pesquisa efectuada), de forma a seguirem um discurso estruturado. Esta estratégia foi vantajosa no sentido de os alunos tomarem consciência das suas dificuldades em fazer uma exposição e em perceber que este tipo de atividades requeria, de facto, um esforço acrescido na sua preparação, inclusivamente como trabalho de casa. Isto porque a maioria dos alunos produziu textos orais semi-lidos, o que mais uma vez confirmou o diagnóstico no que refere aos hábitos de subjacentes às exposições orais.
5ª e 6ª Aulas: Vida e obra de escritores da Literatura Portuguesa
A quinta e sexta aulas de intervenção tiveram uma duração de 90 minutos e de 45 minutos, respetivamente, e direcionaram-se para as exposições orais preparadas nas aulas anteriores. Na tabela 7, apresentam-se os objetivos, conteúdos e estratégias relativos a esta aula. Como se pode observar, os objetivos da investigação foram: verificar o uso das estratégias ensinadas e avaliar a estrutura do texto oral. As estratégias/atividades levadas a cabo foram a exposição oral e a heteroavaliação por parte dos alunos.
Tabela 7 - Planificação da 5ª e 6ª aulas de Intervenção de Português 90 minutos + 45 minutos
Conteúdos Objetivos Estratégias/Atividades Recursos
pedagógicos - Vida e obra de escritores da Literatura Portuguesa. Objetivos da investigação:
- Verificar o uso das estratégias ensinadas. - Avaliar a estrutura do texto oral. - Exposição oral. - Heteroavaliação dos colegas intervenientes. - Grelha de observação. - Grelha Heteroavaliação.
48 Objetivos da aprendizagem: - Exprimir, oralmente, o conhecimento adquirido a partir de uma pesquisa.
Nesta sequência, os alunos procederam à exposição oral, dispondo, à semelhança da segunda aula, de um tempo aproximado de 4 minutos, como sugerido nas Metas Curriculares de Português. Para a recolha de dados, foi utilizada a mesma grelha das aulas anteriores (cf. Anexo 3), baseada nos seguintes parâmetros: ‘clareza’, ‘pertinência’, ‘apresentação de informação variada’, ‘fluência’ e ‘articulação e coesão textual’, a fim de avaliar o progresso dos alunos ao longo da implementação do projeto.
À semelhança da segunda aula, foi distribuída e explicada aos alunos uma grelha de heteroavaliação (cf. Anexo 4) dos colegas intervenientes. Assim, estes deveriam avaliar os seguintes parâmetros: apresentou informação variada; apresentou a informação de forma clara; usou um discurso coeso/ bem articulado e seguiu a estrutura do guião instrucional, atribuindo a cada um, nível não satisfatório (NS), satisfatório (S) ou bom (B).
Analisando as intervenções sobre a vida e obra de um escritor, um aluno limitou-se a ler os seus registos, embora tenham sido impedidos de o fazer e cinco fizeram uma leitura semi-lida. Quanto aos restantes, a maioria produziu discursos claros e pertinentes, seguindo a estrutura do guião, nomeadamente os dados biográficos, os dados bibliográficos e alguma curiosidade que quisessem dar a conhecer. Dez alunos destacaram-se pela diversidade e quantidade de informação, apresentando alguma curiosidade sobre o escritor.
Quanto à fluência, sete alunos destacaram-se positivamente. Os restantes produziram um texto oral com pausas mais acentuadas, ora por lapsos de memória, ora ainda afetados pelo nervosismo e timidez diante dos colegas. Assim, este foi um aspeto que poderá vir a ser melhorado, através da prática recorrente e contínua de atividades desta natureza.
Um aspeto ainda pouco desenvolvido continuou a ser a articulação e coesão textual, embora com uma ligeira melhoria relativamente aos resultados obtidos na segunda aula, na medida em que houve três alunos que se destacaram pelo uso de articuladores discursivos mais complexos (ex. Em primeiro lugar; por último; por exemplo; tais como) conforme os sugeridos no guião.
De uma forma geral, concluiu-se que a planificação das exposições orais teve um impacto significativo na produção final da atividade, embora seja um campo de trabalho que requer continuidade e sistematização.
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