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Inntektssammensetningen

9. Hvilke barn forlater og ankommer lavinntektsgruppen?

9.4. Inntektssammensetningen

No que tange ao sintoma na histeria, Freud, em Psicologia de Grupo e a

Análise do Ego (1921), apresenta uma interessante ilustração:

Suponhamos que uma menininha (...) desenvolve o mesmo penoso sintoma que sua mãe, a mesma tosse atormentadora, por exemplo. Isso pode ocorrer de diversas maneiras. A identificação pode provir do complexo de Édipo. (...) Esse é o mecanismo completo da estrutura de um sintoma histérico.348 Assim, entendo que Freud postula, por meio desta exposição exemplificada, que a estrutura do sintoma histérico está relacionada com a identificação voltada às primeiras imagos parentais.

Este entendimento é corroborado pelo mestre, em Dostoiévski e o Parricídio (1928[1927]), quando analisa os sintomas histeroepiléticos de Dostoiévski, que remetem à morte do sujeito (paralisias, desmaios, desfalecimentos entre outros). Nesta ocasião ele escreve sobre o significado destas crises, postulando que: “significam uma identificação com uma pessoa morta, seja com alguém que está realmente morto ou com alguém que ainda está vivo e que o indivíduo deseja que morra.”349

Acerca da estrutura do sintoma histérico e sua relação com as figuras identificatórias, a psicanalista Jacqueline Schaeffer (2005) escreve, no verbete

histeria do Dicionário internacional da Psicanálise, o seguinte: “a neurose histérica e a relação histérica põem em jogo processos de identificação histérica, de recalcamento incessante, e de contra-investimento em que o outro é utilizado como teatro do conflito a elaborar.”350

Sendo assim, entende-se que no conflito presente na histeria, o outro está sempre implicado. Este outro é o destinatário das demandas identificatórias da histérica.

348 FREUD, Sigmund (1921). Psicologia de grupo e análise do ego. ESB, vol. XVIII, 1996, p. 116 349 FREUD, Sigmund (1928[1927]). Dostoievski e o parricídio. ESB, vol. XXI, Rio de Janeiro: Imago,

1996, p. 188

350 MIJOLLA, Alain de. Dicionário internacional da psicanálise: conceitos, noções, biografias, obras

Por meio de suas contribuições clínicas, Mayer (1989) escreve o seguinte a respeito do sintoma e sua ligação com a identificação: “(...) a identificação é um dos caminhos privilegiados que a estrutura histérica utiliza para cumprir seus desejos inconscientes encobrindo-os através dos sonhos, da fantasia ou do sintoma.”351Deste modo, compreendo que o sintoma na histeria está relacionado

com a falha no recalque do complexo de Édipo, que deve ocorrer ao final da fase fálica.

A medida que ocorre algo que ameaça este conteúdo recalcado, não é possível ao ego mantê-lo afastado, retornando sob a forma de sintoma. Assim como Freud postulou em seu texto intitulado Repressão (1915) – conforme citado no capitulo anterior, destinado à metapsicologia – recalcar significa manter algo afastado do consciente, isto é, isolado a fim de evitar o conflito.

Porém, conforme Nasio (1991) entende, o mecanismo do recalque constitui uma defesa inadequada aos conteúdos representados que pertencem agora ao id. Para este autor: “é pelo fato de a citada representação [representação sexual

intolerável]352 ter sido fundamentalmente separada das outras representações organizadas da vida psíquica que ela se torna radicalmente intolerável, e que preserva no seio do eu uma atividade patogênica inextinguível.”353 Sendo assim,

acredito que quanto mais esta representação sofre com a ação do recalque, ou seja, quanto mais isolada, mais patogênica se torna.

A fim de explicitar com mais detalhamento o que ocorre, Nasio (1991) sintetiza que o conflito histérico consiste em: “(...) uma representação portadora de um excesso de afeto, por um lado, e por outro, uma defesa infeliz – o recalcamento – que torna a representação ainda mais virulenta.”354 Isto significa que quanto mais o

recalcamento incide sobre esta representação sexual intolerável, mais a isola, tornando-a mais perigosa.

351 MAYER, Hugo. Histeria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989, p. 44 352 Colchetes meus

353 NASIO, J. –D. A histeria: teoria e clinica psicanalítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991, p. 28 354 Idem, ibidem

Esta consideração de Nasio (1991), permite pensar no caminho contrário, isto é, quanto menos uso o ego fizer do recalque, menos perigosa se tornará a representação sexual.

Por isso, Freud reserva uma possibilidade de o ego recorrer a uma outra saída para lidar com as exigências de se manter o conteúdo sexual afastado da consciência, porém, sem sufocar as pulsões, permitindo a satisfação por meio da sublimação.

Na quinta lição de suas Cinco lições de psicanálise (1909), Freud postula que existem pessoas que conseguem realizar uma transformação de suas fantasias, não as aprisionando. Ele inicia o raciocínio expondo o seguinte:

O homem enérgico e vencedor é aquele que pelo próprio esforço consegue transformar em realidade seus castelos no ar. Quando esse resultado não é atingido, seja por oposição do mundo exterior, seja por fraqueza do indivíduo, este se desprende da realidade, recolhendo-se aonde pode gozar, isto é, ao seu mundo de fantasia, cujo conteúdo, no caso de moléstia, se transforma em sintoma.355

Assim, Freud deixa claro que a fantasia, constituída por um desejo, pode ser transformada em realidade, porém quando isso não ocorre, isto é, quando a fantasia não é operada de tal modo que se adeque as condições da realidade, pode dar lugar à formação do sintoma. Ainda neste mesmo trabalho, o mestre postula que esta busca de satisfação do desejo pode ser buscada por uma outra via. Deste modo, ele escreve:

Em certas condições favoráveis, ainda lhe é possível encontrar outro caminho dessas fantasias para a realidade, em vez de se alhear dela definitivamente pela regressão ao período infantil. Quando a pessoa inimizada com a realidade possui dotes artísticos (psicologicamente ainda enigmáticos) podem suas fantasias transmudar-se não em sintomas senão em criações

355FREUD, Sigmund (1909). Cinco lições de psicanálise. ESB, vol. XI, Rio de Janeiro: Imago, 1996, p.

artísticas; subtrai-se desse modo à neurose e reata as ligações com a realidade.356

Acredito que Freud, mesmo reconhecendo serem ainda enigmáticos os sujeitos que possuem esta tendência à arte – e Freud não se satisfez com suas descobertas sobre esse enigma até o fim de sua obra – postula que há uma outra saída para o desejo que não o sintoma. Há a possibilidade de, pela via artística, reatar as ligações com a realidade.

A respeito desta transformação possível pela via sublimatória, Hornstein (1990) escreve que: “a sublimação é uma formação de compromisso, como todo retorno do recalcado, mas é uma transformação da pulsão em um produto valorizado narcisisticamente e pressupõe o prazer por esta transformação.”357

Deste modo, este psicanalista compreende que a pulsão tem a oportunidade, pela via sublimatória, de se satisfazer a partir do valor narcísico que o sujeito lhe atribui. A pulsão, não precisa mais estar recalcada, ela encontra uma outra forma de encontrar o prazer, afora o sintoma.