4 Nøkkeltall fra forskningsinstituttenes virksomhet i 200
4.2 Instituttenes økonomi
4.2.1 Inntekter og finansieringskilde
Não há maior honra para um partido do que sofrer pela sustentação de princípios que ele julga serem justos.
W.E. Gladstone
De início, fato recorrente em todo o livro, uma citação, argumento de autoridade, prova extrínseca, para introduzir o tema do capítulo. As citações são escolhidas com propriedade e reafirmam uma trajetória marcada por valores como “honra e princípios, justos.”
Não há dúvida de que já existe um núcleo de pessoas identificadas com o movimento abolicionista, que sentem dificuldade em continuar filiadas nos partidos existentes, por causa de suas idéias. Sob a bandeira da abolição combatem hoje, liberais, conservadores, republicanos [...] sem outro compromisso senão o de subordinarem à sujeição partidária a outra maior, à consciência humana. (7)
Apresenta o orador, uma conceituação de partido, certamente encampada por ele, já que o conteúdo, em análise, é o partido abolicionista. Inicialmente, há o objetivo de apresentar a radiografia do partido em formação. Há pessoas interessadas em participar. Coloca em evidência a noção de um partido em que prevaleça a honra política mesclada com a consciência humana. A política nacional nada mais é do que uma colcha de retalhos e, como ninguém quer perder a oportunidade histórica, paralelamente, os partidários de outras facções aceitam as diretrizes do partido abolicionista. Prevalecem aqui os valores – ethos / pathos, evocados nas palavras, compromisso, idéias e consciência humana...
Se o partido, já em seu embrião, está angariando adeptos pelo Brasil, não é por acaso, pois todos querem participar desse movimento, não importa a cor partidária, estão sob o teto de uma mesma bandeira. Os mais diversos segmentos partidários esquecem suas idiossincrasias para gravitarem em torno de um objetivo maior, e mais abrangente, o partido abolicionista que encarna a emancipação. Ninguém quer estar alheio a esse momento de definição que libertará os escravos, tendo por referência a consciência humana.
A simples subordinação do interesse de qualquer dos atuais partidos ao interesse da emancipação basta para mostrar que o partido abolicionista quando surgir, há de satisfazer a um ideal de pátria mais elevado, compreensivo e humano. (07)
É preferível a opção pela liberdade, razão maior, movimento em expansão, do que a simples fidelidade aos princípios de um partido que, em última análise, defende a forma de governo pretendida por conservadores, republicanos e os liberais. O partido abolicionista, segundo o retor, há de ser formado por vários matizes partidários que levam em consideração a prevalência de um ideal maior, de princípios elevados, em detrimento de interesses partidários e pessoais. É essa a aposta do orador, um ideal de pátria, acima de conflitos pessoais. São notórias as marcas das provas intrínsecas e a insistência do interlocutor em apontar valores e conceitos que identificam a alma brasileira.
Como cidadão, sintonizado com os problemas sociais, o orador assiste ao processo, percebe a realidade e postula a inserção de uma nova agremiação partidária
que, sem abdicar dos próprios compromissos, está abrigada sob a bandeira de um ideal de liberdade mais abrangente. A causa em pauta, o anseio da emancipação, justifica o ingresso de outros políticos no novo partido, sem constrangimento.
Entende-se por partido não uma opinião somente, mas uma opinião organizada para chegar a seus fins... [...] No partido liberal a corrente conseguiu pelo menos, pôr a descoberto os alicerces mentirosos do liberalismo entre nós. Quanto ao partido Conservador,devemos esperar a prova da passagem pelo poder... Restam os Republicanos. (08)
O enigma maior fica para a expectativa em relação ao desempenho dos republicanos que também tentam se firmar como agremiação partidária, tendo por bandeira a mudança do regime, o combate à Monarquia, sobre a qual depois se imporiam. Mesclam-se, e isso é normal, sobretudo num texto por natureza polêmico, o ethos, o pathos e o logos, permanentemente.
Percebemos inúmeras provas extrínsecas, a história dos partidos, com suas normas, seu desempenho na política brasileira, suas peculiaridades e sua participação no Parlamento. Uns já têm um trabalho a mostrar, enquanto outros ainda precisam ser testados pela ocupação do poder, para serem melhor julgados.
Proliferam as provas extrínsecas:
“Foi a lei de 28 de setembro [...] A República compreendeu a oportunidade[...].a corajosa defesa empreendida notavelmente pelo sr. Cristiano Otoni [...] forte democracia escravagista de São Paulo”08)
...o abolicionismo, depois de muitas hesitações, impôs-se ao espírito de grande número de republicanos como uma obrigação maior, mais urgente, mais justa e a todos os respeitos mais considerável do que de mudar de forma de governo com o auxílio de proprietários de homens. (8)
Nessa autêntica batalha para angariar adeptos, pessoas de renome para suas agremiações políticas, o abolicionismo se antecipa, trabalho facilitado pela seriedade da causa que defende. A maior resistência encontra-se no Partido Republicano, que, entretanto, cede em face dos argumentos e de uma única escolha que tem, apoiar o abolicionismo, ou se colocar ao lado dos fazendeiros, proprietários de homens.
“Supondo que a República seja a forma natural da democracia, ainda assim, o dever de elevar os escravos a homens precede a toda arquitetura democrática.” (08) Um argumento considerável. O pathos, principalmente, o ethos e o logos estão em sintonia na força argumentativa. Em questão está um valor, a República, sobre a qual deve prevalecer a identidade pessoal do ser humano.
O dever de considerar o escravo como gente deve sobrepor-se a qualquer outro argumento, ou seja, o escravo sempre foi algo coisificado, nunca teve uma função na sociedade que não o de mercadoria, relegado a um plano secundário. O tempo urge e o Abolicionismo quer aquinhoar os escravos com um novo status, classificá-lo como pessoa, acima de qualquer pretexto. Em suma, a valorização do ser humano transcende qualquer alternativa ideológica.
“Por outro lado, a teoria inventada para contornar a dificuldade sem a resolver, de que pertence à Monarquia acabar com a escravidão...”(8)
O orador, evoca, nesse trecho, um fato, prova extrínseca, segundo o qual os republicanos disseminam a idéia de que cabe à Monarquia exterminar com a escravidão, o que leva os partidos a pensarem em lavar as mãos. Faz uma ampla análise dos partidos existentes, liberais, conservadores, republicanos a quem, segundo o orador, é impensável aceitar o caos, no atual estágio da civilização em que homens escravizam outros seres humanos, apenas por havê-los herdado ou comprado “em abjeta subserviência forçada, durante toda a vida”. (09)
“Conservadores constitucionais; liberais, que se indignam contra o governo pessoal; republicanos, que consideram degradante o governo monárquico da Inglaterra e da Bélgica...”
Se, de um lado, prossegue, os partidos, principalmente os republicanos, criticam abertamente os regimes monárquicos da Bélgica e da Inglaterra - provas extrínsecas - em suas barbas, nas suas fazendas, sob seus domínios há “centenas de entes rebaixados da condição de pessoa” (09) sob o jugo de um poder discricionário que não se submete a qualquer lei ou à fiscalização de suas decisões, numa atitude absolutista.
“Todos os três partidos baseiam suas aspirações políticas sobre um estado social cujo nivelamento não os afeta;”(9)
Um novo argumento, uma prova intrínseca, em que o logos e o pathos dialogam quando o orador coloca os três partidos existentes, frente a frente com suas convicções pessoais, questiúnculas em que cada qual procura aglutinar nomes históricos importantes em suas fileiras, promovendo apenas o interesse partidário e pessoal, fato que destoa dos princípios de um movimento maior que se plasma em favor da liberdade.
... o abolicionismo, pelo contrário, começa pelo princípio, e, antes de discutir qual o melhor modo para um povo ser livre de governar-se a si mesmo [...] trata de tornar livre este povo, aterrando o imenso abismo que separa as duas castas sociais em que ele se extrema. (09).
Esse excerto expressa com clareza, a opção pela liberdade, acima e antes de outra iniciativa. Ser livre é a premissa maior para que uma nação tenha dignidade. Para o partido abolicionista, há um pressuposto do qual não abre mão, por julgar essência da natureza humana, o direito de ser livre. Isso não é motivo de questionamento, é presunção, deve ser norma, lei.
“Nesse sentido, o abolicionismo deveria ser a escola primária de todos os partidos, o alfabeto de nossa política e não o é;” (09)
O orador cria uma imagem de impacto, prova intrínseca – ethos - ( ele foi aluno do Coégio Pedro II) -conhecia as escolas, ao declarar que a escola primária tem uma simbologia acentuada, num país, como o Brasil, constituído, na grande maioria, por cidadãos analfabetos. Assim, o abolicionismo também significa a abertura das portas, para pessoas esclarecidas, escolarizadas que tenham a mente arejada, aberta para engajar-se num movimento de libertação. Quem assim não age está fadado ao anacronismo.
“...e daí a principal razão porque essa política é uma Babel na qual ninguém se entende.”(09)
Ressalta, o orador, que a nossa política é uma Babel, metáfora bíblica, prova extrínseca, para caracterizar a falta de entendimento entre os políticos, o caos
generalizado. A alusão à passagem bíblica caracteriza perfeitamente os desencontros ideológicos e partidários vigentes que enveredam para uma debandada que pode resultar na desagregação das hostes partidárias. O orador questiona-se sobre a reação do partido diante de tamanha responsabilidade, a de acolher sob sua bandeira, pessoas com outros pensamentos, membros de outras facções.
Como será o comportamento do novo partido em face de tais circunstâncias, delibera o orador. Estaria, raciocina, preparado para assumir o papel que a história, nesse momento, reserva-lhe? “Irão os abolicionistas, separados, pela sinceridade das suas idéias [...] Haverá um partido abolicionista organizado [...] para presidir a transformação do Brasil escravo em Brasil livre, e liquidar a herança da escravidão?” (10) O orador – ethos – sofre, expõe suas angústias, questiona-se, delibera, interroga-se sobre a pertinência da missão.
“Assim aconteceu nos Estados Unidos ...”(10)
Provas extrínsecas surgem, quando da referência ao que ocorreu nos Estados Unidos, em que o Partido Republicano, ao surgir na cena política, teve que dominar motins e revoltas, além de emancipar milhões de escravos, implantando os valores da liberdade e da igualdade...
“É natural que isso aconteça no Brasil;” (10)
No Brasil, a critério do orador, fato semelhante pode ocorrer, mas não é o que imagina que aconteça, pois, há outro caminho a ser seguido, o de respeitar as premissas de cada partido com suas idiossincrasias, suas divergências, seus questionamentos e peculiaridades, desde que haja consenso, quando o assunto for de interesse nacional. Em contrapartida, pensa, não pode correr o risco de instigar a formação de um partido único, pois, esta alternativa, compromete os parâmetros e alicerces da democracia.
O advento do abolicionismo coincidiu com a eleição direta, e, sobretudo com a aparição de uma força, a qual se está solidificando em torno da imprensa [...] força que é a opinião pública.(10)
Esse é um argumento fundamental, percebido pelo orador, atento aos fatos que começam a tomar corpo no País e que prevalecem até nossos dias, capaz de derrubar governos e deflagrar guerras, “a força que é a opinião publica.” De fato, ela se agiganta no seio da sociedade oitocentista, tem um poder muito forte e é essencial que esteja ao lado dos abolicionistas. O abolicionismo percebe sua importância, deve considerar esse movimento e não pode prescindir desse poder emergente.
“Neste livro, entretanto, a expressão partido abolicionista significará tão- somente, o movimento abolicionista,...”(10)
Sempre visível o logos, de forma pedagógica, explica, que o termo partido abolicionista, no contexto, deve ser considerado apenas esta força que cresce pelos quatro quadrantes do país, “corrente de opinião que se está desenvolvendo do Norte ao Sul.” (10)
Uma imagem criativa, que merece reparo, uma alegoria em que aborda o apego dos políticos ao poder : “Qualquer ramo, por mais murcho e seco deixado uma noite ao relento desta atmosfera privilegiada, aparece na manhã seguinte coberto de folhas. Não há como negar o influxo desse fiat”, num verdadeiro milagre da natureza. Essa, adiciona o orador, “é toda nossa história.” Caracteriza a busca do poder a qualquer preço em que os fins justificam os meios. A troca constante de facção política em função de interesses imediatos, sem compromissos com valores é visível e lamentável. Assim como o ramo murcho, prova intrínseca, metáfora significativa, as pessoas mudam os conceitos, e renovam os compromissos, ou interesses.
A citação seguinte é conhecida, certamente o é, também, do leitor, e atinge nossos dias: “O poder é o poder”. É uma colocação significativa e mostra como os partidos chegam a perder as verdadeiras características para submeterem-se às vantagens que o poder cria, pois deturpa as consciências e compra os valores. Os partidos “alternam-se no exercício do patronato e na guarda do cofre das graças...” (11) O dinheiro, em qualquer lugar e a qualquer tempo, subjuga as pessoas e torna-as submissas. Não é diferente no Brasil monárquico, regido por interesses espúrios e mercenários, para usar um termo de Nabuco, “num país em que a escravidão
empobreceu e carcomeu -, todos os elementos dependentes e necessitados da população”. (11)
Notamos, aqui, uma referência à dilapidação do patrimônio público perpetrada pelos dois partidos que se revezam no poder em detrimento de uma população empobrecida e de classes sociais carentes. O verbo carcomer, principalmente, é colocado aqui com muita propriedade e tem uma força de expressão muito forte de destruir, arruinar, corroer. Encarna o pathos, visa a despertar a indignação do leitor que, decerto, percebe e sofre essas conseqüências, como cidadão.
Isso mesmo caracteriza a diferença entre o abolicionismo e os dois partidos constitucionais: o poder deste é praticamente, o poder da escravidão toda, como instituição privada e como instituição política; o daquele é o poder tão-somente das forças que começam a rebelar-se contra semelhante monopólio – da terra do capital e do trabalho – que faz da escravidão um estado no Estado, cem vezes mais forte do que a própria nação. (11)
Para finalizar o capítulo, contrapõe os posicionamentos ideológicos de partidos viciados, que, reitera, buscam a todo custo o poder, resultado do contexto escravocrata em que tudo pode acontecer. Apresenta como alternativa, numa posição adversa, o partido abolicionista, representado pelas forças que começam a rebelar-se contra o “monopólio da terra do capital e do trabalho” (11) e que, em nome e por culpa da escravidão, faz desta, “um estado no Estado, cem vezes mais forte do que a própria nação.” (Idem)
A amostra do perfil de um país carcomido pelas conseqüências que a escravidão suscita, serve como alicerce para a apresentação de um argumento mais robusto, a necessidade de inovar a política brasileira, já viciada, com uma visão canhestra do panorama partidário brasileiro. Daí o espaço propício e o momento aprazado para o surgimento do abolicionismo, com perspectivas inovadoras, alicerçado em novas regras, com padrão ético, formado pelas novas gerações. Significa o caminho para restaurar a dignidade do país, a começar pela libertação dos negros, obsessão a ser perseguida em todas as ocasiões e lugares. Cabe ao leitor fazer a devida análise e apreciação dessas realidades, após as informações apresentadas pelo orador.
Neste capítulo, há um equilíbrio na escolha das provas que o orador emprega.