2.5 Nærmere om betydningen av prostitusjonsinntekters nære tilknytning til ulovlige handlinger
2.5.2 Inntekt fra svart arbeid
145 ―Viva Cristo‖ era a saudação que a Ir. Osvalda Kroetz recebia dos alunos quando entrava nas salas de aula do Grupo Escolar ―Dr. Ataliba Antônio de Oliveira‖. 95 Todos os
alunos se colocavam de pé e esperavam até que a irmã autorizasse que se sentassem para ouvi-la, ou esperavam que ela começasse a oração. Mulher dinâmica, determinada e enérgica, irmã Osvalda Kroetz é de nascimento Florida Kroetz, nascida no dia 20 de setembro de 1919, em São Leopoldo, no estado do Rio Grande do Sul, filha de pais alemães.
Ir. Osvalda Kroetz foi uma das freiras que, acompanhadas por Madre Rosálie, chegou em Mato Grosso em 1963, instalou-se em Nortelândia e como já era normalista, veio com a missão de instalar uma escola privada, enquanto outras freiras que com ela chegaram ocuparam-se de serviços de enfermagem no hospital e outras, de serviços comunitários.
No ano de 1963 em Nortelândia, em um espaço improvisado, criou-se a Escola Paroquial Sant`Ana. Ir. Osvalda Kroetz trabalhava nesta escola nos três períodos: matutino, vespertino e noturno. O número de alunos era grande, porém, por falta de condições financeiras dos pais dos alunos, em agosto de 1964 as professoras começaram a receber seus salários do governo do Estado de Mato Grosso e a escola foi incorporada à rede pública de ensino (BROD, 2003). Depois de dois anos a serviço da educação na cidade de Nortelândia, irmã Osvalda foi transferida para Arenápolis em 21 de março de 1965. Nesta cidade permaneceu por seis anos ocupando-se de trabalhos educacionais, inicialmente em uma escola privada da Congregação das Irmãs da Divina Providência denominada Escola ―Missionário Bom Jesus‖, que pelo mesmo motivo da escola de Nortelândia foi incorporada à rede estadual de ensino, atualmente Escola Estadual Mário Mota. 96 Ir. Osvalda então com a encampação da escola, em 1966, pelo Estado de Mato Grosso, passa a ser diretora do estabelecimento do Grupo Escolar em Arenápolis, até a sua transferência para Tangará da Serra em 1971.
Conforme o Concílio Vaticano II ocupar-se da educação era uma tarefa fundamental para o exercício da evangelização católica:
O sagrado Concílio exorta vivamente os jovens a que, conscientes, da importância do múnus educativo, estejam preparados para o receberem os com ânimo generoso, sobretudo naquelas regiões em que, por falta de professores, a educação da juventude está em perigo. O mesmo sagrado Concílio, enquanto se confessa muito grato aos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que se
95 Criado pelo Decreto nº 1.464 de 08 de agosto de 1971.
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ocupam com dedicação evangélica na obra excelente da educação e do ensino de qualquer espécie e grau, exorta-os a que perseverem generosamente no trabalho começado e a que de tal modo se esforcem por sobressair em encher os alunos do espírito de Cristo, na arte pedagógica e no estudo das ciências que não só promovam a renovação interna da Igreja mas também conservem e aumentem a sua presença benéfica no mundo hodierno, sobretudo no intelectual (SANTA SÉ, 1965).
Em Mato Grosso, na região de garimpo (Nortelândia, Arenápolis e Paranatinga) e na região agrícola (Tangará da Serra), a tarefa educacional realizada pelas irmãs da Divina Providência foi na escola pública, embora tenham realizado um trabalho efêmero com escolas privadas em Arenápolis e Nortelândia.
Ir. Osvalda, antes de vir definitivamente trabalhar em Tangará da Serra, estava na localidade de forma esporádica, em especial antes de 1968, quando nenhuma irmã ainda residia no local. Estas passagens de Ir. Osvalda podem ser percebidas no livro Tombo da Reitoria Nossa Senhora Aparecida, conforme registro do dia 09 de dezembro de 1966: ―As 14 horas chegaram aqui de Jipe o Pe. Edvino Bremm e a irmã Osvalda de Arenápolis. As 16 horas já estavam de retorno para Arenápolis‖.
Mas, em 1971 Ir. Osvalda foi transferida oficialmente pela madre Rosálie, para então tomar posse como diretora do novo grupo escolar. Sua chegada em Tangará da Serra é assim narrada, em entrevista:
Foi uma viagem péssima, porque não tinha estrada, asfalto nem se falava. Aí eu cheguei lá, nós chegamos durante a noite lá. Nós tínhamos que subir aquela serra a pé [Serra do Tapirapuã] porque o ônibus que nós estávamos não subiu. E lá em cima estava esperando outro ônibus, e alguém que veio junto comigo [sentado no banco do ônibus ao lado] e se ofereceu para carregar minha mala, quando cheguei lá em cima [da Serra do Tapirapuã], o homem que estava comigo desapareceu e minha mala também. Eu fiquei sem mala, só com a bolsa que eu tinha na mão. [Risos]. Mas, quando cheguei lá fui muito bem recebida pelas irmãs, na casa, uma casa pequenina. Como é que eu vou dizer muito acolhida (KROETZ, 2007).
No relato observamos que apesar dos percalços da viagem, em especial pela falta de seus pertences, a chegada em Tangará da Serra foi de acolhimento, expressão muito corrente em todo depoimento da irmã. Ao contrário da Ir. Myriam Hansel, irmã Osvalda kroetz tem seu relato centrado na permanência do tempo em que esteve em Tangará da Serra e não nos motivos de sua transferência. Todo seu relato é marcado pelo contexto de uma localidade que se fazia crescer. ―A memória é uma reconstrução psíquica e intelectual que acarreta uma representação seletiva do passado, um passado que não é aquele do indivíduo somente, mas de um indivíduo inserido num contexto‖ (BOTH, 2002, p.86).
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A memória da irmã Osvalda é marcada pelo grande fluxo migratório de pessoas que chegavam cotidianamente a Tangará da Serra, ―Cada dia vinha mais gente, e vinha de
Minas Gerais, quando vinha de Minas Gerais eu sempre fiquei contente, porque eles eram tão bons, compreensivos, nobres e de fato era muitos pra ajudar na Igreja” (KROETZ, 2007).
As pessoas procedentes de Minas Gerais são componentes significativos das lembranças da irmã, pois segundo ela, além de católicas, dentre elas sempre tinha uma pessoa com estudos, que poderia ser professora. Ela compara sempre os mineiros com os paulistas e enfatiza que as professoras mineiras eram bem formadas e que as famílias mineiras gostavam de rezar mais do que as paulistas. 97
Durante o período que permaneceu em Tangará da Serra, irmã Osvalda cursou Teologia em São Paulo, na Faculdade Teológica de São Paulo e também Administração Escolar, um curso de Pedagogia em período de férias realizado na cidade de Cáceres.
Além de ser diretora do Grupo Escolar Ataliba Antônio de Oliveira, irmã Osvalda foi professora de inglês e religião do Ginásio Estadual e também professora de inglês e psicologia no curso normal em Tangará da Serra. Segundo Antônio Francisco de Melo, aluno do curso normal, a psicanálise de Freud era o assunto favorito desenvolvido pela irmã em sala de aula, na disciplina de psicologia. 98
As palavras de Irmã Osvalda, quando retratam partes de sua permanência em Tangará da Serra, estão carregadas de vida concreta, aspectos como a cooperação da população local na vida da escola, a participação efetiva dos pais, a presença dos professores e dos alunos nas missas dos domingos e nas festas da escola e da igreja.
Na memória coletiva da população de Tangará da Serra o nome Irmã Osvalda é marcado pela presença do uso do seu hábito em cima de uma bicicleta99; é ela, referência nos feitos da educação nos primeiros tempos de Tangará da Serra. Irmã Osvalda permaneceu em Tangará da Serra até o ano de 1979 depois foi transferida para a cidade de Alto Garças, lá continuou suas atividades por mais quatro anos até ser transferida para São Miguel do Oeste, cidade do Estado de Santa Catarina.
97 Idem.
98 Entrevista realizada com Antônio Francisco de Melo. Tangará da Serra, 02 jan. 2008.
99 Irmã Osvalda usou hábito por um período de 45 anos. Não usou o hábito que trouxe do sul, mas um hábito adaptado ao clima de Mato Grosso, mais curto e mais leve.
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Considerações Parciais
A colonização privada de Tangará da Serra foi também resultado da política getulista da ―Marcha para o Oeste‖, que culminou com a efetivação da política fundiária mato-grossense nos anos de 1960 aos anos de 1970. O Departamento de Terras e Colonização (D.T.C.) e a Comissão de Planejamento da Produção (C.P.P.) foram os órgãos responsáveis pela efetiva venda ou distribuição de terras neste período. Estes órgãos foram envolvidos em corrupções políticas, tendo seus serviços suspensos em alguns anos.
As terras que hoje formam o município de Tangará da Serra foram resultado de 54 glebas, que em sua maioria, concedidas a descendentes de japoneses dos Estados de São Paulo e do Paraná, são quase retangulares e começam na Serra do Tapirapuã, recortadas até o rio Sepotuba. As questões de beliches de terras e os conflitos fundiários, fizeram com que a maioria dos japoneses vendessem e não ocupassem estas terras do sudoeste de Mato Grosso.
A efetiva colonização do atual núcleo urbano de Tangará da Serra e de parte de sua zona rural concretizou-se a partir do ano de 1960, pela empresa de colonização privada denominada Sociedade Comercial Imobiliária de Tupã para a Agricultura Ltda. (SITA). Para reocupar o planalto do Tapirapuã, a SITA realizou propaganda nos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, usando como elemento central para motivar o fluxo migratório a terra fértil para a produção do café.
Nos anos sessenta do século XX iniciou-se um intenso fluxo migratório para a região sudoeste de Mato Grosso. Quando os migrantes chegaram, encontraram uma cidade quadriculada no solo e os espaços individuais estavam já pré-estabelecidos.
O projeto arquitetônico foi criado pelo arquiteto Américo Carnevali que apresentou uma cidade com traçado moderno, ruas largas, com 168 quadras, sendo cada uma com 16 lotes, destaca seis avenidas, centro cívico, locais para praças com áreas verdes, grupos escolares, cinema, mercado, hospital, clube recreativo, delegacia, rodoviária, posto de saúde, ginásio, estádio de futebol, aeroporto e horto florestal.
Na cidade, até os anos sessenta do período em estudo, as casas eram geralmente de madeira; poucas foram as casas feitas de alvenaria. Os moradores denominam as casas de
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alvenaria de casa de material. Estas casas de madeira eram, em sua maioria, cobertas de tabuinhas retangulares.
Desta forma, as pessoas que chegaram a Tangará da Serra, durante o primeiro fluxo migratório, encontraram uma cidade sendo construída, casas sendo edificadas, homens e mulheres que, cotidianamente, organizavam novas práticas e relações sociais, com pessoas de diferentes lugares; as casas, a escola, o jeito de viver, foram se organizando, de acordo com o que as novas relações culturais exigiam.
A propaganda realizada pela SITA e a propaganda de familiares residentes no povoado, presentes na memória de vários migrantes, e também, através de cartas a parentes e amigos, mobilizaram pessoas de vários lugares do Brasil para Tangará da Serra, mas, sobretudo os originários dos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia, Goiás, Pernambuco e Espírito Santo. Estas famílias denominadas de famílias de lavradores seguiram a rota do café, realizando o fluxo migratório rural-rural.
Com a chegada de várias famílias ao núcleo urbano de Tangará da Serra, a SITA, cumprindo a sua ação como colonizadora, construiu duas salas de aula de madeira, servindo como escola para os filhos de migrantes. E selecionou dentre os moradores, Paulo Cicinato, com o ensino primário completo, para exercer a função de professor. Esta escola organizada pela SITA não foi institucionalizada junto a nenhum órgão de educação.
A institucionalização da escola em Tangará da Serra ocorreu com a criação da Escola Rural Mista de Instrução Primária de Tangará da Serra, em 1964, sob a manutenção do Governo de Estado de Mato Grosso e, em 1965, foi instalada a Escola Rural Mista Municipal ―Santo Antônio‖, mantida pela Prefeitura Municipal de Barra do Bugres.
A Escola Rural Mista de Instrução Primária de Tangará da Serra teve seu tempo de duração de 1964 a 1967. Funcionava no mesmo espaço da antiga escola organizada pela SITA. Paredes de madeira, chão batido, cobertura de tabuinhas, janelas de madeira, bancos rústicos de madeira bruta, quadro negro, mesa do professor, mapas e cartaz do tempo compunham elementos interiores do espaço da sala de aula. A arquitetura da escola representava a mesma da cidade. Um espaço de migrantes, em que o material disponível era utilizado. E como afirma Bruand (2003, p.11) ―Mais do que qualquer outra manifestação artística, a arquitetura depende diretamente das condições materiais.‖ E um espaço geográfico rico em madeiras de boa qualidade, favorecia o processo construtivo com uso deste material.
Uma escola em região de colonização recente é um dos elementos constitutivos do eixo de concentração das atividades das pessoas. A escola, a igreja, o campo de futebol e
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as casas comerciais são os elementos aglutinadores de pessoas e de possibilidades. São estes os espaços cujos olhares, em especial, dos grupos que administram a cidade se direcionam. São espaços com funções diferenciadas, unos, mas que carregam significados múltiplos e que estabelecem a identidade de uma localidade em formação.
Ao visitar a escola, inspecioná-la, os representantes dos órgãos públicos se preocupavam em avaliar o que estava posto nos livros de registros e na aparência exterior da escola. Não há registro sobre a questão da qualidade de ensino, sobre a formação de professores, e nem sobre a inclusão, evasão ou repetência escolar. A escola em estudo era uma escola de ensino, que atendia a quem a procurava. Uma escola do tempo da reocupação, marcada por fluxos e refluxos de migrantes.
O tempo escolar não seguia normas rígidas das Secretarias de Educação. Adaptava- se a realidade local. Isto se verificou pela disparidade de dias letivos durante diferentes anos. A frequência dos alunos às aulas, no período em análise, apresentou-se normal, exceto para o mês em que se preparava a terra para o plantio. Como a maioria dos alunos era proveniente da zona rural, filhos de família de lavradores, estes estavam diretamente ligados ao trabalho na lavoura.
Os professores da Escola Rural Mista de Instrução Primária de Tangará da Serra não contavam com recursos didático-pedagógicos, usavam livros e os reproduziam no quadro negro. Os alunos copiavam os textos e atividades e depois eram avaliados por provas. Ao término do ano letivo realizavam o exame final. O método de ensino era a memorização. E em especial, nas duas primeiras séries do ensino primário, o índice de reprovação era considerado alto.
O professor nesta região de colonização recente era alguém disposto a ensinar, e que tivesse um grau de instrução superior ao de seus alunos. Era um migrante, que não migrou com objetivo de trabalhar na educação, mas pela necessidade da população, tornou- se professor. Um professor leigo, em um período histórico marcado por políticas públicas educacionais despreocupadas com a população escolarizável. O professor é frente de expansão.
Em Tangará da Serra, a presença do professor José David Nodari foi fundamental no processo de institucionalização da escola pública e também para a manutenção da política fundiária desenvolvida pela SITA. A presença de escola em uma região de colonização recente foi um dos recursos utilizados na propaganda para motivar o fluxo migratório. O homem do campo via no processo de escolarização uma alternativa para dar aos seus filhos um futuro melhor.
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A Escola Rural Mista de Instrução Primária de Tangará da Serra esteve sobre o controle do Estado ditatorial. Isto significa a contestação de que o interior do Brasil, no caso o interior de Mato Grosso, estivesse isolado das questões políticas nacionais. Este isolamento mato-grossense em relação ao litoral brasileiro nunca existiu. Mato Grosso desde o período colonial esteve em sintonia com as regiões consideradas mais ―adiantadas‖ do Brasil. 100
A Escola Rural Mista Municipal ―Santo Antônio‖ era uma escola isolada, pensada e concretizada por alunos migrantes lavradores, e por uma professora que em, muitas vezes, parecia estar à ―margem‖ do que ocorria além do seu espaço territorial. Iracema Casagrande, não partilhava suas dúvidas e aflições didático-pedagógicas. Porém, ensinou, fez com que a escola se efetivasse, não se deixou silenciar. Fez de sua escola isolada, um espaço de saber, e mesmo sem formação para o magistério contribuiu para a escolarização rural em Tangará da Serra.
Em Tangará da Serra a institucionalização da escola, tanto no espaço urbano, quanto no rural, foi marcada por práticas de ensino empiristas, formada por professores e alunos com ideais parecidos, que era a busca da mesma certeza “crescer com o lugar”,
expressão muito comum. Uma escola pobre, para pessoas em movimento. Um tempo que nos permite o diálogo do presente com o passado. Quando verificamos no tempo presente filas imensas de pessoas, para realizar anualmente, inscrições para os exames supletivos de massa, em Mato Grosso, denominados provões, entendemos que a escola da década de sessenta e setenta não garantiu nem o acesso e nem a permanência dos alunos, isto comprovado pelos altos índices de reprovações e desistências e pela ausência de uma política educacional em Mato Grosso que garantisse ao migrante urbano ou rural completar sua vida escolar.
Ao estabelecermos um nexo entre migração e escolarização em Tangará da Serra neste período de 1964 a 1967 podemos concordar com BUFFA (2007, p. 158) quando afirma: ―[...] é preciso lembrar que é a sociedade que produz a escola e, portanto, a escola tem as feições que a sociedade lhe imprime‖.
Através das entrevistas com ex-professores e ex-alunos, analisamos que as representações sobre a escola pública em Tangará da Serra, no período até então estudado, estava em sintonia com a comunidade que era ocupada diariamente. Seu currículo vivido, através das vozes dos entrevistados, nos mostrou uma cadeia de relações importantes para
100 Esta análise pode ser observada nas seguintes obras: Vopalto (1987); Peraro (2001); Rosa e Jesus (2003); Neves (1988) e; Neves (2001).
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a comunidade que se organizava. A escola era e se fazia um espaço de destaque e importante.
Em localidades em que o projeto de ocupação faz parte da história recente de Mato Grosso, como é o caso de Tangará da Serra, a migração de pessoas de vários lugares do Brasil, motivadas pelo mesmo objetivo, que era a construção de riqueza econômica para a família, determina o estabelecimento de muitas redes de solidariedade em busca de elementos que para as famílias migrantes eram fundamentais à permanência em um novo espaço. Dentre estas relações, estão os de natureza econômica, a religiosa, as de lazer e de instrução escolar.
Em relação à natureza econômica, mutirões aconteceram para que pontes e estradas fossem abertas a fim de escoar a produção; relações comerciais foram estreitadas entre a população rural e urbana de Tangará da Serra. Igrejas católicas e protestantes foram feitas pelos fiéis através de festas e de contribuições que ergueram seus templos religiosos. Campos de futebol foram abertos em espaço de cerrado para que o lazer fosse praticado, em especial no dia de domingo.
As escolas, destes espaços de ocupação recente em Mato Grosso, também são resultados das ações coletivas da população que tinham nesta instituição o símbolo da instrução e da garantia da construção de um futuro melhor para as gerações que ainda estavam em idade escolar.
Em Tangará da Serra, as escolas foram resultados destas ações coletivas da população migrante, em conjunto com os membros da SITA, em particular nos primeiros tempos 1964 a 1968 do senhor Antônio Hortolani, gerente da colonizadora SITA, que mantinha parte da liderança da localidade de Tangará da Serra.
A escola, em especial quando ―Rural Mista de Instrução Primária de Tangará da Serra‖ representava um ponto central para as discussões sobre o movimento da colonização em Tangará da Serra; era um dos espaços mais visitados pelos políticos quando chegavam à localidade, a comunidade escolar era convidada para todas as atividades, religiosas ou de lazer, que existiram em Tangará da Serra.
O outro processo de escolarização que iniciou em Tangará da Serra, a partir das Escolas Reunidas esteve sobre a direção das irmãs da Congregação da Divina Providência,