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Innsamling av opplysninger om det kommunale legearbeidet

In document HELSEØKONOMISK FORSKNINGSPROGRAM (sider 45-49)

Antes da década 1990, pouco se conhecia em relação à forma como as alterações nos sistemas biofísicos e ecológicos da Terra poderiam afetar a saúde da população. Mais recentemente, tanto o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) quanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) têm consolidado informações sobre os impactos da mudança do clima na saúde humana, que podem incidir de maneira direta ou indireta, gerando consequências físicas, traumáticas, psicológicas, infecciosas ou nutricionais. (MS, 2013)

Os impactos diretos resultam de alterações extremas do clima como, por exemplo, ondas de calor e de frio, furacões, inundações, queimadas e secas. Quanto aos impactos indiretos, esses são mediados por alterações no ambiente que influenciam nos ecossistemas e nos ciclos biológicos, geográficos e químicos, os quais podem modificar o perfil epidemiológico de doenças já existentes, assim como, o de doenças emergentes e reemergentes. Neste cenário, as condições ambientais, geográficas, sociais e as condições dos sistemas de saúde são importantes forças modificadoras, já que podem intensificar ou reduzir os possíveis impactos na saúde. (MS, 2013, p.20)

Dentre os impactos diretos da mudança do clima sobre a saúde humana destaca-se a alteração nos perfis de morbimortalidade e traumatismos decorrentes de eventos climáticos extremos, na maioria das vezes caracterizados por meio de desastres de origem natural. Já dentre os impactos indiretos apresentam-se (WHO/OPAS, 2008 apud MS, 2013, p.21):

• doenças diarréicas e outras infecciosas de transmissão hídrica e alimentar, em consequência da alteração na quantidade e qualidade da água;

• doenças transmitidas por vetores, como malária, dengue, febre amarela, leishmaniose, dentre outras, devido à alteração em algumas variáveis como, temperatura e precipitação, que afetam o desenvolvimento e comportamento do vetor;

• doenças não-transmissíveis, como desnutrição e subnutrição com implicação no crescimento e desenvolvimento infantil, devido à alteração na disponibilidade de alimentos decorrentes das secas e variabilidades climatológicas, além de transtornos psicossociais, doenças cardiorrespiratórias e dermatoses.

Em geral, na maior parte das vezes os impacto das mudanças climáticas sobre a saúde humana é indireto, sendo as doenças transmitidas por vetores, prevalentes nos países de clima tropical, apontadas como um dos principais problemas de saúde pública decorrentes do aquecimento global. Isto se deve ao fato das flutuações climáticas produzirem mudanças na dinâmica das doenças vetoriais, com possível expansão das áreas de transmissão das doenças relacionadas a vetores para novas áreas receptivas e vulneráveis, e mesmo na emergência de novas doenças, principalmente em relação às arboviroses, como zika, dengue e chikungunya.

Tornando-se necessário o aperfeiçoamento dos sistemas de vigilância em saúde, capazes de detectar, diagnosticar e tratar agravos à saúde inusitados ou fora dos padrões atuais de transmissão. (BARCELLOS et al, 2009)

No que diz respeito aos desastres, a saúde classifica as pessoas afetadas por um desastre em: diretamente afetados, que incluem óbitos, feridos e doentes, e em indiretamente afetados, que são os desabrigados ou deslocados, os quais passam a constituir a categoria de pessoas diretamente expostas à situação de risco, seja expostas à água e alimentos contaminados, à doenças ou a outros problemas de saúde. Em situações de desastres, a preocupação principal da comunidade de saúde pública é reduzir os riscos para a saúde associados a esses eventos. FREITAS et al. (2014) sistematiza os efeitos considerados mais comuns sobre a saúde humana decorrentes de desastres naturais, por tipologia de evento, conforme figura 2 “Tipos de fenômenos naturais e seus efeitos sobre a saúde humana”. Portanto, a gestão dos desastres foca nas pessoas e nos sistemas que podem vir a ser afetados pelos desastres. (FREITAS et al, 2014; MS, 2015; FIOCRUZ, 2018)

Figura 2: Tipos de fenômenos naturais e seus efeitos sobre a saúde humana.

Segundo previsão da Organização das Nações Unidas (ONU), até 2030, quase metade da população mundial viverá em áreas com escassez de água, com efeitos e consequências severos para a saúde pública. Ao longo do século XXI, prevê-se que as alterações climáticas conduzam a um aumento de problemas de saúde em muitas regiões e, especialmente, em países em desenvolvimento mais pobres, em comparação com uma base de referência sem alterações climáticas. Prevê-se que a combinação de temperaturas elevadas e umidade, em 2100, em algumas áreas e em certas épocas do ano, comprometa as atividades humanas normais, incluindo o cultivo de alimentos e o trabalho ao ar livre. Os exemplos de problemas de saúde incluem: maior probabilidade de ferimentos, doenças e morte devido a ondas de calor e incêndios mais intensos; aumento da probabilidade de desnutrição resultante da diminuição da produção de alimentos nas regiões pobres; riscos resultantes da perda de capacidade de trabalho e redução da produtividade de trabalho em populações vulneráveis; e aumento dos riscos de doenças transmitidas através dos alimentos e água contaminados e por vetores. (IPCC, 2014; FIOCRUZ, 2018)

Acredita-se que a identificação das vulnerabilidades e a proposição de medidas de adaptação poderão evitar um cenário ainda pior que aqueles projetados até o momento. Entre as abordagens que objetivam mitigar os efeitos dos impactos da mudança climática sobre a saúde humana está a necessidade de subsidiar a formulação de políticas públicas para reduzir vulnerabilidades frente às mudanças climáticas globais. Para isso cabe ao setor da saúde: (FIOCRUZ, 2018 p.36)

• Identificar as principais doenças e agravos resultantes, assim como os grupos populacionais mais vulneráveis a tais ocorrências, de modo a subsidiar as ações de vigilância e atenção à saúde;

• Construir um modelo para identificação e avaliação multicritério espacial para análise de vulnerabilidade ao evento climático extremo;

• Criar e disponibilizar informações sobre vulnerabilidade socioambiental e exposições ao evento climático extremo e seus efeitos sobre a saúde.

As medidas de redução da vulnerabilidade para a saúde mais eficazes a curto prazo são os programas que implementam e melhoram medidas básicas de saúde pública, tais como: o abastecimento de água potável e saneamento, garantia dos cuidados essenciais de saúde (assistência básica), incluindo vacinação e serviços de saúde infantil, e aumento da capacidade de preparação e resposta contra catástrofes. (IPCC, 2014)

Cabe destacar que das sete metas globais do “Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015-2030”, quatro fazem referência à área da saúde, bem como seus indicadores, evidenciando: a relação ao número de mortes e pessoas feriadas ou doentes atribuídas a desastres e, no que tange aos serviços essenciais a serem protegidos, prevê a redução dos danos causados por desastres em infraestrutura básica e a interrupção de serviços básicos, incluindo os de saúde, cujo indicador é o “número de instalações de saúde destruídas ou danificadas atribuídas a desastres”. (UNISDR, 2015)

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