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What is innovation policy?

Chapter 2. Innovation policy in context

2.2 What is innovation policy?

A Toponímia, atualmente, supera o caráter de mero diletantismo e abrange uma multiplicidade de perspectivas de investigação. Como afirma Dick (1992), “[...] é uma disciplina que se volta para a História, a Geografia, a Linguística, a Antropologia, a Psicologia Social e, até mesmo, à Zoologia, à Botânica, à Arqueologia, de acordo com a formação intelectual do pesquisador.” Nesta relação com outras áreas do conhecimento humano, a Toponímia “[...] recebe, ao mesmo tempo que lhes fornece, subsídios preciosos para suas configurações teóricas.” (DICK, 1992).

No que concerne à relação entre Toponímia, Geografia e Cartografia, destacamos o trabalho de Santos (2005), que, preocupado com a problemática da padronização de nomes geográficos, sinaliza para a necessidade de criação de uma comissão de nomes geográficos no Brasil. Segundo o pesquisador, sob o viés geográfico, existe uma distinção entre topônimo e

nome geográfico. O nome geográfico aparece como topônimo normalizado, padronizado que

é usado como referência geográfica em registros cartográficos.

De acordo com Dick (2007b, p. 463), inicialmente, a Toponímia utilizou o vocabulário de origem terminológico-geográfica, aplicado no processo de referencialização de acidentes geográficos. Nessa fase, o designativo de acidente geográfico era usado em função denominativa, como se fosse um nome, esse processo é chamado de toponimização do fato geográfico. Nesta circunstância, dispensava-se o uso de expressões substitutivas ou próprias, estabelecendo uma relação de iconicidade entre o referente e o signo toponímico.

Na dimensão linguística, os topônimos podem ser estudados sob diferentes perspectivas: descrição dos estratos linguísticos registrados nos designativos de lugar, investigação sobre a motivação semântica dos topônimos, classificação taxionômica dos nomes, análise de taxes predominantes, descrição do percurso onomástico, relativo às mudanças de nomes (TAVARES, 2008).

A partir das possibilidades de investigação das pesquisas toponímicas, observa-se que os estudos etnolinguísticos e dialetológicos são potencialmente enriquecedores. Ao diagnosticar estratos linguísticos diferentes em um conjunto de topônimos de um dado

território e ao relacioná-los aos povos que por lá passaram, serão evidenciados fatores culturais, linguísticos e sociais que constituem a memória social sobre um lugar, tornando os topônimos verdadeiros tesouros linguísticos testemunhos de sua história.

Em Aspectos de Etnolinguística – a Toponímica carioca e paulistana – contrastes e confrontos, Dick (2003) propõe-se a fazer um estudo contrastivo simultâneo de duas

regiões, diferentemente das práticas onomásticas comuns, em que se analisa uma área de cada vez. O objetivo do seu trabalho é verificar em que pontos os topônimos cariocas e paulistanos coincidem ou se diferem em dois campos, o geomorfonímico e hodonímico. Segundo a autora,

na perspectiva sincrônica dos estudos contrastivos, a etnolinguística firmou-se como decorrência da necessidade de se entender as variantes e as invariantes sociais, bem como os níveis de linguagem que modelam os pensamentos e o modo de ser e de viver da população em análise. (DICK, 2003, s/p.).

Observa-se, portanto, que a Toponímia serve-se dos dados etnolinguísticos e dialetológicos para descrever o léxico toponomástico. Dessa forma, complementa a linguista,

O estudo da Toponímia brasileira, como parte aplicada da lingüística geral, envolve, principalmente, e antes de tudo, o reconhecimento dos estratos dialetais que estruturaram, no território, a forma de expressão vernacular. É desse ângulo maior, ou seja, do reconhecimento etnolinguístico das camadas superpostas que se poderá buscar, então, as diversidades gramaticais, semânticas e etnográficas dos registros onomásticos. (DICK, 2001, s/p).

Sob a ótica dos estudos interdisciplinares, Dick (2008) apresenta em seu artigo A

toponímia como meio de investigação linguística e antropocultural a relação entre

Toponímia, Dialetologia e Etnolinguística. Segundo a pesquisadora,

É pela conjunção dos diversos dialetos e falares presentes em um determinado território que se estrutura o léxico regional, considerando-se não só as tendências normalizadoras da língua-padrão como a presença de minorias étnicas ainda participativas ou, mesmo, como dado documental, se extintas. A Toponímia serve- se, assim, dessa circunstância de base, equivalente ou próxima a um substrato vocabular, para aí deitar suas raízes, aproveitando-se do material lingüístico que mais se adéqüe à configuração dos conceitos que deve transmitir. (DICK, 2008, p. 215-216).

Nesta perspectiva, Dick (2008) constata que, por exemplo, em relação à toponímia oficial do Estado de Mato Grosso, existem pelo menos três estratos dialetais: o de origem ameríndia, representado por nomes bororos, do tronco Makro-jê; o de origem portuguesa, admitido desde o período de ocupação; e o de origem tupi, ou tupinambá, provavelmente estabelecido pelo índio nas bandeiras, ou por mamelucos e brasilianos falantes do dialeto. A pesquisadora admite que a Toponímia é responsável pela preservação de momentos históricos

vividos por um grupo e que, pela união ente Toponímia e Dialetologia, a tentativa de recuperar e compreender enunciados linguísticos de tempos pretéritos torna-se mais eficaz.

Ainda no âmbito linguístico, a interface Toponímia e Lexicografia, embora menos privilegiada, surge como um campo valioso para os estudos onomásticos. Segundo Isquerdo e Castiglioni (2010, p. 295),

é particularmente desafiadora a etapa relativa ao tratamento lexicográfico da toponímia, que implica na construção de um modelo de microestrutura, com base nos parâmetros gerais estabelecidos na metodologia geral do Projeto ATB, adequada a cada realidade regional e em consonância com os fundamentos da Lexicografia contemporânea.

Contribuem para esta linha de análise nos estudos onomásticos os atlas toponímicos de cidades e regiões, os quais aceleram o processo de elaboração de obras lexicográficas por já apresentarem dados toponímicos sistematizados, a exemplo das fichas lexicográfico-toponímicas.

Nesta perspectiva, encontra-se em fase inicial de elaboração o dicionário de topônimos sul-mato-grossenses que compõem o projeto ATEMS. Segundo Isquerdo e Castiglioni (2010, p. 303), a microestrutura dos verbetes sugerida para o Glossário de

topônimos do Bolsão sul-mato-grossense, contém dados obrigatórios e optativos.

São dados obrigatórios: topônimo, nome do acidente geográfico, tipo do acidente, localização, microrregião, taxionomia, origem, estrutura morfológica e nota, neste último item, a inserção de informações geográficas acerca do topônimo (localização no mapa, limites, etc.) configurou-se como obrigatória. E dados optativos: gentílicos, nomes anteriores, a variante lexical, a etimologia, o histórico, as informações enciclopédicas, o contexto e a remissiva. (ISQUERDO; CASTIGLIONI, 2010, p. 303).

Sob a perspectiva das ciências do léxico, além da Lexicografia, muitos pesquisadores têm relacionado Onomástica à Terminologia. Segundo Braga (2008, p. 9),

a Terminologia lida com conceitos, que fazem referência ao saber específico de uma área, enquanto a Onomástica lida com elementos mais culturais do que tecnológicos, com valores humanos, procurando demonstrar quais as influências sofridas para que certo nome fosse preferido ao invés de outro.

Para a autora, as duas ciências também guardam semelhanças, como no que diz respeito ao direcionamento da análise, já que um nome de lugar pode vir a ser um termo e um termo pode tornar-se um nome de lugar.

Ressaltamos, ainda, a relação entre Toponímia e Filologia, esta última se empenha na recuperação de documentos e textos diversos que constituem a memória escrita de um

povo, analisando os mais variados aspectos: linguístico, literário e sócio-histórico (SANTOS, 2006, p. 79). Os textos editados por filólogos podem preservar verdadeiros tesouros linguísticos, sejam características ortográficas, sintáticas ou lexicais.

Segundo Santos (2006, p. 79),

a Filologia e a Linguística, portanto, têm mantido ao longo do tempo uma relação de complementaridade, ou seja, a Filologia textual, através do resgate e edição de textos, serve à Linguística, fornecendo subsídios que permitam caracterizar a língua atestada nos textos, estudando-os para obter os dados e classificá-los adequadamente, ocupando-se de explicar esses dados.

Desse modo, a Filologia apresenta aos linguistas diversas possibilidades de estudo, tanto em perspectiva sincrônica, distante ou atual, como em perspectiva diacrônica. Para o campo de estudos do léxico, a Filologia pode contribuir com a recuperação de textos fidedignos a partir dos quais se pode identificar o estado da língua em uma determinada época, em seus aspectos fonético-fonológicos, morfológicos, sintáticos e semânticos, bem como fornecer, para o caso específico da Toponímia, um corpus de denominativos de lugar que podem encontrar-se preservados apenas nestes documentos.

Nesta perspectiva, a presente pesquisa tem como ponto de partida os 67 autos de querela editados por Ximenes (2006), a partir dos quais serão recuperadas características léxico-semânticas sobre os nomes de lugares que constituíam o território cearense no início do século XIX. Acreditamos que muitos registros toponímicos estão preservados nesses documentos e que eles podem revelar informações preciosas, tanto de natureza linguística, como histórica e social.