6 Interview research
6.2 PM, Well Innovation
Realizamos pesquisa qualitativa com trabalhadores da gerência, do setor de Recursos Humanos, atendimento ao cliente e do setor de produção dos alimentos. Para analisar e desvendar o nosso objeto de pesquisa, nos utilizamos de entrevista semi-estruturada com a combinação de perguntas abertas e fechadas. Além das entrevistas realizadas, para maior aproximação ao nosso objeto, se fez uso da observação assistemática.
Os entrevistados foram selecionados de acordo com os setores em que haviam uma nítida divisão sexual do trabalho. Um olhar mais atento as cadeias de
fast food, denunciaram uma realidade de precarização do trabalho feminino. Em
estabelecimentos como o Restfood, as cozinhas são compostas exclusivamente por homens, e o mesmo se dá em cadeias como o McDonald’s, e outras grandes empresas do setor de fast food. Como já foi dito em capítulos anteriores o trabalho feminino antes considerado como trabalho unicamente doméstico e restrito a vida privada, passa a ganhar status de profissão, mas quando assumido por homens. O que essas cadeias de fast food pretendem demonstrar é que seu alimento é feito de forma profissional, portanto não é um sanduíche comum, como o que se costuma comer em casa, feito pelas mães ou empregadas. Mas sim, um sanduíche feito por um profissional e, portanto, um homem. No “Restfood “ a realidade obedece a essa mesma lógica.
Voltando ao relato da pesquisa, as dificuldades foram inúmeras. Por se tratar de uma empresa privada, as limitações foram logo postas. Inicialmente, a empresa se recusou a permitir a realização da pesquisa e conseqüentemente das entrevistas. Após muita insistência nos foi permitido fazê-las, desde que todo e qualquer material a ser publicado, passasse primeiramente pelo aval do setor de marketing da
Restfood.
Começamos os primeiros contatos ainda no mês de agosto de 2005, e as entrevistas foram realizadas de julho a agosto de 2007. Inicialmente, todas foram gravadas, mas após realizarmos 5, nossa presença passou a incomodar a administração que acreditava, tratar-se de algum tipo de fiscalização. A partir desse momento, as entrevistas foram proibidas de serem gravadas e alguns funcionários recuaram, com medo de possíveis demissões.
Apesar das inúmeras dificuldades encontradas na fase empírica de nossa pesquisa, nosso esforço nos levou no sentido da maior apreensão possível para o desvelamento do nosso objeto de estudo.
Se fizeram prioritárias nesse estudo, as questões relacionadas ao regime de exploração ao qual são submetidos homens e mulheres trabalhadores/as desse tipo de serviço, bem como as relações entre eles e a divisão sexual existente nesse ramo de produção.
Nesse sentido, as questões do roteiro de entrevista nos orientaram para a obtenção de resultados acerca da negação de direitos trabalhistas, da consciência da exploração vivenciada, das formas de controle, da saúde do trabalhador e da precarização do trabalho feminino.
A seguir, apresentamos os dados coletados na primeira parte das entrevistas, que corresponde ao perfil de todos/as os trabalhadores/as entrevistados/as.
- Perfil dos entrevistados/as:
Os gráficos a seguir, apresentados, foram constituídos em relação ao número dos entrevistados/as, ou seja, 6 (seis) pessoas).
Gráfico 1 - Caracterização dos funcionários/as Restfood quanto ao sexo
3 3 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 SEXO Sexo HOMENS MULHERES
Gráfico 2 – Caracterização dos funcionários/as Restfood quanto ao número de filhos 3 2 1 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 NÚMERO DE FILHOS Número de filhos
Gráfico 3 – Caracterização dos funcionários/as Restfood quanto a faixa salarial 1 3 2 FAIXA SALARIAL Faixa Salarial
Até 1 salário mínimo De 1 a 3 salários De 3 a 6 salários
Como mostram os gráficos anteriormente apresentados, dos/as 6 (seis) entrevistados/as, 3 (três) não tem filhos e os/as demais variam entre 1 (um) e 3 (três) filhos. Quanto a faixa salarial 4 (quatro) entrevistados/as ganham até 3 (três) salários mínimos, enquanto 2 (dois) recebem entre 3 (três) a 6 (seis) salários mínimos.
Tabela 1 – Perfil Pessoal dos entrevistados/as
NOME FICTÍCIO30 FAIXA ETÁRIA ESTADO CIVIL
Cravo Entre 21 e 30 anos Casado
Petúnia Entre 21 e 30 anos Separado
Angélica Entre 21 e 30 anos Separada
Antúrio Entre 21 e 30 anos Solteiro
Lírio Entre 31 a 40 anos Solteiro
Verbena Entre 41 a 50 anos Solteira
30
Todos os nomes relatados são fictícios e algumas informações que poderiam permitir a identificação dos/as trabalhadores/as foram suprimidas.
Os entrevistados estão na faixa entre 21 (vinte e um) e 50 (cinqüenta) anos, e percebemos que na empresa não existem pessoas com mais de 50 (cinqüenta) anos de idade, exceto o dono do fast food. Como se percebe na tabela, a maioria dos entrevistados se encontram na faixa etária entre 21 e 30 anos (4 pessoas) não possuem uma união estável com parceiro (3 solteiros, 2 separados e somente 1 casado), o que pode indicar que o ritmo intenso de trabalho que não permite tempo disponível para as relações pessoais. Como coloca Petúnia:
Eu era casada e quando trabalhei na madrugada me separei. [...] Porque eu passava as noites todas aqui. Eu passava até sete dias sem ver o meu marido. Porque ele trabalhava de dia e eu trabalhava a noite. Quando eu saia, ele ainda não tinha chegado. Quando eu chegava de oito horas da manhã ele já tinha saído. De domingo a domingo. Porque assim, eu saia daqui de seis horas da manhã, ia pra parada, chegava em casa de sete e meia e ele saia de casa seis horas da manhã. Quando eu tava saindo daqui ele já tava saindo de casa. Quando eu saia pra vir para cá, ele ainda não tinha chegado [...] A gente vive mais aqui do que na nossa própria casa. É, eu vivo mais aqui do que em casa (Petúnia).
Durante a semana eu chego em casa, tomo um banho, janto e vou dormir. Nem tempo pra namorar tem (Antúrio).
Percebe-se claramente que o trabalho não deixou de ser central na vida do ser humano, muito pelo contrário, a cada dia, as pessoas estão mais dependentes e focadas para o seu trabalho.
[...] a busca de uma vida cheia de sentido, dotada de autenticidade, encontra no trabalho seu lócus primeiro de realização. A própria busca de uma vida cheia de sentido é socialmente empreendida pelos seres sociais para a sua auto-realização e coletiva. É uma categoria genuinamente humana, que não se apresenta na natureza. [...]. dizer que uma vida cheia de sentido encontra na esfera do trabalho seu primeiro momento de realização é totalmente diferente de dizer que uma vida cheia de sentidos é exclusivamente trabalho, o que seria um completo absurdo (ANTUNES, 1999. p. 143).
Segundo Nogueira (2006), a busca de uma vida cheia de sentido dentro da esfera do trabalho é central porque, por meio dele, temos um processo que não se resume a transformação da natureza, mas sim possibilita a transformação do trabalhador, ou seja, através do ato laborativo a própria natureza humana se metamorfoseia.
Em relação à Escolaridade, temos o seguinte quadro:
Tabela 2 – Caracterização dos entrevistados/as quanto à escolaridade