4 Institusjonene og omverdenen
4.3 Innovasjon og verdiskapning
O conceito de Ulu-Ini é praticado em diversas atividades: atividades agrícolas, sociais, de decisão e coordenação, de distribuição das tarefas e escala de pessoas, de organização do trabalho, de planeamento dos líderes, de responsabilidade e de sustento.
Quatro agricultores referem a prática do conceito Ulu-Ini nas seguintes atividades agrícolas: 1) a limpeza e a reabilitação do sistema de irrigação, 2) a aragem e a limpeza dos campos, 3) a construção de viveiros, 4) a produção de plantas e o seu plantio, 5) a manutenção das plantações, 6) o capinar das ervas daninhas das plantações, 7) a colheita e o transporte dos produtos agrícolas para a casa. De acordo com os agricultores, as atividades agrícolas que implementam a prática Ulu Ini são os seguintes:
“Limpeza da irrigação, a aração de arrozais, a construção de viveiros, a remoção de sementes e a plantação de arroz” (Ea, U1).
“Cultivo de arrozais e de quintais” (Ee, U1).
“A colheita de arroz ou as atividades comunitárias são sempre trabalhos coletivos” (Eh, U2). “Geralmente praticado em atividades agrícolas, como por exemplo: arar campos de arroz, estender terras agrícolas, consertar terraços de arrozais, plantar arroz, capinar, colher e debulhar arroz” (El, U1).
78 As atividades agrícolas que usam Ulu Ini começam sempre com o planeamento, seguindo-se a divisão de tarefas, o cronograma de implementação das atividades, incluindo a determinação do uso de sementes de plantas.
Sete agricultores afirmam que o conceito de Ulu Ini é praticado em atividades sociais. As atividades sociais que aplicam o conceito de Ulu Ini são: 1) a construção de casas tradicionais, 2) a realização do funeral dos familiares dos membros da comunidade; 3) a limpeza das ruas e dos espaços públicos da aldeia, como descrevem os agricultores:
“Construção de casas e enterro de membros falecidos das famílias” (Ea, U1). “Construindo a casa tradicional” (Ee, U1).
“"Ulu-Ini" espontâneo geralmente não é coordenado e a atividade é a limpeza do ambiente ao redor dos locais de residência” (Eg, U2).
“A reparação ou construção de sepulturas ancestrais e o enterro de familiares ou parentes falecidos” (Ej, U2).
Embora limitado apenas a determinados momentos, por vezes as pessoas que frequentam ou participam nesta atividade são provenientes de diferentes aldeias, sucos e postos administrativos. A participação nas atividades mencionadas pode fazer-se através da força física, ou da sua força de trabalho, mas também contribuindo com bens materiais como gado, arroz, dinheiro ou roupas tradicionais. As doações também podem ocorrer como uma manifestação de solidariedade perante um acontecimento comunitário, como um casamento ou um funeral, por exemplo, para reduzir o seu fardo.
A participação dos líderes comunitários nestas atividades sociais também pode ocorrer assumindo a responsabilidade pelo sucesso da atividade. A responsabilidade dos líderes comunitários na comunidade Nau Eti é referida como "Toe Khai - Teba Khai" (ancião) e o termo " Teba Khai – Nhata Khai" refere-se a todos os parentes e familiares do dono do evento que devem estar presentes para apoiar a realização do evento.
O sucesso das atividades é assim da responsabilidade de todos os envolvidos. O "Toe Khai - Teba Khai" tem as seguintes tarefas: 1) Liderar a implementação das atividades; 2) Coordenar todas as secções ou unidades do comité; 3) Supervisionar as atividades; 4) Avaliar o processo de implementação das atividades; 5) Contribuir em tudo, na forma material, para completar a implementação das atividades; 6) Ser o organizador do evento (“Ina Ama”); 7) Ser o porta-voz do organizador do evento ("Dou Kai - Thimu Kai").
Cada grupo de Ulu Ini, no campo da agricultura, tem membros compostos por 5 a 6 pessoas (escala). O envolvimento das mulheres não é inferior ao dos homens, elas estão
79 diretamente envolvidas com a prática de Ulu Ini na fase de colheita, debulha e no transporte das colheitas para a casa. A localização das atividades agrícolas longe das casas exige que o agricultor leve consigo um almoço simples. As atividades agrícolas que exigem que os agricultores levem consigo suprimentos são a limpeza e a reabilitação do sistema de irrigação agrícola, a limpeza dos campos de arroz. Mas na fase de arar os campos, plantar, colher e debulhar, o dono dos compos onde se realizam as atividades tem de alimentar as pessoas que estão presentes na realização do trabalho.
Na investigação realizada observámos que as mulheres podem ter um papel duplo no contexto da prática de Ulu Ini que é a organização das outras mulheres que participam nas atividades e a preparação das refeições para aqueles que trabalham, de acordo com Ea e Eg:
“Cultivar e debulhar o arroz só são feitos por homens, enquanto as mulheres preparam a comida para quem trabalha” (Ea, U1)
“Se houver atividades organizadas por alguns dos membros da comunidade, outros virão trabalhar em cooperação mútua e, às vezes, cada participante levará o seu almoço” (Eg, U1)
Durante as etapas de plantio e colheita, alguns parentes dos organizadores do evento, que não são membros do grupo Ulu Ini, estão envolvidos em ajudar o trabalho de seus irmãos. A sua participação acontece como uma forma de solidariedade familiar e não é paga, porque também virão a ter, mais tarde, a ajuda daqueles que agora ajudam. Esse tipo de colaboração é frequente e é chamado de Ulu Ini espontâneo ou voluntário. No futuro, se os parentes que participam hoje de a atividade realizarem também uma atividade, eles serão também ajudados por aqueles que organizam as atividades hoje.
Quando observadas como são geridas e organizadas tais atividades entre os membros da comunidade, observa-se que tais atividades se constituem uma forma de atividade económica. Eles preservam esta prática no presente e no futuro.
A. V. Tchayanov em seu livro intitulado a "Teoaria dos sistemas económicas não capitalistas” (1924) afirma que “A família, equipada de meios de produção, utiliza a sua força de trabalho para cultivar o solo e obtém, como resultado do trabalho de um ano, uma certa quantidade de bens. A importância do produto do trabalho é principalmente determinada pela dimensão e composição da família, ou seja, o número de pessoas da família capazes de trabalhar pela produtividade da exploração” (Tchayanov, 1973: 482).
Como Tchayanov afirmou, as famílias desempenham um papel importante nas atividades agrícolas. A produtividade agrícola depende membros das famílias que participam do processo de produção. O principal capital do agricultor não é capital financeiro, mas o número de membros da família e, em particular, trabalhadores da família que se dedicam especificamente à atividade agrícola.
80 Para além do interesse económico, a prática Ulu Ini na agricultura tem também uma dimensão social de união e de solidariedade, valores básicos para todos os membros deste grupo Ulu Ini e, por isso, se um membro do grupo estiver ausente ou sofrer um desastre, todos os membros do grupo assumem a responsabilidade de o ajudar a completar as suas atividades.