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No presente sub-capítulo, pretende-se realizar uma comparação entre o CAM e a Escala de Confusão NeeCham naquilo que se refere ao seu conteúdo, e à sua utilização. Apesar de tudo, comparar estes dois instrumentos psicométricos requer, à partida, salvaguardar alguns aspetos, já que se pretende comparar algo que não é inteiramente comparável.

Desde logo, existe uma diferença importante entre as duas escalas: o CAM é um instrumento psicométrico, construído por Inouye et al. (1990), que permite avaliar o delirium, estando desenhado para ser utilizado, em termos clínicos, por médicos não psiquiatras (Rapp et al., 2000), e tendo sido elaborado a partir dos

critérios para o diagnóstico de delirium do DSM-III-R®; a Escala de Confusão NeeCham foi construída em 1996 por Neelon et al. com o objetivo de ser um instrumento psicométrico destinado à avaliação da confusão aguda, estando desenhado para ser utilizado, em termos clínicos, por enfermeiros (Rapp et al., 2000). Assim, a Escala de Confusão NeeCham aparece como sendo o único instrumento desenhado por enfermeiros e para enfermeiros, com o objetivo de avaliar, especificamente, a confusão aguda (e não o delirium), e que permite produzir o juízo clínico “risco de”. A somar a tudo isso, a Escala de Confusão NeeCham apresenta scores numéricos, podendo assim ser utilizada para monitorizar os progressos ou retrocessos do estado confusional. Já o CAM, ainda que não desenhado para enfermeiros, apresenta-se como um instrumento em que o enfermeiro é citado como um informador-chave para os utilizadores do mesmo (no sentido de colher informações relativamente ao doente). Assim, contrariamente à Escala de Confusão NeeCham, que é uma escala primariamente observacional, a avaliação através do CAM requer que o avaliador possua informações relativamente às capacidades do doente, informações essas que podem ser colhidas após o contacto (durante algum tempo) com o mesmo, ou recorrendo a informantes privilegiados (enfermeiros, por exemplo). O CAM tem ainda a particularidade de ser composto por nove critérios (áreas), mas o diagnóstico de delirium requer a resposta a apenas quatro das noves áreas (algoritmo do CAM) (Rapp et al., 2000).

No que concerne ao tempo de preenchimento, o CAM pode ser completado em menos de cinco minutos (a totalidade do instrumento – nove itens), enquanto que a Escala de Confusão NeeCham, de acordo com um estudo realizado por Immers, Schuurmans e van de Bijl (2005), pode ser preenchida num tempo médio de 3,69 minutos, com uma margem de erro de 1,21 minutos. No entanto, não se pode esquecer que o tempo de referência apresentado para o CAM se refere ao instrumento completo quando, para o preenchimento efetivo do mesmo se podem completar apenas quatro das nove áreas (menos de metade).

Outra importante diferença entre os dois instrumentos psicométricos em análise deve-se ao facto de a Escala de Confusão NeeCham poder ser preenchida, simplesmente, dando resposta adequada aos itens que nela estão incluídas. Já o preenchimento do CAM deve ser realizado por pessoas treinados para a sua utilização (já que os níveis de sensibilidade da escala, quando utilizada por profissionais treinados para o efeito, são substancialmente superiores), sendo que o CAM foi desenhado para ser preenchido com base nas observações realizadas durante a avaliação cognitiva formal com instrumentos breves, como o MMSE e o

durante qualquer contacto com o doente e, necessariamente, não se pode limitar ao período da entrevista isoladamente, sendo que o algoritmo deve ser aplicado imediatamente após a entrevista para assegurar a sua precisão (Wong et al., 2010). O CAM, contrariamente à Escala de Confusão Neecham, não permite avaliar a gravidade do problema (classificar em graus), mas é igualmente uma escala que permite fazer um rastreio e/ou diagnóstico da situação, ainda que o CAM seja, sobretudo, um instrumento de diagnóstico, enquanto que a Escala de Confusão NeeCham é uma escala apropriada para a realização de um rastreio (Adamis et al., 2010).

Existem, igualmente, diferenças importantes ao nível das dimensões do status mental que são avaliadas por cada um dos instrumentos psicométricos. Assim, enquanto que o CAM avalia, sobretudo, aspetos do âmbito cognitivo, a Escala de Confusão NeeCham incorpora parâmetros fisiológicos (estabilidade das funções vitais, saturações de oxigénio e continência urinária), ainda que estes parâmetros tenham vindo a ser duramente criticados, pelo facto de se acreditar que estes tornam a escala desadequada, não constituindo qualquer vantagem para a sua capacidade de medir a gravidade da condição (Trzepacz, 1994, Smith et al., 1995, Robertsson, 2002, cit. por Adamis et al., 2010). Apesar de tudo, e ainda que alguns autores defendam que a área “Controlo Fisiológico”, em que se enquadram os parâmetros fisiológicos, seja retirada da Escala de Confusão NeeCham, a permanência destes itens parece justificar-se, na medida em que, segundo Neelon et al. (1996, cit. por Neves, Silva e Marques, 2011), existem variadas manifestações que podem sinalizar o início, descrever padrões de progressão e de gravidade, refletir a causa, e guiar o tratamento da confusão aguda.

Em jeito de conclusão, pode afirmar-se que o CAM e a Escala de Confusão NeeCham, embora sejam instrumentos psicométricos cujo contexto de utilização seja extremamente semelhante, não devem ser utilizados de forma intercambiável, já que pequenas particularidades podem definir a necessidade de utilizar um ou outro. Assim, e ainda que tanto o CAM como a Escala de Confusão NeeCham sejam consideradas escalas robustas e de utilização recomendada, o CAM deve ser utilizado quando se pretende atingir um diagnóstico (delirium), enquanto a Escala de Confusão NeeCham deve ser utilizada para efeito de rastreio (identificação da presença de confusão aguda). Assim, para selecionar qual a melhor escala a utilizar, é sempre fundamental ter em consideração o propósito da escala, o contexto clínico, as propriedades da escala, a popularidade da mesma, a familiaridade com a escala, e a cultura organizacional (Adamis et al., 2010).

3.4. Critérios do DSM-IV-TR

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para Avaliação do Delirium