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Algumas fatias de raízes estudadas não foram adicionadas na cronologia final do grupo de raízes expostas, por não mostrarem sincronia com o restante das amostras. Dessa forma, a datação da cicatriz mais antiga representa a cicatriz que estava presente na fatia que foi adotada na cronologia final, para assegurar que a datação estivesse correta. A baixa

correlação de algumas fatias de raízes com a série “máster” é devido à possível presença de anéis de crescimento falsos que não foram identificados e, ainda, à possibilidade de anéis ausentes, que, da mesma forma, não foram encontrados. A deformação das raízes devido à formação de tecidos de cicatrização pode ter levado a formação de anéis de crescimento que não sincronizaram com a série “máster” e, desse modo, não foram adicionados na cronologia final.

A idade das raízes, no presente trabalho, variou de 10 a 35 anos, limitando a datação dos processos erosivos à idade das raízes estudadas. As raízes expostas, localizadas somente em determinadas partes da voçoroca, tornaram impossível reconstruir o processo erosivo total da voçoroca. A taxa de erosão calculada para as proximidades da área de exposição da raiz, dessa forma, foi inferida para o resto da área. Porém, não foram encontradas mais árvores dessa espécie com raízes expostas na área, sendo limitado o estudo às raízes que foram encontradas.

A seguir serão apresentadas as taxas de erosão encontradas para cada raiz analisada, das árvores presentes na Área 1 e na Área 2 e os resultados estão na Tabela 9. Na Área 1, as taxa de erosão determinadas são aproximadas umas das outras, quando se compara as raízes das árvores G3, G5 e G7; os valores variam de 2,08 a 3,40 cm ano-1. Porém, as raízes da árvore G2, indicaram valores mais altos de erosão, de aproximadamente 16 cm ano-1 para as duas raízes estudadas. Vale ressaltar que a voçoroca ao lado da árvore G2 apresenta aproximadamente 2 metros de profundidade; na árvore G3, distante aproximadamente três metros da árvore G2, a voçoroca apresenta aproximadamente 0,9 metros. Pode-se dizer que a perda de solo foi mais severa próximo à árvore G2 e, ainda, que a idade para o cálculo da taxa de erosão foi subestimada. Porém, as fatias das raízes não demonstraram cicatrizes em anos anteriores.

A árvore G5 estava localizada no limite entre a mata e o rio intermitente e suas raízes expostas no barranco. Nessa árvore, as taxas de erosão próximas, quando comparadas uma raiz a outra, foram de 2,64 a 3,40 cm ano-1. A árvore G7, com somente duas raízes expostas, apresenta taxa de erosão com valores próximos, de 2,08 e 2,65 cm ano-1.

Na Área 2, as árvores G8 e G11 ladeavam na parte mais baixa da área, onde se deu início a voçoroca. A árvore G11 estava à jusante e a árvore G8 estava à montante, distante aproximadamente quatro metros. As perdas de solo foram, de maneira aproximada, iguais nas quatro raízes estudadas das árvores G8 e G11; as duas raízes estudadas da árvore G11 apresentam a primeira cicatriz no mesmo ano, em 1989, e estavam localizadas

127 aproximadamente na mesma altura. Na medida em que a árvore G11 encontrava-se mais à jusante, o perfil da erosão, ali, era maior; nota-se que o processo erosivo, nos arredores da árvore G11, se iniciou antes de onde está localizada a árvore G8, mais à montante. As raízes da árvore G8 mostram as primeiras cicatrizes na G8RZ1, em 1992, e, em 1996, na G8RZ2, mostrando então que a erosão ocorreu depois da árvore G11, estando a G8RZ2 mais à jusante da G8RZ1.

Os valores diferenciados de perda de solo, para cada local onde estava inserida a árvore e as raízes de estudo, podem representar também a heterogeneidade do processo erosivo, que, por sua vez, pode se aprofundar mais e perder mais solo em determinadas localizações de material menos consolidado e perder menos solo onde o material é mais consolidado ou, ainda, onde a rocha está mais próxima da superfície, sendo, nesse caso, o solo mais raso.

Tomando como referencial o estudo para tolerância de perda de solo realizado por Bertol e Almeida (2000), em solos de Santa Catarina, a tolerância de perda de solo, para Argissolos, varia de 0,052 a 0,058 cm ano-1. Dessa forma, pode-se inferir que a taxa de erosão da área em estudo é elevada. Em razão da falta de trabalhos realizados com dendrogeomorfologia no Brasil, e em clima tropical, serão apresentados resultados de outros países, em outras condições, para efeito de comparação da técnica utilizada. Um estudo foi realizado por Bodoque et al. (2011), para quantificação de taxas de erosão em voçorocas com a utilização de raízes expostas, localizadas na Serra da Guadarrama, na Espanha Central. A taxa de erosão encontrada variou de 0,62 e 0,88 cm ano-1, valores menores quando comparado aos do presente estudo. Vale lembrar que a precipitação máxima anual para esse sítio de estudo não é maior do que 120 mm, baixa quando comparada aos valores da presente área de estudo. Valores médios de erosão de 1,39 a 0,19 cm ano-1 foram encontrados em estudo realizado no sul da Polônia, também com raízes expostas, onde a precipitação anual é de aproximadamente 750 a 800 mm (WRONSKA, 2009). A taxa média de erosão encontrada por Malik (2008), no sistema de voçorocas estudado, em Proboszczowicka, também com raízes expostas, foi de 63 cm ano-1. Em encostas, a taxa média de erosão em voçoroca foi de 21 a 52 cm ano-1 e, no fundo dos vales, a erosão foi de 18 a 198 cm ano-1, valores mais elevados do que os encontrados no presente estudo. A média anual de precipitação é de 680 mm. Em um estudo realizado em duas regiões montanhosas da Suíça, foram encontradas taxas de erosão de 2,10 e 1,86 cm ano-1.Em erosões que ocorrem em margens de rio, por deslizamentos de terra, encontrou-se valor de 6,26 cm ano-1. Em encosta, os valores foram de 2,50 e 0,90 cm ano-1 e, para erosão linear, encontrou-se valores de 1,03 e 4,44 cm ano-1(HITZ et al., 2008)

Com a medida da velocidade da erosão em cm ano-1, calculou-se a perda de solo em kg m-2ano-1, utilizando-se uma média da densidade dos horizontes superficiais do solo, de 1,587 Mg m-3..

No caso da Área 1, onde as voçorocas não eram interligadas, fez-se o cálculo para cada voçoroca onde a árvore estava inserida. Os resultados foram diferentes ao comparar-se cada voçoroca. Para a árvore G2, foi encontrado o maior valor de 264,55 kg m-2ano-1 e a perda de solo nessa voçoroca circunscreveu o valor de 31,56 m³. Para a árvore G3, foi encontrado um valor de 47,61 kg m-2ano-1 e a perda de solo, nesse local, foi de 3,13 m³. No caso da árvore G7, foram encontrados valores de 33,01 e 42,06 kg m-2ano-1, para a raiz G7RZ1 e G7RZ2, respectivamente, representado por um volume de 2,35 m³ de perda de solo. Para a árvore G5, foram encontrados valores de 53,96 e 42,37 kg m-2ano-1, para as raízes G5RZ1 e G5RZ2, respectivamente. Na Área 2, onde a voçoroca era interligada, e as raízes das árvores analisadas estavam próximas umas as outras, foram encontrados valores aproximados, com mínimo de 54,12 e máximo de 69 kg m-2ano-1 e o volume de solo total perdido dessa voçoroca foi de 426,22 m³ (Tabela 9).

Tabela 9 - Estimativa da velocidade da erosão nas voçorocas

Raiz Distância raiz – solo (cm) Ano da primeira cicatriz N° anéis após primeira cicatriz Velocidade erosão (cm ano-1) Velocidade (kg m-2ano-1) Volume de solo perdido (m³) Ár ea 1 G2RZ1 80 2006 5 16,00 253,92 31,56 G2RZ2 50 2008 3 16,67 264,55 G3RZ1 15 2006 5 3,00 47,61 3,13 G5RZ1 17 2006 5 3,40 53,96 - G5RZ2 32 1999 12 2,67 42,37 G7RZ1 25 1999 12 2,08 33,01 2,35 G7RZ2 45 1995 17 2,65 42,06 Ár ea 2 G8RZ1 83 1992 19 4,37 69,00 426,22 G8RZ2 69 1995 16 4,31 68,40 G11RZ1 77 1989 22 3,50 55,55 G11RZ2 75 1989 22 3,41 54,12

Como é sabido, as raízes precisam de substrato para nascer e crescer. Dessa forma, pode-se dizer que as voçorocas tornaram-se mais profundas, provavelmente, após o plantio das árvores, após tempo suficiente para o sistema radicular das árvores terem se desenvolvido. Portanto, a grande presença de raizame exposto das árvores indica que as voçorocas foram abertas somente após o crescimento do sistema radicular daquelas. Sendo assim, as voçorocas podem ter sido iniciadas anteriormente ao plantio das árvores, porém, foram aprofundadas

129 somente após o desenvolvimento das raízes das árvores. A voçoroca tornou-se mais profunda somente após a deposição dos sedimentos, o que, também, é confirmado pela visualização do horizonte IIA nas trincheiras e perfis do solo.