Quando se considera a integração do EOABRP online no currículo constata-se a existência de
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- módulo único de EOBRP online, a distância, em que apenas o ensino de uma unidade ou módulo do curso é estruturado com vista à ABRP online e processa-se totalmente à distância (formato e-learning);
- módulo único de EOBRP online, b-learning, em que apenas um módulo é estruturado com vista à ABRP online mas incluindo sessões presenciais e sessões a distância; - cursos estruturados com vista à ABRP online do tipo b-learning, em que todo o curso
é estruturado segundo o EOABRP online, com sessões presenciais e sessões a
distância;
- cursos totalmente estruturados com vista à ABRP online, em que há apenas sessões a distância, ou seja em regime de e-learning.
Contudo, repare-se que estes modelos de integração curricular do EOABRP online foram usados
no ensino superior, não tendo sido encontrados, na literatura revista, modelos similares para o ensino básico. No entanto, analisada a sua estrutura, constata-se que, de certa forma, esses modelos de
integração curricular do EOABRP online são também passíveis de serem adotados no ensino básico
português, conforme se argumenta de seguida.
Na verdade, o EOABRP online pode ser integrado no currículo formal do ensino básico português em todas as disciplinas, uma vez que em todas elas é possível de organizar partes do respetivo
programa com vista ao EOABRP online. No entanto, parece ser bastante difícil conseguir organizar o
currículo formal de uma ou mais disciplinas, em simultâneo, totalmente centrado no EOABRP online,
devido às fortes barreiras disciplinares que escolas e professores estão habituados a enfrentar e a respeitar. Poder-se-ia argumentar que a falta de articulação entre os programas das várias disciplinas do ensino básico português, incluindo as ligadas às Ciências, já mencionadas anteriormente (subcapítulos 1.2.1 e 2.2.4), constitui também um obstáculo a essa integração. Porém, a flexibilidade que a Internet possibilita, designadamente na liberdade de aprender em qualquer lugar e em qualquer
momento faz com que um modelo de integração curricular em que o EOABRP online abranja grande
parte do currículo de diferentes disciplinas e seja pouco perturbado pela desarticulação curricular horizontal. Na verdade, quando se adota esta abordagem didática os alunos aprendem aos seus próprios ritmos e, em parte, de acordo com os seus interesses, uma vez que os alunos serão convidados a continuar a trabalhar fora da aula nos problemas que são supostos resolver. Contudo,
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apesar de esta forma inter ou transdisciplinar de integrar o EOABRP online no ensino proporcionar um
suporte para as aprendizagens dos alunos, vai ser percecionado como exigindo um trabalho extra por parte dos professores, que não estão habituados a trabalhar com os colegas de outras disciplinas, como eles próprios reconhecem (ver, por ex.: Leite et al, 2012; Leite et al, 2013). No entanto, em alguns casos, parece possível, trabalhar, em conjunto, temas de diferentes disciplinas que sejam relacionados. Contudo, reconhece-se que a forma de integração curricular, aparentemente, mais
simples parece ser aquela em que o EOABRP online é integrado numa única disciplina, isto é apenas
para abordar um tema do programa curricular dessa disciplina. É de realçar ainda que o EOABRP online pode ser implementado, em formato b-learning ou em formato e-learning, quer em contexto formal de aprendizagem, ou seja em sala de aula, quer em contexto informal de aprendizagem, como por exemplo em contexto de atividade de complemento curricular.
Apesar de o EOABRP online ter, não só a vantagem de facultar maior flexibilidade (temporal e
espacial) na sequência das aprendizagens do aluno, mas, também, a vantagem de proporcionar o desenvolvimento da capacidade de aprender ao longo da vida, bem como o desenvolvimento de competências de utilização da Internet, para aprender e para trabalhar em equipa, qualquer modelo de integração curricular do EOABRP online tem a desvantagem de exigir que o aprendente tenha acesso a esta TIC, o que, para já, nem sempre é possível, nomeadamente por motivos técnicos ou por falta de equipamento necessário (ex.: computador e modem de ligação à Internet). Da mesma forma, qualquer modelo de integração curricular do EOABRP online a ser adotado em formato b-learning ou em formato e-learning, apesar de „estender‟, para fora da escola, a sala de aula e o que é possível aprender „dentro
das suas paredes‟, exige que o aluno tenha acesso à Internet em sua casa, o que, neste momento,
ainda não é sempre possível. Esta desvantagem, que também é apontada por Palloff & Pratt (2004) ao
ensino e aprendizagem online, pode ser minimizada se existir a garantia que o aluno tem acesso à
Internet na escola, no seu tempo livre, quer seja pela disponibilidade de rede wi-fi (rede de acesso à Internet, através de computador pessoal, sem necessidade de cabo de ligação), quer seja pela existência de zonas na escola (ex.: biblioteca da escola ou salas de informática), de livre acesso ao
aluno, com computadores e respetiva ligação à Internet. Acresce, ainda, o facto de os modelos de
integração curricular do EOABRP online, sejam do tipo b-learning ou do tipo e-learning, exigirem maior
autonomia do aluno face à sua aprendizagem, pois o aluno terá de desenvolver as suas aprendizagens sem a presença física do professor. Embora seja uma competência relevante a ser desenvolvida pelos alunos, no caso do ensino básico, pode transformar-se numa desvantagem para a utilização do
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EOABRP online, pois os alunos mais jovens podem sentir dificuldade em ultrapassar a falta de apoio do professor, tanto ou mais do que acontece na versão presencial, que é evidenciada em alguns estudos (ex.: Leite et al, 2012; Leite et al, 2013). Note-se, também, que qualquer modelo de integração
curricular do EOABRP online a ser adotado em conjunto com várias disciplinas, ou seja
interdisciplinarmente, tal como na versão presencial, apesar de trazer o benefício de ajudar a contextualizar e interligar os diferentes conhecimentos de diferentes áreas, exige a vontade e o esforço de dois ou mais professores da mesma turma para trabalhar em conjunto, o que nem sempre é fácil de acontecer nas escolas, como se evidenciou nas opiniões de professores apresentadas em alguns estudos (ex.: Leite et al, 2012; Leite et al, 2013).
De entre as possíveis formas de integração curricular do EOABRP online apresentados, parece-nos
que a que mais facilmente se concilia com as orientações curriculares e com professores inexperientes nesta metodologia de ensino é o módulo único organizado com vista a EOABRP online em formato b- learning. Embora pareça ser mais interessante organizar, em conjunto, um tema que envolva várias disciplinas, o problema é que a articulação entre colegas nas escolas portuguesas não é fácil. Assim, se o tema for disciplinar, para além de o professor não ter de depender de outros colegas para a
organização e implementação do EOABRP online, a organização de um módulo único em formato b-
learning vai permitir que o aluno continue a aprender fora da sala de aula, interagindo com os colegas
e com o professor, e em casa, ou em outro lugar, através da Internet. Por outro lado, vai minimizar os
receios do professor sobre a possibilidade de não acompanhamento dos assuntos pelos alunos, receio esse que se manifesta mesmo no caso face a face (Leite et al, 2012; Leite et al, 2013).
2.3.3. Modelos de Implementação do Ensino Orientado para Aprendizagem Baseada na