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A demanda por um bem ou serviço é definida como a quantidade de um bem ou serviço os quais pessoas estão aptas (dispostas e capazes) para comprar a preços diferentes em um determinado período de tempo, considerando outros fatores além do preço mantidos constante (SALVATORE, 2011). Como exemplo de demanda, considere um indivíduo que compra 3.5 toneladas de milho todo mês com o preço da tonelada a R$ 5. Essa é sua demanda individual. Se existirem 1000 indivíduos no mercado com demandas semelhantes, a demanda por milho é a soma das quantidades que os 1000 indivíduos comprariam neste preço. Então, se existirem 1000 indivíduos dispostos a adquirir 3500 toneladas de milho ao preço de R$ 5 por mês, esta seria a demanda do mercado. Se o preço mudar para R$ 4, a demanda individual se modifica para 4.5 toneladas de milho, e a demanda do mercado seria 4500 toneladas.

Na Microeconomia, a elasticidade pode ser definida como uma medida da capa- cidade de resposta da quantidade demandada ou da quantidade fornecida a uma alteração em um dos seus determinantes (disponibilidade de substitutos próximos, necessidades versus lu- xos, definição do mercado e horizonte de tempo) (MANKIW, 2012). Assim, a Elasticidade da Demanda mede a extensão em que a quantidade demandada de uma mercadoria aumenta ou di- minui em resposta ao aumento ou diminuição de qualquer dos seus determinantes quantitativos (JAIN; OHRI, 2012).

A Elasticidade do Preço da Demanda mede o quanto a quantidade demandada de um bem responde a uma mudança no preço desse bem, calculada como a variação percentual da quantidade demandada dividida pela variação percentual no preço (MANKIW, 2012). A Elasti- cidade do Preço da Demanda é a relação entre a variação percentual da quantidade e a variação percentual no preço do bem, e todos os outros fatores mantidos constantes (SAMUELSON; MARKS, 2012). Dessa maneira, a Elasticidade do Preço da Demanda pode ser medida pela Equação 4.8, onde Q é a quantidade do produto, P é o preço do produto, ∆Q é a variação na quantidade, ∆P é a variação no preço.

Elasticidade do Preço da Demanda = % variação em Q % variação em P =

QP ×

P

Q (4.8)

Como exemplo de Elasticidade do Preço da Demanda, seguindo no exemplo da de- manda apresentado, considere o preço do produto e a quantidade deste produto demandada pelo mercado. Em um período p0, o preço unitário do produto é R$ 5 e a quantidade demandada é 3500. Em um período p1, o preço unitário do produto modificou para R$ 4 e quantidade demandada modificou para 4500. Assim, a elasticidade do preço da demanda nos os períodos indicados é -1.42. Devido à quantidade de um produto ser negativamente relacionada a seu preço, o percentual de mudança na quantidade sempre possuirá o sinal oposto ao percentual

Tabela 4.3: Lista de variáveis e nomenclatura para métricas baseadas em Microeconomia

Variável Descrição

RD Recursos Demandados: recursos necessários para o atendimento do SLA

RA Recursos Alocados: recursos alocados ao ambiente

t Total de iterações (intervalos de coleta)

RDAtu Recursos Demandados Atuais: recursos demandados pelo ambiente no momento da coleta paraatendimento do SLA

RDAnt Recursos Demandados Anteriores: recursos demandados pelo ambiente em momentos de coletaanteriores

RAAtu Recursos Alocados Atuais: recursos alocados ao ambiente no momento da coleta

RAAnt Recursos Alocados Anteriores: recursos alocados ao ambiente em momentos de coleta anteriores

RD RDAtu − RDAnt

RA RAAtu − RAAnt

EDi

Elasticidade da Demanda: multiplicação da relação entre a variação dos recursos alocados (∆RA)

e recursos demandados (∆RD) entre intervalos de coleta pela relação entre os recursos demanda-

dos e alocados

EDi Elasticidade Média da Demanda: média aritmética de todas as elasticidades calculadas em cadaum dos intervalos de coleta t

de mudança no preço (MANKIW, 2012). Neste exemplo, o percentual de mudança no preço é negativo (refletindo um decréscimo no preço), e o percentual de mudança na quantidade de- mandada é positivo (refletindo um crescimento na quantidade). Por este motivo, a elasticidade do preço da demanda algumas vezes é reportado com valores negativos.

Fazendo a analogia com a elasticidade em nuvens computacionais, podemos con- siderar a quantidade demandada Q como a alocação de recursos ou o quanto de recursos está sendo disponibilizado, e o preço dos bens P como as cargas de trabalho impostas.

A Tabela 4.3 descreve as variáveis relacionadas às métricas propostas, assim como a nomenclatura a ser utilizada. Para o cálculo da elasticidade, fazendo a analogia com a elas- ticidade em nuvens computacionais, podemos considerar a quantidade demandada como os recursos alocados RA, e o preço dos bens como os recursos demandados RD impostos pelas cargas de trabalho. Consequentemente, a variação na quantidade demandada equivale a ∆RA, e a variação no preço do produto equivale a ∆RD. Como o nome da métrica na Microeconomia se chama “Elasticidade do Preço da Demanda", seu equivalente será chamado de Elasticidade da Demanda (EDi), e pode ser medida pela Equação 4.9. Por fim, a elasticidade média da demanda EDipode ser calculada por meio da Equação 4.10.

EDi= (0, se RA= 0 ou ∆RA= 0 ou ∆RD= 0 ∆RA ∆RD× RD RA, caso contrário (4.9) EDi=∑ t i=0EDi t (4.10)

Algumas situações específicas devem ser tratadas. No caso em que os recursos de- mandados são zero, considera-se que a elasticidade é zero, já que não há demanda. No caso em que recursos alocados são zero, a elasticidade tende a ser infinita. Esta situação semanticamente significa que há uma demanda onde não há recursos alocados. No caso em que ∆RDfor igual a

zero, a elasticidade também será igual a zero, pois implica que não houve variação nos recursos demandados no período.

Conforme a Lei da Demanda, considerando outras variáveis de outros aspectos per- manecendo iguais, a demanda por um bem aumenta com a diminuição do preço, e a demanda por um bem diminui com um aumento no preço (SALVATORE, 2011). Esse efeito também ocorre em sistemas computacionais. Se os recursos demandados aumentam, os recursos aloca- dos começam a diminuir no sentido de já estarem sendo utilizados, tornando-se escassos. Se os recursos demandados diminuem, os recursos alocados começam a se tornar mais disponíveis, pois à medida em que vão sendo liberados ou finalizando suas atividades, tornam-se novamente disponíveis.