O Plano apresenta metas de curto, médio e longo prazo para aumento de área verde por habitante. No Brasil, a recomendação mínima de área verde por habitante, de acordo com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana – SBAU é de 15m², e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 12m² por habitante. No mundo, a referência é Estocolmo: são 86 metros quadrados de área verde por habitante.
A meta de curto prazo para Fortaleza, conforme o Plano é o plantio de 35.000 árvores contemplando as 07 Regionais ou ampliação para pelo menos 8m²/habitante até Dezembro de 2016.
A meta de médio prazo é o plantio de 100.000 árvores contemplando as 07 Regionais ou ampliação para pelo menos 15m²/habitante até Dezembro de 2020.
E por fim, a meta de longo prazo consiste na readequação das calçadas para compatibilidade com a arborização; a readequação da fiação elétrica; a manutenção da arborização e ampliação nas áreas readequadas, e o objetivo de se ter uma cobertura vegetal superior a 15m²/habitante. Estas metas estão organizadas no PAF, como representa a figura 16:
Figura 16 – Metas do PAF
Fonte: Plano de Arborização, 2014.
Segundo resultados divulgados pela Prefeitura de Fortaleza, em virtude do plantio/doação de 35 mil árvores, em apenas dois anos, a cobertura vegetal da cidade subiu de 4m² para 8m² por habitante, atingindo-se a meta de curto prazo. Cabe destacar, no entanto, que o número divulgado pode não condizer com a realidade, pois o plantio e doação de mudas não são suficientes para a arborização de uma cidade. Além disso, o desmatamento e as ocupações irregulares acabam por prejudicar esse índice de cobertura vegetal, ressaltando-se também a falta de fiscalização para esse tipo de ocorrência.
Perguntou-se à representante da SEUMA, se existe uma avaliação periódica dos resultados das políticas de arborização no município do âmbito do órgão, e, caso positivo, quais resultados ela entende como mais importantes. Em resposta, Oliveira (2018), afirmou que:
A arborização é promovida no município tanto por meio dos projetos que compõem o plano de arborização, quanto por meio do controle das autorizações de supressão vegetal. Quanto aos programas os plantios são promovidos direta e indiretamente. Há projetos em que a PMF entrega a muda já plantada ao cidadão, seja em sua casa seja em uma área verde ou pela recuperação de uma área degrada pela disposição irregular de resíduos. Os plantios indiretos ocorrem quando a muda é entregue á população em eventos da PMF. Mensalmente são contabilizados os quantitativos de mudas entregues para doação (eventos ou doação na Seuma), plantadas por meio dos projetos do plano de Arborização, e das árvores suprimidas. A partir desse acompanhamento é possível averiguar a eficácia da implantação dos projetos. Cabe ressaltar que os dados podem ser acompanhados pelo portal SIAFOR.
Embora os projetos de doação e plantio sejam eficazes, não há como averiguar a eficácia dos mesmos apenas com a contabilização feita. Fazer a manutenção é mais complexo que plantar, sendo esse um desafio para o Plano. Para que os resultados desejados sejam de fato atingidos, o foco não deve ser apenas a quantidade de mudas distribuídas ou plantadas. O Plano só funcionará verdadeiramente se houver planejamento, gerenciamento, manutenção e principalmente, educação.
Por fim, a representante do Movimento Pró-Árvore (questão n° 6, Apêndice B), disse que entende e corrobora que são necessárias e urgentes algumas ações e mudanças em relação à gestão e legislação das políticas de arborização atuais na cidade, quais sejam:
I) Criação de um REAL plano de arborização, que PLANEJE, ATENDA E REALIZE a curto/médio/longo termo uma REAL melhoria sobre TODAS as questões que envolvem a presença ou não, de uma árvore em meio urbano, levando em consideração, assim, todo o conjunto de ações que envolvem o fato de ter uma calçada arborizada que vai desde a coleta de sementes nativas, germinação, cultivo, planejamento de plantio, abertura dos berços nas calçadas, cuidado fitossanitário, registro georeferenciado de localização e situação da árvore, possíveis cortes com substituição imediata, até a poda e cuidados gerais como: adubação, irrigação e etc.
[...]
III) O REAL cumprimento dos princípios e fundamentos elencados no documento de Política Municipal do Meio Ambiente formulado pela gestão do atual prefeito Roberto Cláudio. O conteúdo do citado documento não condiz com a realidade que se vê no dia a dia na cidade.
IV) Rigor na questão das demandas de supressão e podas de árvores na cidade, criando critérios que viabilizem, sempre, em primeiro lugar, a permanência da árvore e sua melhor adaptação a uma dada situação. Sendo essencial a REAL capacitação e número, de pessoal responsável (no caso de empresas terceirizadas pelo serviço, como é o caso atual), assim como
acompanhamento de todo o percurso da ação de supressão ou poda, supervisionada por profissional competente da área, tanto no critério de avaliação para elaboração do laudo, como pessoal qualificado para fiscalização e autuação no caso de supressão ou poda indevida de iniciativa particular (SILVA, 2018).
Diante dessas questões elencadas pelo Movimento, e da análise dos dados obtidos do trabalho, pode-se perceber que ainda há muito a ser feito para uma arborização adequada no município. Assim como a grande maioria das grandes cidades, há a necessidade de mudanças de atitudes em relação à arborização, e elas devem ser efetuadas dentro de uma consciência ecológica, levando em consideração a história e as características regionais. No caso de Fortaleza, há fatores como, por exemplo, a estiagem, a própria falta de zelo e cuidado com os bens ambientais pelos moradores, entre outros, que dificultam (e muito) a execução de uma política pública como a de arborização urbana, mas que devem ser levados em consideração, e que devem servir de desafio, motivando a Prefeitura, ONGS, Universidades/Programas de Pós-Graduação, etc., para a construção de uma cidade mais sustentável.