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Foram analisadas 9 (nove) empresas de alojamento onde o proprietário residia no próprio município. Buscaram-se informações sobre: identificação da empresa; estrutura; mão-de- obra e aprendizado; tipo de público; inovação e cooperação e políticas públicas.

A) Identificação da Empresa

As entrevistas foram feitas com os próprios proprietários ou com os responsáveis diretos pelo estabelecimento. O ano de fundação dessas empresas situa-se entre 1993 e 2005. O número de quartos variou entre 4 (quatro) e 15 (quinze), sendo um estabelecimento dotado de 8 (oito) chalés.

A origem do capital controlador das 9 (nove) empresas analisadas foi em sua maioria constituída pelo próprio capital do proprietário. Apenas uma empresa apresentou ajuda de terceiros com 50% de contribuição. Com isso, percebe-se que não houve ajuda de instituições bancárias para a formação de seus empreendimentos.

B) Estrutura da empresa

Os quartos foram classificados basicamente em dois tipos, sendo que todas as empresas apresentaram quartos do tipo simples (uma cama) e 5 (cinco) apresentaram quartos do tipo duplo (cama de casal). No que se refere às opções de oferta para os clientes, 4 (quatro) apresentaram garagem para o estacionamento de carros e motos, 3 (três) apresentaram área de lazer para os turistas, duas apresentaram piscina e lavanderia e somente uma apresentou salão de eventos. Ao mesmo tempo, essas empresas de alojamentos oferecem diárias que podem compreender ou não o café da manhã. Assim, dos 9 (nove) estabelecimentos estudados 5 (cinco) oferecem café da manhã.

No que se refere aos sócios apenas dois estabelecimentos apresentaram um sócio cada. Vale salientar que tais sócios são membros da própria família.

Quanto ao perfil do principal fundador tem-se:

Idade – variando entre 35 e 64 anos; Sexo – 6 homens e 3 mulheres;

Escolaridade – 1 com ensino fundamental completo, 3 com ensino médio completo, 4 com ensino superior completo e 1 com pós-graduação; e

Filiação – apenas 1 tem pais empresários, os outros 8 proprietários dos estabelecimentos não os têm.

C) Caracterização da Mão-de-obra e do Aprendizado

O número de funcionários efetivos, nesses estabelecimentos, presentes tanto nos períodos de alta quanto nos de baixa temporada constituiu-se de: um, três, onze e treze. Assim, 4 (quatro) empresas responderam que empregam somente um funcionário, duas empresas contam com 3 (três) funcionários, uma emprega onze funcionários, uma conta com 13 (treze) funcionários e somente uma empresa se recusou a prestar informações sobre a questão. Quanto à mão-de-obra temporária, observou-se que praticamente não existe a contratação desse tipo de funcionários.

Com base nisso, percebe-se que, quanto ao tamanho, essas empresas são do tipo micro, caso sua classificação seja feita pelo número de funcionários, pois, conforme SEBRAE (2004b), são categorizadas como micro-empresas aquelas que possuem menos de 20 (vinte) funcionários.

Com relação à escolaridade média desses funcionários, observou-se que 44,1% apresentam ensino médio completo, 29,4% têm ensino fundamental incompleto, 14,7% ensino fundamental completo e 11,8% ensino médio incompleto.

Quando questionados sobre o treinamento dos funcionários 5 (cinco) empresas informaram que seus funcionários recebem treinamentos com freqüências variadas – semestral, de dois em dois anos e de três em três anos. O tipo de treinamento incide essencialmente sobre o atendimento ao cliente (recepcionista) e o de camareira. Para os entrevistados tal tipo de treinamento tem contribuído para uma maior qualificação e segurança na oferta de serviços, gerando uma melhoria no atendimento.

D) Caracterização do tipo de público

Corroborando as informações obtidas no primeiro anel, a maior parte dos turistas provém de Fortaleza (33,4%). Segundo os entrevistados, a proximidade com a capital e o clima ameno são as principais razões para o acentuado fluxo de turistas.

TABELA 7.1 – Origem dos Turistas de Alojamento

Obs.: A questão admitia mais de uma resposta Fonte: Elaboração da autora

Para a solicitação de reservas os hóspedes utilizam basicamente o telefone (53,3%) e as agências de turismo de Fortaleza. Todavia, importa destacar a citação por dois estabelecimentos de uma outra forma de reserva a popular propaganda “boca a boca”.

TABELA 7.2 – Meios utilizados para reservas nos estabelecimentos de alojamento

Formas Respostas %

1.Telefone 8 53,30 2.Fax 1 6,70 3.Agências de turismo 4 26,70 4.Propaganda boca a boca 2 13,30 Total 15 100,00 Obs.: A questão admitia mais de uma resposta

Fonte: Elaboração da autora

Localidade Respostas %

1.Local (Guaramiranga) 0 0,00 2.Fortaleza 9 33,40 3.Outros municípios estaduais 6 22,20 4.Nacional 6 22,20 5.Exterior 6 22,20 Total 27 100,00

Os meses do ano mais movimentados são os de julho e de fevereiro. Assim, 5 (cinco) empresas responderam o mês de julho, período de férias, e 4 (quatro) responderam o mês de fevereiro, justificando a escolha desse período em função do festival de jazz e blues que acontece no município durante esse período, conforme apresentado anteriormente.

E) Caracterização da Inovação e da Cooperação

No que se refere à inovação das 9 (nove) empresas, 5 (cinco) informaram que desenvolveram atividades inovativas nos últimos três anos, dentre essas: festa temática, apresentação de músicos e aumento dos quartos com instalação de televisões.

Quando indagados sobre o seu envolvimento em associações ou atividades cooperativas (parcerias) apenas duas empresas responderam participar de uma forma de associação, denominada Associação dos Empreendedores de Turismo da Serra de Baturité (ATSB), a qual será mais bem comentada no terceiro anel. Essas duas empresas informaram que a promoção do nome de seus estabelecimentos no mercado nacional tem sido o maior ganho, por pertencer a tal associação. As demais empresas informaram não ter envolvimento com tais atividades.

Dentre as diversas formas de parceria pretendidas pelas empresas de alojamento, observou-se uma nítida preferência pelas seguintes formas: capacitação de recursos humanos, participação conjunta em feiras e reivindicações de comportamentos inadequados de algumas instituições públicas, inclusive no tocante à exploração da atividade turística no município.

Com relação à infra-estrutura básica do município a maioria (7 (sete) empresas)) considera “pouco satisfatória”. A melhoria dessa infra-estrutura juntamente com a melhoria dos recursos humanos foram as ações mais importantes destacadas pelos estabelecimentos de alojamento para aperfeiçoar o turismo no município, conforme mostrado a seguir.

TABELA 7.3 – Ações para melhorar o turismo (Alojamento)

Obs.: A questão admitia mais de uma resposta Fonte: Elaboração da autora

A respeito da oferta de novas atrações os entrevistados propuseram um roteiro turístico religioso e um turismo de aventura, além da construção de um clube dançante e a criação de atrativos para o público da terceira idade. Os meios de alojamento acreditam que sozinhos não são responsáveis pela criação de tais atividades e admitem ser imprescindível a parceria com as autoridades públicas, conforme tabela 7.4.

TABELA 7.4 – Responsáveis pela ação para melhorar o turismo no município (Alojamentos)

Obs.: A questão admitia mais de uma resposta Fonte: Elaboração da autora

Dos 9 (nove) estabelecimentos de alojamento entrevistados, 7(sete) consideram que essa parceria poderia impulsionar o turismo no município tornando suas empresas mais competitivas. Para isso estariam dispostos a participar dessa parceria. No entanto, os outros 2 (dois) estabelecimentos estão descrentes do possível êxito dessa parceria, recusando-se, assim, a participar.

F) Caracterização das Políticas Publicas

As empresas de alojamento não têm conhecimento ou não participam dos programas ou ações específicas promovidos pelos governos - federal e estadual. Entretanto, conforme tabela a seguir, a maioria conhece os programas do governo municipal, sendo que apenas três participam através de eventos e associações.

Ações Respostas %

1.Criação de novas atrações 8 23,53 2.Melhoria dos recursos humanos 9 26,47 3.Intensificação da promoção do município 8 23,53 4.Melhoria da infra-estrutura 9 26,47

Total 34 100,0

Responsáveis Respostas %

1.As autoridades públicas 1 9,09 2.As empresas 0 0,00 3.As autoridades públicas e as empresas, conjuntamente 6 54,55 4.A população local 4 36,36

TABELA 7.5 – Conhecimento e/ou participação (Alojamento)

Instituição/esfera

governamental conhecimento 1. Não tem 2. Conhece, mas não participa 3. Conhece e participa Total

1.Governo federal 5 4 - 9 2.Governo estadual 5 4 - 9 3.Governo local/municipal 4 2 3 9

4.SEBRAE - 4 5 9

Fonte: Elaboração da autora

Vale salientar que todas as empresas entrevistadas têm conhecimento dos programas ofertados pelo SEBRAE, o que mostra a capacidade de comunicação dessa instituição. Além disso, a maioria das empresas avalia os programas do SEBRAE de forma positiva, como demonstra tabela a seguir.

TABELA 7.6 – Avaliação dos programas e ações (Alojamento)

Instituição/esfera

governamental 1. Avaliação positiva 2. Avaliação negativa 3. Sem elementos para avaliação Total

1.Governo federal 3 2 4 9 2.Governo estadual 1 3 5 9 3.Governo local/municipal 1 3 5 9 4.SEBRAE 5 1 3 9 5.SEMACE * - 4 5 9 6.IBAMA* - 4 5 9

* Essas duas instituições não constavam no questionário de pesquisa, mas foram acrescentadas por quatro empresas no item referente a “outras instituições” - espaço utilizado para as empresas citarem a avaliação de outras instituições, caso julgassem necessário.

Fonte: Elaboração da autora

Importa destacar, também, a avaliação negativa da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) por parte de quatro empresas entrevistadas. Tal avaliação deve-se ao fato de que, apesar de Guaramiranga encontrar-se numa Área de Preservação Ambiental (APA), o controle não estar sendo feito de maneira adequada. Enquanto os grandes proprietários conseguem instalar suas empresas seja de hospedagem ou de condomínios, os pequenos proprietários de estabelecimentos formais que querem aumentar seus negócios são impedidos ou instados a pagar taxas exorbitantes ou mesmo enfrentam longos processos judiciais.

Conforme a tabela 7.7, apresentada a seguir, dentre as ações de políticas públicas que poderiam contribuir para aumentar a eficiência das empresas de alojamento tem-se, por ordem

decrescente de importância: os programas de estímulo ao investimento, seguido pelo empate entre os programas de capacitação profissional e treinamento técnico, melhorias na educação básica e os programas de apoio a consultoria, por último, porém, não menos importante tem-se o acesso a linhas de crédito.

TABELA 7.7 – Contribuição de ações de políticas públicas para a eficiência das empresas (Alojamento)

Grau de importância

Ações de Política 1. Sem

importância importante 2. Pouco 3. Importante importante 4. Muito

Total

1.Programas de capacitação profissional e

treinamento técnico - - 1 8 9 2.Melhorias na educação básica - - 1 8 9 3.Programas de apoio à consultoria técnica - - 1 8 9 4.Acesso a linhas de crédito e outras

formas de financiamento

1 - 2 6 9

5.Programas de estímulo ao investimento - - - 9 9 Fonte: Elaboração da autora

A alta importância atribuída por todos os estabelecimentos entrevistados para os programas que possam estimular o investimento deve-se ao fato de que para tais empresas o município apresenta um alto potencial turístico que poderia ser mais bem aproveitado pela população local se existissem políticas públicas direcionadas para tal fim.