Durante o verão, observa-se que a intensidade das anomalias associadas com o trem de ondas diminui (Figuras 3.24 e 3.25). Apenas próximo da ocorrência dos eventos (lag=-5 a
lag=0), as anomalias indicam campos coerentes sobre a Península Antártica e oceanos
adjacentes, sugerindo uma grande variabilidade caso a caso dos eventos.
As anomalias de leste observadas durante os EIF no verão sobre a Península Antártica (lag=-5 a lag=0, Figuras 3.26a e 3.27a), parecem ser precedidas de anomalias anticiclônicas persistentes (lag=-10) sobre o Oceano Pacífico Norte, associado a anomalias de oeste na porção mais ao norte do Pacífico Norte e a anomalias de leste na porção mais ao sul. Estas características foram observadas por Higgins e Mo (1997), ao investigar as anomalias persistentes na circulação no Pacífico Norte associada à oscilação intra-sazonal tropical. O padrão de anomalias observado na circulação nos dois hemisférios sugere a resposta extratropical da OMJ (Higgins e Mo 1997). Para os EIQ, observa-se uma característica oposta da circulação observada nos EIF, ou seja, com anomalias de oeste sobre a Península Antártica durante os eventos (lag=-5 a lag=0, Figuras 3.26b e 3.27b). Além disso, as anomalias no Pacífico Norte são menos definidas durante estes eventos.
As anomalias de sul (de norte) associadas aos EIF (EIQ) persistiram até o primeiro dia dos eventos sobre a Península Antártica e oceanos adjacentes (Figuras 3.28 e 3.29).
PENÍNSULA OESTE H200IS
(a) EIF (b) EIQ
Figura 3. 24. Composições defasadas de anomalias intrasazonais do geopotencial (mgp) em 200 hPa durante os
eventos extremos intrasazonais: (a) frios (EIF) e (b) quentes (EIQ) no verão em Arturo (Península oeste). As linhas contínuas (tracejadas) indicam valores positivos (negativos). As áreas destacadas em vermelho (azul) são para os valores positivos (negativos) estatisticamente significativos ao nível de 95%, baseado no teste t-Student. O intervalo dos contornos é de 10 mgp.
PENÍNSULA LESTE H200IS
(a) EIF (b) EIQ
PENÍNSULA OESTE U200IS
(a) EIF (b) EIQ
Figura 3. 26. Composições defasadas de anomalias intrasazonais do vento zonal (m/s) em 200 hPa durante os
eventos extremos intrasazonais: (a) frios (EIF) e (b) quentes (EIQ) no verão em Arturo (Península oeste). As linhas contínuas (tracejadas) indicam valores positivos (negativos). As áreas destacadas em vermelho (azul) são para os valores positivos (negativos) estatisticamente significativos ao nível de 95%, baseado no teste t-Student. O intervalo dos contornos é de 1 m/s.
PENÍNSULA LESTE U200IS
(a) EIF (b) EIQ
PENÍNSULA OESTE V850IS
(a) EIF (b) EIQ
Figura 3. 28. Composições defasadas de anomalias intrasazonais do vento meridional (m/s) em 850 hPa durante
os eventos extremos intrasazonais: (a) frios (EIF) e (b) quentes (EIQ) no verão em Arturo (Península oeste). As linhas contínuas (tracejadas) indicam valores positivos (negativos). As áreas destacadas em vermelho (azul) são para os valores positivos (negativos) estatisticamente significativos ao nível de 95%, baseado no teste t-Student. O intervalo dos contornos é de 1 m/s.
PENÍNSULA LESTE V850IS
(a) EIF (b) EIQ
3.3.4. Comparação entre os casos com intensidades e persistências
extremas e próximas da mediana
Como descrito no item 3.2 os EIT foram definidos utilizando como critério o quartil inferior (q25) e superior (q75) das anomalias intra-sazonais de temperatura nas estações Arturo e Marambio, para o período de inverno, primavera e verão. Além disso, foram considerados todos os eventos independentes, sem nenhuma restrição quanto à persistência dos EIT. No entanto, algumas questões permanecem quanto à circulação atmosférica associada a intensidade e persistência dos EIT:
1) Qual a característica da circulação atmosférica associada a EIT mais intensos, ou seja, considerando o percentil de 10% para os EIF e 90% para os EIQ?
2) Há alguma alteração na circulação atmosférica observada anteriormente, se forem considerados os EIT com maior e menor persistência (acima do percentil de 75% e abaixo do percentil de 25%, respectivamente)? E quanto aos casos com persistência próxima da mediana (percentil de 50%)?
Os padrões de circulação atmosférica em altos níveis, examinados por meio das composições de U200IS, foram condicionados a estas variações nos limiares da intensidade e persistência dos EIT da estação Arturo (Península oeste) no período de inverno, primavera e verão (Figuras 3.30-3.32, respectivamente). A estação de Arturo foi selecionada por ter apresentado maior significância estatística nos picos espectrais correspondentes a escala intra- sazonal (Fig. 2.12) e assim, buscar entender os mecanismos atmosféricos associados aos EIT observados nesta estação. Para as análises de persistência foram considerados somente os EIQ de Arturo, os quais apresentaram mais valores discrepantes e extremos na persistência do que os EIF na maioria das estações do ano (Fig. 3.5).
Observa-se que os casos com o percentil de 10% e 90% das anomalias intra-sazonais de temperatura no inverno em Arturo (Figuras 3.30a e 3.30b, respectivamente) apresentaram as mesmas características da circulação atmosférica observada durante os EIF e EIQ, considerando o percentil de 25% e 75%, respectivamente (Figuras 3.14a e 3.14b). Para os EIQ no inverno em Arturo, ao considerar apenas os eventos de uma parte (1/4 e 1/2) da distribuição da persistência (Figuras 3.30c-3.30e), observa-se uma diminuição da
significância estatística das anomalias na circulação, devido à diminuição do número de eventos independentes.
INVERNO - PENÍNSULA OESTE
Intensidade Persistência
(a) Casos p10 (c) EIQ com persistência abaixo de p25 (8 dias)
(b) Casos p90 (d) EIQ com persistência igual a p50 (11-13 dias)
(e) EIQ com persistência acima de p75 (15 dias)
Figura 3. 30. Composições das anomalias intrasazonais do vento zonal (m/s) em 200 hPa para os casos: (a)
abaixo do percentil de 10% e (b) acima do percentil de 90% das anomalias intra-sazonais de temperatura no inverno em Arturo. As figuras (c-e) representam os EIQ em Arturo com persistência abaixo do percentil 25%, igual ao percentil de 50% e acima do percentil de 75%, respectivamente. As linhas contínuas (tracejadas) indicam valores positivos (negativos). As áreas destacadas em vermelho (azul) são para os valores positivos (negativos) estatisticamente significativos ao nível de 95%, baseado no teste t-Student. O intervalo dos contornos é de 1 m/s.
As composições da circulação atmosférica, através de U200IS, associadas aos casos p10 e p90 das anomalias intra-sazonais de temperatura na primavera em Arturo (Figuras 3.31a e 3.31b) são semelhantes aos resultados obtidos pelos EIF e EIQ, representados pelo quartil de 25% e 75% (Fig. 3.20a e 3.20b, respectivamente). Os EIQ de baixa persistência na primavera em Arturo (Fig. 3.31c) não apresentaram anomalias significativas em U200IS, por
conta do baixo número de eventos independentes observados nestas condições. Já os EIQ com persistência próxima a mediana (Fig. 3.31d) e com persistência acima do percentil de 75% (acima de 15 dias, Fig. 3.31e), apresentaram padrões de circulação semelhantes ao observado com todos os eventos independentes (Fig. 3.20b); porém, com menos significância estatística das composições de U200IS quando comparado com a Figura 3.20b.
No verão em Arturo, os casos com o percentil de 10% e 90% das anomalias intra- sazonais de temperatura (Figuras 3.32a e 3.32b, respectivamente) apresentaram padrões de circulação atmosférica semelhantes ao observado nos EIF e EIQ, considerando o percentil de 25% e 75%, respectivamente (Figuras 3.26a e 3.26b). Porém, durante os casos de EIQ mais intensos (p90, Fig. 3.32b), observa-se uma intensificação do par de anomalias significativas no Pacífico central norte quando comparado com os EIQ em q75 (Fig. 3.26b). Da mesma forma ocorre, quando se considera os EIQ mais persistentes em Arturo (acima de 14 dias, Fig. 3.32e). Durante os EIQ com persistência abaixo de p25 e igual a p50 (Figuras 3.32c e 3.32d), observa-se uma diminuição da significância estatística das anomalias na circulação, devido ao baixo número de eventos independentes.
PRIMAVERA - PENÍNSULA OESTE
Intensidade Persistência
(a) Casos p10 (c) EIQ com persistência abaixo de p25 (6 dias)
(b) Casos p90 (d) EIQ com persistência igual a p50 (10-12 dias)
(e) EIQ com persistência acima de p75 (15 dias)
VERÃO - PENÍNSULA OESTE
Intensidade Persistência
(a) Casos p10 (c) EIQ com persistência abaixo de p25 (8 dias)
(b) Casos p90 (d) EIQ com persistência igual a p50 (11-13 dias)
(e) EIQ com persistência acima de p75 (14 dias)