Del I. Introduksjon til studiet
Kapittel 1 - Innledning
No gráfico 7.4 pode-se ver o número de participantes e a frequência dos encontros do quarto momento da Roda de Saberes que ocorreu entre março e dezembro de 2014.
Gráfico 7.4 -Temas discutidos no Quarto Momento da Roda de Saberes e número de participantes por encontro
Fonte: listas de presença e diário de campo entre 2010 e 2014.
0 10 20 30 40 50 60
Território; Trabalhador; Instituição
Público Alvo; Instituição; Apoio;
Território; Trabalhador; Instituição
Território; Trabalhador
Público Alvo; Trabalhador
Não Houve Encontro
Não Houve Encontro
Público Alvo; Território
Público Alvo; Território
Não Houve Encontro
Público Alvo; Território; Apoio
mar -14 ab r- 14 mai -14 ju n -1 4 ju l- 14 ago -14 set -14 o u t- 14 n o v-1 4 d ez -14
A grande contribuição do GT para as Rodas de Saberes abre um novo momento do dispositivo, mais forte e efetivo, o que foi confirmado pela percepção dos próprios membros do GT.
Após um encontro da Roda de Saberes, uma Supervisora de Equipe que compunha o GT, colocou no grupo de uma rede social: ―A repercussão do encontro de hoje foi muito boa na equipe Tucuruvi! As meninas que foram conseguiram trazer para a reunião de equipe a empolgação pelo tema que foi desenvolvido na Roda. E também trouxeram a importância da Roda para cada uma delas. Muito bom! Parabéns pessoal!‖ (SIC).
Com o dispositivo potencializado pelo GT, as constantes incitações e reflexões sobre as metas do Programa ganharam concretude, os Trabalhadores haviam se tornado ativos inclusive nesta questão, onde se sentiam tão passivos e impotentes. O Apoiador e suas equipes vinham construindo novos indicadores para serem somados aos antigos e para que fossem analisados os aspectos mais qualitativos do trabalho desenvolvido, mas sem que se configurassem como metas. Naquele momento isso foi pautado junto à Coordenação Geral, foram inclusive expostos à SMS para apreciação e foram bem recebidos.
Os acordos pactuados nas primeiras reuniões foram importantes para o bom funcionamento do GT, mas impactaram positivamente principalmente na Roda dos Saberes, possibilitando, maior continuidade e coerência entre os assuntos discutidos, as metodologias adotadas e uma ampliação de experimentações.
No caso do encontro sobre acolhimento com World Café, em junho de 2014, o
Apoiador era contra a escolha desta metodologia, foi voto vencido e chegou a pensar que o
GT distorceria a proposta do dispositivo.
De fato, nessa ocasião foi quando se obteve mais devolutivas positivas dos participantes. Naquele momento, alguns Acompanhantes falaram que foi a melhor edição da
Roda de Saberes, pois conseguiram apreender a discussão que foi facilitada pela divisão em
grupos menores, prática que foi adotada desde então.
Mesmo em relação ao Apoiador a devolutiva foi que, ao servir o bolo e café aos presentes, este ―acolheu mais‖. Este papel foi o que lhe coube, já que não assumiu nenhuma função de facilitação dos encontros, mas naquele momento do processo, isso efetivamente desmistificou o lugar Institucional, tornou esta figura do Apoiador mais acessível e humana, conforme a própria devolutiva.
Esse episódio mostra a necessidade de democratização do poder Institucional, que chegou a um momento propício, onde a construção de protagonismo e integração dos
Em seus oito encontros, conforme gráfico 8.4, este momento representou uma possibilidade mais forte de tencionar os participantes do dispositivo em se implicarem em processos democratizantes, pessoal e coletivamente, já que radicalizou estes aspectos em seu próprio processo de fazer.
Ainda fica clara a concepção de que a Roda de Saberes comportava o teste e experimentação com diferentes metodologias, pois ela se ancora em objetivos mais amplos do que a forma de condução de um encontro. A própria possibilidade de experimentação demonstra, com a força deste episódio, ser muito mais importante para o dispositivo do que a metodologia aplicada ao encontro, respeitando o processo pelo qual passa o coletivo e seus princípios fundamentais. Ou seja, este precisa estar fortalecido e maduro como tal, o que envolve um entendimento das possibilidades democráticas de gestão.
Mas esta percepção só foi possível frente ao Apoio que o GT pode oferecer ao próprio
Apoiador, algo que Campos (2003) coloca no décimo recurso de sua metodologia, onde
coloca que o bom Apoio acontece quando este também se permite ser apoiado pelo grupo em questão.
Estabelecendo relação ao Método Paideia, estes acordos possibilitaram ao GT ousar e experimentar além do que o Apoiador teria tentado, em uma práxis que se mostrou mais eficiente e mais transformadora.
Através das avaliações, análises e modificações a cada encontro da Roda de Saberes, o GT facilitou esta concepção Freireana de ação-reflexão-ação em níveis cada vez mais complexos (Freire, Shor, 2008).
Em relação ao fator estratégico, Trabalhadores, uma Psicóloga, membro do GT, disse que os encontros reverberavam mais nas equipes. Segundo ela todos os Trabalhadores, principalmente as acompanhantes de sua equipe querem comparecer aos encontros. ―A palavra circula a partir da horizontalidade. Com isso as pessoas conseguem entrar neste movimento da roda‖ (SIC).
O GT colocou em questão as motivações que levaram cada participante a frequentar a
Roda de Saberes naquele contexto e utilizou o espaço para aprofundar discussões complexas
do cotidiano do trabalho, como espaço para desabafos, crises, refúgio e fortalecimento mútuo. Os representantes de uma das equipes da região norte da cidade compartilhou sua experiência com os demais e, como haviam se apropriado do tema e modelo, reproduziram na equipe um dispositivo inspirado na Roda de Saberes.
Nesse sentido, vários dos presentes reproduziram as Rodas de Saberes locais, respondendo ao sétimo recurso da Paideia, o de reprodução do método, com impacto no
cotidiano do trabalho das equipes que vinham conseguindo articular as discussões sobre as duas práticas cotidianas, aos manejos de caso e aos processos de trabalho. Algo verbalizado pelas equipes no cotidiano.
Segundo um de seus membros, o GT ―[...] deu muita vida à roda. O GT é uma roda dentro da Roda‖ (SIC). Como um núcleo potencializado, além de organizar e conduzir a
Roda de Saberes, o GT articulou esta às equipes, favoreceu - de forma capilar - os fluxos de
informações, demandas, impressões, dificuldades e devolutivas, colocadas em análise pelo coletivo. Facilitou a replicação de conteúdos e métodos locais e desencadeou processos de
Apoio nas respectivas equipes.
O GT não representou uma instância superior aos demais Trabalhadores, pois trabalhou para as equipes e para a Roda de Saberes. Assim os integrantes do GT foram formados Apoiadores, já que segundo Campos (2003) o Apoio pode se dar entre pares em rodízio ou mútuo. Desta forma foi possível progredir na sofisticação dos conceitos e de maior análise critica do cotidiano do trabalho das equipes.
Os resultados disso, segundo os membros do GT, também se verificava nas equipes. As reuniões de equipe vinham sendo conduzidas de forma coletiva, não eram mais momentos em que somente o Supervisor de Equipe dava orientações, informes e estabelecia escalas.
O Público Alvo, outro fator estratégico, foi menos pautado neste momento, conforme Gráfico 8.4, sendo apenas abordado indiretamente e na articulação de conteúdos trabalhados a casos atendidos por parte dos participantes. É possível que isso indique que o processo de Educação Permanente tenha gerado demandas diferentes, pois conseguiu responder à demanda anterior e, sendo assim, que o Público Alvo foi menos necessário porque as equipes estavam mais seguras no trabalho com este.
O GT, que se encontrava em espaços de distintos Territórios demonstra uma apropriação deste pelos seus membros, agindo ativamente, em um agenciamento dos espaços. O fator estratégico, Território, foi abordado principalmente na reunião sobre acolhimento e trabalhado de forma mais qualificada, abordando a forma de atuação deste sobre os
Trabalhadores e usuários do Programa. Os processos de intercâmbio, que continuaram a
ocorrer também favoreceram este trabalho.
Nesse novo e estimulante momento em que o foco está mais na rede, espera-se que o Programa não seja esquecido, nem se perca ou que se extinga, mas que mantenha sua característica de ousadia, de atendimento de qualidade e com uma prática não hegemônica, na saúde pública, de inclusão.