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7. INNOVASJON OG KUNNSKAPSRELASJONER I OPPDRETTSNÆRINGEN

7.4 K UNNSKAPSINFRASTRUKTUREN

5.4.1 Innledning

De acordo com Martinovsky e Mao (2009), a emergência da empatia ou a falta dela representa uma das características de qualquer situação interativa e acrescentam ainda que podemos sentir empatia sem comunicá-la intencionalmente, assim como a não manifestação da empatia não significa a ausência de uma consideração cognitiva, mas, possivelmente, um baixo nível de consideração cognitiva.

De acordo com esses autores, a empatia tem diferentes funções no discurso, podendo ser experienciada, doada, elicitada, aceita, rejeitada ou recusada. Nesse sentido, Martinovsky e Mao (2009) investigam as manifestações da empatia em discursos baseados em dados autênticos na língua inglesa e propõem as seguintes funções da empatia no discurso:

1) elicitação: quando na comunicação um dos participantes avalia e sente a necessidade de elicitar empatia ao outro e se isso não era o objetivo desde o início da interação, significa que houve mudança de objetivos interacionais, estratégias de negociação de modo a receber emapatia de seu interlocutor (A elicita empatia de B se A deseja que B sinta empatia por B);

2) doação: quando na interação há uma reorganização e reavaliação temporária ou permanente dos objetivos interacionais em beneficio do outro (A dá empatia a B se A entende/sente o que B sente):

3) aceitação de empatia: quando na interação um sente e aprecia a empatia recebida (B aceita empatia de A se B acredita que A sente empatia por B);

4) demonstração de rejeição à empatia doada: quando durante a comunicação alguém avalia e demonstra empatia pelo outro, o qual pode escolher rejeitá-la, por razões locais ou por não querer que o outro tenha poder sobre ele, ou por não se sentir próximo ao empatizador (B rejeita empatia dada por A se B não deseja que A sinta empatia por B);

5) recusa da doação de empatia: quando durante a interação, alguém rejeita doar empatia ao outro em função de uma reconsideração de objetivos e estratégias de modo que o leve a combater o outro, bloqueando, assim, uma doação empática.

Baseando-nos nas funções empáticas explanadas acima, propostas por Martinovsky e Mao (2009), concebemos que o processo da empatia se constitui de passos e de momentos empáticos e que, por meio de uma observação baseada no discurso e em sua dinâmica, seria possível verificar o uso sistemático mecanismos linguísticos no mesmo tópico discursivo que funcionam como elicitadores empáticos, os quais podem promover movimentos de doação ou rejeição empática.

Tal dinâmica das funções da empatia na interação, proposta por Martinovsky e Mao (2009), pode ser esboçada da seguinte forma, conforme a Figura 2:

Figura 2: Dinâmica das funções da empatia na interação.

Conforme o diagrama acima demonstra, a empatia poderá ser doada mediante elicitação, o que ocasionará uma aceitação ou rejeição à doação empática. Salientamos que, em nossas análises, nomeamos “resposta empática positiva” as manifestações de doação empática que ocorrem mediante uma solicitação do interlocutor. Nesse sentido, chamamos de “doação empática” aquelas ações que não estão atreladas a pedidos de empatia aparente.

Ilustramos por meio de linhas pontilhadas as funções com natureza “permeável”, ou seja, aquelas em que ocorrem movimentos de “dentro para fora”, como nas funções de elicitação, doação e aceitação empática. Já as funções de rejeição à empatia doada e de recusa à doação empática foram demonstradas por meio de uma linha contínua mais espessa, a fim de caracterizar esse impedimento.

Assim, ressaltamos que, em nosso estudo, utilizamos os recursos da linguagem como ferramenta para identificarmos movimentos na interação que caracterizem:

a) elicitação empática direcionados às escrivãs; b) doação empática das escrivãs para a vítimas;

Fonte: Elaborado pela autora, adaptado de Martinovsky e Mao (2009) Elicitação empática Doação de empatia Aceitação Recusa da doação empática Rejeição

c) doação empática das vítimas para seus agressores; d) aceitação da empatia doada pelas escrivãs;

e) rejeição empática das escrivãs;

f) ou recusa de doação empática das escrivãs às vítimas;

Logo, consideramos que o momento de confecção de BO representa um momento oportuno para investigarmos como esses movimentos empáticos, representados pelas funções da empatia na interação (MARTINOVSKY; MAO, 2009) se comportam e o que os fazem emergir.

De acordo com Damásio (1999, p. 2432), “sem exceção, homens e mulheres de todas as idades, de todas as culturas, em todos os níveis de educação e em todos os tipos de vida econômica, sentem emoções e têm consciência das emoções dos outros (...)”. Damásio declara que a emoção humana está conectada a ideias complexas, princípios, valores e julgamentos (1999) e que pode ser desencadeada pelo contato com músicas, pensamentos, conversas, leituras etc. Contudo, os tipos de emoções a serem induzidos pelos estímulos dependem

dos sentimentos, que estão engendrados nessas emoções. É por meio dos sentimentos, os quais são direcionados para dentro e de caráter privado, que as emoções, que são direcionadas para fora e públicas, começam a causar impacto na mente; porém, o impacto completo e duradouro dos sentimentos requer a consciência (..) (DAMASIO, 1999, p. 25)33.

Damásio (1999, p. 29) explica ainda que os mecanismos que subjazem à emergência da emoção não requerem que estejamos cientes deles, embora possamos, eventualmente, iniciar uma cascata de processos que conduzem à revelação emocional, sem que estejamos conscientes do que induziu a tal emoção e nem dos processos que a antecederam. Podemos, por exemplo, sentir uma angústia ocasionada após vermos alguém em sofrimento, sem que façamos uma correlação direta e imediata ao que fez com que nos sentíssemos angustiados.

Segundo Damásio (1999), sentimento e emoção fazem parte de um continuum funcional, no qual, sentimentos podem gerar emoções, as quais podem ser “levadas à consciência” e gerar novos sentimentos. Nesse sentido, no que concerne à empatia, podemos relacionar o aspecto processual sentimento - emoção, portanto, ao modelo de processo empático, apresentado na Figura 1.

32 without exception, men and women of all ages, of all cultures, of all levels of education, and of all walks of

economic life have emotions, are mindful of the emotions of others (…)” (DAMASIO, 1999, p. 24).

33 it is through feelings, which are inwardly directed and private, that emotions, which are outwardly directed

and public, begin their impact on the mind; but the full and lasting impact of feelings requires consciousness(…)”(DAMASIO, 1999, p. 25).

Do mesmo modo, esse aspecto da empatia é observado por Kohut (1988), citado por Bolognini (2008), o qual a define como uma “modalidade cognitiva adequada à percepção de configurações psicológicas complexas” (p. 66), cujas etapas também são inconscientes e, assim como as emoções, podem ou não ser publicamente observáveis.

Em outros termos, a emoção é de ordem neurofisiológica, uma ação que passa pelos processos neurais e que é levada a uma reação orgânica e, em seguida, interpretada como um tipo de sentimento.

Logo, inferimos que empatia se constitui de um sentimento, que não é automático, mas sim, gerado por emoções de natureza neural. O sentimento da empatia não é automático, mas provocado por mudanças inter-relacionadas e sincronizadas, a partir das reações motoras ou glandulares que se unem às emoções. Por exemplo, o sentimento de empatia pode ser evocado pelo contato com o outro (a partir da representação sensorial inicial). Contudo, a interpretação dessa emoção poderá ser diferente de pessoa para pessoa. Logo, o sentimento de empatia envolve diferentes graus e níveis de percepção. Uma pessoa pode ter a emoção empática ao se deparar com uma situação favorável a esse desencadeamento neurofisiológico, mas desenvolver repercussões e ações afetivas diferenciadas.