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Esta tese procurou evidenciar a existência de contágio financeiro em alguns países da América Latina com o mercado norte-americano, além disso, explorou também a possível interdependência entre os mercados. A análise abrangeu o mercado de ações e de dívida soberana, por meio do CDS. Os resultados podem ser vistos isoladamente para estes segmentos.

Avaliando-se o contágio pela correlação dinâmica, observa-se a sua presença em todos os países da amostra: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. Houve diferenças nos períodos de início e fim do contágio: os primeiros países com indícios foram Colômbia e México e, num segundo momento, todos apresentaram contágio.

O contágio foi mais prolongado na Argentina, uma vez que suas correlações dinâmicas foram mais resistentes ao retorno às médias anteriores à crise. Os demais países apresentaram velocidade de redução de correlações maior. Em relação à intensidade, medida pela diferença entre as correlações dinâmicas, os valores mais acentuados foram para a Colômbia, Argentina e Peru. O país que permaneceu mais inerte foi o Chile.

Avaliando-se o contágio no mercado de ações, por meio da mudança nos coeficientes das variáveis em relação aos fatores globais, a Colômbia, México e Peru foram os países que apresentaram contágio. Para a Argentina e Chile não houve contágio nem aumento de interdependência. No Brasil os resultados indicam que não houve interdependência, porém não se pode afirmar se houve contágio. A Colômbia apresentou a maior intensidade de contágio, sendo que o México apresentou maior coeficiente na crise em relação ao fator mundial.

Por outro lado, foi verificada a interdependência de todos os países no mercado de ações em relação ao mercado norte-americano, ao se verificar a mudança nos coeficientes em relação ao índice norte-americano e à dummy da crise.

Em relação ao mercado de CDS, houve contágio no Brasil, Chile e Peru, que tiveram coeficientes positivos e diferentes fora de crise e durante a crise. Houve aumento de interdependência para Brasil, Chile, Colômbia e México. Tanto a Argentina quanto Venezuela não apresentaram nenhum valor conclusivo.

Os resultados indicam que os mercados de ações dos países latino-americanos precificam seus ativos de acordo com os riscos sistemáticos regionais e/ou globais. No entanto, em algumas datas, notadamente durante a crise, a interdependência entre os fatores regional e global aumenta e indica potenciais de contágio nos países que tiveram mudança, notadamente no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. A distinção de risco pelo mercado ocorre de forma mais pronunciada em momentos de crise, conforme evidenciado no aumento de spreads de CDS soberano após a crise e pelo aumento da volatilidade nos mercados de ações.

Os períodos em que ocorreram o contágio ou redução de correlações para os seis países da América Latina foram especialmente no período da crise, o que se comprova por meio do teste de hipótese de diferença de médias entre as correlações condicionais dinâmicas. Na Argentina, Brasil, Chile e Peru, o contágio foi evidente do período pré-crise para a crise. Já na Colômbia e México, verificou-se contágio do período de normalidade para a pré-crise. Apenas na Argentina não houve redução de correlações do período da crise para o pós-crise, o que acabou ocorrendo no período seguinte.

Na análise de regressão, a inclusão da variável do retorno do índice S&P500 foi mais significativa do que a variação da volatilidade implícita dos contratos futuros do índice S&P500, proporcionando melhor explicação ao retorno do CDS.

A utilização de CDS soberano possibilitou identificar que as mudanças nos mercados ocorreram por conta da mudança do retorno do S&P500, em consonância com a segunda definição de contágio.

Com relação às hipóteses de pesquisa levantadas, é possível inferir que:

 A hipótese H1 pode ser aceita, uma vez que existem diferenças significativas de contágio em períodos de normalidade e de crise, que não são apenas aumentos de interdependências;

 A hipótese H2 pode ser aceita, pois os fatores regionais e globais explicaram o retorno das ações de alguns países. A inclusão de duas variáveis adicionais não aumenta sobremaneira a explicação dos modelos;

 A hipótese H3 de pesquisa pode ser aceita parcialmente, uma vez que há evidências de contágio e interdependência em relação às variáveis estudadas, porém a explicação da variância dos retornos não é elevada em alguns casos.

A inclusão de fatores regionais e de variável do índice do mercado em que se originou a crise (S&P500) permite inferir que os fatores regionais continuam a captar boa parte do retorno dos países. A variável de crise conseguiu capturar, por sua vez, indícios de contágio na Colômbia, no México e no Peru. O retorno global não foi significativo para nenhum índice.

Da análise de regressão robusta e não paramétrica, verifica-se um padrão similar entre países, destacando três grupos distintos, formados por: (i) Argentina e Venezuela; (ii) Brasil e Chile e (iii) Colômbia, México e Peru. No Brasil e no Chile, não houve mudança nos fatores globais e regionais na Bolsa e no Crédito. No Chile, não houve significância nos coeficientes globais, denotando uma menor influência do retorno mundial em seu índice.

A Argentina e Venezuela apresentam comportamento semelhante para o mercado de CDS. São países com baixo grau de internacionalização e pouco integrados ao mercado de capitais internacional e elevada aversão de investidores.

Colômbia, México e Peru são países com relações intensas com mercado norte-americano no fluxo de negócios. Além disso, tiveram mudanças em seus coeficientes regionais e globais, com a explicação de seus retornos migrando dos fatores regionais para os fatores globais. Dos países latino-americanos, o Chile apresenta os melhores ratings de crédito e a Argentina e Venezuela possuem os piores.

Como sugestão para futuros trabalhos, recomenda-se a inclusão de outras variáveis que podem impactar os índices locais e seus spreads de CDS, utilizando-se de regressões para a descoberta de relações entre determinados comportamentos de mercado, além da possibilidade de uso de dados em painel. Além disso, a explicação de contágio por meio de outros modelos estatísticos, como a regressão multinomial aplicada à Teoria de Valores Extremos pode auxiliar a identificar os determinantes dos comportamentos extremos em períodos de crise. O crescimento das séries de CDS em mercados emergentes deve suscitar a exploração de mais variáveis explicativas, e englobando abordagens multivariadas de dados, como regressão logística e análise de conglomerados para permitir o entendimento das relações entre os mercados.