Nesse contexto, vale destacar a importância da inserção dos jovens no mercado de trabalho para as suas famílias. Frigotto (1996) nos alerta que os jovens das camadas populares tendem a experimentar um processo de adultização precoce. Notei, por exemplo, que a metade dos alunos (50% no LCC e 54% no LM) considerava que seus pais preferiam que eles trabalhassem e estudassem ao mesmo tempo. Sobre isso, vale a pena trazer à baila o posicionamento da pesquisadora Ana Paula Corti:
Sabemos bem da centralidade que o trabalho ocupa na vida dos jovens que estão no Ensino Médio e, sem confundir isso unicamente com a defesa da educação profissional (as coisas não são sinônimas), parece ser necessário aprofundar as conexões entre a escola e o mundo do trabalho, como um direito essencial para a cidadania juvenil (2009, p. 15).
O processo denominado como adultização precoce deve ser relativizado no sentido de não atribuir a supressão da fase de vida denominada juventude à entrada do jovem no mundo do trabalho. Na atualidade, sabemos que a relação entre juventude e trabalho está no cerne das discussões políticas, econômicas e culturais.
A condição de ser jovem trabalhador no contexto escolar remonta a algumas peculiaridades que serão analisadas a seguir. Essa temática está atrelada correntemente às condições de vida dos estudantes. Nas entrevistas, busquei investigar a relação dos jovens trabalhadores com a escola, analisando os possíveis limites e possibilidades.
Através das entrevistas, pude perceber a complexidade da vida dos educandos que conciliam trabalho e escola. A relação dos discentes com o tempo e, consequentemente, com a formação escolar tende a ser mais conflituosa, conforme a fala de Pedro sobre o hábito de estudar em casa:
Isso é o que pega mais na gente. Porque, como nós acordamos cedo, nós vamos direto para o colégio, então ficou muito difícil a gente estudar à noite, mas, se a gente não estudar à noite, fica mais difícil ainda a gente passar. Eu estudo à noite [Ana interrompe, dizendo: ‘é bem cansativo, eu estudo mais no colégio mesmo’], agora, tem dias que é só chegar em casa, como alguma coisa e ‘papoco’ [durmo] (Pedro, 3ª série, 17 anos).
Nas entrevistas realizadas, identifiquei jovens que trabalham com carteira de trabalho assinada e outros que trabalham sem vínculo empregatício formal. Dentre os estabelecimentos de trabalho citados pelos entrevistados, aparecem empresas privadas e órgãos públicos.
Nos questionários, busquei apreender quais são as percepções dos jovens sobre o trabalho. O primeiro item dessa seção do questionário era para que os alunos completassem a seguinte frase: “Para você, trabalho é:”. Os estudantes podiam atribuir mais de um significado à frase a partir das seguintes sugestões: “Necessidade”, “Autorrealização”, “Independência”, “Crescimento” e “Exploração”. Como resultado, constatei que 70% dos estudantes do Liceu do Conjunto Ceará consideraram que trabalho é “independência”, 60% disseram que trabalho é “crescimento”, 50% deles julgaram que trabalho é “necessidade”, 26% opinaram que trabalho é “autorrealização” e apenas 6% dos jovens declararam que trabalho é “exploração”.
No Liceu de Messejana, notei que 68% dos alunos disseram que trabalho é “crescimento”, 65% deles consideraram que trabalho é “independência”, 41% julgaram que trabalho é “necessidade”, 36% opinaram que trabalho é autorrealização e apenas 6% dos discentes declararam que trabalho é exploração.
Gráfico 3 – Para você, trabalho é:
Fonte: Elaborado pelo autor (2015).
Portanto, é possível perceber que a maioria dos jovens atribuiu significados positivos em relação ao trabalho, que a aquisição de um emprego parece mediar o processo de melhoria das condições de vida dos entrevistados e de suas famílias. O cientista social Juarez Dayrell (2009, p. 19) afirma que:
Nesse sentido, o mundo do trabalho aparece como uma mediação efetiva e simbólica na experimentação da condição juvenil, podendo-se afirmar que ‘o trabalho também faz a juventude’, mesmo considerando a diversidade de situações e posturas por parte dos jovens em relação ao trabalho.
É importante relacionar as condições familiares dos estudantes com as suas percepções sobre o trabalho. Busquei saber se eles trabalhavam para custear as necessidades de suas famílias ou se para sanar suas próprias necessidades. A estudante Ana, do Liceu de Messejana, relatou o seguinte: “Lá em casa, nós quatro trabalhamos, então a contribuição é dos quatro. Acho que a faixa salarial é mais de cinco salários mínimos, porque minha mãe ganha relativamente bem”. A aluna disse que não recebia nenhum auxílio do governo, haja vista que a sua renda familiar é bem maior do que aquela estabelecida pelo Programa Bolsa Família. Portanto, a iniciativa de entrar na população economicamente ativa se deu pela própria discente, na expectativa de sanar suas necessidades pessoais.
Pedro, em contrapartida, revelou ter uma realidade diferente da de sua colega, conforme é possível observar no relato a seguir:
Bom, na minha casa a principal pessoa que coloca dinheiro dentro de casa é minha mãe mesmo. Minha mãe não tem trabalho fixo, ela é faxineira... ela é diarista, perdoe. Aí tem dia que ela vai, tem dia que ela não vai. Geralmente todos os dias ela trabalha, de segunda a sábado. Eu vou dizer que comecei a trabalhar não para poder contribuir em casa, mas justamente para reter gastos comigo, para a minha mãe não precisar mais gastar comigo e poder gastar mais com meu irmão ou mesmo dentro de casa (Pedro, 3ª série, 17 anos).
No questionário aplicado, perguntei se eles consideravam que seus pais preferiam que eles só estudassem, que estudassem e trabalhassem ou que apenas trabalhassem. Os resultados desvelam a percepção de que os pais preferem que seus filhos conciliem trabalho e escola. Logo intentei associar a inserção precoce no trabalho ao estímulo dos pais, mas a realidade é bem mais complexa.
Alguns relatos, tais como o de Pedro, sugerem que a busca por trabalho está associada ao comprometimento do jovem com os desafios de suas condições materiais de vida no seio familiar. Entendo que há um processo de adultização precoce no sentido de o estudante se responsabilizar sobre as dificuldades que acometem a sua família, anteriormente responsabilidades exclusivas dos “adultos” da casa. Sendo assim, não podemos atribuir uma função normativa à família na relação do educando com o trabalho.
A diferença entre obrigação e responsabilidade é observada em alguns depoimentos dos discentes. No caso da aluna Letícia, notei que há uma intervenção da sua mãe referente ao destino do seu salário. Vejamos a fala da entrevistada:
Quando eu comecei a trabalhar, a minha mãe, praticamente, controlava um pouco o meu dinheiro, porque ela sabia a quantia, era pouco, meio salário. Aí ela tirava: ‘Esse aqui é para ajudar nas contas da casa, esse aqui é seu’. E o que era meu... eu gastava, assim, brincando, com comida, saía do colégio e comprava besteira, comia em uma pizzaria, ia para o cinema, sei lá, só isso mesmo (Letícia, 3ª série, 20 anos).
A mãe da aluna controlava diretamente os gastos da estudante. Letícia ressaltou, várias vezes durante a entrevista, que isso a incomodava bastante. Nesse caso, percebi uma imposição que parece contrapor-se à ideia da jovem sobre o destino da remuneração de que dispunha. Além do mais, outra situação que observei é aquela em que o educando se responsabiliza por despesas fixas de sua família, como veremos no relato de Rafael:
No meu trabalho, agora, eu ganho, mais ou menos, na faixa de R$ 500,00 e pouco. Eu faço muita pouca coisa, sabe. Eu... ‘racho’ as contas com minha mãe (tevê por assinatura, luz, gás, essas coisas). Eu acho que a única coisa que eu tirei de lazer para mim até agora foi... um celular, uma televisão;
pagando a prestação no cartão de um amigo meu. Basicamente, o que eu invisto do meu dinheiro é isso, para ajudar a pagar as contas (Rafael, 3ª série, 17 anos).
No depoimento de Letícia, acima, a estudante afirmou que sua mãe prefere que ela trabalhe e estude ao mesmo tempo. De outro modo, Rafael informou que sua mãe prefere que ele só estude, mas o discente considerava as condições de vida familiar na tomada de decisão sobre entrar no mundo do trabalho, conforme relato a seguir:
A minha [mãe] queria só que eu estudasse, sabe. Só que... eu acho que a renda que tem lá em casa não dá para ela sozinha. Aí, desde pequeno, eu queria, sabe, dar uma força. Mas ela nunca falou nada de eu trabalhar e estudar ao mesmo tempo, ela só não quer que eu deixe de estudar (Rafael, 3ª série, 17 anos).
Além do mais, Letícia afirmou que o trabalho ajudava na sua vivência da condição juvenil, na qual a remuneração serve como uma “mediação efetiva” dessa fase da vida. Vale destacar que os agrupamentos sociais se distinguem em oposição a outros e sob um determinado estilo de vida. O consumo é um dos fatores que definem identidades e reforçam o estabelecimento de um padrão para um grupo social. Letícia destacou que frequentava alguns lugares sociais com o dinheiro que recebia de seu trabalho, tais como a pizzaria e o cinema. Ela afirmou, ainda, que sua mãe não poderia custear tais eventos, como podemos observar na fala da entrevistada: “Até porque eu gosto muito de gastar, aí ela não tem condições de ficar dando dinheiro o tempo todo, não”.
No depoimento de Lucas, a seguir, é possível constatar que o aluno confere à sua mãe a administração de seus ganhos com o trabalho. Nesse sentido, o jovem renunciava à maior parte de sua remuneração em favor das despesas da casa.
Cara, eu dou o dinheiro todinho para minha mãe, só fico com R$ 40,00. É porque tem filho miserável com os pais, aí eu não sou assim. Eu dou dinheiro para o meu pai, mas dou mais para minha mãe, que é confiável. Meu pai, quando recebe dinheiro, não dá dinheiro para mim, não, ele bota o dinheiro todinho na cachaça (Lucas, 1ª série, 19 anos).
De acordo com as percepções dos entrevistados, o ingresso no mundo laboral significa o desejo de independência financeira e a necessidade de contribuir com as despesas familiares. Sobre as condições de trabalho dos jovens, o estudante Luís revelou-me o caráter transitório de sua experiência trabalhista. Por conta da precariedade que lhe acomete, o estudante vislumbrava novas possibilidades de se manter economicamente ativo, consoante relato a seguir:
Eu ajudo em casa e, quando não tem nada para fazer, eu saio. Às vezes, eu compro blusa, short, calça. Não estou muito satisfeito com meu trabalho, porque tem vez que eu preciso de mais dinheiro e não está dando para as despesas. Aí eu arrumei outro emprego, que até eu me inscrevi e aí ficaram de me chamar agora, no dia 10, e não me chamaram. Aí eu começo a trabalhar, só que até agora não me chamaram (Luís, 1ª série, 17 anos).
O estudante Felipe, que trabalhava numa confecção e ganhava a metade de um salário mínimo, disse que recebia tão pouco que “não valia a pena trabalhar” e perder esse tempo no qual poderia estar estudando. No entanto, ele disse que queria encontrar outro trabalho para ajudar nas despesas da casa e garantir seus custos pessoais, mesmo considerando que sua família preferia que ele só estudasse.
A entrada precoce no mercado de trabalho é motivada, sobretudo, pela realização de necessidades imediatas dos estudantes. Júlia afirmou que sua família preferia que ela só estudasse; ela, porém, gostaria de trabalhar assim que terminasse seu curso de informática, para manter suas despesas e não depender de seus pais. De acordo com a entrevistada, a sua formação complementar melhoraria sua condição laboral.
Do mesmo modo, o significado de trabalho para Pedro se refere à possibilidade de qualificação profissional. O estudante revelou que investia “quase a metade” do seu salário em melhoria profissional, conforme o relato a seguir: “Bom, o meu dinheiro, quase todo, R$ 200, quase a metade, é só para investir no meu curso de informática, que é profissionalizante, é 1 ano e 8 meses e eu já estou perto de acabar, em janeiro agora acaba” (Pedro, 3ª série, 17 anos).
O estudante revelou a dificuldade de conciliar o trabalho, a escola e a formação complementar. Todos os estudantes-trabalhadores destacaram que a inserção no trabalho exige mais do aluno, gerando problemas quanto ao rendimento escolar e no que se refere ao ajustamento de sua relação com o tempo. Essa é uma preocupação dos discentes e de seus pais. Vejamos o relato de Ana:
No começo, acho que eles [os pais] ficaram meio receosos... de não estudar, por causa do tempo, mas agora eles já se acostumaram e eles gostam que eu trabalhe porque a gente começa a saber a administrar bem o nosso dinheiro. Eu já queria trabalhar, aí minha tia trabalha lá também, mas é em outro setor, e ela me indicou, mas eu já queria (Ana, 3ª série, 17 anos).
O estudante Carlos relatou sua percepção sobre a entrada no mercado de trabalho:
[Minha mãe prefere] Que eu possa fazer as duas coisas ao mesmo tempo para poder ter minha experiência e a minha independência financeira, para mim não ficar só dependendo deles, conseguir meu trabalho, meu dinheiro, tanto
para comprar alguma coisa para mim como para ajudar em casa. [Perguntei se ele considerava que a sua família precisa financeiramente dele, ele respondeu o seguinte]: Eu acho que não (Carlos, 3ª série, 18 anos).
A maioria dos estudantes atribuiu elementos positivos à sua condição de trabalho, seja reforçando a necessidade dos ganhos com a atividade laboral, seja demonstrando uma realização profissional. Maria afirmou:
Eu trabalho de carteira assinada, eu sou auxiliar administrativa, trabalho em torno de 8 horas. Eu recebo em torno de R$ 850 e eu dou uma parte lá para casa, ajudo em casa, e o resto é com coisas minhas. Eu me considero muito satisfeita, adoro o que eu faço e o que eu faço não é muito rígido, não tem muita pressão. Eu tenho tempo de estudar, eu tenho tempo para fazer tudo. Não é uma coisa que tem muita pressão, é responsabilidade, mas não é aquela pressão toda. Que eu possa conciliar trabalho e estudo, eu sou muito independente, eu prefiro assim. Não, não depende (Maria, 3ª série, 18 anos).
No geral, os estudantes se consideram satisfeitos com os seus trabalhos, levando-se em conta a remuneração e a função que desempenham. Contudo, eles destacaram alguns fatores negativos que incidem sobre os discentes que conciliam trabalho e escola, como veremos a seguir:
É um pouco puxado, porque eu também faço um curso à tarde, aí fica um pouco apertado só em relação ao horário, mas, tirando isso, está tudo normal. Exerço as minhas atividades tranquilo (Carlos, 3ª série, 18 anos).
O ruim é que eu trabalho muito contramão, trabalho na Bezerra de Menezes, aí venho para cá e é muito contramão. É muito puxado, mas, afora isso, é tranquilo (Maria, 3ª série, 18 anos).
Eu acho que, quando eu comecei, caiu um pouco o rendimento, mas eu estou me acostumando e já está melhorando de volta (Carlos, 3ª série, 18 anos).
Também acho que caiu muito, porque antigamente eu tinha mais tempo livre, agora não mais, mas é só o tempo de se acostumar (Maria, 3ª série, 18 anos).
Apesar das dificuldades em conciliar trabalho e escola, os alunos não tiveram conflitos com a instituição escolar. Os estudantes destacaram que existe uma compreensão das autoridades pedagógicas no sentido de dialogar com a dinâmica de vida desses jovens. O atraso é muito comum nos três turnos, especialmente no turno da noite. Em função disso, os gestores concediam privilégios aos estudantes-trabalhadores, os quais tinham a possibilidade de comunicar à coordenação da escola sobre sua condição de trabalho e conseguir uma “carteirinha” que autorizasse sua entrada após o horário estabelecido para o início das aulas.
No entanto, do ponto de vista do rendimento dos estudantes, as dificuldades são maiores, sobretudo para aqueles alunos do turno da noite que têm uma jornada de
trabalho de 8 horas diárias, os quais, após o expediente, precisam assistir a quatro aulas por dia. Alguns relatos ajudam a entender os desafios dos jovens trabalhadores:
Porque, basicamente, o horário que a gente tem para estudar é esse. Eu, particularmente, trabalho de segunda a domingo. Eu trabalho meio avulso e são só 4 horas... Ele pede que eu vá... aí, quando eu peço folga, aqui, acolá, no domingo ou no sábado, aí dá (para estudar). Mas o horário que eu tenho para estudar é, basicamente, esse, da noite. Tem vezes, quando eu chego mais cedo, que eu estudo o que está atrasado (Rafael, 3ª série, 17 anos).
No simulado que foi passado para a gente, a gente ficou perdido. No turno da noite, a gente estuda mais o que estão te passando ali [na sala de aula], porque o pessoal trabalha, e, como ele disse, o tempo que a gente tem para estudar é mais à noite. Eu, ultimamente, estava estudando bastante porque estava com tempo. Mas, para quem trabalha , é muito pouco tempo para você se preparar. Mas vai dar certo, aqui a gente é bem preparado. Eles trabalham com a gente da mesma forma [que com os demais turnos] (Letícia, 3ª série, 20 anos).
Portanto, podemos observar que a relação dos estudantes com o trabalho é bem complexa, carregando uma série de significados e expectativas dos discentes e das famílias. Apesar dos desafios pertinentes ao rendimento e à permanência dos alunos, pude constatar que os discentes aprovam a sua relação com os profissionais das escolas.
No questionário, perguntei em que situação em relação ao trabalho os educandos se encontravam. Nessa questão, os jovens do Liceu do Conjunto Ceará revelaram que 23% deles estavam trabalhando; 20% deles já haviam trabalhado e estavam procurando trabalho; 32% deles nunca tinham trabalhado, mas estavam procurando trabalho. Ou seja, a maioria dos estudantes (75%) estava trabalhando ou estava procurando trabalho. De outro modo, 22% deles disseram que nunca trabalharam nem procuraram trabalho; 4% disseram que já haviam trabalhado e não estavam procurando trabalho.
Nessa questão, os estudantes do Liceu de Messejana revelaram que 31% estavam trabalhando; 16% disseram que nunca trabalharam nem procuraram trabalho; 32% disseram que nunca trabalharam, mas que estavam procurando trabalho; 16% disseram que já trabalharam e que estavam procurando trabalho; 3% disseram que já trabalharam e que não estavam procurando trabalho. Desse modo, 79% deles trabalhavam ou estavam procurando trabalho.
Gráfico 4 – Inserção no mercado de trabalho
Fonte: Elaborado pelo autor (2015).
Dos estudantes do Liceu do Conjunto Ceará que já tiveram experiências como trabalhadores, 65% deles trabalharam em empregos informais e os demais (35%) em empregos formais. Do total de alunos, 47% deles trabalhavam ou trabalharam até “4 horas” por dia, 38% disseram trabalhar “de 5 a 8 horas” por jornada e 15% deles disseram trabalhar “acima de 8 horas” diárias.
Sobre os estudantes do Liceu de Messejana que já trabalharam ou que estavam trabalhando, 59% deles disseram que trabalhavam ou trabalharam em empregos formais e 33% deles trabalhavam ou trabalharam em empregos informais. Destes, 44% trabalhavam “até 4 horas” por dia, 34% disseram trabalhar “de 5 a 8 horas” por jornada e 19% deles trabalhavam “acima de 8 horas” diárias.
Gráfico 5 – Jornada de trabalho
Fonte: Elaborado pelo autor (2015).
Em função das respostas dos participantes, pude observar também que há uma diferença em relação à situação de trabalho em que os jovens estavam inseridos. No Liceu do Conjunto Ceará, a maioria dos jovens trabalhava ou trabalhou em empregos informais, enquanto a maior parte dos estudantes da outra escola relatou experiências de trabalho em empregos formais.
Gráfico 6 – Situação de trabalho
Numa experiência em sala de aula no Liceu de Messejana, pude perceber um grande número de alunos faltosos no turno da noite e que alguns estudantes daquela turma vinham dos outros turnos para poder conciliar a escola ao trabalho. O professor afirmou que isso acontecia muito, principalmente no mês de dezembro , quando surgiam muitos empregos temporários.
Em relação à remuneração dos estudantes-trabalhadores do Liceu do Conjunto Ceará, constatei que 82% deles ganhavam ou ganharam até um salário mínimo, 7% deles ganhavam ou ganharam entre mais de 1 salário mínimo até 2 salários mínimos e 1% deles ganhava ou ganhou entre mais de 2 salários mínimos até 3 salários mínimos quando trabalhava. Por fim, sobre o trabalho, constatei que 49% deles se sentiam satisfeitos e que 41% não estavam satisfeitos com seus trabalhos.
Analisando as mesmas questões em relação aos educandos do Liceu de Messejana, verifiquei que 71% dos estudantes ganhavam até um salário mínimo, 6% deles ganhavam entre mais de 1 salário mínimo até 2 salários mínimos, 1% ganhava entre mais de 2 salários mínimos até 3 salários mínimos e 1% ganhava entre mais de 3 salários mínimos até 4 salários mínimos. Nessa escola, 46% dos estudantes que trabalharam ou que estavam trabalhando disseram estar satisfeitos com seu trabalho e 43% disseram não estar satisfeitos.
Tabela 1 – Renda mensal dos alunos
Renda Mensal dos Alunos Liceu do Conjunto Ceará Liceu de Messejana
Até 1 salário mínimo (até R$ 678,00) 82% 71% Mais de 1 salário mínimo a 2 salários mínimos
(mais de R$ 678,00 a R$ 1.356,00) 7% 6%
Mais de 2 salários mínimos a 3 salários mínimos
(mais de R$ 1.356,00 a R$ 2.034,00) 1% 1%
Mais de 3 salários mínimos a 4 salários mínimos
(mais de R$ 2.034,00 a R$ 3.390,00) 0% 1%
Mais de 4 salários mínimos
(mais de R$ 3.390,00) 0% 0%
Não respondeu 10% 21%
Fonte: Elaborada pelo autor (2015).
Constatei também que 67% dos estudantes do Liceu do Conjunto Ceará e 62% dos alunos do Liceu de Messejana contribuíam com parte ou com tudo o que