• No results found

Hovedutfordringer:

3 Tjenesteyting

3.1 Barnehage og grunnskole

3.1.1 Innledning

3.1 – Introdução

Qualquer estudo é um todo organizado e coerente em torno da sua temática principal e no presente caso trata-se da valoração de dois bens culturais: a Citânia de Briteiros (CB) e o Museu da Cultura Castreja (MCC).

Estes dois bens localizam-se numa região do país, com atributos socioeconómicos que lhe são específicos, o que remete para uma abordagem complementar à efectuada no capítulo anterior, nos termos do que de seguida se descreve.

Coube ao capítulo anterior uma descrição dos dois bens culturais na perspectiva da sua história e daquilo que são, cumprindo-se neste capítulo o prosseguimento dessa história, ao abordar-se aquilo que estes bens poderiam representar. Dito de outro modo, efectua- se aqui uma ligação entre o que os bens são intrinsecamente com os espaços estruturais onde se desenrola a vida das pessoas, focalizando-se nos seus potenciais efeitos para a economia e para as condições de vida da região.

Antes de prosseguir, assinale-se que não se pretende comparar a realidade socioeconómica da região com outros cenários, pois esse seria um outro estudo autónomo. Aqui faz-se tão-somente o encadeamento de considerações oportunas relacionadas com a utilização económica dos bens culturais, focalizando o caso específico do turismo, por se tratar de uma das formas mais directas de rentabilização em grande escala deste tipo de bens.

Qualquer que seja a linha de pensamento que se siga, vai-se tornando cada vez mais difícil defender uma cultura essencialmente baseada nos dinheiros públicos, pois na estrutura das despesas públicas dos países, estes bens concorrem com bens e serviços tão essenciais como a protecção social, a saúde, a educação, a justiça, entre outros. Por existir um custo de oportunidade nos gastos públicos com a cultura, quanto maior for a contribuição dos bens culturais para o crescimento económico e para a coesão social das regiões, maior será a necessidade destes serem preservados, beneficiados e dinamizados. Neste sentido, cabe à organização institucional encontrar o ponto de

22

mutação entre os bens culturais onde se aplicam recursos para os bens culturais que ajudam a gerá-los.

Convém sublinhar que se incluem no grupo dos, assim denominados, bens culturais, um vasto e heterogéneo conjunto de bens e serviços que abarcam as artes maiores, as artes populares, a indústria do cinema, a televisão, etc., o que implica que a defesa de um maior apoio do Estado ou de uma gestão privada destes bens dependa do facto destes se tratarem de bens mais próximos de bens públicos ou de bens privados e dos efeitos externos que deles resultam. Apesar destas questões serem pertinentes no contexto do actual estudo, o encadeamento planeado para a exposição textual remete o seu desenvolvimento com maior detalhe e profundidade no próximo capítulo, não deixando de se salientar que para o caso dos bens do património construído, o pensamento de inspiração keynesiana e o de inspiração liberal concordam no que respeita à sua subsidiação. No caso específico da CB e do MCC, dadas as características dos bens e as relações que se estabelecem entre eles, torna-se plenamente defensável que o Estado subsidie a sua preservação, o que efectivamente acontece no contexto do protocolo estatutário da Fundação Martins Sarmento.

De um modo geral, os recursos financeiros afectos à gestão dos bens de património (património construído e museus) provêm de subsídios, donativos e da venda de bilhetes. Tendo por assente que pelas suas características particulares e pelas componentes de valor que integram, os bens de património construído não devem ser abandonados à mercê do mercado, também é verdade que, quando ancorados no mercado, o risco de se ter de abdicar da sua preservação diminui substancialmente, pois a sua dependência face a opções de política económica (na forma de uma redução ou extinção de subsídios) ou a alterações do comportamento filantrópico da sociedade civil (na forma de uma diminuição de donativos) passa a ser menor. Dito de outra forma, quanto maior for a proporção das receitas próprias no total das receitas, maior é a certeza de que os bens serão preservados.

Acrescente-se que a rentabilização económica destes bens, para além de representar uma maior segurança para a sua preservação, proporciona uma maior dinâmica na actividade económica das regiões, com funcionalidades que são óbvias para o crescimento económico e para a coesão social.

23 Não negligenciando a responsabilidade que os governos têm na preservação dos bens de património construído, uma das formas de garantir que os seus valores de existência, de opção e de legado são respeitados, consiste em estimular a ampliação do seu valor de transacção, que igualmente traz consigo mais desenvolvimento económico e social, pelo efeito multiplicador que se proporciona.

As receitas próprias associadas à gestão deste tipo de bens resultam, normalmente, da venda de bilhetes de visita, o que implica que se deva recorrer a uma calibragem correcta das variáveis do seu marketing-mix (produto, preço, promoção e distribuição) dirigida a uma população muito mais ampla do que aquela que reside próximo da sua localização, ao mesmo tempo que deveria estimular as repetições das visitas.

Neste contexto, pelas limitações em termos da procura local, os turistas afiguram-se como um público-alvo de importância maior para uma estratégia de rentabilização económica dos bens que garanta a sua preservação ao mesmo tempo que desenvolve económica, social e culturalmente, as regiões, como foi dito atrás. De facto, a expansão das visitas destes bens leva a expansões directas e indirectas na procura de factores de produção, destacando-se o emprego e as suas remunerações, mas também a uma diminuição do seu preço, tornando mais acessível o acesso por parte dos residentes aos bens culturais.

É no quadro destas considerações prévias que se desenvolve este capítulo, iniciando-se com um quadro evolucionário do turismo e dos seus segmentos culturais e criativos (Secção 3.2.1) e prosseguindo-se para alguns dos aspectos conceptuais que, a este nível, importam referir (Secção 3.2.2). Termina-se o capítulo com algumas considerações de natureza empírica relacionadas com turismo, economia e os bens que são objecto de análise neste estudo (Secção 3.3).

24