• No results found

INNFØRING AV KVOTEFLEKSIBILITET MELLOM KVOTEÅR I TORSKEFISKERIENE NORD FOR 62°N

Innføring av kvotefleksibilitet mellom kvoteår i torskefiskeriene nord for 62°N

INNFØRING AV KVOTEFLEKSIBILITET MELLOM KVOTEÅR I TORSKEFISKERIENE NORD FOR 62°N

“Eu não amava que botassem data na minha existência. Nossa data maior era o quando.”

(Manoel de Barros)

Para a discussão dos dados deste trabalho, vale ressaltar, primeiramente, que outros temas foram deixados para um posterior estudo; provavelmente em um próximo passo que seria o doutorado. Cabe destacar, também, que, mesmo com as categorizações dos dados colhidos em campo, os temas se atravessarão no decorrer da leitura, pois, se aproximam em alguns aspectos e, mesmo conversando sobre outros temas, eles se faziam presente.

Em primeiro momento, tornou-se necessário discutir as relações que se estabeleciam entre os sujeitos da pesquisa e suas famílias. Alguns pontos relevantes serão destacados, dando maior sentido ao tema no decorrer dessa discussão.

5.1 “...Saudade da noite amiga. E nas ruas da cidade...”: Relações familiares e Memórias. Talvez um tema decorrente em quase todas as falas dos sujeitos dos grupos focais, família carrega um “peso” de memórias que se intercalam entre tristezas, alegrias, saudades e saudosismo, mesmo que, dentre todas as categorias levantadas neste trabalho, foi a que menos volume de fala apresentou. Isso, pois nas correlações entre os participantes dos grupos (eixo Araras\SP e São Paulo\SP) pode-se perceber que, entre as mulheres – decorrente dos processos de gênero – os assuntos sobre família se fizeram mais presentes. Claro, os homens também discutiram sobre família e suas relações, mas, pelas divisões de categorias, essas falas se encaixaram melhores em outros temas.

Como já apresentado no parágrafo anterior, uma questão que se estabelece nesse tema é a fala quase que instituída entre mulheres e relações familiares. Claro, como já colocado acima – esse tema será discutido mais profundamente em outro momento – esse tema se debruça em uma cultura de gênero (relações entre Homens x Mulheres). Dessa forma, serão levantados alguns discursos para que se discutam as relações familiares, coadunando, posteriormente, as questões de gênero.

Entre os discursos, falas do tipo: “MC21 - Meu marido, se fizesse o frango ou a galinha e não deixasse o coraçãozinho pra ele não, ele virava um bicho...” (Sic) (grupo de Mulheres Araras\SP), a obrigação do cuidado: “R - Oh...Eu levava ela no braço, não tinha cadeira de rodinha... punha ela sentada numa cadeirinha velha... dava banho nela... foi até o fim... sempre nós moramos juntas, nunca brigamos... a minha sogra era que nem uma mãe pra mim...” (Sic) (grupo de Mulheres Araras\SP) - eram decorrentes e muito presentes em um processo dicotômico em ver o que se entendia e vivia enquanto família no passado e o que se entende e vive família nos tempos de hoje. Cabe ressaltar isso, pois, alguns discursos se repetiram, mesmo sendo em cidades diferentes:

“- Muito mais! Bem mais unida! (várias falam ao mesmo tempo essa frase)

Le – Bem mais unida. Mesmo entre os irmãos, nossa senhora! Doía em um, doía em todos!

In – Mais respeito! É!

Le- Doía em todos. Agora não; cada um que se dane, que se vire!

In - Você não tinha coragem de fazer um mal para um irmão. Nem falar uma palavra feia, nada.

Le- Uma ajudava o outro.

In – Era uma união... a educação dos pais também era, né! Porque, se os pais largam, não podem. Tudo é a educação na casa.

Le – Também!

Isa – Eram outros valores. Totalmente diferentes de agora.

Ma – Porque olha, eu nunca me bati com as minhas irmãs. Nunca, nós nos demos um tapa nem uma na outra..

In – Nem xingar de boba!

Ma - Nem com as outras que são mais velhas. Nunca demos. Os meus filhos já se pegaram, de tapa! E não é questão de educação! A gente fica em cima! Mas é outra cabeça.

- Outra geração!

Sol – Mas eu com meus irmãos, também nunca. Mas acontece que, na época, é o seguinte. Aquela época era diferente. Mas também dependia muito da família, porque se não tem estrutura com os pais, a família se largava também, se dispersava. Era menos quantidade, lógico! Agora, os irmãos quase às vezes nem sabem dos irmãos onde estão, não se sabe onde mora, ficam um tempão sem se ver. Mas não são todos, porque na minha casa, nós continuamos assim... (Sic) (Grupo Mulheres de São Paulo)

Discursos relevantes que se defrontam entre o que se viveu, como família no passado e o que se vive das relações familiares nos dias atuais. Pensando o objetivo deste trabalho que é a (re)constituição das trajetórias (passado) pelo discursos das pessoas que as viveram, pensar a velhice dentro dessa instituição que chamamos de família – com amarrações na cultura de família nuclear – e as memórias, levam a indagar quais os lugares que sobram – nesse discurso de mudanças apresentado pelas mulheres de São Paulo – para as memorações e os diálogos, a tal intergeracionalidade?

É fato que acompanhar as mudanças nos dias atuais é difícil, vide as usuárias da instituição de longa permanência na cidade de Araras\SP, que, pelos discursos, não gozam de um contato mais íntimo e afetivo dos seus familiares. Contam sua vinda para a instituição, em sua maioria, pelo “não dá mais certo!” (Sic) com filhos, noras, netos, genros e quaisquer outras nomenclaturas que envolvem as pessoas dentro das famílias.

Nesse sentido, como já colocado, mesmo com o pouco de discursos que trouxeram sobre as relações familiares – lembrando que os outros temas categorizados também carregam questões sobre família – o trabalho em grupo, com velhos, possibilita contato e troca entre eles, gerando mobilização no ato de memorar coletivamente. Os integrantes de certa forma são convidados a discutir também suas vivências grupais relacionadas à própria maneira de pensar, agir e elaborar significados afetivos. O elemento memorado, presente em diversas falas, aponta que os sujeitos, ainda que de forma diferente, avaliam e tomam partido, hoje, na disputa entre o seu passado, mesmo que duro, e o presente, mesmo que incerto.

Bosi (2003) insiste em nos lembrar que, quando o velho, em sua memória, hesita, faz silêncio, não devemos ter pressa de fazer interpretações ideológicas e positivistas do que escutamos, ou de preencher as pausas; a autora nos lembra que a fala emotiva e fragmentada é portadora de significações que nos aproximam da verdade. Precisamos tatear esses discursos, suas pausas, seus floreios como fios perdidos quase irreparáveis, deixando que sua memória percorra cada ouvinte, despertando a vontade de trocar e tocar suas memórias. Todavia, temos que ponderar que o memorar não é, por princípio, um escape, uma fuga para um passado idealizado; ele permite ao memorando, uma correlação entre o passado e o presente, que, de certo, abre espaços para a elaboração da sua história e sobre o tempo. Assim, pensarmos na memória como um discurso conformista, de submissão àquilo que vivem, é resumirmos a lembrança a futilidade do “lembrar por lembrar”, porém, temos que levar em consideração que o memorar sustenta a possibilidade do sujeito estar inserido em uma história, em um tempo e em uma sociedade da qual faz parte. Nesse sentido, a ideia que dá suporte ao argumento do presente menos feliz, fundamental no sentimento saudoso, também decorre da percepção social da passagem do tempo como “queda”, como perda de ilusões, de sonhos, de alegria e de vitalidade. Assim, saudade não pode ser entendida simplesmente como falta de futuro, mas como uma possibilidade de se afirmar no presente. Como nos lembra Bosi (2003), a narrativa é sempre uma escavação original do indivíduo, em conflito imutável contra o tempo organizado pelo contemporâneo. Desse modo, o tempo interior de cada sujeito que memora é uma das resistências que possibilita espaços para inserção no cotidiano, pois, “o passado reconstruído não é refúgio, mas uma fonte, um manancial de razões para lutar” (p.66).

Enquanto algumas suspiram por um tempo que passou: “R - Fico ouvindo... Sinto saudade! Porque meu marido gostava...” (Sic) (Grupos de Mulheres de Araras\SP), outras, discutem o passado com potência de resistência e, às vezes com certa áscua.

Isa – Acabou a vida em família!

Sil- Se eu casasse com o meu marido hoje, eu não toleraria ele!

Joel- Não?

Sil - Minha cabeça é outra! Eu não tolero que mandem em mim!

Nesse ponto, pode-se, então, discutir – além da pouca fala dos homens frente às relações com a família – algumas questões que têm, como pano de fundo, as ideias do passado e do presente frente às relações de gênero vividas pelos sujeitos que participaram do grupo. Esse tema ganha destaque e as memórias se mostram com intensidades diferentes.

5.2 "...Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!...": Gênero e Memórias.

É importante, em primeiro momento, destacar que as concepções da ideia e discursos sobre gênero foram se modificando no decorrer da história. A mulher tinha sua posição social basicamente voltada para o cuidado e, essencialmente, para a reprodução. O feminino era desvalorizado, inferior ao homem. A imutabilidade e as desigualdades baseadas no sexo são históricas, mas uma aproximação desses termos históricos com a realidade é um absurdo?

De acordo com Nogueira (1997), em seu estudo de doutorado que critica a Psicologia Social na sua legitimação frente aos discursos históricos enviesados e sexistas sobre feminismo e a condição de gênero, historicamente o homem era visto e tido como o criador e organizador da ordem e da lei, enquanto as mulheres detinham a posição de objetos de desejo e da desordem: inferiores. Muito dessas posições, foram sustentadas pelas ideologias de religiões como o Cristianismo e o Judaísmo, legitimando e instituindo o androcentrismo22.

Nos discursos dos participantes de Araras\SP e de São Paulo\SP, homens e mulheres, foi possível perceber as conexões que os sujeitos fazem com a ideia de mulher e homem – modelo muitas vezes seguindo pelo androcentrismo citado acima – tanto no passado como no presente, porém, alguns pormenores foram se desligando dessa ideia. Veremos nos discursos: Joel - Você não ia em baile?

MC - Não...

Joel - Mas seu marido não deixava, como é que era?

MC - Minha mãe não deixava...

22 Androcentrismo tem em sua concepção a ideia de humanidade centrada na figura do homem, do humano macho. Supervalorizar o ponto de vista masculino. HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2001.

Joel - Sua mãe não deixava?

MC - Quando eu casei, meu marido dançava e eu ficava olhando...

MC - É... a gente ia nos bailes, ele dançava com as moças e eu ficava olhando...

MC - No nosso tempo era assim... não tinha esse negócio de namorar um ano, ficar na sala, o pai ia dormir... não... quando o pai ia dormir nós também tinha que cair fora...” (Sic) (Grupo de Mulheres Araras\SP)

Esses discursos não se modificavam entre homens e mulheres do interior e capital, pelo menos nesse primeiro momento de análises:

Homens de Araras\SP

JT – Ah... naquela época as mulher era decente...

Joel – E hoje?

JT – Ah hoje já é mais...

JP – Nem pode dizer mais nada... nem se arrisca pôr a mão no fogo...

Joel – Mas naquela época arriscava?

JP – Arriscava...

JP – Era melhor... a família se reunia e fazia os bailes....

M – (...) De menor não ia não...

(...)

A – Minha mulher trabalhou...

JP – Geralmente ela trabalhava em casa... era o homem que tinha que sustentar...

JP – Minha mulher nunca trabalhou fora...

Joel – Sempre ficou em casa...

JP – Sempre...

M – Tive uma e nunca trabalhou...

Joel – Nunca trabalhou? Vocês tinham que sustentar a casa?

JP – É lógico...

Joel – E mulher.... como que era vista a mulher que trabalhava fora? Pra vocês homens?

JP – Ah... era como uma... porque sempre existiu as pessoas que... as mulheres que exerciam profissões diferentes... isso de enfermeira, as médicas, as advogadas... quer dizer... classificava elas como trabalhadora para sustento de casa...

JP – Mas a mulher comum era difícil ver trabalhar...

Joel – Você deixaria... você deixaria sua mulher trabalhar se ela quisesse?

JP – Não...

M – Não... negativo...

A – Trabalhava junto...

JT – Ah... eu deixaria...

JP – Ah... por isso... tinha as regras pra controlar tudo...

Joel – E as coisas que elas precisavam comprar?

JP – Isso aí eu deixava, liberava... não tinha problema...

Joel – À vontade?

JT – É... tinha que namorar sério, né? Se fosse pra largar tinha que estar sério... aí, se largasse, pelo menos tava sério o negócio, né?

Joel – Nossa... não dá pra largar quando não tava sério...

JP – Ainda tava com o selo... Joel – Hã?

JP – Ainda tava com o selo...

Risos

Joel – Tava com o selo ainda... risos... é, tirou o selo acabou?

JT – Enquanto a mãe sabia que ela tava virgem ainda, mesmo se largasse não tinha problema...

Joel – Ah... mas uma menina que namorasse um por exemplo, mas, ainda fosse virgem...e aí largasse... outro cara ia querer?

JT – Ah... queria... porque sabia que a menina não tinha nada...Não tinha feito nada ainda, então...

Joel – Mas se a menina tinha feito alguma coisa...

JT – Ah... se soubesse a menina já ficava falada né...

Joel – Se a moça não fosse mais virgem você namoraria?

A – Dá pra dar um... passatempo, né?

Risos

JT – Se ela já tá na boca do trombone podia, porque os pais não podiam falar mais nada...

JT – Aquela ali perdeu...

Risos

JP –Passar o tempo e a batata assar...

Risos

Os discursos apresentam teores que mantêm uma ideia cristalizada frente ao que é discutido e rompido sobre gênero. Claro, os próprios sujeitos participantes – do interior – entendem a dinâmica existente no tempo cronológico e subjetivo, ou seja, os avanços das questões voltadas para o gênero avançaram, entretanto, em seus discursos, ainda se agarram em um tempo instituidamente masculino e sexista. As mulheres também carregam esse modelo em seus discursos. Algo para se pensar.

Nogueira (1997) coloca que, mesmo com as mudanças sociais decorrentes das militâncias por igualdade entre homens e mulheres, as mulheres ainda carregam estigmas que as mantêm organizando a vida doméstica, responsáveis pelo cuidado dos filhos e das famílias, objetos de desejos, entre outros, mas, claro, houve avanços como – pelo menos no mundo ocidental – controlar sua fertilidade, receber escolaridade, poder votar, viajar, ter propriedades. Nesse ponto, vimos, nos discursos dos sujeitos do interior, muitas questões enraizadas no modelo que “tínhamos” nas obrigações do homem e da mulher. Entretanto, nos grupos da capital, alguns conceitos foram se modificando e os discursos tomaram outras proporções.

Homens de São Paulo/SP

O- Eu gostaria de abordar um fato que ele acabou de falar, que as crianças não respeitam mais os professores e vice versa... eu acho que isso é devido à necessidade que a mulher teve em abandonar o lar para procurar um trabalho. Então, deixa a criança ali e eles fazem o que bem entendem. E o outro fator que eu acho também é a necessidade de consumo, principalmente de internet, essas coisaradas toda. Toda criança quer ter, ninguém mais quer ficar ao lado. Então, eu acho que, se fosse como antigamente, que as mães ficavam em casa, acompanhavam as crianças, ajudavam...

L- Tem um detalhe... A mulher, nem todas aceitaram essa situação, de trabalhar fora e cuidar de filhos. Há um contraste... a mulher ganhou prestígio muito grande, ganhou... ocupa cargos iguais...

A – Até presidente da república...

L- Mas não quer mais que dois filhos. Um dos problemas tá aí, é justamente os aposentados. Por quê? O cara aposenta e não tem um novo pra colocar no lugar dele. Porque há 30 anos eles têm controle de natalidade. Então são coisas que... hoje as mulheres tão por cima, ganharam muito prestígio, mas falta um pouco de respeito. Agora o que é difícil pra elas... há anos não tem nada. A minha neta, por exemplo, tem uma menina pequena, de menos de 2 anos, e trabalha numa emissora de televisão. Ora deixa com avó, ora deixa com não sei quem. Quer dizer, é difícil a mulher se sentir realizada porque tá trabalhando fora, é o que os pensadores, psicólogos falam.

A - Eu vejo que, da Jovem Guarda pra cá... Nos nossos namoros mesmo. Se ia pedir a moça pra namorar, os pais já queriam logo que a gente casasse. “Quanto tempo você vai namorar pra você casar?” Você já tinha que ir decidido já na hora de pedir pra namorar!...” (Sic)

Mulheres de São Paulo/SP

In – Por que namorava e não podia ficar só namorando...

Le – a mentalidade antigamente era de casar... hoje em dia não! A mulher hoje é mais independente. Antigamente meu, para você dar um beijo no cara era o maior sacrifício, entendeu? Talvez isso faça casar cedo!

- Medo de ficar pra titia...

Le – A mentalidade era de casar cedo! Eu casei com 20 pra 21! Era casar cedo.

Isa – Mas com 25 anos era moça velha! Chamava mesmo! Moça velha.

Si – Parece que a moça que não casava era marcada!

Joel- E como era o namoro? Como que flertava?

- Era singelo...

Le – a gente só se olhava, e ficava um longe do outro, só achando um minutinho pra agarrar assim na mão. Cê tá entendendo? O pai queria que namorasse na sala. Se ele saia ficava a irmãzinha ou irmãozinho, deste tamanhinho te olhando com dois olhos...

Hai – A hora que você ganha o primeiro beijo você fica até tonta. Sonha com isso, nem dorme de noite de sonhar.

- Parece que você cometeu um crime!

Hai – Foi o primeiro beijo e você nem imaginava...

Le- Seu nome?

Joel- Joel

Le – Olha, Joel! Então, veja bem: era todo esse sacrifício. Meu, pra você dar um beijo no cara era o maior sacrifício do mundo! E era rapidinho!

Isa - Roubado e escondido!

Le – E o escondido, superescondido. Você fica assim “sureta”, sabe assim, quando você beijava o cara. Agora é uma avacalhação tão grande que eu acho que aquela dificuldade tinha sabor! A de hoje não tem!

- Agora tá muita avacalhação!23

So – Olha o meu pai não deixava ir no cinema, na matinê. Tinha que levar minha irmãzinha...

Si – É eu também!

So – Quando eu fui experimentar o vestido de noiva, eu fui à tarde na costureira e não pude ir sozinha. Tive que levar minha irmãzinha.

Si – Pra entregar os convites de casamento, eu fui com meu irmão.

Joel- Não podia andar sozinho, então?

Ma – E naquele tempo também, a gente...por exemplo, tinha que sair às cinco horas da tarde, pra estar às dez dentro de casa. Hoje sai às dez, pra chegar as 5 da manhã.

23 As falas que não estão com as iniciais dos nomes denotam que, mesmo com a gravação audiovisual dos grupos focais, não foi possível identificar o/a participante.

Go - Olha, eu tava indo confessar pra poder casar. E minha mãe entrou na cozinha, ele me deu um beijinho assim. Minha mãe me deu um tapa, na frente dele, assim! Mas olha, eu chorei...

Joel- Tapa nele?

- Nela! Ela apanhou...

Joel- Mas estava beijando no rosto?

Go – M e deu um tapa no rosto porque ele me beijou no rosto...

Le- Na véspera do casamento meu!

A – E a Gorete é bem mais nova que nós.

So – Mas a sua mãe era muito rígida, porque a minha mãe era mais safada. Meu pai é que era... meu pai parecia que tinha medo. No fundo, no fundo, eles tinham uma certa razão, porque aquele tempo não era que nem agora. Agora tudo se arranja, tudo se dá jeito... aquele tempo qualquer coisa que acontecia era... desabava tudo! A família toda! - Ficava falada! Ficava falada!

Go – Minha irmã casou no civil e daqui dois meses tinha que casar na igreja. Ela teve que esperar os dois meses em casa e minha mãe não deixava ela sair com ele.

- Não pode nem fazer a lua de mel! - Com o marido!

- Agora faz a lua de mel antes de casar...

Go – Com o marido, cê acredita? Porque não tinha casado na igreja!

Joel- Mas, mesmo com essas dificuldades, vocês acham que o namoro de antigamente é melhor do que hoje?

I– Tinha mais sabor!

Le – Era outra história!

Ha - Era mais romântico. Era mais romântico!

Le- No cinema, meu... quando eu cheguei aqui em São Paulo, que eu comecei a namorar...

Ha – Cinema era bom porque você podia beijar, né?