3 Arbeidsmarkedssituasjonen for høyere grads kandidater igjennom
3.1 Datagrunnlag, begreper og definisjoner
3.1.1 Inndeling i kandidatgrupper
Em virtude de sua “natureὐa” controversa, nosso conhecimento acerca do mundo tanto pode ser regido pela dóxa, que conduziria o indivíduo a pura instabilidade e sofrimento, como pelo logos, que tem a potência de apaziguar as contradições inerentes ao desejo de posse de tal conhecimento; por isso a tarefa do filósofo é, através do discurso, “moldarήforjar a alma”156
tendo como principal mecanismo a persuasão.
Górgias reconhece as limitações de utilizar-se a poesia nas disputas filosóficas, assim caberá ao filósofo aproximar o máximo possível seu discurso desta, de tal modo que o conhecimento mais útil é aquele que melhor iludiu (apátesas) as almas.157
Diante da precariedade e instabilidade da linguagem e da impossibilidade de defender a existência de um mundo regido por um conhecimento eterno, cabe aos filósofos construírem as verdades que serão utiliὐadas neste mundo, nas palavras de ἐárbara ἑassinμ “Em um
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Cf. Ibid., §13. 157
mundo ontologicamente inexistente, no sentido de não pré-existente, é o logos, as demonstraçὴes, como a que ἕórgias acaba de faὐer, e somente elas, que conferem o serέ”158
Não existem balizadores fixos para nada (justiça, conhecimento, beleza, ética), contudo, isto não nega a necessidade de uma finalidade para a existência humana, nega apenas a fixidez e a universalidade dos conceitos que nos apropriamos no mundo através de nossa comunicabilidade.
Para cada ocasião há uma postura certa, não existe, todavia, a ação universalmente certa a ser tomada sempre, ou mesmo um conjunto destas ações. O universo das ações humanas, assim como o próprio tempo, deixa de ser imutável, linear, e passa a ser dinâmico e ativo.
Intimamente relacionada ao dinamismo do universo, está a concepção de tempo gorgiana a qual se diferencia do sentido clássico de tempo, que é definido como cronológico; para Górgias, o tempo não está submisso a uma sequência lógica de acontecimentos que podem ser encadeados e assim esclarecidos.
O tempo para o sofista está ligado ao conceito de kairós, isto é, ao melhor momento possível para o acontecimento de um fato – ou seja, kairós é momento oportuno. Não se pode, a partir desta concepção, comparar, numa linha histórica, fatos, conceitos ou ações, estes devem, ao contrário ser analisados dentro de cada um de seus contextos e avaliados a partir destes.
Em outras palavras: não há critérios fixos para avaliação do mundo, em virtude da contingência existencial deste e de nossa incapacidade de captá-lo enquanto tal, mesmo nos vários contextos de seu aparecimento.
Qual a tarefa do filósofo neste contexto de um universo fluido? Tornar-se um ilusionista da alma, isto é, realizar, através do discurso, o enfeitiçamento da alma dos homens e assim produzir nestes a felicidade suficiente para que estes vivam e superem suas tragédias existenciais cotidianas.
Segundo Górgias, muito antes de Platão no Fedro, o efeito do discurso na alma dos indivíduos é semelhante ao de um remédio (pharmákon) no corpo de um paciente159, contudo o pharmákon pode ser remédio, veneno ou feitiço. Para Górgias, a condição contraditória da vida humana cria:
Uma tal ilusão que, por um lado, o que cria a ilusão é mais justo que aquele que não a cria e, por outro lado, aquele que se deixa encantar é mais sábio que aquele que
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CASSIN, B. Parménide, Sur la nature ou sur l’étant, p.261, n.1 apud MARTINEZ, Josiane Teixeira. A Defesa de Palamedes e sua articulação com o Tratado sobre o não-ser de Górgias – Campinas-SP : [s.n.], 2008.
159Elogio de Helena, §14.
não se deixa levar. De fato, um é mais justo porque aquilo que prometeu fê-lo; o outro, o que cede ao encanto, é mais sábio: com efeito deixa-se levar pelo prazer das palavras, o que não deixa de ter um sentido.160
O homem virtuoso é, neste contexto, o homem feliz que se deixa iludir, não para conhecer o mundo como ele é, mas para “sentir” o mundo, isto é, para emocionar-se com a beleza da existência dos componentes do mundo que lhes são perceptíveis, não em essência por que isto é impossível, mas de fato na experiência. A ilusão (apáte) para Górgias tem um sentido positivo e necessário na constituição do mundo.
A linguagem, sendo vista como instância de efetivação da filosofia, não tem como tarefa desvelar as estruturas fundamentais do mundo, pelo contrário, cabe-lhe tocar os indivíduos através da persuasão, e uma vez iludindo-os, por meio de uma ilusão justificável, pois o retirará da angústia do não-conhecer absoluto, construir discursivamente a melhor realidade possível a estes.
Assim, conduz-se os indivíduos de uma existência angustiante dominada pela opinião (dóxa), repleta de múltiplas contradições indissolúveis, para uma boa vida construída pelo discurso (logos) que se manterá até que um novo e melhor conjunto de ideias-sensações se imponha por meio da persuasão (peithôs) e da ilusão (apáte).
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CONCLUSÃO
O mais importante a ser compreendido após toda esta discussão sobre o logos gorgiano é que não há uma estabilidade ontológica no cosmos. Não há nada para vir-a-ser ou que já seja eternamente, pelo contrário, tudo o que existe nada é.
Não há nada exterior, transcendental, que garanta a estabilidade existencial dos objetos do mundo. O fato é que a atual configuração do mundo tem total relação com as convenções linguisticamente fundamentadas construídas pelos indivíduos.
A maior contribuição gorgiana é a articulação de um conjunto de argumentos capazes de confrontar os princípios parmenídeos e, antecipadamente, as teses assumidas por Platão num período posterior.
Górgias defende a compreensão da realidade a partir de uma perspectiva imanentista, de tal forma que seu legado à história da filosofia é uma reflexão sobre a dinâmica de nomeação e construção conceitual dos objetos perceptíveis por cada indivíduo no mundo.
As críticas de Górgias a Parmênides são os melhores indícios para defender a compreensão do Leontinense como filósofo articulado e com uma forte percepção coerente da realidade. Górgias não apela a sofismas ou respostas ingênuas, sua articulação é eminentemente lógico-filosófica.
Por meio de uma leitura sistemática da obra de Górgias pode-se perceber a correlação e a articulação existentes entre o desenvolvimento do conceito de discursividade proposto no Tratado e no Elogio.
Não há contradição no desenvolvimento interno do conceito nos textos do sofista; há na verdade, um enriquecimento semântico da discursividade que é abordada apenas indiretamente no Tratado e aquela que é desenvolvida e justificada no Elogio.
Permanece como promessa de uma pesquisa futura uma série de estudos sobre a herança gorgiana no pensamento platônico, de tal modo que se possa observar a apropriação positiva, mas não declarada, que Platão faz dos conceitos e teses anteriormente discutidas por Górgias.
Tal aproximação, entre estes pensadores tradicionalmente apresentados como irreconciliáveis, dá-se exatamente por meio de uma melhor compreensão das teses gorgianas; empresa esta aqui iniciada e pretensa de ser continuada posteriormente.