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Kostnadsanalyser/økonomiske evalueringer

Vedlegg 2. Inkluderte studier i alfabetisk rekkefølge

No dia seguinte a veiculação da matéria na TV, um clima pesaroso parecia tomar conta do serviço. Um ar de desconfiança e silêncio pareceu se instalar. Ao estacionar meu carro na frente do serviço, visualizo um usuário sentado do outro lado da rua encostado no muro e num calor forte que já se enunciava às 08h00min da manhã. Em meio a uma preocupação que me assaltou com a cena, questionei: “Cara, o que você está fazendo aí sentado a esta hora? Por que você não entra e fica lá dentro perto da árvore que você gosta de ficar?” Ele tirou do bolso um papel onde havia uma data sinalizada e me explicou: “É que hoje é minha consulta com o psiquiatra. É hoje. Eu sei que aí não está funcionando direito e não querem que eu entre aí. Aí vou ficar aqui fora esperando o doutor chegar.” Tentei argumentar: “Você pode entrar, sim. Só não estão funcionando os grupos e o lanche. Você não tem de ficar aqui fora neste sol. Vamos ali para dentro e você fica esperando lá.” Retrucou: “Não. Não. Eu já sei até que não estão fazendo o almoço, aí eu trouxe o meu frito (espécie de quentinha da culinária piauiense) para eu ficar comendo quando a fome bater.” Insisti com alguns você tem certezas?, mas não quis me atender e continuou naquele calor que só iria aumentar. De fato, as consultas psiquiátricas estavam acontecendo e confirmei com os demais técnicos que o sujeito iria ser atendido; no entanto, apesar de certa insistência de minha parte, não quiseram demover o usuário de seu desejo em ficar do lado de fora.

Algum tempo depois, ouvimos uma correria e alguns gritos advindos da parte externa do CAPS. Estava em uma sala e fui conferir o que estava acontecendo. Deparei-me com um novo usuário em pé no meio do pátio e frente a frente com o porteiro do serviço. Estavam a se encarar e o usuário com uma pedra na mão advinda das tentativas de reforma para o escoamento da água. Um técnico ao me lado se desespera e diz: “nossa, a gente não pode ficar aberto enquanto tem serviço de pedreiro aqui dentro, essas pedras viraram armas para eles”. Fiquei atônito com a situação inesperada e com a gritaria. Tensão instalada e angústia entre todos que estavam presentes no serviço. Um técnico me abordou: “Vai lá, Emanoel! Faz alguma coisa! Ajuda!” Meu corpo mais uma vez ficou inerte e tomado por certo medo afetado pelos demais trabalhadores que ali se encontravam e me vi numa situação difícil e sem saber o

que fazer. Rapidamente, respondi ao técnico quase automaticamente pelo espanto: “Se eu chegar lá agora, ele vai pensar que sou também mais um a querer controla-lo como o porteiro.” Após longos 15 segundos de duelo de olhares, o usuário soltou a pedra e atendeu ao pedido do pai, um idoso que o acompanhava, para que viesse ficar ao seu lado, caminhou vagarosamente em direção ao familiar sem desviar o olhar de quem o encarava e sentou. Nesse momento, apareceu um profissional e nos avisou: “Eu estava ali dentro e fui pegar uns papéis, eu estava fazendo a triagem dele. Estava tudo tranquilo lá, já tinha terminado a triagem e só saí para pegar uma ficha de encaminhamento e eles ficaram esperando ali fora da sala.” Na companhia deste técnico, que imaginei já ter construído um lugar afetivo para o usuário, aproximei-me de pai e filho e vi este em prantos nos braços de seu genitor: “Eu estou com medo de morrer. Eu não quero morrer. Eu te amo, pai”. As frases acompanhadas de beijos afetuosos no rosto do pai que o abraçava com carinho, preocupação e com um semblante de cansaço. A cena, que antes parecia mobilizar medo e angústia, tomou traços de solidariedade e acolhimento. O profissional me trouxe algumas questões que indicavam o momento de crise experenciado pelo sujeito: “Eles saíram de casa muito cedo em busca de alguma assistência. O bairro em que eles moram é muito longe daqui (22 km). Estão rodando desde as 05h00min da manhã. Já foram no Areolino e num ambulatório de saúde mental aqui na região e não conseguiram nada. Os medicamentos que ele usa acabaram e saíram em busca cedinho e estão fora de casa até agora, 11h00min da manhã. Não tem quem aguente, né!? Eles são muito pobres e é difícil para sair de casa assim e ficar na rua este tempo todo. Aí acontece essas coisas assim. O pai já conhece o filho, cuida dele em casa e já viu que o filho não estava bem e saiu com ele procurando ajuda. O primeiro lugar que procurou foi o manicômio e eles encaminharam para cá. Acho que já estão cansados desta jornada. Infelizmente, nós estamos nesta situação de não poder acolher.” Em um tom que misturava tristeza e desespero, o novo visitante sinalizou algo bem básico que interrompeu como um corte o que o técnico me explicitava: “Pai, eu estou com fome.” Ao ouvir o pedido do usuário, o trabalhador me fala com uma voz em comiseração: “Olha, tá vendo, Emanoel!? E a gente sem a cozinha aqui! Fiquem aí com eles que eu vou pegar o lanche que trouxe para mim, um nescau (achocolatado pronto) e uns biscoitos salgados. Vou dar para ele. Ele está com fome demais!” Ao chegar com a alimentação, outro técnico com injeções em punho pediu para o último trabalhador esperar. Foram aplicadas três ampolas, duas de antipsicóticos e uma de antialérgico. Enquanto as recebia, o usuário chorava alto: “Papai, eu só não quero morrer! Estou com medo!”. E gritava a cada vez que a agulha o penetrava. Logo após, achocolatado e biscoitos foram devorados em grande velocidade, já que não comia há 06 horas. Toda a situação se iniciou

quando o usuário demonstrou certa irritabilidade para com seu pai ao sair da sala de triagem; em seguida, o porteiro foi ao seu encontro com o intuito de provocar uma intimidação para que ele ficasse contido. Ao notar a aproximação do porteiro, o usuário, sentindo-se ameaçado, correu em direção à escavação de uma reforma para sanar o problema hidráulico, pegou uma pedra e a lançou na direção do porteiro, que se abaixou e escapou da pedrada. A partir daí, foi o momento no qual a gritaria se iniciou. O usuário já estava com uma segunda pedra na mão na hora em que cheguei.

Todo o processo de crise deste usuário pode ser encarado como algo que se deu também a partir da falta de assistência na RAPS de Teresina. A longa peregrinação em busca de ajuda agravou a situação do usuário, que ainda encontrou o CAPS em condição precária. Outro processo acionado foi a reprodução da medicalização como via preponderante ao atendimento à crise. Procedimento agenciado algumas vezes durante minha estada no serviço. Duas delas me marcaram. Uma usuária, em especial, que participava ativamente das atividades de grupo, principalmente de uma prática de teatro que era materializada no CAPS, chegou ao CAPS com semblante muito abatido e aos prantos; sentada em uma cadeira elas repetia: “Eu não estou bem, não. Eu estou em crise.” O caso me afetou bastante, pois estabelecemos uma relação de amizade e sempre batíamos um papo ao fim do dia, sem falar que ela parecia seguir bem seu processo de cuidado. Sentei ao seu lado e perguntei o que ela estava sentindo ou se havia ocorrido alguma intempérie em sua vida e me respondeu: “Faz pouco tempo que perdi meu tio que me criou e semana passada meu pai morreu. Eu fui para o velório e para o enterro dele. Foi muito triste. Eu não estou bem, não.” Questionei parte da equipe acerca se seria feito algum acolhimento especial à crise que acabara de se insinuar e recebi a seguinte resposta de 03 diferentes técnicos: “Nós vamos ver se a gente marca uma nova consulta com o psiquiatra para ele rever a medicação dela.” Apesar de eu questionar se haveria a possibilidade do agenciamento da escuta mais intensa da usuária ou de articular algum outro dispositivo, tais como, a produção artística, a discussão da temática do luto num grupo ou mesmo uma visita domiciliar para procurar a família, obtive uma resposta de tergiversação de um profissional: “Quando eu a atendia, ela não gostava de falar do passado dela porque, segundo ela, ela ficava triste quando falava do passado.” Insisti: “Ela chegou esta manhã falando que não está bem por iniciativa própria. Será que não tem uma brecha aí para ser acolhida numa escuta?” Como resposta: “Verdade. Vamos ver o que fazer.” No dia seguinte, a usuária não apareceu mais, não havia passado nem pela nova consulta psiquiátrica, só retornando ao CAPS dois meses depois e com uns 10 quilos a menos; sua crise foi agravada também pelo uso de crack. Outro caso foi o de um jovem usuário de 33 anos que

gostava de ler, produzir textos religiosos e escutar música; em um período de feriado prolongado, ele entrou em crise e a solução oferecida também foi uma nova consulta psiquiátrica para “revisão de seu medicamento” e o referenciamento dele para internação de curtíssima duração no CAPS III. Ao encontrá-lo em nosso CAPS, após o momento agudo da crise e do período em que ficou no outro dispositivo, revelou-me: “Aconteceu uma coisa que nunca tinha acontecido comigo. Eu fiquei tão sonolento, tão sonolento, que eu me urinei nas calças lá no CAPS III. Emanoel, eu nunca na minha vida tinha feito xixi nas calças! Não sei o que me deram, mas eu fiquei sem forças e dormi com roupa e tudo, nem tomei banho. Aí, de madrugada, acabei mijando e estraguei o cartão de memória de meu celular que tinha ficado no meu bolso. Tinha mais de 200 músicas no celular. Vim passar o dia aqui com vocês e vou para lá de novo hoje de noite, e passar esse tempo todinho sem música é ruim. É difícil de eu aguentar ficar o dia todo sem música. Estou esperando meu irmão vir aqui no final do dia e vou pedir para ele me trazer um novo celular com um cartão de memória cheio de músicas”.

O usuário que jogou a pedra no porteiro saiu do CAPS na companhia de seu pai e com algumas cartelas de medicamentos, além de também sair carregando em seu corpo um antipsicótico de duração mensal. Fiquei com a esperança de que a duração eficiente em seu organismo fosse mesmo a do achocolatado e a dos biscoitos, pois tinha uma longa viagem de volta à sua casa, 22 quilômetros, e já estávamos perto da hora do almoço. Talvez, eu tivesse que ter uma dose a mais de esperança: que eles não fossem tão desassistidos em casa de alimentação como os foram em relação à rede de saúde mental.

Nesses três casos, o que fica patente é a presença muito forte, mais uma vez, de que a única via de assistência reside na ação médica tendo os psicofármacos como indispensáveis no processo. No entanto, um dos profissionais articulou uma leitura precisa em relação ao usuário que vinha de longe em busca de algum apoio, ao considerar as falhas na implantação e expansão da RAPS e também ao levar em consideração algo básico nas práticas de cuidado, a alimentação; com isso, não se deixou levar pela agitação instalada pelas engrenagens sociais de naturalização das relações entre loucura e periculosidade e teve uma atitude com referência no cuidado em saúde mental na Reforma Psiquiátrica, a solidariedade: seu próprio lanche se tornou mais uma invenção do cuidado. (ALVES; GULJOR, 2006; BARBOSA, 2014).

Ao sair do CAPS na hora do almoço, encontrei-me novamente com o usuário que estava esperando sua consulta psiquiátrica. Ainda no sol, insisti para que ele entrasse e ficasse debaixo da árvore que tanto gostava de ficar dentro do serviço e, mais uma vez, recebi uma negativa: “Não, não, obrigado. Eu sei que eles não estão funcionando direito. Vou ficar aqui mesmo. Está dando para esperar.” Ele ainda não tinha sido atendido porque o profissional que

iria atendê-lo não havia ainda chegado ao CAPS. Àquela altura, o calor já estava insuportável, mas ele continuava ao sol. Não só ele, mas muitos outros usuários chegaram cedo para as consultas e não se tinha nenhuma notícia se seriam atendidas. Retornei às 14h00min para as atividades da tarde, o usuário continuava na mesma situação e ainda sem notícias sobre a consulta tão aguardada. Senti certa irritabilidade no mesmo, mas sem querer ainda entrar no prédio. Dentro do estabelecimento, vários outros usuários aguardavam tal atendimento. Quinze dias antes, encontrei-me com um técnico no meio do corredor preocupado com o estado de uma nova usuária a qual ele tinha acabado de fazer uma triagem. Sua angústia advinha do fato de que a forma como estava organizado o processo de triagem só possibilitava o atendimento com o psiquiatra quase um mês depois; alguns profissionais da equipe de nível médio ficavam responsáveis em organizar uma lista de ordenação das consultas médicas, não só a demanda era alta, bem como também devia haver alguma forma de estruturação que dificultava o acesso a este tipo de consulta. A angústia do profissional era pertinente porque a usuária em triagem lhe sinalizara estar em grande sofrimento, com ideações suicidas constantes. Em seguida, o CAPS entrou nas problemáticas hidráulicas e não se soube mais notícias desta usuária. Com o sol da tarde, que é mais castigador, o usuário que esperava desde as 08h00min da manhã resolveu entrar no prédio próximo às 15h00min; visivelmente irritado e impaciente questionou a dois profissionais se sua consulta seria realizada, pois vira o médico chegar ao serviço já no meio da tarde. Esperou ainda um pouco mais e só foi atendido perto das 17h00min. Um descaso que fez com que o usuário ficasse em irritação, provocada pelo abandono institucional em combinação com a insolação, também produzida pelo alijamento, já que ninguém se propôs a demovê-lo da ideia de ficar ao sol, e com a fome. Uma situação de sofrimento pessoal constituída pelas lógicas institucionais materializadas no próprio CAPS.

Estes últimos casos citados acima acabaram por me lembrar de outra passagem vivida enquanto supervisor de projeto de extensão há 07 anos. Uma das histórias que me trouxeram até este trabalho. Um usuário muito pobre tinha acabado de passar por uma nova consulta psiquiátrica e um de seus medicamentos foi trocado pelo psiquiatra. Nas primeiras semanas, o sujeito começou a ter dificuldades no seu cotidiano em virtude dos efeitos colaterais produzidos pelo uso do novo fármaco, sobretudo a sonolência. Em um grupo, relatou as problemáticas pelas quais vinha passando e demonstrou a intenção de passar por uma nova consulta para revisão de seus medicamentos, pois estavam a entravar seus estudos e os poucos trabalhos que fazia. Em seguida, tentou, através dos demais profissionais e da coordenação do serviço, agendar um novo encontro com o médico para explanar toda a situação. Apesar de ser

um usuário de grande frequência ao serviço, ele encontrou uma negativa que impunha que o próximo encontro com o médico já estava agendado para dali a dois meses e que ele não poderia quebrar as normas que eram iguais para todo mundo e ele não era melhor do que ninguém para quebrar essas regras. Em angústia, falou que não iria tomar a medicação porque atrapalhava até ele voltar para casa porque dormia no ônibus e poderia perder a parada onde descia. Enfatizou que naquele dia não tomaria porque era o dia em que só ficava pela manhã no CAPS e teria que pegar sua condução após o almoço. Um dos trabalhadores, que tinha uma posição de liderança, trouxe-lhe uma informação em tom de ameaça e aos gritos: “Bem, se você não tomar sua medicação hoje no final da manhã, o seu almoço está proibido, ou seja, você só almoça se tomar o remédio! Estamos entendidos?!”. O usuário ficou sem ação, inerte, sem saída com a violência sofrida. Como iria ficar sem comer alguém cuja fome é uma companheira constante? Teve de matar duas fomes: a dele e a fome de poder dos técnicos. Tomou o psicotrópico e pôde almoçar. Na época do evento, Teresina só contava com dois CAPSs tipo II para dar conta de 800 mil habitantes e o usuário morava bem distante do território de inserção do serviço, o que proporcionava uma longa viagem de ônibus para ele. No início da tarde, foi para o ponto de ônibus para retornar para casa, como ele mesmo havia previsto, findou adormecendo profundamente no transporte e perdeu o local onde desceria; o carro fez o seu percurso completo e chegou ao ponto final; todos desceram e o usuário continuou dormindo mesmo com a parada completa, acabou acordando com o cobrador dando uns toques em seus ombros: “Ei, moço, chegamos ao terminal. Você não vai descer?” Ao perceber toda a situação em que se encontrava, o usuário entrou em crise naquele momento, ficou irritadiço e resolveu voltar à pé para casa, já que não tinha dinheiro para uma nova passagem, e percorreu um longo caminho atravessando a cidade. Ao recordar da violência que sofrera, não pediu ajuda para o transporte de volta e ficava repetindo os nomes dos técnicos que o impeliram àquela circunstância. Não se pode esquecer também do controle da distribuição dos vales-transportes para os usuários; embora fosse beneficiário da distribuição de passes do serviço por causa de sua condição financeira, não podemos deixar de questionar: como um usuário do serviço vai para casa com um só vale-transporte e não tem outro até mesmo para voltar para o serviço?

Na mesma época, outro episódio também me mobilizou quando articulava o mesmo projeto de extensão em um CAPS Teresinense. Um usuário, militante da Reforma Psiquiátrica Piauiense e um grande artista plástico, entrou em crise e quebrou objetos e quadros produzidos por ele mesmo em uma atividade grupal coordenada pelos artesões do serviço. Ao invés de ser acolhido em seu episódio de sofrimento mental, ele foi expulso do CAPS pelos

responsáveis pela instituição, tal como um estudante que não cumpriu as regras de uma escola e foi premiado com a expulsão como lição de moral. Mesmo o sujeito dando sinais de que estava precisando dos cuidados ofertados pelo serviço, os seguranças passaram a impedir a entrada do artista no CAPS por ordem da direção. Segundo um dos trabalhadores, na época, havia uma disputa política entre outros dois profissionais por visibilidade frente ao dispositivo e em relação à FMS; o usuário seria um dos que apoiava o lado com menos possibilidade de exercício de poder e seu momento pontual de sofrimento foi utilizado como pretexto para sua expulsão do serviço e, consequente, enfraquecimento político naquele contexto de rivalidade.

Em crise, o usuário, dias depois, tentou suicídio, mas não conseguiu se matar. Mais tarde, contou com o apoio de seus amigos para procurar outro CAPS; no entanto, um fato deprimente e de alijamento marcou a ação da equipe para lidar com a demanda momentânea desenhada. Em uma reunião técnica, os profissionais decidiram, sem escuta dos desejos do usuário, que a melhor solução seria contar com o apoio de sua família, já que a mesma morava em outro município e não se contava com ela como parceira no cuidado. A ideia não era fazer com que os familiares viessem ao encontro de seu parente e do serviço em Teresina, mas sim enviá-lo para a sua cidade de origem. A intenção era livrar-se do sujeito-problema, remetê-lo para um lugar onde não pudesse mais importunar um serviço que estava ali justamente para dar conta de crises daquela natureza. A partir de relatos de um dos funcionários, descobri que o meio encontrado para execução da tarefa foi uma cota financeira entre os técnicos para comprar uma passagem só de ida para o sujeito. Em um momento de fragilidade, ele acabou aceitando a condição imposta pelo CAPS. Além de todos os absurdos e estranhezas produzidos na forma de abordar o caso, principalmente o fato dos próprios