A população desta pesquisa foi composta por atletas de corrida amadores, da cidade de Pindamonhangaba-SP, maiores de 18 anos. Em abril de 2015, foi realizado levantamento dos grupos de corrida de rua existentes nessa cidade, bem como do número de participantes desses grupos. Foram encontrados seis grupos que, no total, possuíam aproximadamente 100 corredores. Dentre esses grupos, cinco contavam com uma assessoria técnica esportiva especializada e os participantes assumiam custos para participarem. O outro não possuía tal tipo de assessoria e os participantes não precisavam assumir custos para participarem. Era um grupo aberto, composto por pessoas que gostavam de correr e se reuniam para treinar.
Dessa forma, a amostra desse estudo foi composta por indivíduos de três grupos com maior número de corredores, sendo dois deles de grupos que assumiam custos para participar das atividades, chamados aqui de grupos pagantes (assessorias A e B), e outro grupo no qual os indivíduos não arcavam com nenhum custo, denominados aqui de não pagantes. A assessoria A contava com 14 participantes em maio de 2015, época em que ocorreu a coleta dos dados. Nesse grupo, foram entregues 14 questionários, de forma que oito foram
devolvidos respondidos e seis foram devolvidos em branco. A assessoria B contava com 18 participantes no período da coleta de dados. Foram entregues 18 questionários, tendo sido respondidos somente 11. Em relação ao grupo de não pagantes, não se sabia o número de participantes, uma vez que os treinos eram abertos e qualquer pessoa poderia participar quando desejasse. Foram distribuídos 35 questionários para esse grupo, que era o número total de participantes no dia da coleta de dados, e 33 retornaram respondidos.
No total, foram entregues 67 questionários entre os grupos que tinham maior número de participantes, de forma que 52 foram devolvidos respondidos, seis foram devolvidos em branco e nove não foram devolvidos. Dessa forma, a amostra desse estudo foi composta por 52 corredores filiados aos maiores grupos de corrida de rua da cidade, nos quais 19 indivíduos eram filiados a assessorias particulares (oito da assessoria A e onze da assessoria B) e 33 faziam parte do grupo que não contava com nenhuma assessoria especializada, mas que gostavam de correr e se reuniam algumas vezes por semana para isso.
3.4 Instrumentos
Os instrumentos de pesquisa utilizados foram alguns questionários e um roteiro de entrevista semiestruturada. Todos os participantes responderam aos questionários, e os que foram identificados como os que praticavam corrida de rua há mais tempo participaram de uma entrevista na qual responderam a perguntas que compunham o roteiro de uma entrevista semiestruturada.
Chizotti (1998) explica que questionários são compostos por questões pré-elaboradas, dispostas sequencialmente em itens que compõem o tema da pesquisa, a fim de se obter respostas sobre o assunto que os participantes saibam informar ou opinar. É necessário que seja realizado de maneira cuidadosa, para que o pesquisador realmente consiga obter as informações que busca.
Triviños (1987) afirma que a entrevista semiestruturada parte de questionamentos apoiados em hipóteses e teorias que interessam à pesquisa. Tais perguntas provêm não apenas da teoria que embasa a pesquisa, mas também de toda informação que o pesquisador recolheu sobre o fenômeno social que o interessa. As perguntas realizadas nesse tipo de entrevista oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que aparecem à medida que se obtém as respostas do participante da pesquisa.
Como Bronfenbrenner não chegou a propor um método de pesquisa claramente operacionalizado para o estudo da Teoria Bioecológica (PRATI et al., 2008), os questionários e a entrevista semiestruturada foram construídos pela autora desse estudo a partir de itens relacionados aos elementos do modelo PPCT e a estudos existentes na área da adesão e permanência na prática de atividade física.
A seguir, os instrumentos de pesquisa utilizados nesse estudo são apresentados mais detalhadamente.
3.4.1 Questionário de caracterização do sujeito
Composto por uma pergunta aberta e outras fechadas, que buscavam classificar o participante quanto ao sexo, idade e nível de escolaridade, com o intuito de se caracterizar a amostra posteriormente (APÊNDICE IV).
3.4.2 Questionário de classificação socioeconômica
Composto por perguntas fechadas, que objetivavam obter informações para poder classificar o participante quanto a sua realidade socioeconômica. Tais questões foram formuladas de acordo com o Critério de Classificação Econômica Brasil, proposto pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) (ABEP, 2015). Tal questionário apresentou perguntas a respeito dos itens de conforto que a pessoa possui em sua residência e o nível de instrução do chefe de família. Cada item tem um ponto, e a soma deles indica a classe econômica a qual o indivíduo pertence, podendo variar entre A, B1, B2, C1, C2 e D-E, sendo A para pessoas com maior nível socioeconômico e D-E para as que se situam nos níveis mais baixos.
O questionário utilizado está apresentado no apêndice VI, e o sistema de pontos e a tabela de pontuação para classificação socioeconômica seguem no anexo B.
3.4.3 Questionário de caracterização da prática da corrida de rua
Composto por questões abertas e fechadas que buscavam identificar aspectos relacionados à prática de corrida atual, assim como aspectos relacionados ao processo de adesão e permanência na prática da corrida de rua (APÊNDICE VI).
3.4.4 Questionários sobre a prática de exercícios na infância e adolescência
Compostos por itens relacionados aos elementos presentes no modelo PPCT da Teoria Bioecológica. Visavam a conhecer aspectos relacionados à prática de exercícios nesses períodos da vida do entrevistado. Foram aplicados dois questionários com perguntas similares, sendo um para o período da infância e outro para o período da adolescência (APÊNDICES VII e VIII). Tal escolha se deu pelo fato de estudos presentes na literatura apontarem uma queda da prática de exercícios entre os períodos da infância e adolescência (FERNANDES et al., 2011; SEABRA et al., 2008; DARIDO, 2004).
Os itens apresentavam escalas do tipo likert de quatro pontos, na qual o indivíduo tinha a opção de assinalar uma das quatro alternativas: nada, pouco, bastante ou muito. Essas opções significavam o quanto o participante concordava com o que estava exposto. Médias
mais próximas de um ponto significaram ‘nada’. Mais próximas de dois pontos significaram ‘pouco’. Já as médias mais próximas de três significaram ‘bastante’. Médias mais próximas de quatro significariam ‘muito’, porém não apareceram nos resultados deste estudo.
3.4.5 Roteiro de entrevista
Formado por seis questões abertas que buscaram conhecer como se deu o processo de adesão à prática da corrida de rua, os aspectos relacionados à permanência nesse comportamento, a relação dos sujeitos com a corrida durante suas vidas antes de aderirem a essa prática e quais os possíveis obstáculos para a realização desse comportamento (APÊNDICE IX).
Foram selecionados para participar dessa etapa os sete sujeitos que assinalaram a resposta que indicava que corriam há mais tempo (mais de seis anos). Desses sete, um não foi encontrado. Sendo assim, essa entrevista foi realizada com seis participantes. Dentre eles, três
pertenciam aos grupos de pagantes e os outros três ao grupo de não pagantes. Essa divisão não foi proposital, uma vez que o critério para participação nessa fase era correr há mais de seis anos. Weinberg e Gould (2008) explicam que quem permaneceu em uma atividade esportiva por esse período de tempo é resistente à desistência mesmo diante de obstáculos comuns à adesão ao exercício, tais como falta de tempo, de energia ou de motivação.