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Initial design steps

Case Study – Cable Net Bridge in Tønsberg

5.2 Initial design steps

Condição do acervo consultado

O material escolhido para a análise pertence à Fundação do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, instituição pública de esfera estadual.

Segundo o ex-funcionário da FMIS/RJ Leandro Pereira, entre os 20.000 arranjos disponíveis para consulta nessa instituição, 198 foi escritos por Guerra-Peixe quando possuía o número 83 no registro de funcionários da emissora da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (2006, p. 47).

Além dos arranjos, Guerra-Peixe também escreveu um considerável número de vinhetas para serem tocadas nos programas dessa emissora. A maioria desses arranjos foi escrito para acompanhar cantores que se apresentavam em programas ao vivo; a minoria fica por conta dos arranjos instrumentais escritos para certos programas que tinham abertura para isso. A instrumentação desses arranjos pode ser dividida em dois grandes grupos, fora algumas exceções. O primeiro com uma formação típica das big bands e o outro acrescido do naipe de cordas, formação conhecida como jazz sinfônica.

Foi selecionado o número de 63 arranjos, segundo os critérios expostos na introdução deste trabalho. Entre esses arranjos selecionados, foram escolhidos seis para serem efetivamente incluídos nesta dissertação. O critério para a escolha pode ser verificado na introdução e, também, na parte da análise desta pesquisa.

Leandro Pereira descreve detalhadamente em sua dissertação as particularidades do acervo da Fundação da Imagem e do Som, por exemplo, a quantidade de arranjos do acervo e o nome dos autores dos respectivos arranjos.

Entre as fontes do referido acervo, foram utilizadas na presente pesquisa: recortes de jornais e revistas com artigos sobre Guerra-Peixe, escritos por ele mesmo ou contendo entrevistas, os depoimentos pessoais gravados em fita cassete e, como foco principal, os manuscritos dos arranjos.

Grande parte do acervo que constitui o arquivo da FMIS/RJ foi formada a partir da doação da Rádio Nacional feita pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1972. A maioria dos manuscritos desses arranjos são partituras destinadas a acompanhar cantores que, normalmente, tinham contrato assinado com a emissora. O catálogo completo dessas partituras se encontra no site da FMIS/RJ e nos computadores dessa fundação na sede na Lapa.

Informações como título da música, nome do compositor, nome do intérprete, gênero, nome do programa, nome do arranjador, data, tonalidade, duração, número de páginas e código da Rádio Nacional, além do código do MIS/RJ acrescentado aos dados originais são fornecidas pelo próprio cabeçalho da grade do arranjo manuscrito. Porém, nem sempre a grade apresenta todos esses dados preenchidos.

Acredita-se que a grande maioria das partituras dos arranjos escritos por Guerra-Peixe esteja em posse da FMIS/RJ (a FMIS/SP passa por um processo de restauração do seu acervo durante a realização desta pesquisa e, por isso, não é possível realizar nenhum tipo de consulta no seu arquivo).

Não foi realizada uma consulta no acervo da Rádio Jornal do Comércio de Recife. Entretanto, segundo informações concedidas por Jane Guerra-Peixe, sobrinha neta de Guerra- Peixe, há cerca de 150 manuscritos de arranjos escritos por Guerra-Peixe nos arquivos dessa emissora.

Além dessas principais fontes, existe algum material disperso como os arranjos de Guerra-Peixe. Por exemplo, as partituras para os Afro-sambas, de Vinicius de Morais e Baden Powell, na sua versão de acompanhamento e de solo orquestral, que Guerra-Peixe chamava de “Sinfonização”, em posse de Jane Guerra-Peixe.

Há também um arranjo datado de 28/04/1953 para a música “Brasil Moreno”, de Ary Barroso e Luiz Peixoto, do tipo acompanhamento escrito para a formação de big-band que se encontra no acervo da Rádio Record de São Paulo presente na biblioteca do Conservatório de Tatuí.

Além desses, existem os arranjos escritos para a Orquestra de Blumenau encomendados pelo maestro Norton Morozowicz para oito músicas de Waldemar Henrique. Esses arranjos estão em posse de Morozowicz. Há indicações de que foi feita uma gravação desses arranjos pela Orquestra de Blumenau. De acordo com Aramis Millarch,

De Waldemar Henrique (da Costa Pereira, Belém, 15-02-1905), a emocionante gravação de oito de suas mais belas canções - todas inspiradas em motivos folclóricos - tendo como solista Ruth Staerke: "Trem de Alagoas", "Senhora Dona Sancha", "Matintaperera", "Coco Peneruê", "Tamba-Tajá” (que se tornou sucesso popular com Fafá de Belém, há 11 anos), "Uirapuru", "Cobra Grande" e "Foi Boto, Sinhá!". Tendo como intérprete sua irmã, Mara Costa Pereira, as canções de Waldemar Henrique são conhecidas no Brasil do Norte a Sul, mas tem poucos registros. Ao regravá-las, com arranjos de Guerra Peixe, o maestro Norton Morozowicz teve ideia das mais felizes (1986, p.13) 24.

24

Acesso em: 01 dez. 2008. Disponível em: http://www.millarch.org/artigo/uma-boa-orquestra-que-deu-certo- em-blumenau.

O maestro Norton forneceu mais dados sobre o projeto que envolveu a gravação dessas músicas. Segundo ele relatou, esses arranjos foram encomendados para comemorar:

(...) dois aniversários de 80 anos de Waldemar Henrique (1985) e 60 de Tom Jobim (1987). Foram projetos que criei para a Basf, e o Guerra transformou-os em verdadeiras obras primas da música brasileira. O LP 80 anos Waldemar Jobim e Radamés Gnatalli foi lançado pela BASF e depois re-editado pela Funarte. O LP Jobim encontro Piazzolla, foi lançado pela BASF e posteriormente pelo Selo Eldorado25.

Há ainda arranjos de Guerra-Peixe no Instituto Moreira Salles, como os para as músicas “Feitiçaria”, de Custódio Mesquita e Evaldo Rui, para “Sim ou não”, dos mesmos autores, “Pecado mortal”, de Felisberto Martins e Torres Homem, entre outros que estão disponíveis para consulta no site dessa fundação.

Condição do arquivo sonoro

O banco de dados e arquivos sonoros da FMIS-RJ é composto por doações, como a de Almirante ou por outros discos do acervo da própria emissora. Todavia, ainda não foi feita uma pesquisa que faça uma confrontação entre os manuscritos dos arranjos com os arquivos sonoros. Assim, não é possível ouvir as gravações comparando-as com as partituras, pois os computadores nos quais as partituras se encontram digitalizadas (com a imagem digital) estão situadas em salas e andares diferentes do local designado para se ouvir os discos.

Não se sabe bem por qual motivo, mas ainda ninguém pensou em disponibilizar um computador com o arquivo dessas partituras na sala de seleção de discos para que os pesquisadores possam estabelecer a ligação entre as duas fontes. Isso dificultou grandemente a pesquisa de fontes sonoras dos arranjos selecionados para a análise.

Possivelmente, por terem sido escritas para uso exclusivo da Rádio Nacional, não tenha havido nenhuma gravação desses arranjos. No entanto, quando solicitado, dificilmente Guerra-Peixe faria dois arranjos para uma mesma música. Desse modo, surge a possibilidade de ele ou algum cantor ter aproveitado alguns dos seus arranjos escritos para a orquestra da Rádio Nacional para a realização da gravação em disco de veiculação comercial. Entretanto, não foi possível localizar nenhuma.

Por outro lado, o violonista Randolf Miguel possui uma das maiores, se não a maior coleção de discos com arranjos de Guerra-Peixe. Nesse caso, são raríssimos os casos em que se consegue localizar os manuscritos dos arranjos que correspondem à gravação.

25

A principal fonte de referência sonora dos arranjos analisados se perdeu, ou por má conservação, ou por destruição intencionada, como foi o caso do material com gravações de programas realizados na década de 1960. Esse material – principal enfoque desta pesquisa – foi destruído pelos soldados da ditadura militar por ocasião de uma invasão feita com base em denúncias de rebeldia contra o governo por parte de funcionários da emissora. Além desses dois fatores, as fitas-rolos dos programas das décadas de 1950 e 1960 tiveram suas gravações originais substituídas por narrações de jogos de futebol – gravaram em cima das músicas apresentadas nos programas.

O ex-radialista Renato Murce conta como aconteceu o processo de abandono e deterioração desse material:

Na época áurea da Rádio Nacional todos os grandes programas eram gravados ao vivo. Não só aqueles irradiados em estúdio fechado. Também os de auditório. Nestes, estavam marcados, também, as ruidosas e espontâneas reações dos ouvintes. O que lhes dava um relevo especial. Mais de 5.000 discos (acetatos de 16 polegadas) foram assim produzidos. No entanto, as direções que passaram pela Rádio Nacional pouca importância deram ao fato. Não souberam guardar e resguardar as refinadas gravações. Tinham valor extraordinário; não só como documentário, como, até mesmo, para possíveis e sempre que desejáveis reprises. Mandaram (diziam por falta de espaço) um sem números delas para a casa dos transmissores, em Brás de Pina. Ficaram jogados em lugar inadequado e se deterioraram. Outras foram encontradas mal empilhadas (e também estragando) num compartimento, junto aos sanitários da rádio. Eram ainda cerca de 4000 gravações. E quase a metade já está inutilizada (1976, p. 95-96).

Entre os acetatos mencionados, foi encontrada apenas uma composição de Guerra- Peixe: a música “O canto o mar”, tema para o filme homônimo, de 1952 interpretada por Inezita Barroso acompanhada por um violão. Esta é uma gravação de um programa radiofônico transmitido ao vivo. Nela, Inezita, também conhecida pelo título de “Rainha do folclore musical brasileiro”, que, por sinal, tinha forte amizade com Guerra-Peixe, cita, em entrevista concedida ao apresentador do programa, que esta fora a música que ela mais gostara de gravar em toda sua carreira até aquele presente momento.

3. ANÁLISE DOS ARRANJOS COM UM BREVE ESTUDO SOBRE OS