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3. TEORI OG KUNNSKAPSGRUNNLAG

3.2. Involvering og målforståelse

3.2.2. Ingen endring, ingen gevinst

João nasceu em Goiatuba-GO, local em que morou com seu pai, sua mãe, dois irmãos e uma irmã até seus dezessete anos. Mudou-se para Uberlândia no ano de 1990 quando ingressou na universidade. No período em que o entrevistamos, João morava sozinho. Não se lembrava exatamente quando se descobriu homossexual, apenas tinha clareza da naturalidade desse processo:

Eu não me lembro exatamente quando foi, mas, a descoberta foi natural. Você vai chegando ali, na adolescência, acho que no início a impressão que você tem é de que as coisas são todas naturais. Eu me percebi assim, normalmente, com brincadeiras, o interesse, a atração, e aí, você começa a se diferenciar e, como eu era muito dedicado nos estudos, eu não dava muita atenção para essa sexualidade. Acho que isso é até comum, você acaba desviando suas energias para um ponto só e acaba se esquecendo de outros. Como eu estudava demais, fui percebendo aos poucos, mas de forma muito natural. Fui percebendo atrações diferenciadas, aí, eu realmente me percebi (agosto de 2007).

A dedicação nos estudos desencadeava um contato com seus colegas de escola que se reuniam por longos períodos em sua casa para estudar, por ter vivido numa cidade pequena em que todos/as praticamente se conheciam, estabeleceu vários vínculos de amizade inclusive praticava vôlei com um grupo o qual tinha contatos permanentes. Para João, o fato de não ter vivido relacionamentos homossexuais quando morava em Goiatuba seja possivelmente a razão de não ter sofrido discriminação no período de sua adolescência: “De fato, relações, primeiro relacionamento, primeiro contato mais íntimo, eu fui ter depois que eu mudei para Uberlândia com 18 anos. Foi quando eu realmente me percebi mais envolvido e atraído pelo sexo masculino.” (agosto de 2007).

Convicto de que as questões relacionadas à sua sexualidade dizem respeito somente a ele, João afirmou a inexistência da discussão desse assunto no âmbito familiar, assim como foi enfático nessa postura com outras pessoas de sua cidade de origem que questionaram sobre sua identidade sexual.

A vida acadêmica foi para João um período de liberdade e descobertas. Transitou por vários setores da universidade. Foi diretor do Diretório Acadêmico da Química, diretor do DCE por três gestões, representando politicamente a classe estudantil universitária em diversos eventos no âmbito local e nacional. Sua participação ativa no movimento estudantil e a relação de cumplicidade que percebia entre os integrantes daquele grupo possibilitaram-lhe não somente descobertas políticas, mas um momento de construção de sua identidade sexual. Fortes laços de amizade se estabeleceram naquele período e, segundo João, várias dessas pessoas partilham atualmente de seu convívio pessoal e profissional.

João participou do movimento estudantil nacional de 1992 mobilizado para a derrubada do presidente da república em exercício Fernando Collor de Melo. No contexto local, brigava-se também pela posse do professor Nestor Barbosa para o reitorio da Universidade Federal de Uberlândia. Um marco desse movimento foi a permanência de

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alunos/as acampados/as durante dois meses de frente ao prédio da reitoria da UFU no centro da cidade de Uberlândia:

[...] foi um momento muito interessante para todos nós, riquíssimo na discussão política e, no meu caso, especificamente, na descoberta da minha sexualidade de forma mais agradável, mais palatável. Porque eu nunca encarei isso como uma aberração, como uma doença, algo grave que tivesse me ocorrido. Ali, eu pude perceber que as pessoas respeitavam muito as diferenças e eu me senti muito à vontade a partir daquele momento. Eu posso falar que, na minha vida, esse marco de 92 foi, realmente, uma revolução política como estudante. A partir dali eu me tornei um estudante melhor porque, na faculdade, ao contrário do meu ensino fundamental e médio em que eu fui um aluno de destaque, os meus primeiros períodos da faculdade não foram os melhores. A partir de 92 eu me tornei um aluno de destaque. Despertou-me para vários pontos interessantes na minha vida, como ser um bom aluno, uma boa pessoa, um bom amigo. Realmente, eu tive um grande crescimento nesse movimento de 92 (agosto de 2007).

João cursou bacharelado em Química interessado em atuar no setor industrial, mas, ao ingressar no campo profissional percebeu que cometera um equívoco. Retornou para a universidade e concluiu os créditos necessários para a licenciatura, desejo que, na verdade, havia norteado sua escolha pelo curso. Iniciou sua carreira docente em 1996 e sente-se realizado na profissão.

1.3. Renato, 34 anos, gay.

Renato nasceu em Carmo do Paranaíba-MG, residindo em Uberlândia desde seus dois meses de idade, considerando-se, portanto, cidadão uberlandense. Renato é o filho mais velho e morou com seu pai, sua mãe, dois irmãos e uma irmã até 1992. No período em que o entrevistamos, moravam em sua casa com ele sua irmã e uma sobrinha. Anteriormente à graduação em Educação Física, profissionalizou-se em enfermagem, desempenhando as duas profissões simultaneamente. A descoberta da sua homossexualidade foi um processo tranqüilo, ausente de conflitos de ordem pessoal ou familiar:

Não teve esse transtorno que, às vezes, percebo principalmente nos alunos, essa crise de identidade, dificuldade com a família, não, foi naturalmente mesmo. Por volta de 10, 11 anos eu já me descobri, senti que era diferente mesmo e essa diferença passou a fazer parte da minha vida e fui convivendo