6.4 Foscam Model FI9821P
6.4.2 Information Gathering
Após discorrer sobre a campanha eleitoral dos deputados da Bancada da Bala, é relevante mostrar o seu desempenho nas urnas. O que logo chama a atenção é que muitos deles tiveram votações expressivas em seus estados de origem. Pelo quadro apresentado a seguir, é possível observar que cinco dos dezoito deputados da Bancada da Bala foram os candidatos à Câmara Federal que receberam o maior número de votos em seus estados, sendo eles: Alberto Fraga, Delegado Éder Mauro, Delegado Waldir, Jair Bolsonaro e Moroni Torgan. Ao considerar os dez candidatos que mais receberam votos em sua unidade federativa, aumenta para nove a quantidade de candidatos da Bancada da Bala entre os mais votados: além dos cinco anteriores, os deputados Delegado Francischini, João Campos, Marcos Reategui e Rocha estão nessa lista.
É importante lembrar que, como o sistema de eleição na Câmara é proporcional (e não majoritário), nem sempre os candidatos que recebem o maior número de votos são eleitos. Ainda assim, é interessante observar que quatro dos deputados da Bancada da Bala alcançaram o quociente eleitoral64, isto é, foram eleitos com seus próprios votos, sem a necessidade de somar os votos dados à legenda ou de outros candidatos de seu partido ou coligação.
Entre os demais deputados da Bancada, doze foram eleitos pelo quórum partidário, isto é, o número de votos recebidos permitiu que eles entrassem nas cadeiras que o seu partido tinha direito na Câmara. Apenas Eduardo Bolsonaro e Laerte Bessa foram eleitos pelo cálculo da média partidária, ou seja, entraram não pela votação que obtiveram, mas pelo número total de votos que o seu partido recebeu nesta Casa. O quadro a seguir compilou essas informações:
Quadro 9. Desempenho eleitoral
Deputado Como foi eleito Entre os 10 mais votados na
UF?
Delegado Éder Mauro (PA) Quociente eleitoral Sim – 1º mais votado Delegado Waldir (GO) Quociente eleitoral Sim – 1º mais votado Jair Bolsonaro (RJ) Quociente eleitoral Sim – 1º mais votado Moroni Torgan (CE) Quociente eleitoral Sim – 1º mais votado
64 “O quociente eleitoral é calculado dividindo-se o número de votos válidos pelo número de vagas a que tem direito a unidade da Federação” (DIAP, 2014, p. 136).
Alberto Fraga (DF) Quórum partidário Sim – 1º mais votado
Rocha (AC) Quórum partidário Sim – 3º mais votado
Delegado Francischini (PR) Quórum partidário Sim – 6º mais votado Marcos Reategui (AP) Quórum partidário Sim – 8º mais votado João Campos (GO) Quórum partidário Sim – 9º mais votado
Cabo Daciolo (RJ) Quórum partidário Não
Cabo Sabino (CE) Quórum partidário Não
Capitão Augusto (SP) Quórum partidário Não Delegado Edson Moreira (MG) Quórum partidário Não Gilberto Nascimento (SP) Quórum partidário Não Major Olimpio (SP) Quórum partidário Não Subtenente Gonzaga (MG) Quórum partidário Não
Eduardo Bolsonaro (SP) Média Não
Laerte Bessa (DF) Média Não
Fonte: www.eleicoes2014.com.br. Elaboração própria.
O que este quadro demonstra é que, apesar de os deputados da Bancada da Bala terem pouca influência entre os membros do Congresso Nacional, essa mesma constatação não pode ser feita com relação aos eleitores.
Ao comparar a influência dos deputados da Bancada da Bala no Congresso e a sua influência junto ao eleitorado, conclui-se que os deputados Moroni Torgan e Alberto Fraga estão entre os maiores influenciadores na Câmara e na população: os dois foram os mais bem votados em seus estados e possuem as maiores pontuações no índice de influência política entre os deputados da Bancada da Bala (cinco e três, respectivamente). Os deputados Delegado Francischini e João Campos também podem ser considerados com algum grau de influência nos dois âmbitos porque, além de terem atingido três e dois pontos no índice, respectivamente, estão entre os dez deputados com maior número de votos nas suas unidades federativas. Já os deputados Delegado Éder Mauro, Delegado Waldir, Marcos Reategui, Rocha e Jair Bolsonaro figuram entre aqueles que possuem mais influência junto à população do seu estado do que na Câmara porque estão entre os candidatos que receberam mais votos nas eleições de 2014, mas pontuaram um (os quatro primeiros) ou zero (o último) no índice de influência política. Os demais parecem ter baixa influência tanto na Câmara dos Deputados quanto no eleitorado dos seus estados.
Para concluir este capítulo, considera-se válido fazer breves comparações entre as pautas defendidas nas campanhas dos então candidatos que receberam votações expressivas
os mais bem votados em seus estados, com exceção do Delegado Éder Mauro, que o trabalho não encontrou informações suficientes sobre a sua campanha, todos os demais basearam suas plataformas eleitorais em pautas de endurecimento da legislação penal. Apenas Jair Bolsonaro e Alberto Fraga defenderam pautas de valorização dos profissionais da segurança pública: o primeiro para os membros das Forças Armadas e o segundo para os bombeiros e policiais militares. Ao considerar a lista dos candidatos que estão entre os dez com as maiores votações do estado, Delegado Francischini e Rocha defenderam pautas de endurecimento da legislação, sendo que somente este último falou de um projeto específico para os policiais militares.
Importante observar que, diferente dos demais, a boa votação de Marcos Reategui e João Campos provavelmente se deve às outras bandeiras defendidas por eles, tais como a questão religiosa65, pois as pautas de segurança pública, em especial a de endurecimento da legislação, não parecem ter recebido destaque em suas campanhas. Finalmente, nota-se que os candidatos que voltaram as suas campanhas para a bandeira da valorização dos profissionais da segurança pública, tais como Cabo Daciolo, Cabo Sabino, Capitão Augusto e Subtenente Gonzaga, não ficaram entre os mais votados em suas regiões. Ao que parece, estes deputados buscaram obter votos de um grupo específico de indivíduos, enquanto que aqueles que defenderam pautas mais gerais de endurecimento da legislação parecem ter conquistado um eleitorado mais amplo.
Em suma, o levantamento feito pelo trabalho indica que candidatos que defendem pautas de endurecimento do combate à criminalidade são bem votados em seus estados. Este resultado parece estar de acordo com pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em 2017. Esta pesquisa identificou que, em uma escala de 0 a 10 que media a propensão ao apoio a posições autoritárias, o brasileiro pontuou, em média, 8,10, o que pode ser considerado indicativo de forte propensão ao autoritarismo (FBSP, 2017). Sendo assim, é compreensível que candidatos que defendam soluções duras para combater a criminalidade sejam bem votados, fenômeno que deve, inclusive, se repetir nas eleições de 2018.
65 O slogan da campanha de Marcos Reategui era “Determinação e fé” e a de João Campos era “Fé e segurança”.