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O contato feito com a Universidade Nova de Lisboa foi estabelecido de forma muito rápida, já que o professor responsável pelo Mestrado em Ensino de História e Geografia desta Universidade tem muita proximidade com a Universidade de Lisboa e participa de algumas reuniões de professores que trabalham com a formação específica de professores de Geografia. Um deles é o orientador desta dissertação, Professor Doutor Sérgio Claudino. Portanto, a recepção da Universidade Nova de Lisboa foi muito positiva. Entre as diferenças de formação que os mestrados em ensino das Universidades de Lisboa e Nova apresentaram foram necessariamente, os horários da qual a UL é nos turnos vespertino e noturno e na Nova de Lisboa é somente noturno; e a disposição das disciplinas, que no caso da Universidade Nova, há uma junção entre Metodologia do Ensino de Geografia e didática da Geografia I. .

Por isso, as observações tiveram que ocupar todo um semestre em função dos choques entre horários com a Universidade de Lisboa.

Foram assistidas 36 aulas no total, sendo 9 encontros, onde cada encontro totalizava 4 aulas, sendo que cada aula durava 50 minutos. Os quadros 11 e 12 apresentam as considerações descritivas e reflexivas das aulas participadas.

Quadro 11 - Didática de Geografia e Metodologia do Ensino de Geografia – Universidade Nova de Lisboa – Registro Descritivo

Registro Descritivo dos encontros (cada encontro

EDUNL.1. O professor iniciou o encontro com a apresentação do programa disciplinar, modelos de avaliação e auto avaliação. Apresentou alguns aspectos do livro que será trabalhado ao longo de toda disciplina: (O QUE É A ESCOLA? DE RUI CANÁRIO). Fez explanação das atividades das aulas e um debate sobre a atividade de reflexão sobre o que é a escola, se a escola está ou não em crise. Finalizou com a proposição de um trabalho da qual, os alunos tinham que dissertar sobre o que acham ser o papel da escola e do professor.

E.DUNL.2. Atividade de sondagem dos trabalhos solicitados no encontro anterior sobre o papel e a função da escola. Apresentação do ORGANOGRAMA DE MÔNICA RÔLA

equivale a 4 aulas)

(MEDIAÇÃO-INTEGRAÇÃO-INTERAÇÃO-GESTÃO, PAPEL DO ALUNO, DO PROFESSOR, DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE).

E.DUNL.3. Metodologia de VISITA DE CAMPO, objetivos educacionais das visitas de campo (estudo) e aprendizagem da Visita de Campo.

E.DUNL.4. Apresentação sobre as LINGUAGENS GEOGRÁFICAS; capacidade de trabalhar com mapas e seus elementos com os alunos do 7º ano. Identificação das possibilidades didáticas dos mapas no desenvolvimento da Linguagem geográfica (noção de distância). Distribuiu aleatoriamente mapas de diversos temas e solicitou aos alunos que apresentassem possibilidades de trabalhar todos seus elementos como a escala e a imagem.

E. DUNL.5. Apresentação da visita a campo feita por alguns alunos ao Marrocos no semestre anterior. Cada um que participou apresentou seu registro da visita a campo. No segundo momento do encontro, apresentou slides sobre a construção do guião de observação de imagens e relacionou com o conteúdo Povoamento.

E. DUNL.6. Foi proposto um trabalho prático como estratégia de preparação de GUIÃO DE INTERPRETAÇÃO E EXPLORAÇÃO DE IMAGENS para ser aplicado as séries do 3º ciclo da Educação Básica.

E.DUNL.7. Metodologia de construção de GUIÃO PARA USO DE RECURSO ÁUDIO VISUAL. Contextualização do uso de vídeos na 8ª série. Construção do ESQUEMA CONCEITUAL. Apresentação do documentário: “Os seis graus que mudaram o mundo”. Solicitou como atividade, que os alunos reunissem questões sobre o que observaram no vídeo e que se adequaria ao contexto da aula.

E.DUNL.8. Metodologia de ELABORAÇÃO DE PLANOS DE AULA para a Educação Básica (3º ciclo), execução do guião com o tempo de 15 minutos de uma simulação de aula. As aulas deveriam ser preparadas a partir dos temas da Educação Básica e ao final de cada aula haveria uma avaliação dos colegas sobre suas aulas.

E.DUNL. 9. Apresentação das aulas simuladas de 15 minutos de conteúdos geográficos da Educação Básica tendo o professor e os colegas como moderadores. Entrega de uma ficha de avaliação aos moderadores.

Fonte: Dados da pesquisa realizada pela autora, 2014.

Quadro 12 - Didática de Geografia e Metodologia do Ensino de Geografia – Universidade Nova de Lisboa – Registro Reflexivo

Registro Reflexivo dos encontros (cada encontro equivale a 4 aulas)

E.RUNL.1. O professor no momento da apresentação do programa coloca a oportunidade de ser avaliado didaticamente pelos alunos e deles se auto avaliarem no fim do semestre. Com a introdução feita pelo livro, os alunos participam do debate sobre o que é a escola e se a escola vive alguma crise. 2 comentários chamam a atenção: ...a escola é o sítio que se prende valores

da formação da democracia, pois é o espaço multicultural da sociedade. “...” a mais valia da formação para além da Geografia e a soma com o conhecimento da história possibilita ensinar não só conteúdos geográficos, mas também ensinar cidadania, a serem mais tolerantes.

E.RUNL.2. Com a apresentação do trabalho proposto no encontro anterior, todos participaram com a defesa de seus trabalhos e críticas construtivas. Fizeram reflexões muito profundas sobre a relação entre escola e a família, um dos trabalhos cita sobre o papel do professor na promoção da cidadania, solidariedade, respeito, aceitação e equidade.

E.RUNL.3. Os alunos debatem acerca da aprendizagem, objetivos e adequações das visitas de estudos no âmbito escolar e os aspectos da Representação Gráfica. Na reflexão sobre o papel da visita de campo, um aluno fala do desenvolvimento de valores.

E.RUNL.4. Neste encontro alguns alunos trouxeram exemplos bem interessantes de como trabalhar a escala. Professor chamou a atenção para a necessidade de simplificação da linguagem para melhor aprendizagem dos conteúdos geográficos.

E.RUNL.5. O professor aproveitou uma das imagens que a aluna apresentou da sua experiência na visita a campo para o Marrocos, e enumerou questões para elaboração do guião. Os alunos

elaboraram um pré-guião da imagem. Chamou a atenção os comentários dos alunos com formação em história que tem olhares e representações diferentes.

E.RUNL.6. Com atividades não finalizadas, o trabalho proposto no encontro anterior se estendeu até este e o professor de forma provocativa traz novamente a questão inquietante sobre a diferença entre planície e planalto que foi apresentada na imagem, já que os alunos estavam se confundindo conceitual e muitos não sabiam a diferença. Professor se coloca muito preocupado com esta confusão conceitual dos alunos, principalmente porque são de formações de Geografia e os de história se uniram a justificativa da formação.

E.RUNL.7. Aprendendo a construir o guião em duplas, os alunos verificaram que a forma como o tema é abordado no vídeo deve tomar muito cuidado com as ideias de valores, pois enquanto professores devem ter muita atenção. Professor mostra muita preocupação com o discurso da educação ambiental e sua verdadeira aplicação nas práticas dos alunos na dinâmica da sala de aula.

E.RUNL.8. As aulas simuladas de 15 minutos se iniciam e ao fim de cada são avaliados por eles mesmo e pelo professor. Interessante a disposição dos alunos se avaliarem de forma a melhorar sua formação didática. A aula foi um exemplo de prática cidadã, pois todos falaram de forma muito livre e democrática, com respeito e criticidade. Nesta perspectiva tiveram oportunidade de criticar também o professor de forma a cooperar com o avanço da disciplina no mestrado.

E.RUNL.9. Da mesma forma que se deu o encontro anterior este se sucedeu também. Fizeram a auto-avaliarão, a avaliação da aula dos colegas e do professor da disciplina de Didática de Geografia e Metodologia.

Fonte: Dados da pesquisa realizada pela autora, 2014.

Este momento da observação e do convívio com esta turma de mestrado em ensino da Universidade Nova foi muito importante não só para o desenvolvimento do doutoramento como também para a avaliação da minha própria didática, pois os alunos desta unidade curricular eram extremamente empolgados e envolvidos com a formação, e com a presença de uma professora estrangeira convivendo com eles semanalmente. Isto, claro, comparando com o perfil das outras turmas observadas da Universidade de Lisboa, Universidade Federal do Maranhão e Universidade Estadual do Maranhão, no que consiste a pré disposição em participar e aceitar metodologias renovadas e desafiadoras. E uma das teses que poderia levantar seria o de se tratar de uma turma onde a maioria era de formação em Geografia, o que seria válido se comparado a realidade do perfil da Universidade de Lisboa, da qual os dois componentes observados eram compostos na maioria por alunos oriundos do curso de História e outros de Antropologia Cultural e Sociologia.

Todavia, como esta comparação abrange todas as quatro instituições observadas, este fator formação só poderia ser verificado entre as instituições portuguesas, já que no caso das brasileirasBrasileiras todos os alunos estavam se graduando em Geografia. Há uma reflexão que pensei em argumentar para compreender este comportamento que poderia ser relativo ao número de alunos, pois, normalmente em turmas maiores, a possibilidade do envolvimento e da empolgação tende a ser maior, simplesmente pelo fato de se ter maior chance de mais alunos se envolverem e empolgarem, mas esta tese também não se sustentou, já que o número de alunos

da Universidade Nova era correlato ao número de aluno na Universidade de Lisboa, e no caso brasileiro as turmas eram maiores, mas não necessariamente participativas e envolvidas nas aulas.

Outra característica que era comum desta turma era a presença de alunos que já atuavam como professores do ensino básico e, até, do ensino secundário, o que a diferenciava das outras 3 instituições observadas. Inclusive, quando perguntei a eles informalmente porque preferiram a Universidade Nova à Universidade de Lisboa, eles alegaram que era principalmente pelo horário de aulas, já que na Universidade Nova, todos os componentes curriculares funcionavam após as 19h, e como muitos trabalhavam no turno integral (matutino e vespertino) era o fator principal de exclusão da Universidade de Lisboa.

O professor em diversos momentos demonstrou inquietações relevantes a formação em Geografia, já que muitos alunos inclusive de formação na área, apresentavam dúvidas e muitas vezes nem sabiam significados de alguns conceitos e conteúdo da Geografia, como aconteceu no encontro 6, onde era necessário diferenciar planalto de planície e eles se confundiam ou não sabiam mesmo.

Nas aulas que as questões envolviam aspectos mais sociais, os alunos se mostraram muito participativos e realizavam todas as atividades com muita atenção e dedicação. Como a maioria das atividades era em grupo, havia o cuidado em variar os integrantes dos grupos, para que a turma se conhecesse melhor.

No último encontro, foram finalizadas as últimas aulas simuladas e a avaliação do professor formador. Característica esta presenciada somente em duas instituições e em duas unidades, na Universidade de Lisboa na disciplina de Metodologia do Ensino de Geografia e nesta na Universidade Nova de Lisboa. Penso que, este tipo de atividade está muito ligado a perspectiva de didática dos professores formadores.

As principais falhas que percebi, enquanto observadora desta disciplina foram: a união das duas unidades (Didática I e Metodologia de ensino) gerando certa confusão aos alunos; e a outra era a impossibilidade de conclusão de todo o programa do componente curricular, reflexo da união dos dois componentes.

O próprio professor confessou esta dificuldade em vencer todo o programa e justificou dizendo que seria contemplado no componente de metodologia e didática de Geografia II ofertado no semestre seguinte.