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O despertar da curiosidade na resolução do significado de uma pedra de armas, a quem pertenceu, como foi o percurso dessa família e da própria casa que a ostenta, é o mote para iniciar a criação de um itinerário sob o tema “Casas Brasonadas do centro Urbano de Guimarães”.

A nossa formação leva-nos a sintetizar o nosso projeto na valorização, divulgação e dinamização das casas que ostentam a pedra de armas. A genealogia, a heráldica e a História de Arte dão-nos elementos utilíssimos para conhecer as casas nobres armoriadas, mas são disciplinas à margem do turismo cultural.

Inventariar e estudar as pedras de armas de qualquer região tem sempre um interesse positivo, tanto no campo social, como no histórico e até no artístico (MATTOS, 1953:1). O inventário destas casas contribui para a identificação de um património cujo o significado é pouco conhecido e por conseguinte para a sua proteção. A proteção dos bens culturais assenta na classificação e na inventariação, disto nos dá conta a lei nº107/ 2001 de 8 de Setembro. Esta lei define os bens culturais como aqueles que “pelo seu reconhecido valor próprio devam ser considerados como de interesse relevante para a permanência e identidade da cultura Portuguesa através do tempo”. Nestes bens refletem “valores de memória, antiguidade, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade e exemplaridade“. Ora as casas que ostentam um brasão, que pertenceram a famílias

116 “O uso da diferença nas armas portuguesas de família já era utilizado antes de 1512, pelo que o Ordenação da Armaria teria sido

apenas a regularização duma atuação heráldica em uso” (NORTON,2004: 1020).

117 É a parte das armas que se coloca sobre o virol do elmo ou em cima do coronel. Acerca deste tema consultar: ZUQUETE, 1961;

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nobres ou aristocratas, são um testemunho de uma época e constituem identidade cultural de uma determinada região. Todas as casas brasonadas de Guimarães fazem parte da sua identidade cultural e refletem memória do passado, como tal devem ser preservadas e valorizadas.

Cada comunidade, tendo em conta a sua memória coletiva e consciente do seu passado, é responsável, quer pela identificação, quer pela gestão do seu património, disto mesmo refere a

Carta de Cracóvia, que valoriza a conservação dos monumentos e dos edifícios com valor

histórico, mantendo a sua autenticidade e integridade. Diz ainda esta Carta que os edifícios que constituem as zonas históricas podendo não se destacar pelo seu valor arquitetónico especial, devem ser salvaguardados como elementos de continuidade urbana, devido às suas características dimensionais, técnicas, espaciais, decorativas e cromáticas, elementos de união insubstituíveis para a unidade orgânica da cidade.

A recomendação para a salvaguarda dos conjuntos históricos e a sua função na vida contemporânea, declara que os conjuntos históricos constituem através dos anos

testemunhos da riqueza e da diversidade das criações culturais, religiosas e sociais da humanidade. Todas as vilas grandes e pequenas com centros históricos exprimem os valores próprios de civilizações urbanas tradicionais, declara a Carta de Vilas Históricas, Outubro 1987. A mesma Carta diz ainda que os valores a preservar são os de carácter histórico da vila e todos os elementos materiais e espirituais que exprimem a sua imagem. Isto confirma que todas as casas pertencentes a um centro histórico devam ser salvaguardadas. Dado que grande parte das casas que pretendemos estudar estão inseridas no centro histórico de Guimarães, este é mais um motivo para que mereçam um cuidado especial.

Casas com brasão identificam uma família, é nele que se encontra a lembrança do fundador e é uma clara evocação da origem, a presença da tradição do nome. Além de valor simbólico, histórico e social têm valor artístico, já que a sua execução implica conhecimentos de arte. São eles também importantes para a permanência da identidade cultural vimaranense.

O património arquitetónico de Guimarães é constituído também por estas casas. Seguindo a definição de património arquitetónico da Carta Europeia do Património Arquitetónico, este não é “formado somente pelos nossos monumentos mais importantes, mas também pelos conjuntos que constituem as nossas cidades antigas…”. Por outro lado, reconhece que só uma gestão integrada dos bens patrimoniais poderá permitir resultados satisfatórios. Do ponto de vista arquitetónico e urbano, as ações de salvaguarda integrada do património existente na cidade ainda

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não estão totalmente resolvidas, algumas casas brasonadas continuam degradadas, o que não está de acordo com a Carta de Veneza.

Alguns autores (MORAES, 2001; MATTOS, S/D; NÓBREGA, 1981-1985; FERREIRA, 1989) estudaram a história genealógica das famílias que habitaram estas casas, outros (BRAGA, 1986; OLIVEIRA, 1977; MORAES, 1978; FERRÃO; AFONSO, 1998; MEIRELES, 2000; CONCEIÇÃO, 2009; OLIVEIRA, 2011A) a própria arquitetura dos edifícios. Mas a valorização não pode passar só por esse estudo e aqui entra o turismo; temos um recurso que trabalhado pode servir como mais uma oferta cultural de uma cidade que já por si é Berço da Nação, Capital Europeia da Cultura 2012 e possuidora de um centro histórico classificado como Património Mundial.

O estudo de um património cultural é essencial para o conhecermos, mas depois é necessário colocá-lo a comunicar com o seu visitante. E nada melhor para o conhecer do que caminhar entre ele …

Incidimos o nosso objeto de estudo sobre o espaço intramuros e arrabaldes. Embora sendo realidades específicas, constituem parte de um conjunto mais alargado, que inclui a área urbana e concelhia. Contudo, devido a razões de ordem metodológica e temporal, levaram-nos a limitar espacialmente o nosso projeto. Mas temos noção, da necessidade de prolongarmos o nosso itinerário ao vasto concelho de Guimarães.

4.2.2. Identificação e caracterização do objeto de estudo

Neste nosso projeto conseguimos fazer o levantamento de 30118 casas armoriadas. A escolha recaiu em primeiro lugar nas casas que ostentam uma pedra de armas, estas casas podiam ser pequenas ou grandes, simples ou com fachadas ornamentadas, mas deviam simbolizar a arquitetura civil e representar a heráldica de família. Definido o recurso o passo seguinte foi limitar o espaço, o levantamento incidiu sobre o espaço intramuros e arrabaldes. Decidimos não nos limitar ao espaço intramuros por acharmos que estas casas se prolongam em termos arquitetónicos e cronológicos aos arruamentos limítrofes. Nos arrabaldes decidimos valorizar o fator deslocação, ao nível temporal e de acessibilidade.

118 Não incluímos neste levantamento a Casa do Cano, localizada na rua D. Teresa (zona extramuros) por se encontrar distante em

termos espaciais das Casas do 2º itinerário, referente aos arrabaldes. Também na rua Cães de Pedra encontramos um portal com brasão, no entanto, a Casa já não existe.

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Vejamos o mapa que se segue. Este mostra-nos a localização das casas em estudo: a azul estão assinaladas as casas fora da zona intramuros e a amarelo as casas localizadas dentro do perímetro amuralhado.

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Volume I Legendagem da figura 26

1- Casa dos Peixoto 2- Casa do Arco

3- Casa de Francisco Duarte de Meireles 4- Casa dos Valadares de Carvalho 5- Casa do Carmo

6- Paço dos Duques de Bragança 7- Casa dos Laranjais

8- Casa nº25 do largo dos Laranjais 9- Casa dos Navarros de Andrade 10- Casa dos Valadares

11- Casa dos Almeida (da rua Escura) 12- Casa dos Lobo Machado

13- Casa dos Couto 14- Casa dos Carvalho 15- Casa dos Araújo e Abreu

16- Casa dos Freitas e Sampaio 17- Casa dos Freitas do Amaral 18- Casa do Fidalgo do Toural 19- Casa do Proposto 20- Casa dos Pombais 21- Casa da Granja

22- Casa dos Moreira do Vale 23- Casa dos Ribeiro de Carvalho 24- Casa dos Moreira de Sá 25- Casa de Cimães 26- Casa dos Lobatos

27- Casa dos Borges Pais do Amaral 28- Palácio Vila Flor

29- Casa do Canto 30- Casa das Hortas

Assinalado a localização, passamos à caracterização específica das Casas. Decidimos criar uma ficha de inventário por nos parecer a forma mais correta de analisar cada Casa em estudo. Após a consulta de algumas tipologias de fichas utilizadas por outros autores119, optamos por elaborar uma que nos pudesse responder ao que procurávamos para o nosso estudo. E o resultado foi este:

Designação Localização Concelho: Freguesia: Rua: Coordenadas GPS : Caracterização do Edifício Época de Construção: Proprietário inicial: Proprietário atual:

Arquiteto / Construtor / Autor do Projeto:

70 _________ Volume I Descrição do Edifício Enquadramento: Descrição do Edifício: Lição Heráldica: Proteção: Utilização Inicial: Utilização atual: Afetação/ Classificação: Características Particulares: Dados Técnicos e Materiais: Intervenção Realizada: Cronologia:

Estado de Conservação:

Fontes Arquivísticas e Bibliográficas: World Wide Web:

Base Cartográfica:

Documentação Fotográfica: Documentação Administrativa: Observações

Para o preenchimento dos vários itens correspondentes às casas em estudo, recorremos a um trabalho de campo, uma pesquisa bibliográfica, arquivística e cartográfica, bem como uma consulta a sites ligados ao património português (por exemplo, www.monumentos.pt; www.igespar.pt).

Na elaboração de algumas fichas, não nos foi possível preencher todos os campos devido à ausência de informações arquivísticas e bibliográficas, nomeadamente no que concerne ao arquiteto/construtor ou autor do edifício.

Relativamente ao campo “proprietário atual” optamos nos casos de entidades privadas não especificar a designação dos seus proprietários por vários motivos: existência de diversos proprietários para o mesmo imóvel; pela indefinição da posse motivada por questões de partilha; dificuldade de consulta de registos de propriedade. Nos casos de entidades públicas, optamos por especificar o detentor. As fichas das casas estudadas, por uma questão de ordem prática e metodológica, encontram-se em anexo no Volume II.

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Após o inventário, cabe-nos analisar alguns dados relativo às casas em estudo. Deste modo optamos por sintetizar graficamente alguns dados que consideramos relevantes para uma melhor caracterização e avaliação das casas selecionadas.

Gráfico 1 – Localização das Casas Brasonadas

Do universo de 30 Casas, 16 encontram-se na zona intramuros e as restantes 14 nos arrabaldes. Deparámo-nos com um relativo equilíbrio numérico dos imóveis quanto à sua implantação geográfica.

Gráfico 2 – Estado de conservação das Pedras de Armas

0 3 6 9 12 15 18 Intramuros Extramuros 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 Bom estado de conservação

Em recuperação Mau estado de conservação

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Ao longo do nosso projeto deparamos com situações que se foram alterando. Por exemplo algumas casas que inicialmente estavam em mau estado de conservação foram ao longo do ano 2012 alvo de recuperações. Referimo-nos, à Casa dos Freitas de Sampaio, no largo Condessa do Juncal, à Casa dos Araújo e Abreu, na rua Vale Donas e à Casa das Hortas na rua Dr. José Sampaio. A Casa da família Lobato e a Casa da família Moreira de Sá estão em mau estado de conservação e consequentemente devolutas. A primeira devido a abandono a segunda devido a um incêndio ocorrido neste século.

Concluímos que no universo de 30 Casas, a grande maioria encontra-se em bom estado de conservação e possíveis de serem visitadas.

Gráfico 3 – Número de Pedras de Armas existentes em cada Casa

Através da análise deste gráfico observamos que a 27 Casas correspondem a 27 Pedras de Armas. As exceções encontrámos na Casa Navarros de Andrade com duas Pedras de Armas na fachada do edifício; na Casa Vila Flor com duas Pedras de Armas, uma na fachada principal e outra na fachada posterior; e por último na Casa dos Couto, com duas Pedras de Armas em

0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30

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cada uma das fronteiras do edifício e uma terceira pintada no teto em madeira de uma das salas120.

Fig. 27 - Pedra de Armas pintada no teto de uma das salas da Casa dos Couto (Foto da Autora)

Gráfico 4 – Tipo de material utilizado na feitura da Pedra de Armas da fachada

120 Além deste teto com brasão pintado, encontramos numa das salas da Casa dos Pombais um teto em masseira de madeira

pintada com o brasão de família, ao centro.

0 5 10 15 20 25 30 35 Granito Metal

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Como seria de esperar numa cidade localizada numa região predominantemente de solos graníticos, a grande maioria das Pedras de Armas inseridas na fachada são de material granítico. A única exceção é a Casa da Família dos Borges Pais do Amaral localizada na rua da Caldeiroa, em que o material é em metal.

Gráfico 5 – Leitura Heráldica

No nosso trabalho de campo encontramos quatro casos em que não conseguimos fazer a leitura heráldica das pedras de armas, isso devido ao facto destas estarem picadas. Referimo- nos à Casa das Hortas, à Casa do Fidalgo do Toural, à Casa dos Laranjais e à Casa nº25 (largo dos Laranjais). Desconhecemos os motivos que levaram a que estas pedras de armas tivessem sido picadas. No entanto, através de um provimento do Corregedor121 datado de 22 de Fevereiro de 1786, redigido nas Casas da Câmara de Guimarães, relativo à posse indevida de Pedras de Armas, é deliberado o seguinte:

“ Nesta foi requerido pelos habitantes desta vila que muitas casas dela tinham armas na frente de suas casas ao mesmo tempo que os possuidores delas não são das mesmas famílias que tenham faculdade para poderem usar delas, pelo que proveu e mandou que os atuais

121 Trata-se do Dr. José Bernardo Alves do Vale. 0 5 10 15 20 25 30 Legivel Ilegivel

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possuidores das referidas casas para que lhe apresentem os títulos por que tem as ditas armas e não o fazendo, lhas mandem picar” 122

.

Nesta provisão denota-se que quem não comprovasse que o brasão inscrito na fachada da casa era de sua família, teria que o picar. Talvez seja esta a razão de algumas Pedras de Armas estarem picadas.

Gráfico 6 – Casas com Jardim esteticamente relevante

Das casas em estudo existem sete que possuem um jardim esteticamente relevante e de média dimensão, são elas: Casa do Proposto, Casa dos Pombais, Palácio Vila Flor, Casa do Canto, Casa de Cimães, Casa do Carmo e Casa dos Carvalho. Alguns destes jardins encerram tanques, fontes, chafarizes e arbustos de buxo. A maioria deles passa despercebido à população local, pois situam-se nas traseiras da casa. Apenas os jardins da Casa dos Pombais e da Casa do Canto possuem jardim a anteceder a frontaria da casa. Concluímos que a grande maioria das casas com jardim, como seria de esperar, situam-se no espaço dos arrabaldes, onde a pressão urbana ao longo dos séculos menos se fez sentir.

122 Documento publicado por CAPELA,1993: 259-260. 0 5 10 15 20 25

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Gráfico 7 – Utilização atual 123

Inicialmente as Casas Brasonadas que estudamos tiveram como utilização residencial. No século XX, muitas das casas perderam o seu caráter essencialmente habitacional para darem lugar a funções relacionadas com comércio e serviços. Esta mudança deveu-se ao fato de algumas das casas terem saído do património familiar por venda ou partilhas. Casos houve, embora se mantivessem no seio das famílias, por motivos de rentabilidade económica, as casas foram arrendadas em parte ou na totalidade. Atualmente, como podemos verificar pelo gráfico, encontramos apenas cinco casas exclusivamente utilizadas para fins habitacionais. Temos doze casos em que as casas mantêm o caráter inicial de habitação, no entanto partilham essa função com outras, nomeadamente comércio e serviços. Outras há (duas casas) que perderam a sua função habitacional e hoje dedicam-se exclusivamente ao comércio. Encontramos sete imóveis que atualmente têm como função exclusiva a prestação de serviço público.

123 Acerca da utilização atual das casas vejam-se as respetivas fichas de inventário no Volume II. 0 1 2 3 4 5 6 7

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Gráfico 8 – Tipo de proprietário da Casa

No que concerne aos proprietários das casas em estudo, podemos constatar através do gráfico 8 que a grande maioria está na posse de privados124 (25). Neste universo além das entidades individuais, incluímos também entidades coletivas, tais como: Instituições Bancárias, Associação Comercial e Industrial de Guimarães, Sindicato Têxtil, a Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, Irmandade de Nossa Senhora do Carmo e a Santa Casa da Misericórdia de Guimarães. No setor público (órgãos de poder local e central) encontramos apenas quatro casas. Tratam-se de imóveis pertencentes à Câmara Municipal de Guimarães (Palácio Vila Flor, Casa Navarros de Andrade125 e Casa dos Couto126) e à Direção Regional de Cultura do Norte (Paço dos Duques de Bragança). Por fim, com propriedade pública/ privada temos apenas um único caso. Trata-se da Casa da família Ribeiro de Carvalho pertencente ao Ministério da Justiça e a particulares.

124 Algumas casas estão na posse de mais que um privado. Podemos referir a Casa do Fidalgo do Toural, na posse de três

instituições bancárias e de um proprietário individual. Outro caso é a Casa dos Lobato que é pertença de um proprietário individual e de um coletivo (Santa Casa da Misericórdia de Guimarães) por disposição testamentária.

125 Aqui funciona o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta. 126 Sede do Tribunal da Relação de Guimarães

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28

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