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Informasjonsskriv og samtykkeskjema til elever

As respostas dos pares para as reclamações a eles dirigidas foram classificadas como: 1) solidarização; 2) neutra e 3) discordância. Das 18 reclamações, expressas pelos pares, 16 foram interpretadas como solidarizações, 1 como neutra e 1 como discordância. O gráfico 3 representa a proporção de ocorrência de cada uma dessas categorias. Na sequência, as categorias são apresentadas e caracterizadas através dos excertos. Gráfico 3 Solidarização 89% Neutra 5,5% Discordância 5,5%

4.3.1.1 Solidarização

Das 18 respostas coletadas, 16 pertencem a esse primeiro grupo. Foram consideradas 'solidarizações' respostas que davam suporte, referendavam e demonstravam compreensão às reclamações dos pares. Um traço característico das respostas desse grupo, quando enunciadas pelos pares nesse contexto, é a vinculação de uma espécie de reforço negativo, que será evidenciado na análise dos excertos. Além disso, em vários casos, fica evidente a intenção, por parte de quem responde, de expressar que ele compartilha com o par aquele mesmo problema ou insatisfação. Essa necessidade, de demonstrar para o par que reclama (e também para os demais ouvintes) que o problema é compartilhado, é expressa, como veremos, através de recursos que fazem com que a reclamação soe como um gesto mútuo, pelo uso de pronomes na primeira pessoa do plural ou através de uma reclamação solidária.

No excerto 30 a professora Márcia, ao narrar o desenvolvimento de uma atividade que havia sido elaborada pelo grupo de pesquisa-ação e que deveria ser aplicada em sala, reclama afirmando que seus alunos não quiseram copiar a atividade passada no quadro. Na sequência, a professora Júnia responde através de uma asserção que dá suporte ao argumento que a professora Márcia constrói em sua narrativa, o argumento de que os alunos não haviam participado da atividade porque estes não têm interesse e nem compromisso. Aqui é interessante ressaltar que a resposta de Júnia, ao dar suporte ao argumento de Márcia, funciona como um reforço negativo daquilo que foi dito. Seria possível, por exemplo, que a professora Júnia expressasse sua solidariedade com a reclamação da colega dizendo algo como: "isso acontece" ou "que chato". Contudo, a forma como Júnia responde, reforça o julgamento negativo que a professora Márcia faz de seus alunos.

(30)

MAR: Eu passei no quadro mas ninguém copiou. JUN: Má vontade.

No excerto 31, a sequência reclamação - solidarização se repete. O trecho foi gravado em um momento posterior do mesmo encontro registrado no excerto 30. Nesse trecho, a professora Márcia, ao continuar seu relato de insucesso na aplicação da atividade, reclama novamente de seus alunos. A professora Júnia novamente

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responde se solidarizando com a colega e, de certa forma, referendando aquilo que ela diz. No diálogo, a resposta de Júnia parece completar a reclamação construída por Márcia, fazendo com que a reclamação soe como um gesto mútuo - característica também observada por Boxer (1993a) em seu trabalho.

(31)

MAR: Uai, tem vez que eu chego na sala, não dá nem pra começar. JUN: Enrolando.

O caráter de solidarização das respostas dadas pelos pares fica ainda mais evidente em trechos como os dois apresentados nos excertos 32 e 33. Nos dois trechos nota-se que, ao responder à reclamação, as professoras utilizam a locução pronominal 'a gente', o que demonstra que a intenção é se colocar na mesma situação que a colega. O uso de 'a gente', no segundo excerto, pode também apontar para uma necessidade de expressar para a formadora que a situação é geral e ocorre com todos os professores.

(32)

MAR: Não, aí teve uns lá brincando, pregando na parede, entendeu? Olha para você ver! JUN: Depois que a gente toma raiva é pior.

(33)

JUN: (...) mas é porque os alunos, eles têm a ideia de que estudar Inglês é só a gramática XXX qualquer coisa que você faça, você não dá aula.

MAR: Até mesmo Português se a gente usa alguma coisinha que sai fora da gramática tradicional...

O excerto 33, acima, serve ainda de exemplo de duas formas típicas de se solidarizar com a reclamação do outro, identificadas por Boxer (1993a): elaboração da reclamação do falante e confirmação da validade da reclamação. Ao afirmar que "até mesmo em Português" o problema descrito por Júnia ocorre, Márcia apresenta mais argumentos a favor da reclamação da colega, ou seja, ela elabora a reclamação feita ao mesmo tempo que sustenta ou confirma sua veracidade. A elaboração da reclamação do par também faz com que esta soe como um gesto mútuo.

Algumas das respostas dadas pelos pares soam também como reclamações. Nesses casos, o colega, ao mesmo tempo em que se solidariza com o outro, expressa

de maneira evidente a sua própria insatisfação. No excerto 34, a professora Márcia relata um problema que teve com a direção da escola na condução de um conflito entre ela e uma aluna. A professora reclama da direção da escola ter feito ela pedir desculpas para uma aluna que teria se sentido ofendida em uma aula. Júnia responde afirmando já ter trabalhado nessa escola e reclama do fato da direção relevar os erros dos alunos culpando sempre o professor pelos conflitos. A resposta de Júnia é, dessa forma, uma reclamação solidária.

(34)

MAR: Dessa que me dá problema. Aí a direção foi, me chamou, entendeu, mandou eu ficar na frente da menina e pedir desculpas.

JUN: Eu já trabalhei nessa escola XXX. Lá eles sempre olham o lado do aluno, sabe? O professor é sempre o errado. [nome da escola], sabe, escola pública assim metida a particular, né, então a diretora lá é difícil.

O excerto 35 traz um exemplo semelhante ao anterior. Nele, a professora Júnia se solidariza com a reclamação da colega respondendo também com uma reclamação.

(35)

MAR: Não dá nem pra começar a aula. JUN: Vinte minutos pra parar de conversar.

4.3.1.2 Respostas neutras

Dentre as 18 respostas analisadas, apenas uma foi caracterizada como uma resposta neutra. No excerto abaixo, a professora Márcia novamente reclama da direção da escola. Segundo a professora, nos momentos de conflito entre alunos e professores, a direção da escola sempre responsabiliza o professor pelo problema. A reclamação é respondida por Júnia com uma concordância fraca que pode significar apenas que Júnia está escutando ou entendendo a reclamação da colega. Esse caráter fraco da resposta fez com que essa fosse considerada uma resposta de tipo neutra.

(36)

MAR: Mas a escola é tudo por conta dos alunos, entendeu? Se os alunos, se eles fazem um "A", quer dizer, eu tô sempre errada. Eles estão certos. Mas se eles fazem errado...

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4.3.1.3 Discordância

Apenas uma resposta dada pelos pares foi caracterizada como uma discordância (excerto 37). Durante as discussões do grupo a professora Márcia reclama da Escola Plural dizendo que o fim das reprovações é a fonte da falta de compromisso de seus alunos. A professora é então questionada pela formadora que sugere que nem todas as escolas da prefeitura de Belo Horizonte teriam esses problemas. A professora Márcia, então, sustenta sua reclamação dizendo que todas as escolas da prefeitura seriam assim. Ao que Júnia discorda, afirmando que estariam ocorrendo modificações nas escolas da prefeitura.

(37)

MAR: Não, é muito. São todas assim, entendeu?

JUN: Tá modificando o currículo. Assim, eles estão tentando pegar mais firme no currículo.