5.1 Presentasjon av funnene
5.1.1 Informantenes definisjon av relasjons kompetanse
A descrição e delimitação da população investigada, ou seja, dos sujeitos entrevistados, assim como o seu grau de representatividade no grupo social em estudo, constituem etapas fundamentais ao desenvolvimento desta pesquisa, já que se trata do solo sobre o qual grande parte do trabalho de campo foi assentado. Nesse sentido, a delimitação dessa população obedeceu à seguinte ordem de prioridade:
(1) Profissionais das Instituições de Educação selecionadas. Como justificativa para esse critério está a ligação lógica indissociável entre atuação da instituição e atuação dos profissionais que nela trabalham.
(2) Professores das Instituições de Educação selecionadas que possuíam nas suas salas de aula, alunos caracterizados como portadores de necessidades especiais. Esse critério tem como base a importância do papel do professor como peça-chave na condução e mediação do processo educativo em qualquer que seja a circunstância. Além disso, o fato de estar vivenciando a “inclusão” o faz mais apto a analisar e opinar
sobre sua experiência com a inclusão escolar de alunos caracterizados como portadores de necessidades especiais.
(3) Professores das Instituições de Educação selecionadas que tiveram algum envolvimento com a questão da inclusão dos alunos caracterizados como portadores de necessidades especiais. Este critério nasceu após a fase de observação participante em que a pesquisadora constatou a existência de profissionais nas instituições selecionadas que estavam envolvidos com a “causa inclusiva”, apesar de não estarem diretamente lidando com a inclusão desses alunos na instituição ou em suas salas de aula. Participavam de grupos de discussões ou já haviam lidado com essa temática em outro momento profissional e poderiam contribuir para o alcance dos objetivos propostos e no desvendamento do problema delineado.
(4) Gestores das Instituições de Educação selecionadas. Como justificativa para esse critério estão a importância e indissociabilidade da gestão para a condução da prática educativa, estrutura, organização e funcionamento das instituições de educação.
(5) Gestores das Instituições de Educação selecionadas que possuíam algum envolvimento com o processo de inclusão dos alunos caracterizados como portadores de necessidades especiais. Esse critério se justifica da mesma forma que o critério 3.
Esses critérios foram a base de seleção da população investigada, pois a definição exata da amostra de cada instituição investigada foi sendo construída ao longo da coleta dos dados, ou seja, o número de sujeitos que compuseram o quadro das entrevistas não foi determinado a priori, pois dependia da qualidade das informações obtidas em cada depoimento, assim como da profundidade e do grau de recorrência e divergência dessas informações. Enquanto estavam aparecendo "dados" originais ou pistas que poderiam indicar novas perspectivas à investigação em curso, as entrevistas continuaram. À medida que foram colhidos os depoimentos, foram sendo levantadas e organizadas as informações relativas ao objeto da investigação e, dependendo do volume e qualidade delas, o material de análise tornava-se mais consistente e denso. Quando foi possível identificar padrões simbólicos, práticas, categorias de análise da realidade e visões de mundo do universo em questão, deu-se por finalizado o trabalho de campo, sabendo que se poderia voltar para esclarecimentos e para a aquisição de
novas informações sobre acontecimentos e circunstâncias relevantes que foram pouco explorados nas entrevistas.
No entanto, na construção inicial desta amostra tomou-se por base um número mínimo de profissionais que fosse significativo e que, portanto, pudesse refletir o discurso da comunidade escolar pública de Viçosa, MG, no que se relaciona à educação inclusiva. Assim, a amostra foi sendo definida a partir do número total de professores e gestores de cada instituição selecionada. Delimitou-se, portanto, o número de profissionais entrevistados em dezenove professores e sete gestores, conforme mostrado no Quadro 1.
Quadro 1 – Distribuição do número de professores e gestores das instituições investigadas e das entrevistas realizadas
Nº DE PROFESSORES
Nº DE GESTORES
Profissionais Instituições Total * Entrevistados** Total * Entrevistados** Profª Maria José Santana 40 08 05 02 Effie Rolfs 29*** 06 05 02 APAE 26 05 05 03 TOTAL 95 19 15 07Fonte: Dados da pesquisa construídos a partir das propostas pedagógicas e regimentos escolares de cada instituição.
** Fonte: Dados da pesquisa.
***Apesar de a instituição possuir 56 professores, considerou-se somente o número de professores do Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) no ano de 2005.
É oportuno comentar a diferença de receptividade da comunidade escolar nessas três instituições. Por ter freqüentado a Escola Municipal Profª Maria José Santana durante dois meses, no período em que foram realizadas as observações participantes, era de se esperar maior envolvimento e cooperação por parte dos professores e gestores dessa instituição para a realização das subseqüentes etapas da pesquisa. No entanto, a resistência e o “medo” apresentados nos primeiros contatos permaneceram, demonstrando muita insegurança com relação ao trabalho desenvolvido pela instituição, não só com relação à educação inclusiva. Somente após os contatos posteriores com as outras duas instituições que me abriram literalmente as portas para o conhecimento dessa nova e, conseqüentemente, conturbada realidade educativa que pude perceber e comparar as diferenças de acolhimento.
Consideramos importante o relato de tal fato, pois pode ter havido certo viés no momento das entrevistas com as profissionais da Escola Profª Maria José Santana, relacionadas à indisposição em fornecer entrevistas e ao medo da crítica e da comparação, levando a discursos superficiais, evasivos e contraditórios ao que estava sendo observado na realidade dessas instituições. Para tentar contornar esse tipo de viés, procuramos manter nas entrevistas uma relação de confiança, deixando esses professores e gestores à vontade para se expressarem, além de deixar claro que as informações seriam anônimas, sem revelar os nomes das informantes. Mas, na sua maioria, as profissionais entrevistadas manifestaram-se receptivas e cooperativas, apesar de demonstrarem descrédito com relação à pesquisa na área educacional, alegando falta de aplicação prática quanto a essas questões no Brasil.