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Informantene om nylig personalendring og arbeid med nye arbeidsteam

In document Organisasjonskultur i barnehagen (sider 44-47)

4.2 P RESENTASJON OG DRØFTING AV FUNN ETTER KVALITATIVE UNDERSØKELSER

4.2.1 Informantene om nylig personalendring og arbeid med nye arbeidsteam

Ao longo de sua carreira como artesão, o artesão enfrentou uma série de desafios em relação ao crescimento do negócio. Dentre eles, ele destaca a ausência de capital para investir, as características do tipo de peça que produzia e dificuldades para aumentar a produção. Estes problemas relatados pelo sujeito são detalhados a seguir.

Em 1957, quando optou pela carreira de artesão, aos dezoito anos, Espedito Seleiro ressalta que sua maior dificuldade no início da carreira era a ausência de capital para investir:

Mas num tinha dinheiro pra comprar matéria-prima pra você fazer bem muita coisa assim do jeito que você desejava. Mas você tem que ir com paciência porque se você for de uma vez você desvanece e não um chega lá de jeito nenhum. E foi o que eu fiz [...] O dinheiro era pouco, mas eu comprei o deu pra comprar e até hoje nunca mais eu parei.

Quando eu comecei, você sabe que todo começo é assim, é atrasado, eu comecei, tinha esse problema, não tinha dinheiro e nem sei (sic) como ia comprar fiado. Aí fica ruim né, mas de qualquer maneira, tendo calma, Deus lhe ajuda e você chega onde você tem vontade.

O artesão acrescenta que, na medida em que foi se tornando reconhecido por seu trabalho, as dificuldades relacionadas à falta de capital para investir foram sendo dissipadas, pois conquistou amizades junto aos fornecedores e seu reconhecimento gerou credibilidade:

Hoje não falta mais dinheiro porque eu tenho conhecimento, o meu conhecimento é grande. [...] Aonde eu tô acostumado a comprar matéria prima eu, tanto faz eu ter dinheiro como não ter, eu compro material. [...] Se eu tiver com dinheiro aqui eu compro o material se não tiver, eu tenho aonde mandar pegar, basta ligar que eles mandam deixar (sic.).

Outro obstáculo foi a falta de reconhecimento. Na fase inicial da carreira, quando seu trabalho ainda não era conhecido, o Mestre Espedito explica que tinha dificuldades para vender suas peças: “quando eu comecei era difícil. Difícil mesmo porque num tinha gente de fora pra vir comprar e num tinha muito trabalho pra gente fazer por isso, porque num tinha gente de fora”. Para superar esta fase, o sujeito explica que se dedicou ao máximo às suas criações: “quando eu comecei a fazer as peças, eu fazia no capricho que era pra ver se arrumava cliente, né. Eu digo eu vou fazer bem feito que é pra eu arrumar bem muito (sic) cliente, pra nunca faltar”. A qualidade do trabalho e o tempo trouxeram o reconhecimento e os clientes passaram a procurar seus produtos:

Aí que fiquei trabalhando e [o] povo foram levando pras região, aí vinha gente de Pernambuco vinha gente de outros estados né, mandar eu fazer sela, que eu fazia era sela. Sela e gibão e chapéu, essas coisas de vaqueiro assim dos mato mesmo, né. Aí o pessoal dizia: rapaz eu vou mandar fazer esse arreio em Nova Olinda porque lá tem um cara bem novinho, o bicho é quase menino ainda, mas trabalha bom. Aí vinha pra cá, eu fazia o serviço e eles ficava (sic) bastante satisfeito e assim foi espalhando o conhecimento. Aí foi se esbrangindo (sic) pra fora e lá vai.

Espedito Seleiro, portanto, preferiu dedicar-se à criação de novas peças e à qualidade das mesmas, para, com isso, aumentar o reconhecimento e as vendas, o que resultou na

extinção do problema em relação á compra de matéria-prima. Nesta fase, a identidade artística prevaleceu sobre a empresarial.

Com o passar dos anos, a venda de artigos para vaqueiros começou a cair, pois como explica Mestre Espedito, a vestimenta completa de couro tornou-se cada vez mais cara e os vaqueiros começaram a preferir trabalhar usando bicicletas, motos, carros e caminhões. Além disso, o ciclo de vida dos produtos era muito longo: “porque uma sela que eu fazia é trinta ano (sic) pra se acabar, uma sela. Aí você faz uma peça que atura (sic) trinta anos, aquilo é uma coisa que vai dar pouco futuro ao artista”.

Essa fase, segundo o artesão, foi marcada por dificuldades nas vendas. Em, 1971, após a morte do pai, o problema se agravou, pois, sendo o filho mais velho, responsabilizou- se pela criação dos irmãos que não residiam em Nova Olinda: “[...] ele deixou um monte de filho dele, tudo de menor e eu truxe pr‟aqui (sic) [...], botei dentro da oficina, ensinei todos. Aí comecei a trabalhar. [...] Juntei meus irmãos com meus filhos e larguei o braço a trabalhar”.

Diante desta situação, o artesão percebeu que era o momento de diversificar seu trabalho:

Peguei os desenho (sic) das selas, daquelas selas bonita (sic) que existia que era dos ciganos, era do fazendeiro, era do deputado, era do governador [...]. Peguei o desenho da sela e joguei pra cima das bolsa (sic), sandálias.

Agora eu vou fazer o seguinte: eu vou mudar o estilo do meu trabalho. Se tiver futuro, for vendendo mais, eu vou aumentando, senão o jeito que tem é parar. Mas graças a Deus, quando eu mudei o estilo pra fazer sandálias, sapato e bolsa, sapato pra quadrilha, sapato pra filme, bolas, essas coisas, aí foi esbrangindo (sic).

Mesmo diversificando o seu estilo, Mestre Espedito não deixou de fazer o que aprendeu com seus antepassados: selas, gibões, chapéus e luvas de vaqueiros. Mas ele enfatiza que as novas peças foram bem aceitas, de tal modo que as vendas não mais foram sua preocupação principal.

Atualmente Espedito Seleiro enfrenta problemas para aumentar a produção, pois, privilegiando a qualidade de suas peças e o aspecto da criatividade e inovação, sente dificuldades para aceitar grandes encomendas:

Por exemplo você chega aqui e você me encomenda cem par de sandálias, todos modelos variados, umas duma cor, outra d‟outra, uma numeração tudo diferente. Se você me pedir quinze dias pra eu lhe entregar cem par (sic) eu não pego a encomenda. Porque eu não tenho gente suficiente pra isso. Aí se você manda eu fazer cem par (sic) de sandália, sandália complicada porque tem sandália aqui que a

gente faz cem em dois dias, a gente faz né, eu com os menino meu (sic), a gente faz em dois dia (sic) cem igual. Mas tem outras sandálias complicada (sic) que você investe noventa dias pra fazer cem igual (sic) porque as costura (sic) é toda feita a mão que nem você tá vendo aqui e é essa costurinha a mão aí é onde vai a complicação. Aí a gente pede um tempo, trinta dias, quarenta dias, dependendo do tanto de encomenda, né.

Esse problema, segundo o artesão, é seu maior desafio atualmente: “é difícil é de fazer a peça e entregar no dia certo que você me pede. No prazo certo. É só isso a complicação”. Assim, o artesão encontra dificuldades para aceitar grandes encomendas e entregá-las no prazo, pois o número de artesãos que com ele trabalham é insuficiente.

Ao analisar os desafios enfrentados por Mestre Espedito em relação ao crescimento do negócio, percebe-se que o artesão apresentou certos elementos do comportamento empreendedor. O sujeito, por exemplo, mostrou-se tolerante às incertezas e ambiguidades (FILION, 1999; TIMMONS; SPINELLI, 2003; BYGRAVE, 2004), além de reagir a mudanças ambientais (GREENHAUS; CALLANAN, 1994) que conduziram à oportunidade de criar novas peças, demonstrando visão acerca do ambiente de negócios (PARDINI; BRANDÃO, 2007).

No entanto, estas características empreendedoras se aplicam à atividade artesanal propriamente dita, em termos de variedade e qualidade para caracterizar o produto e manter a relação com os clientes. Por outro lado, Espedito Seleiro ainda possui sérias dificuldades para gerir o empreendimento em termos de aumento da produção, sem descaracterizar os produtos. Assim, a identidade artística relacionada ao artesanato parece prevalecer sobre a empresarial ou empreendedora propriamente dita.

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