5. PRESENTASJON AV RESULTAT
5.6 Informantane si eiga oppfatning av talemåla
À medida que se expandiram e fortaleceram, as Misericórdias tornaram-se em importantes instituições financeiras, que geriam um vasto património móvel e imóvel, proveniente, sobretudo, dos legados e heranças que receberam ao longo do Período Moderno. Todavia, nem sempre foi assim, as Misericórdias viveram momentos de grande debilidade, especialmente nos seus primeiros anos de existência.
Apesar dos privilégios que receberam, as Misericórdias, nos primeiros anos da sua existência, não reuniam as condições necessárias para colocar em prática todos os objetivos que
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lhe tinham sido atribuídos, como sucedeu com os doentes, reencaminhados para as unidades hospitalares mais próximas, pois estas confrarias não tinham espaços próprios para os seus tratamentos e cuidados. À medida que foram crescendo e se afirmaram, as Misericórdias incorporaram outros edifícios, como os espaços de culto, compostos pelas Igrejas e sacristias, destinados á prática das obras espirituais que lhe tinham sido atribuídas.
Nos primeiros tempos viviam sobretudo das esmolas, recolhidas ou doadas por terceiros ou membros das próprias confrarias. Reis, famílias nobiliárquicas e até os mais humildes, doaram importantes quantias para estas instituições na esperança de obter a redenção dos pecados. Os altos dignitários da Igreja também o fizeram, como nos comprovaram os diversos Arcebispos da cidade de Braga.
A Coroa instituiu-lhes a responsabilidade de pedir pelos pobres, um privilégio que usufruíram ao longo de toda a Idade Moderna. Enquanto membros destas confrarias, os irmãos podiam pedir nas localidades onde as Misericórdias estavam instituídas. Em épocas festivas, voltavam a pedir em nome dos mais carenciados, especialmente nas festas religiosas, como o Natal, a Páscoa, entre muitas outras cerimónias promovidas por estas instituições. Para além disso, cada instituição detinha esmoleiros próprios, o que estimulava à prática de caridade individual.
As esmolas dos monarcas estenderam-se a algumas Misericórdias, recebendo significativas esmolas processadas em dinheiro ou géneros, como o açúcar, usado nas práticas medicinais da época.69
Ainda que representassem uma fonte de rendimento, as esmolas representavam um papel muito pequeno nas receitas destas confrarias
À medida que se fortificaram e autodeterminaram, as Misericórdias ganharam não só uma maior dinâmica assistencial, como também, mais e novas fontes de rendimento. O desenvolvimento de algumas atividades, como os funerais e a cura dos doentes, transformaram- se em funcionalidades altamente lucrativas para estas confrarias, o que lhes trouxe destaque social e prestígio financeiro.
A partir do reinado de D. João III estas confrarias passaram a administrar novas fontes de rendimento, tais como: legados (pios e materiais), arrendamentos (prédios urbanos, rurais), e a aquisição de padrões a juro.70
69O açúcar, na Idade Moderna, era utilizado para fins medicinais, muito embora, algumas confrarias o comercializassem pelo elevado valor que representava para o mercado da época. Sá, Isabel dos Guimarães, «As Misericórdias da fundação à união dinástica», in Paiva, José Pedro (coordenador científico), Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Fazer História das Misericórdias, Vol. 1…, pp. 19-23.
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Todavia, foi sobretudo através da administração dos legados que as Misericórdias acumularam grande parte do seu património, pois monopolizaram praticamente as cerimónias fúnebres. Deste modo, estas confrarias congregavam um vasto património móvel, o que as estimulou a desenvolver outras atividades, nomeadamente a venda em leilão, o arrendamento das suas propriedades, e o dinheiro dado a juro.71 Quase todas as Misericórdias se envolveram
no lucrativo, mas também no perigoso setor do crédito. Ainda que semelhantes, os proventos destas instituições podiam variar dependendo do contexto em que estavam inseridas.
De modo a gerir este setor, estas confrarias contrataram funcionários destinados ao seu bom funcionamento, à semelhança da Coroa, podendo saldar os juros do dinheiro emprestado a crédito.72
O direito de gerir outras fontes de rendimento foi oficializado em 1577, período a partir do qual estas confrarias foram dotadas de autonomia financeira, isto é, de aproveitar os seus recursos financeiros para custear as despesas provenientes do setor assistencial.
A partir da segunda metade do século XVI, os funerais também passaram a assumir um papel de crescente importância nas fontes de rendimento destas confrarias, como sucedeu com a Misericórdia de Braga quando se instalou na sua nova sede.
Apesar da pouca informação em relação a este assunto, as Câmaras locais também podia oferecer esmolas às Misericórdias,73 como sucedeu com a Santa Casa de Castelo Novo e
Lamego, cujas Câmaras contribuíram para o pagamento das rendas das pastagens e com as sisas dos mercados domingueiros. Estas esmolas pretendiam fortificar as débeis estruturas destas confrarias, todavia, este tipo de contributos dependiam do contexto em que estavam inseridas, muito embora, a sua prática fosse sempre impulsionada pela Coroa portuguesa.
70 Sá, Isabel dos Guimarães, «As Misericórdias da fundação à união dinástica», in Paiva, José Pedro (coordenador científico), Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Fazer História das Misericórdias, Vol. 1…, pp. 19-45.
71 A concessão de crédito a juro foi fortemente condenada ao longo do Período Moderno, sendo mesmo proibida a sua prática pelo compromisso de 1577. A sua permissão, ainda que entrelinhas, está presente na ratificação do compromisso de 1618. Para ler mais sobre este assunto consulte-se Sá, Isabel dos Guimarães, «As Misericórdias nas sociedades portuguesas do período moderno», in Cadernos do Noroeste, 15:1-2, 2001, pp. 337-358.
72 Nomeadamente um juiz, tabelião e escrivão privado. Sobre este assunto, veja-se Abreu, Laurinda, «As Misericórdias de D. Filipe I a D. João V», in Paiva, José Pedro (coordenador científico), Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Fazer História das Misericórdias, Vol. 1…, pp. 47-77. 73 Consulte-se, para este assunto, Abreu, Laurinda, «As Misericórdias de D. Filipe I a D. João V», in Paiva, José Pedro (coordenador científico), Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Fazer História das Misericórdias, Vol. 1…, pp. 47-77.
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