6 Impact of Results on Field Scale
6.2.2 Application of the Subsidence Model
6.2.2.4 Influence of Uniaxial Creep and Water Weakening
Com os conhecimentos ora construídos, com as experiências e principalmente com os resultados alcançados, as professoras e coordenadoras das escolas de origem das crianças e jovens que frequentam o Apoio Pedagógico, passaram a estabelecer contato conosco, solicitando que fôssemos até a escola apresentar o relato dessa experiência.
Nessas vivências, observamos que, na maioria das vezes, esse novo olhar causa muitas rupturas, desenvolvendo os seguintes comportamentos:
Sensibilização e até arrependimento pelas transferências de culpas estabelecidas nas relações entre alunos e professores, entre pais e professores, entre professores e a escola como um todo.
À medida que a palestra vai sendo conduzida, os educadores vão, de forma muito espontânea, revelando as suas crenças, concepções que apoiavam seu jeito de conduzir as relações com esses aprendizes, e alguns deles demonstram resistência aos novos conhecimentos;
Assim como há os que resistem aos novos conhecimentos, outros nos procuram para anotar o referencial bibliográfico com o desejo de aprofundar os conhecimentos, pois relatam que após a explanação sentem necessidade de acolher esse grupo de outro jeito;
Há professores que nos pedem a cópia das atividades que desenvolvemos com os alunos, alegando que vão aplicar com outros em situação semelhante. Para nós, solicitações como esta são reveladoras de que a sua formação ainda não lhe permitiu compreender a relação teoria/prática; assim, mesmo sem conhecerem o referencial teórico que embasa a prática relatada, querem desenvolver as atividades coerentes com esse referencial;
Os diretores e professores sempre verbalizam a necessidade de implantar um apoio pedagógico na escola que possa favorecer a alfabetização dos que não conseguem se alfabetizar na sala de aula;
Há sempre alguns defendendo que só é interessante viabilizar o apoio pedagógico na escola, se houver compromisso do professor com a sua formação;
Os educadores passam a compreender melhor a ausência de alguns pais nas reuniões. Para esses pais, fica difícil ir para uma reunião e não compartilhar das mesmas alegrias dos pais em que os filhos não apresentam dificuldades para aprender. Passam a entender que a frequência desses pais nas reuniões do apoio pedagógico está diretamente relacionada à identidade que encontra nesse grupo;
Outro comportamento que os professores revelam em relação aos pais, é supervalorizar o apoio pedagógico porque percebem os filhos aprendendo. Essa questão é discutida com os professores e diretores no sentido deles compreenderem as diferenças entre intervir no coletivo e intervir de forma mais direcionada;
Outra questão bastante discutida na palestra é sobre os métodos de alfabetização, principalmente, os chamados métodos tradicionais. Há depoimentos do tipo: “agora entendi porque aprendi assim, mas não consigo fazer com que o aluno aprenda do mesmo jeito. Entendi também que esse seu jeito de alfabetizar faz o aluno usar a escrita e a leitura na vida dele”.
O depoimento de alguns pais fez com que levássemos para a palestra uma discussão acerca da leitura e da escrita voltada para a autonomia. A fala da mãe de um jovem revela bem essa questão: “Meu filho, depois que aprendeu a ler, me ajuda bastante: faz a nossa feira, sabe pegar o ônibus, sabe usar meu cartão do banco e sabe resolver a vida dele, já diz prá mim que agora tem chance de trabalhar”.
Observamos também um clima de tensão durante a palestra: um ou outro professor fala das culpas que se atribui ao sistema, essa reflexão gera muito conflito, pois existem os que defendem que o mau funcionamento é desencadeador de todos os problemas, como também há aqueles que pensam que é possível fazer alguma coisa no sentido de melhorar o ensino, independente da forma como o sistema funciona;
Um dado muito importante das reuniões está associado às crenças que os professores demonstram expressar em relação aos alunos de camadas desfavorecidas economicamente; eles acreditam que essas dificuldades não existem em crianças e jovens com maior poder aquisitivo;
Quando falamos que nem todos os alunos que estão conosco têm dificuldade para aprender, eles ficam querendo duvidar. Há uma crença que, se ele não tiver dificuldade, é só ensinar que ele vai aprender;
Finalmente, há também manifestações das representações que estabeleciam com a clínica. Muitos professores a concebiam como um espaço puramente assistencialista e havia muito preconceito pelo fato dela possuir marcas do atendimento institucionalizado, uma vez que, no Rio Grande do Norte, é pioneira no trabalho com pessoas com deficiências mentais.
Ao concluir a palestra, fazemos questão de falar um pouco da nossa trajetória profissional, estabelecendo um elo entre a nossa história de vida e a forma como nos relacionamos com a aprendizagem, apontando principalmente a necessidade de buscar incessantemente novos conhecimentos em espaços formativos que ajudem a alterar o olhar e, consequentemente, o fazer. Essa postura representa, antes de tudo, um compromisso com a alfabetização desses sujeitos.
Aceitar o convite de uma escola e relatar a nossa história bem sucedida com a alfabetização de alunos, antes ditos não capazes de aprenderem a língua escrita, representa a possibilidade de gestar reflexões mais profundas e alimentar o sonho de termos uma escola pública de boa qualidade.
Apresentado o percurso trilhado para fazer surgir e aprimorar o trabalho com alfabetização de crianças e jovens marcados pelo fracasso escolar, nos propomos, no capítulo seguinte, a fazer a análise de outros dados apreendidos no campo empírico do estudo. O próximo relato dissertativo da experiência tem como guia o tema, as categorias, as subcategorias e os indicadores, construídos ao longo da pesquisa, além de uma preocupação constante com a apreensão dos objetos de estudo definidos e a consecução dos objetivos norteadores das ações.
5 ALFABETIZAÇÃO/LETRAMENTO DE SUJEITOS MARCADOS
PELO FRACASSO ESCOLAR: QUE PROCEDIMENTOS?
5 ALFABETIZAÇÃO/LETRAMENTO DE SUJEITOS MARCADOS PELO FRACASSO ESCOLAR: QUE PROCEDIMENTOS?
Este capítulo foi elaborado a partir do entrelaçamento das teorias interacionistas por nós estudadas, das vivências acadêmicas e profissionais de uma professora apaixonada e das vozes de sujeitos-alfabetizandos, a princípio, considerados não-capazes de se alfabetizarem. Neste capítulo, serão relatadas muitas histórias que, juntas, formam uma grande história que expressa a vontade política de pessoas, muitas delas, anônimas - crianças e jovens alunos, famílias, professoras e outros profissionais - que buscaram/buscam a superação de desafios e preconceitos, num esforço conjunto de tornar realidade o direito à alfabetização, condição insuficiente, mas imprescindível para que se efetive o preceito constitucional do direito à educação.
A partir das ideias apreendidas no desenrolar da pesquisa-formação e das histórias de vida, emergiu a temática Procedimentos teórico-metodológicos
potencializadores da alfabetização/letramento, com suas categorias, subcategorias e indicadores, organizados nos quadros que se seguem, ao longo do capítulo, e que, de forma articulada, nortearão as nossas análises.
Quadro 2 – Tema, Categorias e Subcategorias relativos a Procedimentos Teórico-metodológicos Potencializadores da Alfabetização/Letramento
Tema Categorias Subcategorias
5 Procedimentos teórico- metodológicos potencializadores da alfabetização/letramento 5.1 Procedimentos transversais aos grandes eixos da alfabetização/ letramento 5.1.1 Didático-pedagógicos 5.1.2 Sócio afetivos 5.2 Procedimentos específicos dos grandes eixos da alfabetização/ letramento 5.2.1 Procedimentos que privilegiam a Oralidade 5.2.2 Procedimentos que privilegiam a modalidade Escrita da Linguagem 5.2.3 Procedimentos que privilegiam a Leitura
O nosso trabalho focaliza a aprendizagem da leitura e da escrita, na perspectiva do letramento. Com essa preocupação central, nos indagamos acerca dos desafios dessa aquisição, reconhecendo que os alunos, encaminhados pelas escolas, demonstram não ter construído, por inúmeros fatores, a compreensão dos princípios subjacentes ao nosso sistema de escrita alfabético. Assim sendo, procuramos centralizar as ações didáticas e metodológicas, de forma mais direcionada ao atendimento das necessidades do público assistido, favorecendo a