Entendemos que o livro Trilhas para ensinar Ciências para crianças apresenta possibilidades e diálogos para o exercício do ensino de Ciências, visto que os professores podem criar e modificar diversas situações a partir daquilo que é apresentado a eles. Os textos de orientação pedagógica do livro apresentam reflexões sobre o ensino de ciências no contexto da alfabetização, a intencionalidade e a mediação pedagógica, as ideias das crianças, a dimensão do trabalho escolar, investigação e experimentação, a importância da história da ciência no nível fundamental e a avaliação da aprendizagem da criança feita pelo professor.
Para melhor compreensão de como se deu o uso desse livro pela professora, apresentaremos em detalhes o capítulo escolhido por ela para apoiar sua prática.
O Capítulo 1: Os ambientes e os seres vivos
Neste capítulo as autoras discutem a diversidade de ambientes, com foco nas transformações que neles ocorrem, nas interações ecológicas entre os seres vivos e destes com os ambientes e, por fim, nas mudanças de estado físico da água em relação ao solo. Neste sentido, há textos que relembram aos professores os conteúdos.
As autoras defendem que o uso de figuras ou fotos sugeridas como atividades de ensino proporciona oportunidade de comparar, nomear ou propor legendas e para elaborar critérios para classificar os tipos de ambientes em função das transformações sofridas. A degradação de diversas origens aparece como objeto de estudo neste capítulo.
A sensibilização dos estudantes quanto à natureza, para as autoras, requer que os mesmos consigam interpretar, analisar e se posicionar sobre as notícias da mídia, além de adotarem atitudes ecológicas em situações cotidianas. Mais que isso, a obra defende que os alunos reconheçam e saibam explicar mesmo que de forma simplificada, a dinâmica dos ambientes e a importância da preservação da biodiversidade.
Constituindo-se de 40 páginas, esse primeiro capítulo do livro é composto de três tópicos e cinco sugestões de atividades, a saber:
Tópico 1.1 – Diversidade de Ambientes Atividade 1 – Construindo Combinados
Atividade 2 – Descrevendo situações ambientais diversas por meio de imagens Tópico 1.2 – Interações ecológicas
Atividade 1 – Montando e Analisando um terrário Atividade 2 – Cadeia Alimentar: Bingo!
Tópico 1.3 – Água e solo nos ambientes
Atividade 1 – A relação água e solo e as interferências humanas
Cada um dos três tópicos apresenta as ideias-chaves e a justificativa de inseri-lo no processo de ensino de Ciências. Para o capítulo 1 essas ideias são constituídas de um conjunto de conceitos, leis e teorias de forma que os princípios da ecologia como atributos de população e comunidades, a evolução de ambientes, o fluxo de energia e a ciclagem de nutrientes podem e devem ser trabalhadas em outros níveis dos anos iniciais.
Além disso, estão presentes na apresentação dos tópicos orientações sobre: a) Onde o tópico pode ser inserido – sugere o nível de complexidade com que o conteúdo pode ser abordado em cada ano dos anos inicias, e b) Conhecimentos a serem avaliados – sugere ao professor competências e habilidades que o aluno pode desenvolver com o conteúdo.
Em seguida o livro apresenta as sugestões de atividades relacionadas ao tópico e para cada sugestão de atividade o professor encontra as seguintes orientações: a) Conversando sobre a atividade proposta - apresenta outras possibilidades de o professor desenvolver o tema e esclarece como a atividade influenciará no processo de aprendizagem dos alunos, e b) Avaliação da aprendizagem - nessa coluna o professor dispõe de orientações sobre o que deve ser avaliado e sugestões de como fazer a avaliação.
Para ilustrar a linguagem utilizada pelo livro, apresentamos como exemplo a atividade “Montando e analisando um terrário”. Trata-se de uma sugestão para que a professora monte um terrário com o auxílio dos alunos, podendo ser em um vidro de aquário ou garrafa pet. A imagem (Figura 10), retirada do livro, demonstra como a montagem do terrário deve ser feita.
Figura 10: Ilustrando a montagem do Terrário Fonte: Lima e Loureiro (2013).
O próximo passo, denominado “Desenhando, descrevendo e observando o terrário”, o professor é orientado a solicitar aos alunos que façam um desenho do terrário no caderno e anotem o que eles esperam que aconteça com as plantas, decorridos alguns dias. Além disso, sugere-se que os alunos escrevam um texto contando como foi a montagem do terrário.
Após algumas considerações sobre o tema os professores se deparam com a coluna “Conversando sobre a atividade proposta”, que traz algumas nuances do pensamento infantil sobre as plantas, e o que a professora poderá abordar diante disso. O texto esclarece que o registro das ideias das crianças antes de visualizarem o que aconteceu no terrário, coloca-as em conflito com as observações a serem feitas tendo decorrido alguns dias da montagem do terrário.
Quando as crianças são colocadas em roda para dizer o que pensam ou para contar como resolvem um problema proposto, cada uma delas tem necessidade e direito de falar. Costumamos nos dar por satisfeitos quando algumas delas já falaram e as outras estão apenas repetindo. Mas, as crianças querem ser ouvidas e necessitam verbalizar seus pensamentos como atividade de cognição, isto é, como produção e reelaboração de ideias. O fato é que pensamento e palavra estão intimamente ligados, conforme os estudos realizados principalmente por Vygotsky e seguidores. (LIMA; LOUREIRO, 2013, p.70).
Figura 11: Ciclo da água Fonte: Lima e Loureiro (2013)
A figura 11 é apresentada para ser utilizada em exercícios de demonstração, fixação e avaliação do conteúdo trabalhado com a atividade do terrário.
Diante do exposto, verificamos que o livro busca tornar reflexiva a ação dos professores, para que não apenas aceitem as sugestões contidas nele, mas que se apropriem de forma consciente desse conteúdo para compreenderem melhor os desdobramentos de seu próprio ofício.