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Kapittel 5 54

6.4 Individualisme og kollektivisme

6.4.1 Individualisme møter kollektivisme

De acordo com os teóricos pesquisados, afetividade pode ter diversos significados. Para Vygotsky é tudo aquilo que não está ligado diretamente ao intelecto; o autor afirma ainda que reconhecer a íntima ligação entre pensamento e afetividade é uma condição necessária (VYGOTSKY, 2007).

Para Wallon, as emoções são a exteriorização da afetividade, que por sua vez é a capacidade de ser afetado pelo outro. Para ele, a emoção estabelece uma relação imediata entre os indivíduos, independentemente das condições intelectuais (WALLON, 1986).

Já para Piaget, a afetividade não se restringe às emoções e aos sentimentos, mas engloba também as tendências e a vontade. Inteligência e afetividade são, para ele, diferentes em natureza, mas indissociáveis na conduta concreta da criança (SOUZA, 2003).

Dessa forma, é fundamental, pois, que um educador, para realizar o que se espera dele em sala de aula (ensinar), busque ter conhecimento mínimo da influência de sua postura para o desenvolvimento de seus alunos.

Gráfico 5 - Sobre afetividade, qual sua concepção?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

A primeira pergunta básica foi sobre o que as professoras entendiam por afetividade. A maioria delas, sessenta e cinco por cento, entende por afetividade aquilo que está ligado às emoções, ao envolvimento emocional que elas mantêm com seus alunos. Trinta e cinco por cento afirmaram que afetividade é a exposição de sentimentos, ou seja, são afetivas quando demonstram seu carinho, afeto ou amor. Duas professoras, na possibilidade de acrescentar outras informações, ainda completaram: afetividade é o carinho e o amor no que fazemos, e a

afetividade se mostra no comprometimento, visando à formação global do aluno.

Verifica-se aí o conceito de afetividade ligado à responsabilidade com a formação do aluno, no envolvimento que se tem com cada um e como o amor pelo que se faz é fundamental para o ensino. É importante ressaltar que o conceito cartesiano da emoção como contrário da razão não aparece, ficando claro que para as professoras pesquisadas, as duas instâncias caminham juntas, se desenvolvem concomitantemente.

Gráfico 6 - Como a afetividade aparece no dia a dia da sala de aula

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

Ao fazer análise do gráfico 6, pode-se verificar que nove professoras marcaram mais de uma alternativa para as possíveis respostas. Cinquenta e dois por cento das professoras se veem afetivas na prática pedagógica, constatando isso através da atenção dada individualmente para cada aluno.

Vinte e nove por cento percebem que ao explicar minunciosamente uma tarefa para seu aluno ela está sendo afetiva, ou seja, demonstrando sua paciência e seu carinho. O contato físico também é visto como uma forma de demonstrar a afetividade. Para dezenove por cento das professoras, um beijo, um abraço ou um carinho pode ser visto como um envolvimento emocional.

3.4.2 Categoria II – Da relação afetiva

Para Assmann (2007, p. 23), “a escola deve ser um lugar gostoso”. Um lugar de relações positivas, onde professor se relaciona com aluno, aluno com professor e aluno com aluno, somente desta maneira poderá acontecer uma aprendizagem significativa, que para Colombo (2011), surge a partir daquilo que o aluno já sabe, possibilitando uma nova aprendizagem.

A relação afetiva pode ser marcada de diversas maneiras: aproximação física, contatos visuais e verbais, expressões faciais, incentivos e apoios, entre outras formas. Assim, é através da relação professor-aluno, nas atitudes que vão além das dimensões cognitivas, que envolvem as afetivas, que está o sucesso do processo de ensino-aprendizagem.

De acordo com Leite, “é possível afirmar que a afetividade está presente em todos os momentos ou etapas do trabalho pedagógico desenvolvido pelo professor, o que extrapola a sua relação tête-à-tête com o aluno” (2008, p. 31). Sendo assim, analisar a questão da afetividade em sala de aula significa olhar a interação entre professor e aluno e as práticas pedagógicas desenvolvidas neste ambiente.

Gráfico 7 - Como é o relacionamento entre você e seus alunos?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

De acordo com o gráfico 7, para setenta e um por cento das professoras, o respeito predomina na relação em sala de aula. Porém, vinte e nove por cento afirmam que é a amizade entre professora e alunos que mantém um relacionamento saudável em sala de aula. Duas professoras marcaram duas alternativas, tanto respeito como amizade.

Auxiliar o aluno no processo de aprendizagem é mostrar o respeito ao ritmo de cada um, individualmente, e ao mesmo tempo, esperar o respeito recíproco do aluno para com a professora.

Pode-se perceber também que, a autoridade não é interpretada pelas professoras como uma situação positiva, pois segundo uma professora, na possibilidade de acrescentar outras

informações, com crianças pequenas, de seis ou sete anos, não conseguimos bons resultados

se lhes impusermos tarefas.

Gráfico 8 - A que você atribui esse relacionamento?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

De acordo com os dados do gráfico 8, setenta e dois por cento das professoras atribuem um relacionamento positivo com seus alunos devido ao carinho que elas têm por eles. Vinte e quatro por cento atribuem à liberdade que elas dão aos seus alunos. E apenas uma, quatro por cento, atribui à posição que ela ocupa enquanto professora. É importante ressaltar que três professoras marcaram duas alternativas, tanto quanto à liberdade, quanto ao carinho.

Apesar da maioria das professoras entender que tem uma relação de respeito com seus alunos por consequência do carinho que elas mantêm com eles, algumas ainda acreditam que eles as respeitam porque elas dão liberdade de expressão a eles. Há ainda a professora que acredita que os alunos a respeitam por causa da posição que ela ocupa enquanto professora. De acordo com o relato de uma professora, na possibilidade de acrescentar outras informações, esse relacionamento acontece pela troca de experiência do dia a dia.

Segundo Pedro Morales, o professor ideal precisa ter uma boa conduta e competência para ensinar, atitudes como controlar a classe, ser compreensivo, atencioso, estar disponível para ajudar os alunos são fundamentais para se manter um bom relacionamento. Para ele, a

relação professor-aluno é humana e influi tanto para o bem como para o mal. O autor ainda completa:

O professor transmite ensinamentos importantes e duradouros, os alunos também influem sobre o comportamento do professor, que ao perceber a dedicação e o sentimento do aluno em relação aos trabalhos, dedica-se mais e passa a melhorar o ser modo de tratar seus alunos, mas quando isso não ocorre, o professor não deverá punir-se como culpado, precisará controlar seus sentimentos e não responder com desinteresse ao desinteresse de seu aluno (MORALES, 2011, p. 63).

Gráfico 9 - No dia a dia da sala de aula, seus alunos mostram-se atentos com as questões afetivas?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

De acordo com o gráfico 9, setenta e três por cento das professoras afirmam que os alunos sempre se mostram atentos com as questões afetivas. Nota-se aqui, que não são apenas as professoras que se preocupam com a afetividade, seja no preparo das aulas ou no contato diário com os alunos, mas também os alunos estão atentos a essas questões, quando solicitam uma atenção ou quando demostram seu carinho pela professora.

Vinte e sete por cento afirmam que os alunos se preocupam com as questões afetivas às vezes, ou seja, quando necessitam de um olhar diferenciado por parte da professora. Independentemente de ser sempre, ou às vezes, o importante é que o gráfico nos revela que, em algum momento, os alunos estão atentos às questões afetivas, seja no momento de prestar

atenção numa atividade, ou de solicitar ajuda na execução de uma tarefa, ou ainda, no momento de dar um abraço ou contar uma história pessoal.

Gráfico 10 - Como você percebe isso?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

De acordo com o gráfico 10, seis professoras marcaram mais de uma alternativa, ficaram entre quando necessitam de maior atenção e quando querem contar histórias pessoais. Porém, quarenta e três por cento das professoras entendem que quando os alunos necessitam de maior atenção eles estão preocupados com a afetividade, ou seja, eles precisam de atenção e carinho.

Trinta e nove por cento das professoras afirmam que percebem quando os alunos estão mais ligados às questões afetivas, quando eles querem contar histórias pessoais, ou seja, quando chegam à escola solicitando a atenção da professora só para eles. Dezoito por cento afirmam ainda que percebem a preocupação afetiva por parte dos alunos, quando os mesmos necessitam de contato físico.

Se para Freire (2005), educar é também uma ato de amor, para Moraes (2008, p. 253), “educar implica criar um espaço de convivência agradável, prazeroso e emocionalmente sadio”. É pautado nessas afirmações, que é possível dizer que as professoras, que responderam este questionário, se preocupam a todo momento em criar laços de amor, em manter ambiente emocionalmente sadio, mesmo quando há necessidade de ouvir uma história pessoal antes de introduzir as atividades do dia.

3.4.3 Categoria III – Do impacto na Aprendizagem

Para aprender é indispensável que haja um clima e um ambiente adequados, constituídos por um marco de relações em que predominem a aceitação, a confiança, o respeito mútuo e a sinceridade. A aprendizagem é potencializada quando convergem as condições que estimulam o trabalho e o esforço. É preciso criar um ambiente seguro e ordenado, que ofereça a todos os alunos a oportunidade de participar, num clima com multiplicidade de interações que promovam a cooperação e a coesão do grupo (ZABALA, 1998, p. 100).

De acordo com Colombo, “no caso da alfabetização, a mediação contribui de forma significativa para a construção do conhecimento, possibilitando uma relação positiva do aluno com a linguagem escrita” (2011, p. 192). Dessa forma, é possível afirmar que um relacionamento adequado entre professores e alunos, gerando um ambiente harmonioso em sala de aula, potencializa a aprendizagem.

Tendo como princípio que o processo de alfabetização é para além do ensino das habilidades de leitura e de escrita, priorizando o gosto pelas práticas sociais da leitura e da escrita, o trabalho pedagógico não pode estar desvinculado das dimensões afetivas. Se para Lage, “o professor não ensina, arranja modos de a própria criança descobrir” (2013, p. 22), pode-se afirmar que é envolvendo os alunos nas atividades propostas, é conquistando a atenção deles, que o professor vai proporcionar uma aprendizagem eficiente, na qual o próprio aluno constrói o seu conhecimento.

Gráfico 11 - Ao planejar suas atividades, você se preocupa com a questão da afetividade?

Apesar de não ser em primeiro lugar, o gráfico 11 revela que sessenta e um por cento das professoras pesquisadas disseram que se preocupam com as questões afetivas quando estão preparando uma aula, principalmente quando elas pensam se todos os alunos vão conseguir aprender o que elas propõem, se todos irão alcançar os objetivos propostos. Trinta e cinco por cento afirmam que se preocupam em primeiro lugar.

Apenas uma professora, quatro por cento, diz não se preocupar com a questão da afetividade quando prepara suas atividades, sobre isso Morales afirma:

O que se ensina sem querer ensinar e o que se aprende sem querer aprender pode ser, e com frequência é, o mais importante e o mais permanente do processo de ensino- aprendizado, e por sua vez depende, em boa medida, do estilo de relação que estabelecemos com os alunos (MORALES, 2011, p. 16).

Pode-se afirmar, então, que mesmo que não seja intencional, essa preocupação existe, pois, quando as professoras se preocupam em motivar seus alunos a fim de que eles se envolvam na atividade proposta, há uma intenção afetiva relacionada.

Para Morales, “a motivação para aprender envolve inúmeros fatores interligados mutualmente dentro e fora da escola num processo embutido de emoção, motivação e afetividade, assim, pensamos que não há aprendizado se o educando não está motivado” (2011, p. 50).

Para Vygotsky (2007), a cognição tem origem na motivação, mas ela não brota espontaneamente, por isso, é necessário que alguém a direcione para aquilo que quer. Para Piaget (2010a), a motivação é como um desafio, é a procura para a resposta quando a pessoa está diante de uma situação que ainda não consegue resolver.

Pensando nessas três teorias (Morales, Vygotsky e Piaget), é possível afirmar que quando uma professora prepara suas atividades e imagina que todos os seus alunos irão conseguir realizá-la, ela está fazendo da sala de aula um espaço de motivação, e não somente um lugar onde a preocupação única é a transmissão de conteúdos.

Gráfico 12 - Qual impacto que a relação afetiva que você mantém com seu aluno tem em relação ao processo de aprendizagem dele?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

O gráfico 12 nos revela que noventa e um por cento das professoras entrevistadas afirmam que a relação afetiva que elas mantêm com seus alunos influenciam diretamente no processo de aprendizagem deles. Elas compreendem que quanto mais próxima elas estão deles, quanto maior a atenção dada, melhor será o processo de aprendizagem. Quanto mais afetivo o ensino, mais significativo é o aprendizado. Nove por cento das professoras acreditam que este impacto acontece de forma indireta.

De acordo com estudos realizados pela neurociência, “quanto mais emoção contenha determinado evento, mais ele será gravado no cérebro”, afirma o Iván Izquierdo, médico neurologista e coordenador do Centro de Memória da PUC – RS. Nesse sentido, é possível dizer que o professor, estando atento às emoções de seus alunos, consegue atingi-los de forma mais significativa.

Para Wallon (2007), os acontecimentos à nossa volta estimulam tanto os movimentos do corpo quanto a atividade mental, interferindo no desenvolvimento. Assim, ao cantar, propor jogos em grupos e manter na sala de aula um ambiente agradável, o professor está favorecendo o aprendizado.

Segundo Vygotsky (2007), para compreender o funcionamento cognitivo – razão ou inteligência –, é preciso entender o aspecto emocional. Para ele, os dois processos são uma unidade: o afeto interfere na cognição e vice-versa. Dessa forma, é possível afirmar que o

relacionamento saudável entre professor e alunos influi diretamente nos resultados alcançados por eles no processo de aprendizagem.

Gráfico 13 - Como?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

De acordo com o gráfico 13, quarenta e cinco por cento das professoras afirmam que o impacto da relação afetiva no processo de ensino-aprendizagem se dá na preocupação que elas têm quando pensam se todos vão compreender o que elas pretendem ensinar.

Vinte e três por cento afirmam que o impacto aparece na atenção individualizada, pois de acordo com a questão, muitos alunos requerem essa atenção diariamente. Neste questionamento, trinta e dois por cento das professoras afirmam que as atividades lúdicas aparecem como um meio de favorecer a aprendizagem e ao mesmo tempo manter certo envolvimento afetivo entre professora e alunos.

Gráfico 14 - Você já observou se quando os alunos estão envolvidos com a atividade proposta eles apresentam melhores resultados do que quando não há envolvimento?

Fonte: Pesquisa de Campo – questionário.

Esta questão comprova que, quando envolvidos na atividade, os alunos apresentam uma aprendizagem melhor do que quando estão alheios ao que lhes é proposto. Noventa e cinco por cento das professoras disseram que já observaram que quando os alunos estão envolvidos com as atividades em sala de aula, eles apresentam um resultado melhor. Apenas uma professora afirma que o resultado é melhor quando há envolvimento, algumas vezes, nem sempre.