Paradokser og metaforer
Paradoks 7: Individ versus kollektiv
No decorrer das três primeiras edições do FSM, sua estrutura organizativa se consolidou. Após a convocação do Fórum lançada em Genebra (2000), a partir das reuniões entre ATTAC, Le Monde Diplomatique, integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, e outras entidades brasileiras, se constituiu a secretaria internacional do FSM, composta pelas seguintes entidades: Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (CIVES); Associação Brasileira de ONG´s (ABONG); ATTAC-Brasil; Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE); Central Única dos Trabalhadores – CUT; Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CNBB – Igreja Católica); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.
Com a evolução do FSM, este comitê se transformou em uma secretaria internacional do FSM ao realizar o papel de articulador dos encontros mundiais, ponte com o processo em
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Nas primeiras edições do FSM as atividades que o ocorriam no ginásio Gigantinho com Eduardo Galeano, Noam Chomsky, Leonardo Boff e outros chegavam a reunir entre 15 e 20 mil pessoas.
outras regiões e países, assim como facilitador do Conselho Internacional que surgiu em junho de 2001, entre os dias 09 e 11 de junho, do qual fazem parte, entre outros, a ATTAC; a Focus on the Global South; a CLACSO (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais); o Fórum Mundial de Alternativas; a OCLAE (Organização Continental Latino-americana de Estudantes); a Via Campesina; a Marcha Mundial de Mulheres; a rede 50 years is enough; o Jubileu Sul (Igreja Católica); o Fórum Social de Gênova; o CADTM (Comitê de Anulação da Dívida do Terceiro Mundo); as plataformas internacionais de centrais sindicais CIOLS e CMT, e outras, completando hoje 163 organizações, sendo a grande maioria das Américas e da Europa Ocidental. Segundo os princípios estabelecidos ao se constituir o Conselho Internacional, esta é uma instância permanente que tem como finalidade assegurar a continuidade do FSM e com papel protagonista na orientação das diretrizes políticas e na definição dos rumos estratégicos do FSM. Não constitui, no entanto, segundo seus fundadores, uma instância de poder, e nele não há mecanismos de disputa de representação e nem de votos.
A formação e modo de funcionamento do CO, SI e CI sempre foi bastante questionada entre os movimentos. Ocorre que nenhuma das três instâncias foi formada de modo minimamente democrático, e muito menos seu funcionamento obedece a algum preceito da democracia participativa ou representativa. O CO se auto-organizou e através de convites direcionados criou o CI. Nenhuma das duas instâncias presta contas de suas atividades e decisões ao conjunto de atores que formam o FSM. A democratização do CO no âmbito brasileiro só se deu em 2005 para a organização do encontro de Porto Alegre, que ocorreu após o encontro de Mumbai, mundialmente conhecido por ter organizado o FSM através de um Comitê Organizador amplo, representativo e democrático. Não fosse esta “pressão” indiana implícita no processo preparatório de Porto Alegre, 2005 dificilmente o COB teria sido ampliado das 8 entidades tradicionais para 23. Logo após o FSM de Porto Alegre, o COB ainda chegou a se reunir para preparar o Fórum Social Brasileiro, mas logo se desfez, nunca mais voltando a se reunir e a ser reconhecido como o Comitê Brasileiro. As oito entidades iniciais, primeiramente como CO, depois SI, depois COB (8 + 15), depois como Coletivo Brasileiro e, últimamente, como GRAP mantiveram o núcleo de sua estrutura original, com alguma variação na intensidade do envolvimento de algumas, com o afastamento da Rede Social e a incorporação do IPF. Certo “poder” sempre esteve na mão deste coletivo, cabendo a ele, muitas vezes, fazer valer a Carta de Princípios, o caráter de “espaço aberto” dos encontros, as decisões por consenso nas plenárias do CI, as viagens de expansão e articulação
do processo, a concessão de entrevistas sobre o FSM, as reuniões com os representantes de governos envolvidos.
A divisão de papéis entre o CI e o CO sempre foi muito ambígua, sendo possível perceber, no entanto, que o CI foi ganhando mais legitimidade ao longo do tempo e o CO foi perdendo legitimidade, principalmente pelo fato de ser formado por um conjunto de entidades brasileiras. Durante os anos de 2002 e 2003, o Comitê Organizador Brasileiro passou a ser chamado de Secretariado Internacional. Este secretariado foi ampliado quando se decidiu realizar o FSM na Índia em 2004. Um conjunto de organizações, pertencentes ao Comitê Organizador Indiano, foram escolhidas para formar um novo secretariado, agora composto por brasileiros e indianos.
O Comitê Organizador Brasileiro, que depois se transformou em Secretariado Internacional, sobreviveu como tal por mais alguns anos. Foi ampliado para um corpo de 23 entidades na preparação do FSM 2005, quando o encontro retornou ao Brasil. Posteriormente, se desdobrou para acompanhar os três fóruns do FSM Policêntrico de 2006 (Caracas, Mali e Karachi). Em 2007, com o FSM de Nairóbi, começou a perder forças significativamente até que em maio de 2007, a reunião do Conselho Internacional de Berlin resolveu pela criação de um Grupo de Enlace do Conselho Internacional em substituição do Secretariado. O Grupo de Enlace seria uma espécie de grupo facilitador das próprias reuniões do CI e do funcionamento de suas comissões. Seria o fim oficial do CO ou Secretariado brasileiro. Em outubro de 2007, na reunião do CI de Belém, o Grupo de Enlace foi escolhido entre os membros do CI. Foram observados critérios de gênero, região do mundo, tipo de movimento, área de atuação, tipo de organização, para a composição de um corpo de 16 entidades que contasse com o crédito do conjunto do CI. Esta primeira gestão do Grupo de Enlace funcionou até maio de 2010 quando uma nova composição de entidades foi escolhida em plenária do Conselho Internacional no México.
Durante o período em que perderam legitimidade, recursos e viabilidade algumas entidades formadoras do CO formaram um novo corpo, o GRAP: Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo Fórum Social Mundial. No site do GRAP55, a seção “Sobre nós” encontra-se em branco, mas sabe-se que sua composição é basicamente a mesma do Secretariado com exceção de CUT, MST e Rede Social e com a adição do Instituto Paulo Freire (IPF). Sua
principal atuação até o momento se deu na preparação do encontro denominado: “Seminário 10 anos depois”56, ocorrido no mês de janeiro de 2010 em Porto Alegre.