CHAPTER 2 LITERATURE REVIEW
2.2 F INDINGS
Nesta seção, apresentamos os resultados encontrados nos inventários de estratégias de leitura aplicados aos dois grupos de leitores, os leitores do texto A (com infográfico) e os leitores do texto B (sem infográfico).
4.2.1 Inventário de estratégias de leitura: Texto A
Em nossa análise das estratégias assinaladas pelos participantes no inventário aplicado aos leitores o texto A (cf. apêndice III), observamos que 60% das estratégias contidas no inventário foram assinaladas por mais da metade dos leitores. Constatamos também que cada uma das estratégias do inventário dos leitores do texto A foi marcada em média por 51,81% deles. Em
106 relação às estratégias comuns aos dois inventários, verificamos que os leitores do texto A assinalaram em média 44,63% das 18 estratégias comuns aos dois grupos e os leitores do texto B 47,75% (para mais detalhes cf. apêndice VII e VIII).
As estratégias mais usadas foram (das mais às menos assinaladas) observei o título do texto e estabeleci hipóteses sobre o seu assunto; eu relacionei as imagens ao texto verbal que as acompanhava; eu relacionei o infográfico ao texto que o acompanhava; e eu observei as imagens para entender melhor o que estava no texto verbal que a acompanhava (todas as estratégias anteriores foram assinaladas por 88,23% dos leitores do texto A); eu observei as imagens e as relacionei com o assunto do texto (por 82,35%); eu analisei se as informações do infográfico e do texto verbal da reportagem fazem sentido uma em relação a outra (por 76,47%); enquanto li, revisei e reconsiderei os conhecimentos que tinha sobre o assunto do texto; reli trechos quando encontrei dificuldades para compreendê-los (por 70,58%).
Verificamos que dentre as 8 estratégias acima mencionadas 5 se referem às estratégias de observação da multimodalidade. A partir desta análise é possível evidenciar que as estratégias usadas na leitura de textos que envolvem a interação entre as linguagens verbal e não verbal foram amplamente citadas e estão entre as mais assinaladas pelos os leitores do texto A.
Verificamos ainda que algumas estratégias foram mencionadas por um baixo número destes leitores, contando com menos de 25% de citações, a saber: somente passei o olho em trechos que considerei pouco relevantes para a compreensão do texto, com 0%; pulei trechos do texto que não entendi, com 5,88%; formulei mentalmente alguma pergunta sobre o texto para entendê-lo melhor, com 17,64% e também deduzi informações do texto para compreendê-lo, com 23,52%. Todas estas estratégias estão relacionadas à leitura de textos de modo geral.
Em relação às estratégias para a leitura de textos multimodais foi possível observar também o amplo uso destas estratégias de leitura. A menos assinalada foi: eu observei o infográfico para entender melhor o texto da reportagem, com pouco menos que 50%. A maior parte destas estratégias foi assinalada por mais de 76% dos leitores.
Dentre estas estratégias três foram as mais citadas, a saber: eu relacionei as imagens ao texto verbal que as acompanhava; eu relacionei o infográfico ao texto que o acompanhava; eu observei as imagens para entender melhor o que estava no texto verbal que a acompanhava (cada uma foi assinalada por 88,23% dos leitores do texto A). Estas estratégias foram confirmadas por meio das respostas dos participantes à pergunta 14 da entrevista feita aos leitores do texto A.
107 Como já comentamos, houve dois participantes que observaram o infográfico, mas não leram suas legendas, o A1 e o A16. Notamos que estes dois participantes não assinalaram a primeira das três estratégias acima mencionada, confirmando assim, que de fato não leram as legendas.
Quanto à estratégia eu relacionei o infográfico ao texto que o acompanhava, observamos que apesar de o A1 tê-la assinalado não foi possível confirmar isso em suas respostas à entrevista, uma vez que elas se basearam em seus conhecimentos ou suposições sobre os infográficos e não de fato em sua leitura deste. Mesmo assim, também não podemos afirmar que o participante não tenha usado esta estratégia em relação às imagens que observou. Constatamos ainda que apesar de não ter lido as legendas o A16 assinalou a última estratégia anteriormente mencionada. Em sua entrevista foi possível constatar que ele fez isso somente em relação à imagem da legenda 5 de tsunamis que ele não conseguiu entender.
As duas estratégias de leitura de textos que integram a linguagem verbal e não verbal menos usadas foram: eu observei o infográfico para entender melhor o texto da reportagem, com 47,05%, e eu usei pistas dadas por imagens quando li o texto, com 52,94%.
Como mencionamos no capítulo anterior, no inventário oferecemos a oportunidade aos participantes de colocarem outras estratégias que usaram, mas que não estavam entre as listadas por nós. Observamos que 17,64% dos os leitores do texto A disseram ter usado outras estratégias, a saber: observei o infográfico para compreender melhor o texto verbal, usei pistas dentro do texto para compreender o sentido de palavras às quais não sabia o significado e li pausadamente para guardar melhor as informações. A primeira estratégia é parecida com uma das estratégias listadas por nós no inventário, porém o participante fez uma ressalva, dizendo que leu o infográfico apenas uma vez, no inicio de sua leitura, não recorrendo a ele em outros momentos.
4.2.2 Inventário de estratégias de leitura: Texto B
Na análise do inventário aplicado aos leitores do texto B (cf. apêndice IV) constatamos que cada estratégia foi assinalada em média por 47,75% dos participantes. Se comparado aos leitores do texto A verificamos que estes assinalaram 3,12% menos as estratégias comuns aos dois grupos.
108 As estratégias mais assinaladas pelos leitores do texto B foram: enquanto li, revisei e reconsiderei os conhecimentos que tinha sobre o assunto do texto, com 88,23%; observei o título do texto e estabeleci hipóteses sobre o seu assunto; e eu estabeleci um objetivo para a leitura desse texto (por exemplo, ler para responder as questões de compreensão), respectivamente com 82,35%. Foi possível constatar que a segunda estratégia também está entre as mais assinaladas pelos leitores do texto A. Além dessas estratégias três outras foram amplamente marcadas com quase 60% a saber: reli trechos quando encontrei dificuldades para compreendê-los; eu prestei mais atenção às partes que considerei mais importantes do texto e reli trechos do texto quando não entendi a relação entre as informações.
Considerando que a estratégia de estabelecer um objetivo para a leitura do texto é de suma importância para a atividade de leitura, é importante destacarmos seu uso pelos dois grupos de leitores. Verificamos que os leitores do texto B assinalaram esta estratégia quatro vezes mais que os leitores do texto A (82,35%), uma vez que ela foi marcada por 58,82% dos leitores do texto A. As estratégias menos assinaladas pelos leitores do texto B foram: pulei trechos do texto que não entendi, com 0%; somente passei o olho em trechos que considerei pouco relevantes para a compreensão do texto e formulei mentalmente alguma pergunta sobre o texto para entendê-lo melhor, respectivamente com 11,76%, e ainda eu usei pistas tipográficas (palavras em negrito, itálico, palavras em letras maiúsculas, letras coloridas e etc.) quando li o texto, com 23,52%. As estratégias menos assinaladas pelos leitores do texto A e pelos do texto B foram praticamente as mesmas, com exceção desta última que foi marcada por mais de 50% dos leitores do texto A.
Observando as estratégias assinaladas pelos dois grupos verificamos que os leitores do texto A assinalaram as seguintes estratégias mais que os leitores do texto B: observei o título do texto e estabeleci hipóteses sobre o seu assunto; reli trechos quando encontrei dificuldades para compreendê-los; eu usei pistas tipográficas (palavras em negrito, itálico, palavras em letras maiúsculas, letras coloridas e etc.) quando li o texto; formulei mentalmente alguma pergunta sobre o texto para entendê-lo melhor; pulei trechos do texto que não entendi. Porém, não houve uma diferença elevada entre os dois grupos, que foi em média 11,76%. Destas estratégias observamos uma discrepância maior entre o número de participantes que assinalaram a terceira das estratégias acima mencionadas. Verificamos uma diferença de quase 30% (cf. Apêndice IX), provavelmente porque o infográfico, presente no texto A fornecia mais pistas tipográficas que o texto B.
109 Os leitores do texto B, por sua vez, assinalaram as seguintes estratégias em maior número que os leitores do texto A: enquanto li, revisei e reconsiderei os conhecimentos que tinha sobre o assunto do texto; fiz interrupções na leitura quando não entendi um trecho; relembrei os principais pontos do texto para verificar se estava compreendendo o texto; deduzi informações do texto para compreendê-lo; reli trechos do texto quando não entendi a relação entre as informações; li o texto mais de uma vez para relembrá-lo ou compreendê-lo melhor; eu estabeleci um objetivo para a leitura desse texto (por exemplo, ler para responder as questões de compreensão). Nesse caso a diferença entre o número de leitores do texto B que assinalaram estas estratégias foi um pouco maior, em média 14,28%.
Além disso, verificamos que algumas das estratégias comuns foram assinaladas pelo mesmo número de leitores do texto A e do texto B, a saber: eu comparei as hipóteses que havia criado com as informações do texto a fim de confirmá-las ou modificá-las, com 52,94%; fiz interrupções na leitura a fim de observar se estava entendendo o texto, com 47,05%; eu prestei mais atenção às partes que considerei mais importantes do texto, com 58,82%; e analisei se as informações do texto fazem sentido, com 52,94%.
Os leitores do texto B também citaram estratégias além das que listamos no inventário, a saber: enquanto li ativei conhecimentos que já tinha sobre o assunto; li prestando atenção na sequência de palavras e na organização do texto, por ser um texto científico; e prestei mais atenção às citações. É possível observar, nas duas últimas estratégias citadas, uma preocupação com a compreensão do texto mediante a ativação de estratégias que visam manter a atenção, inclusive, no caso da segunda estratégia, em relação à estrutura textual. Podemos perceber que seu uso pode ter ocorrido, provavelmente, em razão do leitor não ter, ou ter pouca familiaridade com a estrutura genérica ou ainda, por uma exigência do próprio gênero que, comumente, traz conhecimentos alheios ao dia a dia dos leitores.