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No ano de 2004 foram identificados os problemas da região vivenciados pela população local como sendo o alto índice de pacientes acometidos com câncer, água não adequada para consumo, emprego e renda insuficientes, saúde do município e problemas sociais decorrentes e, por fim, o alcoolismo e o uso excessivo de medicamentos controlados.

Em 2006 os problemas levantados foram alto índice de pacientes acometidos com câncer, geração de renda, abastecimento de água, saúde no município, preocupação com os jovens, educação, infra-estrutura e moradia, agricultura local e gravidez na adolescência.

A partir do monitoramento efetuado em 2006 pode-se observar que a preocupação da população local continua sendo o elevado índice de habitantes acometidos com câncer, porém a população aponta como possíveis causas não mais a água do açude, mas fatores como alimentação, fumo e bebida, fatores genéticos entre outros.

A construção das cisternas, a instalação do filtro e dos dessalinizadores sinalizam à população a execução de medidas que viabilizam o uso da água do açude para consumo. Embora tenham sido executadas todas as metas relacionadas à adequação do sistema de abastecimento da cidade de Lucrécia, a redução de incidência de casos de câncer deverá ser verificada somente após 10 a 15 anos.

A população local, atualmente, não utiliza a água do açude para consumo direto, apenas para lavagem de roupa e higiene pessoal, apesar da adequação do sistema de filtragem, o qual proporciona água compatível com os padrões de potabilidade estabelecido pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde.

A intervenção realizada na região necessitará de tempo para promover os efeitos, de preferência os efeitos desejados. São poucas as ações de reversão do impacto ambiental que apresentam imediata melhoria. A velocidade da reconstrução é inferior à da destruição.

A população local convive com esta problemática já há alguns anos, por outro lado o grupo GSMA da Universidade Católica de Brasília desenvolve estudos e pesquisas com planejamento de ações locais, atreladas à minimização da problemática ambiental há apenas 2(dois) anos.

Algumas considerações merecem o registro quanto à comparação da percepção da população local das forças e fraquezas e oportunidades e ameaças.

Existe uma clara preocupação com a geração de emprego e renda para a população local, principalmente em relação aos jovens. Some-se a este fato a identificação do poder público como única fonte geradora de renda e, também a falta de empreendedores para instalar na região indústrias que propiciem trabalho.

A identificação de oportunidades de trabalho deve partir de estudo de viabilidade econômica que localize não apenas as atividades historicamente realizadas na região, mas levem em consideração as necessidades relativas à infinidade de cadeias produtivas existentes na economia atual. Verificar as potencialidades da região, a aplicação de tecnologias atuais nos processos produtivos, as dificuldades vivenciadas pelos habitantes locais levará sem dúvida, à consecução de metas aderentes, baseadas em estudos reais e não a planejamentos de escritório dissociados da realidade.

A problemática identificada, segundo os estudos interdisciplinares do GSMA, sinaliza claramente que podem existir causas variadas e complementares; justamente pela complexidade das questões ambientais que não se enquadram dentro de uma ou outra especialidade. A continuidade da ação local deverá então contemplar a diversidade de

olhares científicos com objetivo de aplicação local para reverter determinada situação ou preservá-la.

As ações de conscientização com a população não devem ser pontuais, ou seja, serem realizadas em apenas uma etapa do projeto. O processo de conscientização visa mudança de atitude em relação ao objetivo da ação. Para que a mudança de entendimento, de percepção e de atitude aconteça é imprescindível a realização de ações contínuas, com divulgação de informações de forma clara para o entendimento da população local. Este processo consiste em adotar uma linguagem aderente às peculiaridades lingüísticas regionais, além de acontecer periodicamente.

Importante considerar que o processo de participação democrática exige respeito e tolerância de todos envolvidos. Parece ser o grande desafio na medida em que cada participante considera o seu entendimento como o correto. Lidar com a diversidade leva a comunidade a um novo patamar de resolução de problemas por permitir focar nas soluções pragmáticas necessárias. A maneira de tratar a problemática será oportunidade para mudar, para buscar coletivamente formas não apenas de solucionar o problema, mas também novas formas de relacionamento e evolução.

O planejamento estratégico constitui-se apenas em uma ferramenta. Neste estudo apresentou-se como adequada, na medida da identificação das causas possíveis e da priorização de estratégias e metas.

Como dito anteriormente, não existe planejamento estratégico sem pensamento estratégico.

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LEGISLAÇÃO

No ordenamento jurídico brasileiro a preocupação com a preservação das matas já constava da Carta Régia de 1797. O Código Florestal de 1934 inova com a criação de unidades de conservação previstos em seus artigos 9º e 10, a previsão de criação de Parques Nacionais, de espaços protegidos como Florestas Protetoras e Florestas de Rendimento, além de prever a criação do primeiro parque nacional brasileiro, o Parque de Itatiaia em 1937.

O Estatuto da Terra, Lei 4.504/64 fundamenta as bases constitucionais da representação do imóvel rural não apenas como propriedade privada, mas também como fatos de desenvolvimento social e econômico.

O Código Florestal, Lei 4.771/65, que até os dias atuais não possui decreto que o regulamente, estabelece uma série de definições como Áreas de Preservação Permanente – APP, Reserva Legal, parâmetros de preservação, definição de autorização para supressão de área de preservação, prerrogativas do poder executivo de ação na Amazônia Legal, exploração de florestas, contravenções penais que foram recepcionadas pela Lei 9.605/98 que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

É importante ressaltar que, antes da Lei 6.938/81, não havia no direito brasileiro uma preocupação sistemática com a tutela ambiental e, o que é mais importante, a preocupação com a defesa do meio ambiente era sempre uma preocupação secundária da legislação.

O conceito normativo de meio ambiente encontra-se estabelecido no art. 3º da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, que visa à preservação, à melhoria e recuperação do meio ambiente e do equilíbrio ecológico por meio de instrumentos de intervenção, controle e